14/10/2008

Shaktismo (Culto Hindu da Mãe Divina)

























O Shaktismo, ("Doutrina do poder" ou "doutrina da Deusa") é um sistema do Hinduísmo centrado no culto à Shakti ou Devi, a Mãe Divina dos Hindus, como a absoluta realidade transcendente. Trata-se, juntamente com o Shivaísmo, o Vishnuísmo e o Smartismo, de uma das quatro escolas predominantes do Hinduísmo.
O Shaktismo considera Devi ("Deusa"), como o próprio Supremo Brahman, "um sem um segundo", aceita, também, todas as outras formas de divindades, que são consideradas suas diversas manifestações. Nos detalhes da sua filosofia e prática, o Shaktismo relembra o Shivaísmo, no entanto, os praticantes do Shaktismo, concentram-se na adoração à Shakti, como aspecto dinâmico da
Suprema Consciência , enquanto Shiva, seu o aspecto estático, é considerado apenas transcendente, e seu culto é geralmente relegado a um segundo plano.



As origens do Shaktismo encontram-se na pré-história da Índia e, na Civilização do Vale do Indo o culto da Deusa atinge grande expressão. Com a ocupação ariana e o consequente desenvolvimento da religião védica esse culto foi se extinguindo, mas ressurge revitalizado com a tradição Sânscrita.


Ao longo de sua história, o Shaktismo inspirou grandes obras da literatura e da filosofia hindus, e continua a influenciar fortemente o Hinduísmo popular ainda hoje. O Shaktismo é praticado em todo o subcontinente indiano e fora dele em inúmeras formas tanto Tântricas como não Tântricas. Suas duas maiores e mais notáveis escolas são: Srikula, da família de Sri, predominante no sul da Índia, e Kalikula da família de Kali, que prevalece no Norte e Leste da Índia.

Shakti e Shiva
Os Shaktas concebem a Deusa como a Suprema divindade, que é a fonte e o poder que controla todo universo. O Shaktismo, portanto, é o culto da divindade feminina e não significa uma rejeição à divindade masculina. No culto Shakta, Shiva é colocado em um "papel dependente ou inferior como um servo ou guardião da deusa". Os Shaktas alegam que Shiva seria um cadáver (shava), sem o poder da deusa. Esta doutrina é sacramentada nas imagens de Kali, em pé, sobre Shiva aparentemente morto. O Saundaryalahari, um renomado hino Shakta de Adi Shankara (800 CE), afirma que "a união de Shiva e Shakti permeia e sustenta o universo, mas Shiva não pode se manifestar quando dissociado de Shakti, este é um dos princípios fundamentais do Shaktismo”.

Associação com o Tantra
Um aspecto mal compreendido do Shaktismo é a sua estreita associação com o Tantrismo - um conceito ambíguo, carregado de preconceitos que sugerem cultos obscuros nos templos ortodoxos do sul da Índia, magia negra e práticas ocultas no norte de Índia, inclusive sexo ritual no Ocidente. Na verdade, nem todas as formas do Shaktismo são de natureza tântrica, assim como nem todas as formas de Tantra são de natureza Shaktica. Quando o termo "tantra" é usado em relação ao verdadeiro Shaktismo hindu, que na maioria das vezes refere-se a uma classe de manuais sobre rituais, e - mais amplamente - a uma metodologia esotérica centrada no culto da Deusa que envolve disciplina espiritual (sadhana), mantra, yantra, nyasa, mudra e de certos elementos da tradicional kundalini yoga, práticas que exigem a orientação de um guru qualificado após devida iniciação (diksha) e de instrução oral para complementar e elucidar as diversas fontes escritas.
Um dos mais polêmicos elementos do Shaktismo é o ritual dos "Cinco Ms" ou panchamakara (pancatattva), realizado em certas seitas do Tantrismo Shakta. No entanto, esses elementos tendem a ser super enfatizados e sensacionalizados por comentadores (pró ou contra), em geral, mal informados quanto à autêntica doutrina e prática do Shaktismo Tântrico. Além disso, mesmo dentro da própria tradição existem grandes diferenças de opinião quanto à correta interpretação do panchamakara, que é totalmente rejeitado por algumas linhagens. Em suma, a complexa inter-relação social e histórica dos elementos do Shaktismo Tântrico e não do Tântrico – e do Hinduísmo em geral, - é permeada por diversas questões controversas. Existem registros de que brâmanes védicos se envolveram com o Tantrismo Shakta em sua incipiente fase de desenvolvimento (a partir do Séc. VI). Embora o Tantrismo Shakta possa ter origem [pré-Védica ou aborígene] em cultos à deusa, quaisquer tentativas de distanciá-lo das tradições sânscritas hindus resultam em fracasso."

Principais Aspectos da Deusa
Os Shaktas reverenciam a Deusa em seus múltiplos aspectos e cada devoto pode escolher uma forma da Deusa (ishta-devi) como objeto de culto e meditação. Esta opção pode depender de muitos fatores, incluindo a tradição familiar, a prática regional, a linhagem do guru, a ressonância pessoal e assim por diante. Há milhares de formas da deusa, muitas delas associadas a templos, ou às características geográficas ou até mesmo às peculiaridades de cada aldeia. No entanto, todas elas são consideradas apenas aspectos da Única Suprema Deusa.

As mais reverenciadas e benevolentes deusas do hinduísmo popular são:
1. Adi Parashakti: a Deusa primordial, fonte transcendente do universo.
2. Durga (Amba, Ambika): a Deusa Mahadevi, a Suprema Divindade.
3. Sri-Lakshmi: a Deusa da realização material (riqueza, saúde, felicidade, amor, beleza, fertilidade, etc); shakti de Vishnu.
4. Parvati (Gauri, Uma): a Deusa da Realização Espiritual, Amor Divino; shakti de Shiva.
5. Saraswati: a Deusa da realização cultural (conhecimento, educação, música, artes e ciências, etc); shakti de Brahma; identificada com o mitológico rio Saraswati.
6. Gayatri: Deusa Mãe dos mantras.
7. Ganga: Deusa do rio transcendente; identificada com o rio Ganges.
8. Sita: Deusa shakti de Rama.
9. Radha: Deusa shakti de Krishna.
10. Sati: Deusa das relações matrimoniais; shakti original de Shiva.
Divindades tântricas: (Veja os principais artigos: Mahavidyas, Matrikas, e Yogini)
Grupos de Deusas: Assim como as "Nove Durgas" (Navadurga), as "Oito Lakshmis" (Ashta-Lakshmi) ou as "Quinze Nityas" - são muito comuns no Hinduísmo, nenhum grupo representa melhor o Shaktismo do que as Dez Mahavidyas (Dasamahavidya). Através delas, os Shaktas acreditam que a verdade única é percebida sob dez diferentes aspectos, assim como a Mãe Divina é adorada e reverenciada através das dez personalidades cósmicas. As Mahavidyas são consideradas tântricas por natureza, e são caracterizadas como:

1. Kali: A Deusa da desconstrução cósmica, anunciadora do pralaya ou "devoradora do tempo" (Divindade suprema do sistema Kalikula).
2. Tara: A Deusa protetora e guia. Aquela que salva.
3. Lalita-Tripurasundari (Shodashi): “A luz que brilha nos olhos de Shiva" (Divindade Suprema do sistema Srikula); A "Parvati do Tantrismo".
4. Bhuvaneshvari: Deusa Mãe do Mundo, ou aquela cujo corpo é o Cosmos.
5. Bhairavi: A deusa severa.
6. Chhinnamasta: A Deusa da auto-imolação.
7. Dhumavati: Deusa viúva.
8. Bagalamukhi: A Deusa que aniquila os inimigos.
9. Matangi: Deusa sem casta (no sistema Kalikula); Primeira dama de Lalita (no sistema Srikula); A "Saraswati Tântrica".
10. Kamala: A Deusa do Lotus; A "Lakshmi Tântrica”.
As sete mães “Sapta-Matrika" são as energias (Shaktis) dos principais deuses, colaboram com a grande Devi Shakta em sua luta contra os demônios."Segundo Bhattacharyya: A crescente importância do Shaktismo [desde as matrikas e yoginis no primeiro milênio DC] amplifica a difusão e o destaque do seu culto [...] O culto primitivo da Yogini, também, foi renovado com a crescente influência do culto das Sete Mães". Na literatura sânscrita as Yoginis representam as servas ou as manifestações de Durga quando empenhada na luta contra [vários demônios], as principais Yoginis são identificadas com as sete mães, Matrikas.
Desenvolvimento histórico e filosófico: (History of Shaktism: Wikipedia)
Os princípios do Shaktismo estão encobertos pelas brumas da pré-história, mas algumas luzes surgem com a descoberta das primeiras imagens da Deusa Mãe ( 20.000 AC) no Paleolítico Superior (Medição realizada através do decaimento do carbono 14). Também, milhares de estatuetas do sexo feminino, com cerca de 9500 anos, foram encontradas em Mehrgarh, um dos mais importantes sítios arqueológicos do período Neolítico.
Embora seja impossível reconstruir com precisão as crenças religiosas de uma civilização perdida em tempos tão remotos, acredita-se na evidência dos vestígios arqueológicos e antropológicos como indícios de que a Civilização do Vale do Indo seja a predecessora direta da moderna religião Shakta. Mas com a decadência da Civilização do vale do Indo que se dispersou lentamente e de sua virtual miscigenação com outros povos, inclusive arianos, surge a Civilização Védica (1500 - 600 AC) que ofuscou o culto da Mãe Divina.

O Shaktismo tal como existe hoje teve início com a literatura sânscrita na era pós Védica. Evoluiu durante o período épico e atingiu seu pleno desenvolvimento na era Gupta (300-700 DC), com muitos desdobramentos em eras posteriores. O principal e mais significativo texto sobre o Shaktismo é o Devi Mahatmya (400 – 500 DC), também conhecido como o Durga Saptashati, ou caminho de Chandi. Onde, pela primeira vez, vários elementos de natureza mítica, teológica incluindo os cultos relacionados às diversas divindades femininas foram reunidos no que foi chamado de “cristalização da tradição da Deusa”.
Outros textos importantes incluem o célebre Shakta Upanishad, bem como toda literatura Puranica de natureza Shakta, tais como o Devi Purana e o Kalika Purana, o Lalita Sahasranama (incluído no Brahmanda Purana), o Devi Gita (incluído no Devi-Bhagavata Purana), o Saundaryalahari de Shânkara e, também, vários Tantras.

Atualmente, constata Bhattacharyya, o Shaktismo está tão profundamente entranhado nas principais correntes do Hinduísmo que “deixou de ser apenas uma religião sectária”, pois apresenta uma essência de fácil compreensão e, conseqüentemente, com ampla aceitação.
Os recentes desenvolvimentos relacionados com o Shaktismo incluem a emergência do simbolismo Bharat Mata ("Mãe da Índia"), o significativo acréscimo de novos santos e gurus do sexo feminino, e da notável ascensão da "nova" deusa Santoshi Mata.

Como observa Johnsen: “Hoje, como há 10000 anos atrás, as imagens da Deusa estão por toda parte na Índia. Você vai encontrá-las pintadas nas laterais de caminhões, coladas aos painéis dos táxis, fixadas nas paredes das lojas. Você, também, verá frequentemente uma imagem da Deusa em local destacado de muitos lares Hindus. Na Índia, a veneração à Deusa não é, simplesmente, um 'culto’, é uma religião, [...] é uma tradição espiritual, psicologicamente madura. Diariamente, milhões de pessoas rendem-se ao culto da Mãe do Universo.”

Culto da Deusa
O Shaktismo engloba uma infinidade de práticas desde as encontradas de modo incipiente no animismo primitivo até às formas mais refinadas derivadas das especulações filosóficas que visam o acesso ao poder ou à energia da Divina Shakti. Suas principais escolas são Srikula, ou família de Sri, mais forte no sul da Índia, e a Kalikula, ou família de Kali, que prevalece no Norte e Leste da Índia.

Srikula: Família de Sri.
A tradição (sampradaya) Srikula dedica-se à adoração da Devi, sob a forma da Deusa Lalita-Tripurasundari, considerada a grande Deusa (Mahadevi). A escola Srikula, com raízes na Caxemira (final do primeiro milênio), se tornou muito forte no sul da Índia, pelo menos desde o sétimo século, e hoje, é a forma predominante do Shaktismo praticado nos estados do Sul da Índia como Andhra Pradesh, Karnataka, Kerala, Tamil Nadu e Tamil do Sri Lanka.

A família da Deusa Sri (Lakshmi) da escola Srikula, assimila a tradição bramânica (linha mestra da tradição hindu que estabelece regras extremamente puritanas e defende o tradicional sistema de castas), é mais forte no Sul da Índia.

O sistema Srividya é a escola mais conhecida da tradição Srikula, "um dos movimentos teologicamente mais influentes e sofisticados do Tantrismo Shakta. Seu principal emblema é o Sri Chakra a famosa imagem das tradições tântricas hindus. Sua literatura e sua prática são, certamente, as mais sistemáticas de que qualquer outra seita Shakta. A tradição Srividya concebe a Deusa na forma benevolente (saumya) e bela (saundarya), em contraste à percepção da Deusa Kali e Durga como “terrível (ugra) e horripilante (ghora)” na escola Kalikula. No entanto, cada aspecto da Deusa - maligno ou benigno - é identificado como Lalita.

O Sri Chakra é cultuado como a forma sutil de Lalita, quer como um diagrama bidimensional (por vezes construído, temporariamente, como parte do culto ritual; ou como uma gravura permanente em metal), ou em forma piramidal em três dimensões conhecido como Sri Meru. Não é raro encontrar um Sri Chakra ou um Sri Meru em templos do sul da Índia, porque – como os atuais praticantes afirmam - não existe qualquer dúvida de que esta é a mais elevada forma da Devi, e que algumas das práticas podem ser feitas abertamente. Mas o que você vê nos templos não é exatamente o culto do srichakra realizado privadamente.

As tradições (paramparas) do Srividya podem ser ainda subdivididas em duas correntes, a Kaula (vamamarga, prática heterodoxa) e a Samaya (dakshinamarga, prática ortodoxa).
A escola Kaula ou Kaulachara "apareceu como um sistema ritual coerente", no século oitavo, na Índia central, e seu maior proponente é o filósofo Bhaskararaya do século 18, que é considerado "o maior expoente da filosofia Shakta".

O sistema Samaya ou Samayacharya tem raízes nas obras de Lakshmidhara um comentador do século 16, que foi "um feroz defensor do puritanismo na reforma das práticas Tântricas de maneira a harmonizá-la com as prescrições da alta casta dos brâmanes". Muitos praticantes do Samaya, na realidade, não se consideram Shaktas ou tântricos, contudo, Brooks argumenta que, tecnicamente, em seu culto ambas ainda persistem, “apesar da rejeição dos Samayins".
Fora dos círculos brâmanicos, as linhagens do Kaula permanecem vivas e fortes – entretanto seus praticantes geralmente preferem o culto privado. Diz um ditado hindu, "Quando em público, é um Vaishnava, quando entre amigos, é uma Shaiva, mas, na intimidade, sempre é um Shakta". O sistema Samaya-Kaula marca uma divisão, "a antiga disputa no Tantrismo hindu" que continua a ser debatida vigorosamente ainda hoje.

Kalikula: Família de Kali
O sistema Kalikula (família de Kali) do Shaktismo, predominante no Norte e Leste da Índia, é a principal escola na Bengala Ocidental, em Assam, Bihar e Orissa, bem como, parcialmente, em Maharashtra e em Bangladesh. As linhagens Kalikula concentram-se na Deusa como concessora da sabedoria (vidya) e da liberação (moksha) e se apresentam, geralmente, em "oposição à tradição bramânica" considerada "excessivamente conservadora e repressora do processo experiencial (ou experimental) religioso”. Alguns estudiosos afirmam que a escola Kalikula rejeita completamente a tradição brâmanica, entretanto é difícil conciliar esta opinião com a pluralidade de pontos de vista existentes na grande tradição hindu que envolve a escola Kalikula. O grande místico hindu Sri Ramakrishna, provavelmente, um dos mais famosos devotos de Kali apesar de sua origem, brâmane, adorava Kali como Mãe Divina; além disso, não era um adepto da escola kalikula, mas sim um partidário da tradição smarta advaita, que considera a Deusa uma das cinco manifestações da Suprema Realidade.

As principais divindades do sistema Kalikula são Kali, Durga e Chandi. Outras deusas, também, são veneradas, Tara e as Mahavidyas, bem como as deusas regionais como Manasa, que protege das serpentes, e Sitala, que protege das doenças – todas são consideradas aspectos da Mãe Divina.

Os dois principais centros do Shaktismo localizam-se na Bengala Ocidental em Kalighat (região de Calcutta) e Tarapith no distrito de Birbhum. Em Calcutá, a ênfase está na devoção (bhakti) à deusa Kali: Ela é "a mãe amorosa que defende seus filhos e os protege ferozmente. Ela é, exteriormente, assustadora, com pele escura, dentes pontiagudos, ornada com um colar de crânios, e armada com espadas, arco e flexas e tridente, mas, internamente, é deslumbrante e bela. Ela concede um renascimento divino ou a suprema percepção religiosa. Seu culto é freqüentemente público - especialmente em festivais, tais como o Kali puja e o Durga Puja, cultos que envolvem contemplação ou a união dos devotos com amor da deusa, a visualização de sua forma, o canto de seus mantras, preces diante de sua imagem ou yantra e, também, oferendas".

Em Tarapith a manifestação da Deusa como Tara ("Aquela que Salva") ou Ugratara ("Feroz Tara") é predominante, é a deusa que concede a liberação (kaivalyadayini). [...] suas formas de sadhana envolvem mais as práticas do yoga e do Tantra do que as devocionais, que impõem, muitas vezes, sentar sozinho em terreno de cremação cercado por cinzas e ossos.
Existem elementos shamânicos associados à tradição Tarapith, incluindo a "conquista" da deusa, exorcismo, transe, e controle dos espíritos. O fundamento filosófico e devocional subjacente a todos esses rituais, no entanto, continua a ser a visão da Devi como a divindade suprema e absoluta.

Conforme percepção expressa por Ramakrishna, uma das mais influentes personalidades do moderno Hinduísmo:
Kali é perfeitamente igual a Brahman. O que se considera Brahman é, realmente, Kali. Ela é a energia fundamental. Sempre que a Energia permanece inativa, eu a chamo de Brahman, e quando ela cria, preserva ou destrói é Kali ou Shakti . O que você imagina como Brahman, conheço como Kali. Brahman e Kali não são diferentes, são como o fogo e seu poder ígneo: se alguém pensa em fogo, deve inferir o poder da combustão. Se alguém reconhece Kali, também, deve perceber Brahman; inversamente, quem reconhece Brahman encontra Kali. Brahman e Shakti (seu Poder) são idênticos. Quando procuro Brahman me entrego a Kali (ou Shakti)".

Festivais
Os Shaktas comemoram seus mais importantes festivais em inúmeros locais, com significados incrivelmente diferentes, associados às peculiaridades de cada templo ou às observâncias prescritas por cada divindade.
O mais importante festival Shakta é o Navaratri ("Festival das Nove Noites", ou "Sharad Navratri – Festival do Outono") que comemora a vitória da Deusa sobre diversos demônios, descrito no Devi Mahatmya. Esta festa ocorre no décimo dia conhecido como Dusshera ou Vijayadashami e, em Bengala, nos últimos quatro dias do Navaratri ocorre a celebração do Durga Puja, comemorando a vitória da Deusa Durga sobre o demônio-búfalo Mahishasura.

Existem outros Navaratris: Vasanta Navaratri ("O Festival das nove Noites na Primavera" ou Chaitra Navatri) - comemorado entre a primavera e o verão (março-abril), no mês hindu Chaitra. O Ashada Navaratri (“O Festival de verão das Nove Noites”) no mês hindu Ashadha.
A escola Srividya comemora o Vasanta Navaratri em homenagem à deusa Lalita em oposição ao Navratri de Durga do Outono. O templo Vaishno Devi no Jammu comemora seu principal Navaratri durante este período. O Ashada Navaratri é particularmente importante para os devotos da Deusa Varahi (com cabeça de javali), uma das sete Matrikas do Devi Mahatmya.

A maior parte dos Shaktas cultua Lakshmi, solenemente, em casa na noite de lua cheia após o Durga Puja denominado Khojagiri. Outro festival dedicado à Lakshmi é o Diwali (ou Deepavali, o "Festival das Luzes").
A principal festa hindu o Diwali, o ano novo do norte da índia, é realizada nas noites de lua nova, no mês Hindu Kartik (normalmente Outubro ou Novembro). Os Shaktas (e muitos não Shaktas) consideram-no como um outro Puja a Lakshmi e colocam pequenas luminárias fora dos seus lares e rezam para a deusa vir abençoá-los. O Diwali coincide com a celebração do Kali Puja, muito popular em Bengala, incluindo algumas tradições Shaktas, mas focando sua adoração em Kali e não em Lakshmi.

O Jagaddhatri Puja é comemorado nos últimos quatro dias do Navaratri, após o Kali Puja. É muito semelhante ao Durga Puja em seus detalhes e práticas e, é popular em Bengala, e em outras partes do leste da Índia. O Gauri Puja é realizado no quinto dia após o Ganesh Chaturthi, durante o puja a Ganesha no oeste da Índia, que celebra a chegada de Gauri, Mãe de Ganesha, que reencontra seu filho e o leva para casa.
Há diversas datas para o Saraswati Puja, dependendo da região e da tradição local. Comumente, no quinto dia do mês hindu de Phalguna (janeiro-fevereiro), os estudantes oferecem seus livros e instrumentos musicais para Saraswati e rezam para ela os abençoe em seus estudos. Em algumas partes da Índia, o Saraswati Puja é comemorado no mês de Magh; em outros locais, durante os três dias do final Navratri.

Os maiores festivais realizados em templos Shaktas são o Meenakshi Kalyanam e o Ambubachi Mela. O Meenakshi Kalyanam comemora o auspicioso casamento da Deusa (como Meenakshi) com Sundareshwara (Shiva) é realizado no Templo Meenakshi Amman, em Madurai, Tamil Nadu, com duração de 12 dias, contados a partir do segundo dia do mês lunar de Chaitra, em abril ou maio. O Ambubachi Mela é uma celebração da menstruação anual da deusa, realizada em junho / julho (durante a temporada das monções) no Kamakhya Temple, Guwahati, Assam. Nesta comemoração a Deusa é adorada sob a forma de um yoni esculpido em pedra, do qual brota, naturalmente, um fluxo colorido de vermelho.
Shaktism: Wikipedia

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