24/10/2008

Hindu Dharshana 


O equivalente indiano da palavra ocidental "filosofia" é o termo sânscrito “Darśana” formado à partir da raiz "drś", que significa “visão” ou “percepção”. Seu significado era apenas isto, mas veio a incluir a visão da imagem de uma divindade que no ofício religioso concede bênçãos especiais. Com as críticas dos Śramaṇas, incluindo Buddha e Mahavira que negaram a autoridade dos Vedas, os Upanishads finalmente foram escritos e investigados, então, o termo “darśana” veio a se referir, também, às diferentes visões dos Vedas que se cristalizaram em seis “pontos de vista que conduzem à liberação da ignorância, do sofrimento e do samsara”. Os seis sistemas ortodoxos (astika) da filosofia Hindu são: Mimamsa, Vedanta, Samkhya, Ioga, Nyaya, e Vaisheshika.

Cada darshana foi composto por um autor na forma de sutras (aforismos), e se tornou ponto de referência obrigatório para novos comentários. Às vezes conflitantes, os darshanas do hinduísmo, inspirados implicitamente por uma noção de unidade mantiveram certa coerência em suas propostas essenciais. Wikipedia: Darśana

Mimansa

Mīmāṃsā, palavra Sânscrita que significa "pesquisa ou observação sistemática", é o nome de uma das seis escolas da filosofia Hindu (astika), que investiga a natureza do dharma com base numa profunda hermenêutica dos Vedas. Fundamenta-se no correto ritualismo (orthopraxis), no anti-ascetismo e no anti-misticismo. O objetivo central da escola é a elucidação da natureza do dharma, entendida como um conjunto de deveres rituais e obrigações que devem ser praticados adequadamente. A natureza do dharma não é acessível à razão ou à observação, deve ser inferida a partir da autoridade da revelação contida nos Vedas, que são considerados eternos, sem autoria (apaurusheyatva) e infalíveis.

O Sistema Mimamsa é melhor conhecido como Pūrva Mīmāṃsā (Investigação "anterior", ou como Karma-Mīmāṃsā), enquanto Uttara Mīmāṃsā (Investigação "posterior", é conhecida como Vedanta). Esta divisão é baseada numa dicotomia dos textos Védicos fundamentada no Karma-kāṇḍa: a parte dos Vedas que trata dos ritos sacrificiais (Samhitas e Brahmanas) e, ao jñāna-kāṇḍa dedicado ao conhecimento de Brahman (Upanishads).
O texto fundamental da escola Mimamsa é o Purva Mimamsa Sutras de Jaimini (séc.III AC). Um grande comentário foi elaborado por Śābara no século V ou VI DC. A escola chega ao apogeu com Kumārila Bhaṭṭa e Prabhākara (em 700 BC) que escreveram extensos comentários sobre o Mimamsasutrabhāshyam de Śābara. O Mimansa durante algum tempo, desde o início da Idade Média, exerceu dominante influência sobre o pensamento hindu sendo creditado como uma das principais causas da decadência do Budhismo na Índia mas, também, foi sobrepujado pelo Vedanta.

Dharma como entendido pelo Mimamsa pode ser traduzido como "virtude", "moralidade" ou "dever". A escola Mimamsa considera como fonte de conhecimento do dharma não a experiência sensorial, nem a inferência, mas a cognição verbal dos vedas (Revelação).
O mimansa é essencialmente ritualista, fundamenta-se na ação do Karma e nas prescrições Védicas. Neste sentido, como reação ao "misticismo" do Vedanta rejeita ou deprecia Moksha (liberação). O Mimamsa é ateu, enfatiza a prática correta em oposição à crença, rejeita um Deus criador, bem como quaisquer escrituras sobre dharma fora da tradição Védica, mas aceita Svarga (céu), lugar temporário para onde vão as pessoas após a morte. Mimansa: Wikipedia.....Purva Mimamsa Home Page


Vedanta


O Vedanta é o principal ramo da filosofia Hindu. A palavra Vedanta é composta de veda "conhecimento" e anta "fim, conclusão", significando a "a finalização dos Vedas". O Vedanta, também, chamado de Uttara Mimamsa (investigação posterior), é associado ao Purva Mimamsa (primeiras investigações). O Purva Mimamsa, ou simplesmente Mimamsa, refere-se às explicações dos rituais Védicos (Samhita e Brahmanas), mas o Vedanta investiga os conteúdos esotéricos dos Aranyakas (livros da floresta) e dos Upanishads compostos desde o séc. VI AC, até os tempos modernos

História
Enquanto o tradicional Védico 'karma kanda' (componentes ritualísticos dos Vedas) continuou a ser praticado pelos Brâmanes através de ritos expiatórios e contemplativos com o objetivo de orientar a sociedade no autoconhecimento, mais e mais jnana ou conhecimentos baseados na contemplação começaram a surgir. Foram fluxos místicos da religião Védica centrados na meditação, na autodisciplina e na conectividade espiritual mais do que em rituais.
O Vedanta, a princípio, simplesmente se referia aos Upanishads, os mais especulativos e filosóficos dos textos Védicos. No entanto, a partir do período medieval a palavra Vedanta veio a significar a escola filosófica que pesquisa e investiga os enigmas propostos pelos Upanishads. O Vedanta tradicional considera as provas contidas nas escrituras, ou shabda pramana, como as mais autênticas formas de conhecimento; embora percepção (pratyaksa), e inferência lógica (anumana), também, são consideradas válidas.

Fontes de textos
Todas as formas de Vedanta procedem principalmente dos Upanishads, e algumas são derivadas dos primeiros Aranyakas (livros da floresta escritos por ascetas renunciantes).
A mais importante concepção filosófica extraída dos Upanishads, aquela da Realidade Absoluta Única denominada Brahman é o principal princípio do Vedanta. O sábio Badarayana, autor dos Brahma Sutras, foi um dos primeiros proponentes desta filosofia. O conceito 'Brahman' - o Supremo Espírito ou o Eterno, Auto-existente, imanente e transcendente, Suprema e Última Realidade - fundamento de todos os Seres - é base para a maior parte das escolas do Vedanta. O conceito Ishvara (Deus), também, está lá, e as sub-escolas do Vedanta diferem-se, principalmente, na identificação de Ishvara com Brahman.
Os Upanishads foram redigidos em linguagem enigmática, levando a contraditórias interpretações. No início, vários estudiosos interpretaram os Upanishads e outras escrituras como os Brahma Sutras de acordo com suas próprias compreensões influenciados pelas imposições do seu tempo.
Há um total de seis importantes interpretações dos textos fonte, dos quais, três (Advaita Vedanta, Vishishtadvaita e Dvaita) se destacam. Estas escolas de pensamento do Vedanta foram fundadas por Shri Adishankara, Shri Ramanuja e Shri Madhvacharya, respectivamente.
Os proponentes de outras escolas de Vedanta, também, continuaram a escrever e desenvolver as suas idéias, embora as suas obras não fossem reconhecidas fora dos pequenos círculos de seguidores na India. Wikipedia: Vedanta

Advaita Vedanta
Advaita Vedanta (अद्वैत वेदान्त) é uma sub-escola do Vedānta. Advaita (literalmente, não-dualidade) é considerado um sistema monista de pensamento. A palavra "Advaita" refere-se essencialmente a identidade da alma individual, Self (Atman) com Brahman (O Absoluto).
As contribuições de Shânkara para o Advaita são relevantes. Suas principais obras são os comentários sobre a Prasthanatrayi (Brahma Sūtras, Bhagavad Gītā e Upanişads) e do Gaudapadiya Karikas de Gaudapada. Ele também escreveu um grande tratado independente, chamado Upadeśa Sāhasrī, onde desenvolve sua filosofia.
Seu sistema, aceito por Gaudapada, seu mestre, e por Govinda Bhagavatpada apresenta um método crítico de exegese ao consenso metafísico dos Upanishads, esse procedimento foi adotado por todas as escolas posteriores do vedanta. Outra característica distintiva do seu trabalho é a sua recusa de interpretar literalmente as afirmações das escrituras e por adotar interpretações simbólicas, onde necessário, Em uma famosa passagem de seu comentário sobre o Brahma Sutras de Badarayana, ele diz "Como cada um dos meios de conhecimento (Pramanam) está limitado a determinado domínio. O domínio das escrituras (Shabda Pramanam) é o do conhecimento do Self. Se as escrituras dizem alguma coisa sobre outro domínio - como o do mundo à nossa volta - contradizendo a verdadeira percepção (Pratyaksha Pramanam) e a inferência (Anumana Pramanam) diz-nos, então, que as declarações das escrituras devem ser interpretadas simbolicamente...”
Wikipedia: Advaita Vedanta

Conceitos fundamentais
Brahman
De acordo com Adi Shankara, Deus, o Supremo Espírito Cósmico ou Brahman é o Um, o todo e única realidade. Exceto Brahman, todo o resto é falso, incluindo o universo, os objetos materiais e as pessoas. Brahman é descrito como a infinita, onipresente, onipotente, incorpórea, impessoal realidade transcendente que é o fundamento de todos os seres.
Brahman é muitas vezes descrito como neti neti que significa "não isto, e nem aquilo", pois não pode ser corretamente descrito como isto ou aquilo. É o fundamento disto e daquilo, é o fundamento de todas as forças, das substâncias, de toda a existência, é o indefinido, o fundamento de tudo, o não nascido, a verdade essencial, o imutável, o eterno, o absoluto.
Como pode ser corretamente descrito como algo do mundo material quando ele mesmo é a base da realidade?
Brahman está além dos sentidos, assim como não é possível a um cego descrever corretamente as cores, é indescritível. Ele, embora, não sendo substância, é a base do mundo material, o qual, por sua vez, é uma das suas ilusórias transformações. Brahman não é efeito nem causa do universo. Brahman é a pura autoconsciência, e ilumina tudo como sua infinita fonte de luz.
Devido à ignorância (avidyā), Brahman é confundido com o mundo material e seus objetos. Brahman não possui atributos nem forma (Nirguna Brahman). É auto-existente, é o Absoluto e o Indestrutível (não é objeto de adoração, mas sim de meditação). É impossível descrever Brahman. É melhor caracterizado como "Satchidananda" ("Sat" + "Chit" + "Ananda"), ou seja, Verdade Absoluta, Consciência Absoluta e Eterna Bem-Aventurança). Wikipedia: Brahman

Atman
Atman ou Self (Alma) é o prório Brahman. Não se trata de uma parte que finalmente se dissolve em Brahman, mas Brahman em sua totalidade. Agora, os questionadores perguntam, como pode uma alma individual confinada em cada corpo ser o próprio Brahman?
Adi Shânkara explica que Atman (Self) não é um conceito particular. Atman é apenas um e único, é um conceito universal. Realmente, Atman por si mesmo é: Atman Ekaatma Vaadam. A existência de vários Atmans é um conceito falso: Anekaatma Vaadam. Shânkara diz que assim como a mesma lua aparece como várias luas em suas reflexões sobre a superfície ondulada da água, Atman aparece como múltiplos atmans quando é refletido por Maya.
Atman, sendo o implícito observador de todas as modificações, é livre e não é afetado por felicidade ou sofrimento porque está além da experiência. Não é afetado pelo Karma porque não age (Aaptakaama). É incorpóreo e independente.
Quando o reflexo de Atman é contaminado por Avidya (ignorância), Atman torna-se jīva - ser vivo com corpo e sentidos. Cada jiva sente como se fosse uma unidade distinta de Atman, chamado jivatman. O conceito de jiva é apenas relacional. Em nível transcendental, jivatman se transforma em Atman que é idêntico a Brahman.
Shânkara demonstrou a relatividade, e a natureza irreal do mundo objetivo e declarou a verdade do Advaita (Um sem um segundo) através das análises dos três estados de consciência - vigília (vaishvanara), sonho (taijasa), e de sono profundo (prajna). Wikipedia: Atman

Maya
Segundo Shânkara, Māyā é o poder de Brahman de criar ilusões. Através do qual o próprio Brahman pode ser visto como o mundo material composto de formas distintas. Maya tem duas funções principais - uma é a de "ocultar" Brahman da percepção humana ordinária, e a outra é a de apresentar em seu lugar o mundo material. Māyā não pode ser descrito, porém, pode-se dizer que todos os dados sensoriais introduzidos na nossa consciência através dos cinco sentidos são Māyā, pois a realidade fundamental subjacente à percepção sensorial torna-se completamente oculta. Diz-se, também, que Māyā não é completamente real nem completamente irreal e, daí, o indescritível. O seu refúgio é Brahman, mas Brahman não é afetado pelas ilusões de Maya, exatamente como um mago que não é enganado por sua própria magia.
De acordo com as Upanishads apenas Brahman é real, mas nós percebemos o mundo material como real, Shânkara explicou esta anomalia com o conceito do poder de ilusão de Māyā.

Moksha
Liberação ou Moksha (Nirvana do budismo) – O Advaita Vedanta proclama Maya como a causa do sofrimento, e só o conhecimento de Brahman (Jnana) pode destruir Maya. Quando, finalmente, Maya é removido não existe nenhuma diferença entre o Jiva-Atman e Brahman. A pessoa que atinge em vida esse estado (turiya) é chamada Jivan mukti. Enquanto se está em nível fenomenal, pode-se cultuar Deus de qualquer maneira e sob qualquer forma, como Krishna, Ayyappa ou qualquer outra forma, o próprio Adi Shânkara era adepto de culto devocional ou Bhakti. Mas Shânkara reconhecia que, embora os sacrifícios védicos, e os cultos devocionais (puja) pudessem levar ao verdadeiro conhecimento (jnana), eles seriam incapazes de levar a Moksha.

Vishishtadvaita Vedanta
O Viśishṭādvaita Vedanta (sânscrito: विशिष्टाद्वैत - Vishishtadvaita significa literalmente "Advaita com vishishtam: Não Dualismo com qualificação") proposto por Ramanuja é uma das escolas do Vedānta não-dualista, na qual Brahman é o único existente, mas se caracteriza pela multiplicidade. Asesha Chit-Achit Prakaaram Brahmaikameva Tatvam – Brahman mesmo sendo qualificado pelos modos (atributos) senciente e insenciente é a única realidade.
Os Prasthanatrayi (Upanişads, Bhagavad Gītā, e Brahma Sūtras) são interpretados de tal forma que demonstram essa unidade na diversidade, e afirmam que o jīvātman é uma parte de Brahman, e portanto seu similar, mas não idêntico. A principal diferença em relação ao Advaita é que no Vishishtadvaita, Brahman possui atributos, incluindo o indivíduo consciente, a alma e a matéria. São entidades distintas, mas, inseparáveis entre si. Esta escola propõe Bhakti ou devoção a Deus, visualizando Vishnu como caminho para a liberação. Māyā é entendido como o poder criativo de Deus.
A compreenção dos três princípios do Visishtadvaita , a saber Thathva, Hitha e Purushartha são pré-requisitos indispensáveis para quem aspira a liberação.
Thathva: O conhecimento das três entidades fundamentais: jiva (o senciente); Jagath (o insenciente) e Isvara (Vishnu – Narayana ou Parabrahman)
Hitha: Os meios de realização, ou seja, através de Bhakti (devoção) e Prapatti (auto-rendição)
Purushartha: A meta a ser atingida ou seja, moksha ou liberação da escravidão.
Wikipedia: Vishishtadvaita

Samkhya


Sankhya (sânscrito: सांख्य, IAST: Sāṃkhya é uma das seis escolas da filosofia ortodoxa indiana.
Kapila (Viveu provavelmente no Séc VII ou VI AC) é considerado o fundador dessa escola, o mais antigo dos sistemas filosóficos da Índia. Entretanto o principal texto, o Sankhya Karika foi escrito por Ishvara Krishna por volta de 200 DC. Atualmente não há nenhuma escola sobrevivente do Sankhya no Hinduísmo, mas a sua influência ecoa no Yoga e no Vedanta.


Metafísica dos Samkhya


O Samkhya pressupõe dois princípios: Purusha e Prakriti. Purusha (mônadas individuais) é consciência pura e Prakriti (Substrato material) é o aspecto dinâmico da consciência, mas inconsciente de si mesma.

O Sankhya defende uma dualidade radical entre consciência (Purusha ) e matéria (Prakriti). Todos os eventos físicos são considerados manifestações da evolução de Prakriti e cada ser senciente é um Purusha aprisionado em um corpo físico que por perda da discriminação fica confinado ao Samsara (roda da vida, ciclo de nascimentos e renascimentos ou escravidão), pois se engana em relação à sua própria identidade, acredita que é o próprio corpo físico que na verdade é uma das manifestações de Prakriti.

A característica mais notável do Sankhya é a sua singular teoria da evolução cósmica. Prakriti é a fonte das transformações do mundo, ela é pura potencialidade que evolui por ação dos três gunas em vinte e quatro tattvas ou categorias ontológicas. Os gunas estão em equilíbrio em prakriti-pradhana (natureza fundamental).


Segundo o Sankhya-Karika, seus atributos são descritos da seguinte maneira:
“Os três gunas tem a natureza da alegria, da impassibilidade e da tristeza, e tem, respectivamente, a função de iluminar, ativar e obscurecer. Sobrepujam-se uns aos outros e são interdependentes, produtivos e cooperativos em suas atividades”.
“A atividade dos três gunas é consciente e intencional:
Sattva é considerado elucidante e iluminante;
Rajas é estimulante e dinâmico;
Tamas é inerte e tem o poder de obscurecer.”

Para Max Muller a melhor maneira de explicar a ação dos gunas é pela comparação com a idéia de dois opostos e do termo médio entre eles, como a tese, a antítese e a síntese de Hegel, manifestando-se na natureza através da luz, da escuridão e do crepúsculo (ou aurora); na ética, através do bem, do mal e do amoral.

Quando Purusha interage com Prakriti, o equilíbrio primordial rompe-se, e Purusha perde a autoconsciência, desencadeando a ação dos gunas que geram os vinte e quatro tattvas:
Mahat, o grande princípio – é primeiro produto da evolução de Prakriti. Mahat tem a natureza da luminosidade e da inteligência, é conhecido como buddhi - intuição ou cognição - que significa a sabedoria superior.
Ahamkara, o princípio da individuação ou ego (segundo produto da evolução de Prakrit) é responsável pela autoconsciência dos seres vivos e introduz a distinção entre sujeito e objeto.
Manas, a mente inferior ou instintiva - evolui a partir do aspecto sattva de Ahamkara.
Jnana indriya, cinco órgãos sensoriais – audição, visão, tato, paladar e olfato.
Karma indriya, cinco órgãos de ação – fala, manipulação, locomoção, reprodução e excreção.
Tanmatras, cinco essências sutis – as potencialidades dos elementos (Mahabhuta).
Mahabhuta, os cinco elementos - éter, ar, fogo, água e terra. São os componentes do universo físico.

Moksha
Tal como outros grandes sistemas da filosofia indiana, o Sankhya considera a ignorância como a causa da escravidão e do sofrimento (Samsara). De acordo com o Sankhya, o Purusha, embora, pura, eterna e livre consciência, por ignorância, identifica-se com o corpo físico e seus constituintes, sendo então aprisionado no samsara.
O processo de liberação (involução cósmica) é o caminho inverso da evolução de prakriti, e é atingido pelo desenvolvimento das mais altas faculdades de discriminação adquiridas através da meditação e de outras práticas do yoga. O Sankhya, também, afirma que a devoção e o serviço desinteressado a Deus levam à clareza da mente e ao poder de discriminação entre o Eu e o não Eu.
Wikipedia: Sankhya

Links
An interactive map of the Yogic conception of mind
The Sánkhya Aphorisms of Kapila
The internet Encyclopedia of Philosophy: Samkhya

Prakrit and its Evolutes: Swami Jnaneshvara Bharati
The Panca Mahabhutas: P. G. Lalye
Origins of Samkhya and Raja Yoga

Vaisheshika

Vaisheshika, ou Vaiśeṣika, (sânscrito: वैशॆषिक)), proposto pelo Rishi Kaṇāda (séc, VI AC), é uma das seis escolas ortodoxas da filosofia hindu, historicamente associada à lógica e a física do sistema Nyaya.
O Vaiśeṣika desenvolve uma forma de atomismo e postula que todos os objetos do universo físico são redutíveis a um número finito de átomos.

Visão geral
Embora o sistema Vaishesika tenha se desenvolvido independentemente do Nyaya, os dois sistemas estão estreitamente relacionados em razão de suas teorias metafísicas. Na sua formulação clássica a escola Vaishesika discorda do Nyaya em um aspecto crucial: enquanto o Nyaya aceita quatro fontes válidas de conhecimento, o Vaishesika aceita apenas duas, a percepção e inferência.
O atomismo do Vaishesika também difere da teoria atômica da ciência moderna: de acordo com o Vaishesika, a atividade dos átomos é guiada ou dirigida pela vontade do Ser Supremo. É, portanto, uma forma de atomismo teístico.

Literatura do Vaisheshika
A mais antiga formulação sistemática do Vaisheshika é encontrada no Vaiśeṣika Sūtra de Kaṇāda (ou Kaṇabhaksha). Este tratado é dividido em dez livros. Os dois comentários sobre o Vaiśeṣika Sūtra, o Rāvaṇabhāṣya e o Bhāradvājavṛtti não são mais existentes. O Padārthadharmasaṁgraha de Praśastapāda (século IV DC) é o trabalho posterior mais importante desta escola. Embora comumente conhecido como bhāṣya do Vaiśeṣika Sūtra, este tratado é considerado um trabalho independente. Segue-se, o Daśapadārthaśāstra de Candra (648 DC), que é baseado no tratado de Praśastapāda, mas só está disponível em uma tradução chinesa.
O mais antigo comentário disponível sobre o tratado de Praśastapāda é o Vyomavatī de Vyomaśiva (Séc. VIII DC ). Os outros três comentários são o Nyāyakandalī de Śridhara (991 DC), o Kiranāvali de Udayana (século X), o Līlāvatī de Śrivatsa (século XI). O Saptapadārthī de Śivāditya, que também pertence ao mesmo período, apresenta o Nyāya e os princípios do Vaiśeṣika como partes de uma unidade. O Upaskāra de Śaṁkarā Miśra sobre o Vaiśeṣika Sūtra é também um importante trabalho.

Padartha (categorias)
De acordo com a escola Vaisheshika, tudo que existe, tudo que é cognoscível, e o que pode ser definido são padārthas (literalmente: o significado de uma palavra), objetos da experiência.
Todos os objetos da experiência podem ser classificados em seis categorias, dravya (substância), guṇa (qualidade), karma (atividade), sāmānya (generalidade), viśeṣa (particularidade) e samavāya (inerência).

Os textos posteriores do Vaiśeṣikas (Śrīdhara, Udayana e Śivāditya) acrescentaram mais uma categoria: abhāva (não-existência).
As primeiras três categorias são definidas como artha (o que pode ser percebido), e têm existência real e objetiva. As três últimas categorias são definidas como budhyapekṣam (produtos da discriminação intelectual) são categorias lógicas. As categorias são:

I. Dravya (substância): As nove substâncias reconhecidas são: pṛthvī (terra), ap (água), tejas (fogo), vāyu (ar), ākaśa (éter), kāla (tempo), dik (espaço), ātman (self) e Manas (mente). As cinco primeiras são chamadas bhūtas, substâncias com algumas qualidades específicas que podem ser percebidas.

II. Guṇa (qualidade): o Vaiśeṣika Sūtra menciona 17 guṇas (qualidades), aos quais Praśastapāda acrescentou outros 7. Embora uma substância possa existir independentemente, um guṇa (qualidade) não pode existir por si próprio. Os 17 guṇas originais (qualidades) são: rūpa (cor), Rasa (gosto), gandha (odor), sparśa (toque), saṁkhyā (número), parimāṇa (tamanho), pṛthaktva (inidividuality), saṁyoga (conjunção), vibhāga (disjunção), paratva (prioridade), aparatva (posterioridade), buddhi (conhecimento), sukha (prazer), duḥkha (dor), icchā (vontade), dveṣa (aversão) e prayatna (esforço).
Praśastapāda, acrescentou mais sete: gurutva (peso), dravatva (fluidez), sneha (viscosidade), dharma (mérito), adharma (demerit), śabda (som) e saṁkāsra (faculdade).

III. Karma (atividade): Os karmas (atividades) como os guṇas (qualidades) não têm existência própria, mas sim associados às substâncias. Enquanto uma qualidade é uma característica permanente da substância, uma atividade é temporária.
Ākaśa (éter), kāla (tempo), dik (espaço) e ātman (self), apesar de substâncias, são desprovidos de karma (atividade).

IV. Sāmānya (generalidade): Uma vez que há multiplicidade de substâncias, deve haver relações entre elas. Quando uma propriedade comum é encontrada em muitas substâncias, é chamada sāmānya.

V. Viśeṣa (particularidade): Por meio de viśeṣa, somos capazes de diferenciar as substâncias. Assim como os átomos fundamentais são inumeráveis, também os viśeṣas são inumeráveis.

VI. Samavāya (inerência): Kaṇāda definiu samavāya como a relação entre a causa e efeito. Praśastapāda definiu-a como a relação existente entre substâncias indissociáveis, atribuindo uma relação de conteúdo/continente. A relação samavāya não é perceptível, mas apenas inferida a partir das inseparáveis conexões entre as substâncias.

Epistemologia e Silogismo
A incipiente epistemologia do vaiśeṣika considerou apenas pratyaksha (percepção) e anumāna (inferência) como pramaṇas (meios válidos de conhecimento). Os outros dois, aceitos pela escola Nyaya, upamāna (comparação) e śabda (testemunho verbal) foram incluídos em anumāna. O silogismo do vaiśeṣika é semelhante ao do Nyaya, mas os nomes dados por Praśastapāda para os 5 membros do silogismo são diferentes.

A teoria atómica
Os primeiros textos do vaiśeṣika apresentaram o seguinte silogismo para provar que todos os objetos, ou seja, os quatro bhūtas: pṛthvī (terra), ap (água), tejas (fogo) e vāyu (ar) são feitos de indivisíveis paramāṇus (átomos): Suponhamos que a matéria não é feita de átomos indivisíveis e que é contínua. Tome uma pedra. Pode-se dividi-la em um número infinito de partes. Agora, considere a cordilheira do Himalaia que também tem infinitos pedaços, com o infinito número de pedaços que ela tem podemos construir outra cordilheira do Himalaia. Começamos com um pedaço e terminamos com uma cordilheira, o que é obviamente um absurdo, assim a suposição original de que a matéria é contínua está errada e por isso todos os objetos devem ser constituídos por um número finito de paramāṇus (átomos).

De acordo com a escola vaiśeṣika, o trasareṇu (partículas de poeira visíveis através dos raios solares que atravessam um pequeno buraco na janela são os menores mahat, partículas (perceptíveis) e são definidos como tryaṇukas (tríades). Estes são constituídas por três partes, cada uma das quais é definida como dvyaṇuka (dyad). Os dvyaṇukas são compostos por duas partes, cada uma é definida como paramāṇu (átomo). Os paramāṇus (átomos) são indivisíveis e eternos, não podem ser criados nem destruídos. Cada paramāṇu (átomo) possui a sua própria e distinta individualidade (viśeṣa).

Links
Wikipedia: Vaisheshika
Vaisheshika por Sri Swami Shivananda
A summary of Vaisheshika physics

The Philosophy of Nyaya And Vaisheshika of Hinduism

Vaiseshika - ancient Indian atomic spiritualism

 

Nyaya



Nyaya (lógica) é o nome de uma das seis escolas ortodoxas da Filosofia Hindu. O Sistema Nyaya fundamenta-se nos Nyaya Sutras, escrito por Aksapada Gautama no Séc. II AC. A mais importante contribuição prestada pelo Nyaya ao pensamento hindu, é a sua metodologia e a sua lógica, adotadas pela maioria das escolas filosóficas indianas, sua influência é comparável à da lógica Aristotélica na filosofia e nas ciência ocidentais.
O Nyaya é mais do que uma simples lógica é, na realidade, um caminho para a liberação (moksha) através do verdadeiro conhecimento. Por isso, seus teóricos dedicaram grandes esforços na identificação das fontes válidas do conhecimento para evitar enganos com ingênuas e meras opiniões.
O Nyaya reconhece apenas quatro fontes de conhecimento (pramana): pratyaksha (percepção), anumana (inferência), upamana (comparação) e shabda (testemunho verbal).

Pramana (Epistemologia):

Pratyaksha (percepção) é a principal fonte de conhecimento na epistemologia do Nyaya. A percepção é definida pelo contato direto com os objetos através dos órgãos dos sentidos. A percepção pode ser de dois tipos:

I- Laukika ou Sadharana (Ordinária), de seis tipos: visual, olfativa, auditiva tátil, gustativa e mental.

II- Alaukika ou Asadharana (Extra-ordinária), de três tipos: Samanyalakshana (percepção da generalidade a partir de objeto particular), Jñanalakshana (quando um órgão sensorial pode perceber qualidades não atribuíveis ao mesmo, como quando vemos uma pimenta, sabemos que ela pode ser picante ou ardente), e Yogaja (quando, a partir dos poderes e habilidades sobrenaturais adquiridas pela prática do Yoga, for possível perceber o passado, o presente e o futuro. Além disso, existem dois modos ou etapas na percepção: Nirvikalpa, quando se percebe um objeto sem ser capaz de reconhecer as suas características, e Savikalpa, quando for possível conhecer claramente as características do objeto. Todos os laukika e alaukika pratyakshas são savikalpa. Existe ainda uma outra forma chamada Pratyabhijña, quando for possível inferir algo de novo a partir da memória
Anumana (Inferência ) é uma das mais importantes contribuições de Nyaya. Pode ser de dois tipos - inferência em si mesma (Svarthanumana, onde não é necessário um procedimento formal, últimas três das cinco etapas), e inferência objetiva (Parathanumana, que exige uma metodologia sistemática em cinco etapas). A Inferência também pode ser classificada em três tipos: Purvavat (inferência de efeitos imperceptíveis a partir de uma causa percebida), Sheshavat (inferência de uma imperceptível causa a partir de um efeito perceptível) e Samanyatodrishta (quando a inferência não se baseia na causalidade, mas na uniformidade e na coexistência). Também é apresentada uma detalhada análise de erros apontando quando anumana pode ser falsa.

Upamana (Comparação), imperfeita forma de anumana, é o conhecimento da relação entre uma palavra e o objeto denotado pela palavra. É produzido pelo conhecimento da semelhança ou similaridade fornecida antecipadamente pela pré-descrição do novo objeto.
Shabda (Testemunho verbal ou palavra) também é aceita como pramana. Pode ser de dois tipos: Vaidika (Védica - palavras dos quatro Vedas sagrados, Palavras de Deus, compostas pelo próprio Senhor) e Laukika ou palavras e escritos de pessoas confiáveis.

Anumana (Teoria da inferência)
A metodologia de inferência envolve uma combinação de indução e dedução, partindo do particular para chegar a outro particular através da generalização. O processo passa por cinco etapas, como no exemplo dado:

• Existe fogo sobre a colina (Pratijña, requer prova)
• Porque há fumaça lá (Hetu - razão ou causa)
• Sempre que há fogo, há fumaça (Udaharana - exemplo)
• Como há (existe) fumaça sobre a colina (Upanaya - reafirmação)
• Portanto, há fogo sobre a colina (Nigamana - conclusão).
De acordo com a terminologia do Nyaya, a colina seria chamada de paksha (termo menor), o fogo é chamado de sadhya (termo maior), a fumaça é chamada de hetu (razão ou causa), e a relação entre a fumaça e o fogo, é chamada de vyapti (termo médio).

Hetu (razão ou causa) ainda tem cinco características: (1) Deve estar presente em Paksha, (2) Deve estar presente em todos os casos positivos, (3) Deve estar ausente em todos os casos negativos, (4) Não deve ser incompatível com o termo menor ou Paksha e (5) Não deve haver contradições com outros meios de conhecimento.
As falácias em Anumana (hetvabhasa) podem ocorrer devido ao seguinte:
[1] Asiddha: É quando hetu (razão ou causa), sem prova, causa uma falácia. [Paksadharmata]

[a] Ashrayasiddha: Se Paksha [termo menor] for irreal, então, não pode existir hetu. Por exemplo, O lótus celeste é perfumado, porque é um lótus como qualquer outro. [b] Svarupasiddha: Hetu (razão ou causa) não pode existir, de modo algum, em paksa. Por exemplo, O som é uma qualidade, pois é visível. [c] Vyapyatvasiddha: hetu (razão ou causa) condicional. “Sempre que há fogo, há fumaça". A presença de fumaça é devido à umidade do combustível.

[2] Savyabhichara: Esta é a falácia de causa (hetu) irregular. [a] Sadharana: A causa (hetu) é muito extensa, está presente em sapaksa e vipaksa. “A colina tem fogo porque é cognoscível". [b] Asadharana: A causa (hetu) é muito limitada, está presente, apenas, em Paksha, não está presente em Sapaksa e em Vipaksha. “O som é eterno, porque é audível". [c] Anupasamhari: Aqui a causa (hetu) é não-exclusiva. A causa (hetu) é toda inclusiva, e não deixa nada ao sabor de sapaksha ou vipaksha. Por exemplo, "Todas as coisas são não-eternas, porque são cognoscíveis". [3] Satpratipaksa: Aqui a causa (hetu) é contraditada por outra causa (hetu). Se ambas têm igual força, então nada segue. "O som é eterno, porque é audível ', O som não é eterno, porque ele é produzido (causado)". Aqui 'sonoro' é neutralizado por "produzido ou causado" e ambos são de igual força. [4] Badhita: Quando uma outra prova (como a percepção) que definitivamente contradiz o termo médio (hetu). "Fogo é frio porque é uma substância". [5] Viruddha: Ao invés de provar alguma coisa, prova-se o contrário. "O som é eterno, porque é produzido".

Teoria da causalidade
A causa é definida como o antecedente invariável e incondicional de um efeito e efeito é o invariável e incondicional conseqüente de uma causa. A mesma causa produz o mesmo efeito, e o mesmo efeito é produzido pela mesma causa.
As seguintes condições devem ser satisfeitas: [1] A causa deve ser o antecedente [Purvavrtti] [2] Invariável [Niyatapurvavrtti] [3] Incondicional [Ananyathasidha]

Nyaya reconhece cinco tipos de antecedentes contingentes [Anyathasiddha] [a] Puro antecedente contingente. E.g., a cor do ceramista do pano. [b] Causa remota não é uma causa porque não é incondicional. E.g., o pai do ceramista. [c] Os co-efeitos de uma causa não são causalmente relacionados. [d] Substâncias eternas, ou condições eternas não são antecedentes incondicionais. E.g., espaço. [e] Coisas desnecessárias. E.g., o burro da ceramista.
O Nyaya reconhece três tipos de causas: [1] Samavayi - causa material. E.g., fibra de um pano. [2] Asamavayi – causa formal. E.g., cor do fio que dá cor ao tecido. [3]-Nimitta - causa eficiente. E.g., o tecelão do tecido. Wikipedia: Nyaya
Links
Wikipedia: Indian logic
Wikipedia: Nyaya Sutras
The Nyaya Sutra
Nyaya Philosophy
Six Pramanas
The Nyaya System Of Indian Philosophy
Wikipedia: Navya Nyaya
Nyaya-Vaisheshika: The Indian Tradition of Physics

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