15/10/2008

Vaishnavismo


Vaishnavismo ou Vishnuismo é uma tradição do Hinduismo que difere de outras seitas pelo seu culto a Vishnu como a original fonte de todos os avatares. O supremo Deus é conhecido sob diferentes aspectos com os nomes de Narayana, Krishna, Vāsudeva ou como os avatares associados a Vishnu. Trata-se principalmente de uma religião monoteista, mas não a única. As suas crenças e práticas, especialmente os conceitos de Bhakti e Bhakti Yoga, são em grande medida baseados nos Upanishads Védicos e textos Purânicos como o Bhagavad Gita, os Padma Puranas, Vishnu e Bhagavata.

Os seguidores do Vaishnavismo são conhecidos como Vaishnavas ou Vaishnavitas. De acordo estatísticas recentes, mais de 70% dos Hindus são Vaishnavas, com grande maioria vivendo na Índia. No entanto, o crescimento da crença aumentou significativamente nos últimos anos fora da Índia. O ramo da tradição Gaudiya Vaishnava ampliou significativamente a difusão do Vaishnavismo no mundo, desde meados do século XX, e em grande parte através das ações de expansão geográfica do movimento Hare Krishna, principalmente, através da ISKCON e, mais recentemente, através de várias outras organizações Vaishnavas que realizaram atividades missionárias no Ocidente.
Os Épicos Puranicos: Bhagavata Purana, Ramayana, e Mahabharata
Os dois grandes épicos indianos, o Ramayana e o Mahabharata exercem importante papel na cultura, filosofia e teologia Vaishnava. O Ramayana descreve a história de Rama, um avatar de Vishnu, considerado o "rei ideal". A história fundamenta-se nos princípios do dharma, da moral e da ética. Sita, esposa de Rama, Lakshman e devotos de Hanuman desempenham, todos, funções fundamentais da tradição Vaishnava como exemplos de comportamento dharmico. Ravana, o rei do mal e vilão da história épica assume o papel oposto.
O Mahabharata é centrado em Krishna, e em detalhes históricos da guerra entre duas famílias de primos os Pandavas e os Kauravas. Krishna apóia os Pandavas, os cinco irmãos que assumem os principais papeis no drama. O principal tópico filosófico do Bhagavad Gita é o capítulo que descreve o diálogo entre Arjuna e Krishna antes da batalha final. O Bhagavad Gita, embora influente na maioria das filosofias do hinduísmo é de especial importância para os Vaishnavas que o consideram ser um registro preciso das palavras proferidas pelo próprio Krishna. Dependendo da Sampradaya ou de uma seita Vaishnava, Krishna é considerado quer como o próprio avatar de Vishnu, ou como a fonte de todos os avatares de Vishnu incluindo ele próprio, noção partilhada apenas pelas escolas Gaudiya e Nimbarka do Vaishnavismo.
Devoção
A teologia Vaishnava inclui as crenças fundamentais do hinduísmo, como a reencarnação, samsara, karma, e os vários sistemas de Yoga, mas com especial ênfase à devoção a Vishnu ou Krishna (bhakti) através do processo de Bhakti yoga, inclusive cantando o nome de Vishnu (bhajan), meditando em sua forma (dharana) e executando cerimônias de devoção à deidade (puja). As formas de culto a uma divindade estão, essencialmente, baseadas em textos como Pañcaratra e os vários Samhitas.

No culto Vaishnava os devotos consideram que Vishnu está dentro deles, como o Antaryami ou Deus interno como fundamento do seu ser e, que é uma parte da definição do nome Narayana. Ao contrário de outras escolas do hinduísmo cujo objetivo é a libertação (moksha), ou união com o Supremo Brahman, o objetivo final da prática Vaishnava é uma vida eterna de êxtase (ananda) na devoção a Vishnu, ou a um de seus muitos avatares, na região espiritual do "'Vaikuntha'', que se situa além do mundo da ilusão temporária (maya).

As três características do Supremo, tal como descrito no Bhagavata Purana - Brahman, Paramatma e Bhagavan - são vistos como um Vishnu Universal, Vishnu dentro do coração, Vishnu a personalidade, respectivamente.

Iniciação

Os Vaishnavas comumente seguem um processo de iniciação (diksha), dada por um guru, sob os quais são treinados a fim de compreender as práticas Vaishnavas. No momento da iniciação o discípulo recebe, tradicionalmente, um mantra específico que ele deve repetir tanto em voz alta ou interiormente com a mente, como ato de adoração a Vishnu ou um de seus avatares. A prática da oração repetitiva é conhecida como japa. O sistema de iniciação e o treinamento por um mestre espiritual é baseado em imposições das escrituras, consideradas sagradas na tradição Vaishnava: "Basta se aproximar de um mestre espiritual para aprender a verdade. Inquira-o humildemente e preste serviço a ele. Os seres realizados podem transmitir conhecimentos, para vós, porque eles vivenciam a verdade." (Bhagavad Gita) "Aquele que se iniciou no mantra Vaishnava e que é dedicado à veneração de Vishnu é um Vaishnava. Aquele que falha com estas práticas não é um Vaishnava." (Padma Purana) [21]

No entanto, algumas escrituras do ramo Gaudiya Vaishnava afirmam que basta um simples ato de adoração cantando o nome de Vishnu ou Krishna para ser considerado um Vaishnava: “Aquele que canta o santo nome de Krishna apenas uma vez pode ser considerado um Vaishnava. Essa é uma pessoa capaz de praticar a devoção e esta no topo da espécie humana." (Chaitanya Charitamrita)

Estudos ocidentais: Krishnology
O Vaishnavismo tem sido tema de estudo e de debate para muitos devotos, filósofos e estudiosos na Índia há muitos séculos. Nas últimas décadas este estudo foi também adotado por inúmeras instituições acadêmicas ocidentais, como o Oxford Centre for Hindu Studies e o Bhaktivedanta College. Entre os estudiosos do Vaishnavismo que colaboraram no diálogo com o ocidentente, incluem Tamala Krishna Goswami, Hridayananda dasa Goswami, Graham Schweig, Kenneth R. Valpey, Guy Becke e Steven J. Rosen, entre outros. Em 1992 Steven Rosen fundou The Journal of Vaishnava Studies como um veículo acadêmico de estudos hindus, do Vaishnavismo, e do Vaishnavismo Gaudiya, em particular.
Vaishnavism: Wikipedia



Shaktismo (Culto Hindu da Mãe Divina)




O Shaktismo, ("Doutrina do poder" ou "doutrina da Deusa") é um sistema do Hinduísmo centrado no culto à Shakti ou Devi, a Mãe Divina dos Hindus, como a absoluta realidade transcendente. Trata-se, juntamente com o Shivaísmo, o Vishnuísmo e o Smartismo, de uma das quatro escolas predominantes do Hinduísmo.
O Shaktismo considera Devi ("Deusa"), como o próprio Supremo Brahman, "um sem um segundo", aceita, também, todas as outras formas de divindades, que são consideradas suas diversas manifestações. Nos detalhes da sua filosofia e prática, o Shaktismo relembra o Shivaísmo, no entanto, os praticantes do Shaktismo, concentram-se na adoração à Shakti, como aspecto dinâmico da
Suprema Consciência , enquanto Shiva, seu o aspecto estático, é considerado apenas transcendente, e seu culto é geralmente relegado a um segundo plano.




As origens do Shaktismo encontram-se na pré-história da Índia e, na Civilização do Vale do Indo o culto da Deusa atinge grande expressão. Com a ocupação ariana e o consequente desenvolvimento da religião védica esse culto foi se extinguindo, mas ressurge revitalizado com a tradição Sânscrita.


Ao longo de sua história, o Shaktismo inspirou grandes obras da literatura e da filosofia hindus, e continua a influenciar fortemente o Hinduísmo popular ainda hoje. O Shaktismo é praticado em todo o subcontinente indiano e fora dele em inúmeras formas tanto Tântricas como não Tântricas. Suas duas maiores e mais notáveis escolas são: Srikula, da família de Sri, predominante no sul da Índia, e Kalikula da família de Kali, que prevalece no Norte e Leste da Índia.


Shakti e Shiva
Os Shaktas concebem a Deusa como a Suprema divindade, que é a fonte e o poder que controla todo universo. O Shaktismo, portanto, é o culto da divindade feminina e não significa uma rejeição à divindade masculina. No culto Shakta, Shiva é colocado em um "papel dependente ou inferior como um servo ou guardião da deusa". Os Shaktas alegam que Shiva seria um cadáver (shava), sem o poder da deusa. Esta doutrina é sacramentada nas imagens de Kali, em pé, sobre Shiva aparentemente morto. O Saundaryalahari, um renomado hino Shakta de Adi Shankara (800 CE), afirma que "a união de Shiva e Shakti permeia e sustenta o universo, mas Shiva não pode se manifestar quando dissociado de Shakti, este é um dos princípios fundamentais do Shaktismo”.

Associação com o Tantra
Um aspecto mal compreendido do Shaktismo é a sua estreita associação com o Tantrismo - um conceito ambíguo, carregado de preconceitos que sugerem cultos obscuros nos templos ortodoxos do sul da Índia, magia negra e práticas ocultas no norte de Índia, inclusive sexo ritual no Ocidente. Na verdade, nem todas as formas do Shaktismo são de natureza tântrica, assim como nem todas as formas de Tantra são de natureza Shaktica. Quando o termo "tantra" é usado em relação ao verdadeiro Shaktismo hindu, que na maioria das vezes refere-se a uma classe de manuais sobre rituais, e - mais amplamente - a uma metodologia esotérica centrada no culto da Deusa que envolve disciplina espiritual (sadhana), mantra, yantra, nyasa, mudra e de certos elementos da tradicional kundalini yoga, práticas que exigem a orientação de um guru qualificado após devida iniciação (diksha) e de instrução oral para complementar e elucidar as diversas fontes escritas.
Um dos mais polêmicos elementos do Shaktismo é o ritual dos "Cinco Ms" ou panchamakara (pancatattva), realizado em certas seitas do Tantrismo Shakta. No entanto, esses elementos tendem a ser super enfatizados e sensacionalizados por comentadores (pró ou contra), em geral, mal informados quanto à autêntica doutrina e prática do Shaktismo Tântrico. Além disso, mesmo dentro da própria tradição existem grandes diferenças de opinião quanto à correta interpretação do panchamakara, que é totalmente rejeitado por algumas linhagens. Em suma, a complexa inter-relação social e histórica dos elementos do Shaktismo Tântrico e não do Tântrico – e do Hinduísmo em geral, - é permeada por diversas questões controversas. Existem registros de que brâmanes védicos se envolveram com o Tantrismo Shakta em sua incipiente fase de desenvolvimento (a partir do Séc. VI). Embora o Tantrismo Shakta possa ter origem [pré-Védica ou aborígene] em cultos à deusa, quaisquer tentativas de distanciá-lo das tradições sânscritas hindus resultam em fracasso."


Principais Aspectos da Deusa
Os Shaktas reverenciam a Deusa em seus múltiplos aspectos e cada devoto pode escolher uma forma da Deusa (ishta-devi) como objeto de culto e meditação. Esta opção pode depender de muitos fatores, incluindo a tradição familiar, a prática regional, a linhagem do guru, a ressonância pessoal e assim por diante. Há milhares de formas da deusa, muitas delas associadas a templos, ou às características geográficas ou até mesmo às peculiaridades de cada aldeia. No entanto, todas elas são consideradas apenas aspectos da Única Suprema Deusa.

As mais reverenciadas e benevolentes deusas do hinduísmo popular são:
1. Adi Parashakti: a Deusa primordial, fonte transcendente do universo.
2. Durga (Amba, Ambika): a Deusa Mahadevi, a Suprema Divindade.
3. Sri-Lakshmi: a Deusa da realização material (riqueza, saúde, felicidade, amor, beleza, fertilidade, etc); shakti de Vishnu.
4. Parvati (Gauri, Uma): a Deusa da Realização Espiritual, Amor Divino; shakti de Shiva.
5. Saraswati: a Deusa da realização cultural (conhecimento, educação, música, artes e ciências, etc); shakti de Brahma; identificada com o mitológico rio Saraswati.
6. Gayatri: Deusa Mãe dos mantras.
7. Ganga: Deusa do rio transcendente; identificada com o rio Ganges.
8. Sita: Deusa shakti de Rama.
9. Radha: Deusa shakti de Krishna.
10. Sati: Deusa das relações matrimoniais; shakti original de Shiva.
Divindades tântricas: (Veja os principais artigos: Mahavidyas, Matrikas, e Yogini)
Grupos de Deusas: Assim como as "Nove Durgas" (Navadurga), as "Oito Lakshmis" (Ashta-Lakshmi) ou as "Quinze Nityas" - são muito comuns no Hinduísmo, nenhum grupo representa melhor o Shaktismo do que as Dez Mahavidyas (Dasamahavidya). Através delas, os Shaktas acreditam que a verdade única é percebida sob dez diferentes aspectos, assim como a Mãe Divina é adorada e reverenciada através das dez personalidades cósmicas. As Mahavidyas são consideradas tântricas por natureza, e são caracterizadas como:

1. Kali: A Deusa da desconstrução cósmica, anunciadora do pralaya ou "devoradora do tempo" (Divindade suprema do sistema Kalikula).
2. Tara: A Deusa protetora e guia. Aquela que salva.
3. Lalita-Tripurasundari (Shodashi): “A luz que brilha nos olhos de Shiva" (Divindade Suprema do sistema Srikula); A "Parvati do Tantrismo".
4. Bhuvaneshvari: Deusa Mãe do Mundo, ou aquela cujo corpo é o Cosmos.
5. Bhairavi: A deusa severa.
6. Chhinnamasta: A Deusa da auto-imolação.
7. Dhumavati: Deusa viúva.
8. Bagalamukhi: A Deusa que aniquila os inimigos.
9. Matangi: Deusa sem casta (no sistema Kalikula); Primeira dama de Lalita (no sistema Srikula); A "Saraswati Tântrica".
10. Kamala: A Deusa do Lotus; A "Lakshmi Tântrica”.
As sete mães “Sapta-Matrika" são as energias (Shaktis) dos principais deuses, colaboram com a grande Devi Shakta em sua luta contra os demônios."Segundo Bhattacharyya: A crescente importância do Shaktismo [desde as matrikas e yoginis no primeiro milênio DC] amplifica a difusão e o destaque do seu culto [...] O culto primitivo da Yogini, também, foi renovado com a crescente influência do culto das Sete Mães". Na literatura sânscrita as Yoginis representam as servas ou as manifestações de Durga quando empenhada na luta contra [vários demônios], as principais Yoginis são identificadas com as sete mães, Matrikas.
Desenvolvimento histórico e filosófico: (History of Shaktism: Wikipedia)
Os princípios do Shaktismo estão encobertos pelas brumas da pré-história, mas algumas luzes surgem com a descoberta das primeiras imagens da Deusa Mãe ( 20.000 AC) no Paleolítico Superior (Medição realizada através do decaimento do carbono 14). Também, milhares de estatuetas do sexo feminino, com cerca de 9500 anos, foram encontradas em Mehrgarh, um dos mais importantes sítios arqueológicos do período Neolítico.
Embora seja impossível reconstruir com precisão as crenças religiosas de uma civilização perdida em tempos tão remotos, acredita-se na evidência dos vestígios arqueológicos e antropológicos como indícios de que a Civilização do Vale do Indo seja a predecessora direta da moderna religião Shakta. Mas com a decadência da Civilização do vale do Indo que se dispersou lentamente e de sua virtual miscigenação com outros povos, inclusive arianos, surge a Civilização Védica (1500 - 600 AC) que ofuscou o culto da Mãe Divina.

O Shaktismo tal como existe hoje teve início com a literatura sânscrita na era pós Védica. Evoluiu durante o período épico e atingiu seu pleno desenvolvimento na era Gupta (300-700 DC), com muitos desdobramentos em eras posteriores. O principal e mais significativo texto sobre o Shaktismo é o Devi Mahatmya (400 – 500 DC), também conhecido como o Durga Saptashati, ou caminho de Chandi. Onde, pela primeira vez, vários elementos de natureza mítica, teológica incluindo os cultos relacionados às diversas divindades femininas foram reunidos no que foi chamado de “cristalização da tradição da Deusa”.
Outros textos importantes incluem o célebre Shakta Upanishad, bem como toda literatura Puranica de natureza Shakta, tais como o Devi Purana e o Kalika Purana, o Lalita Sahasranama (incluído no Brahmanda Purana), o Devi Gita (incluído no Devi-Bhagavata Purana), o Saundaryalahari de Shânkara e, também, vários Tantras.


Atualmente, constata Bhattacharyya, o Shaktismo está tão profundamente entranhado nas principais correntes do Hinduísmo que “deixou de ser apenas uma religião sectária”, pois apresenta uma essência de fácil compreensão e, conseqüentemente, com ampla aceitação.
Os recentes desenvolvimentos relacionados com o Shaktismo incluem a emergência do simbolismo Bharat Mata ("Mãe da Índia"), o significativo acréscimo de novos santos e gurus do sexo feminino, e da notável ascensão da "nova" deusa Santoshi Mata.


Como observa Johnsen: “Hoje, como há 10000 anos atrás, as imagens da Deusa estão por toda parte na Índia. Você vai encontrá-las pintadas nas laterais de caminhões, coladas aos painéis dos táxis, fixadas nas paredes das lojas. Você, também, verá frequentemente uma imagem da Deusa em local destacado de muitos lares Hindus. Na Índia, a veneração à Deusa não é, simplesmente, um 'culto’, é uma religião, [...] é uma tradição espiritual, psicologicamente madura. Diariamente, milhões de pessoas rendem-se ao culto da Mãe do Universo.”


Culto da Deusa
O Shaktismo engloba uma infinidade de práticas desde as encontradas de modo incipiente no animismo primitivo até às formas mais refinadas derivadas das especulações filosóficas que visam o acesso ao poder ou à energia da Divina Shakti. Suas principais escolas são Srikula, ou família de Sri, mais forte no sul da Índia, e a Kalikula, ou família de Kali, que prevalece no Norte e Leste da Índia.

Srikula: Família de Sri.
A tradição (sampradaya) Srikula dedica-se à adoração da Devi, sob a forma da Deusa Lalita-Tripurasundari, considerada a grande Deusa (Mahadevi). A escola Srikula, com raízes na Caxemira (final do primeiro milênio), se tornou muito forte no sul da Índia, pelo menos desde o sétimo século, e hoje, é a forma predominante do Shaktismo praticado nos estados do Sul da Índia como Andhra Pradesh, Karnataka, Kerala, Tamil Nadu e Tamil do Sri Lanka.

A família da Deusa Sri (Lakshmi) da escola Srikula, assimila a tradição bramânica (linha mestra da tradição hindu que estabelece regras extremamente puritanas e defende o tradicional sistema de castas), é mais forte no Sul da Índia.

O sistema Srividya é a escola mais conhecida da tradição Srikula, "um dos movimentos teologicamente mais influentes e sofisticados do Tantrismo Shakta. Seu principal emblema é o Sri Chakra a famosa imagem das tradições tântricas hindus. Sua literatura e sua prática são, certamente, as mais sistemáticas de que qualquer outra seita Shakta. A tradição Srividya concebe a Deusa na forma benevolente (saumya) e bela (saundarya), em contraste à percepção da Deusa Kali e Durga como “terrível (ugra) e horripilante (ghora)” na escola Kalikula. No entanto, cada aspecto da Deusa - maligno ou benigno - é identificado como Lalita.

O Sri Chakra é cultuado como a forma sutil de Lalita, quer como um diagrama bidimensional (por vezes construído, temporariamente, como parte do culto ritual; ou como uma gravura permanente em metal), ou em forma piramidal em três dimensões conhecido como Sri Meru. Não é raro encontrar um Sri Chakra ou um Sri Meru em templos do sul da Índia, porque – como os atuais praticantes afirmam - não existe qualquer dúvida de que esta é a mais elevada forma da Devi, e que algumas das práticas podem ser feitas abertamente. Mas o que você vê nos templos não é exatamente o culto do srichakra realizado privadamente.


As tradições (paramparas) do Srividya podem ser ainda subdivididas em duas correntes, a Kaula (vamamarga, prática heterodoxa) e a Samaya (dakshinamarga, prática ortodoxa).
A escola Kaula ou Kaulachara "apareceu como um sistema ritual coerente", no século oitavo, na Índia central, e seu maior proponente é o filósofo Bhaskararaya do século 18, que é considerado "o maior expoente da filosofia Shakta".

O sistema Samaya ou Samayacharya tem raízes nas obras de Lakshmidhara um comentador do século 16, que foi "um feroz defensor do puritanismo na reforma das práticas Tântricas de maneira a harmonizá-la com as prescrições da alta casta dos brâmanes". Muitos praticantes do Samaya, na realidade, não se consideram Shaktas ou tântricos, contudo, Brooks argumenta que, tecnicamente, em seu culto ambas ainda persistem, “apesar da rejeição dos Samayins".
Fora dos círculos brâmanicos, as linhagens do Kaula permanecem vivas e fortes – entretanto seus praticantes geralmente preferem o culto privado. Diz um ditado hindu, "Quando em público, é um Vaishnava, quando entre amigos, é uma Shaiva, mas, na intimidade, sempre é um Shakta". O sistema Samaya-Kaula marca uma divisão, "a antiga disputa no Tantrismo hindu" que continua a ser debatida vigorosamente ainda hoje.

Kalikula: Família de Kali
O sistema Kalikula (família de Kali) do Shaktismo, predominante no Norte e Leste da Índia, é a principal escola na Bengala Ocidental, em Assam, Bihar e Orissa, bem como, parcialmente, em Maharashtra e em Bangladesh. As linhagens Kalikula concentram-se na Deusa como concessora da sabedoria (vidya) e da liberação (moksha) e se apresentam, geralmente, em "oposição à tradição bramânica" considerada "excessivamente conservadora e repressora do processo experiencial (ou experimental) religioso”. Alguns estudiosos afirmam que a escola Kalikula rejeita completamente a tradição brâmanica, entretanto é difícil conciliar esta opinião com a pluralidade de pontos de vista existentes na grande tradição hindu que envolve a escola Kalikula. O grande místico hindu Sri Ramakrishna, provavelmente, um dos mais famosos devotos de Kali apesar de sua origem, brâmane, adorava Kali como Mãe Divina; além disso, não era um adepto da escola kalikula, mas sim um partidário da tradição smarta advaita, que considera a Deusa uma das cinco manifestações da Suprema Realidade.

As principais divindades do sistema Kalikula são Kali, Durga e Chandi. Outras deusas, também, são veneradas, Tara e as Mahavidyas, bem como as deusas regionais como Manasa, que protege das serpentes, e Sitala, que protege das doenças – todas são consideradas aspectos da Mãe Divina.

Os dois principais centros do Shaktismo localizam-se na Bengala Ocidental em Kalighat (região de Calcutta) e Tarapith no distrito de Birbhum. Em Calcutá, a ênfase está na devoção (bhakti) à deusa Kali: Ela é "a mãe amorosa que defende seus filhos e os protege ferozmente. Ela é, exteriormente, assustadora, com pele escura, dentes pontiagudos, ornada com um colar de crânios, e armada com espadas, arco e flexas e tridente, mas, internamente, é deslumbrante e bela. Ela concede um renascimento divino ou a suprema percepção religiosa. Seu culto é freqüentemente público - especialmente em festivais, tais como o Kali puja e o Durga Puja, cultos que envolvem contemplação ou a união dos devotos com amor da deusa, a visualização de sua forma, o canto de seus mantras, preces diante de sua imagem ou yantra e, também, oferendas".

Em Tarapith a manifestação da Deusa como Tara ("Aquela que Salva") ou Ugratara ("Feroz Tara") é predominante, é a deusa que concede a liberação (kaivalyadayini). [...] suas formas de sadhana envolvem mais as práticas do yoga e do Tantra do que as devocionais, que impõem, muitas vezes, sentar sozinho em terreno de cremação cercado por cinzas e ossos.
Existem elementos shamânicos associados à tradição Tarapith, incluindo a "conquista" da deusa, exorcismo, transe, e controle dos espíritos. O fundamento filosófico e devocional subjacente a todos esses rituais, no entanto, continua a ser a visão da Devi como a divindade suprema e absoluta.

Conforme percepção expressa por Ramakrishna, uma das mais influentes personalidades do moderno Hinduísmo:
Kali é perfeitamente igual a Brahman. O que se considera Brahman é, realmente, Kali. Ela é a energia fundamental. Sempre que a Energia permanece inativa, eu a chamo de Brahman, e quando ela cria, preserva ou destrói é Kali ou Shakti . O que você imagina como Brahman, conheço como Kali. Brahman e Kali não são diferentes, são como o fogo e seu poder ígneo: se alguém pensa em fogo, deve inferir o poder da combustão. Se alguém reconhece Kali, também, deve perceber Brahman; inversamente, quem reconhece Brahman encontra Kali. Brahman e Shakti (seu Poder) são idênticos. Quando procuro Brahman me entrego a Kali (ou Shakti)".

Festivais
Os Shaktas comemoram seus mais importantes festivais em inúmeros locais, com significados incrivelmente diferentes, associados às peculiaridades de cada templo ou às observâncias prescritas por cada divindade.
O mais importante festival Shakta é o Navaratri ("Festival das Nove Noites", ou "Sharad Navratri – Festival do Outono") que comemora a vitória da Deusa sobre diversos demônios, descrito no Devi Mahatmya. Esta festa ocorre no décimo dia conhecido como Dusshera ou Vijayadashami e, em Bengala, nos últimos quatro dias do Navaratri ocorre a celebração do Durga Puja, comemorando a vitória da Deusa Durga sobre o demônio-búfalo Mahishasura.

Existem outros Navaratris: Vasanta Navaratri ("O Festival das nove Noites na Primavera" ou Chaitra Navatri) - comemorado entre a primavera e o verão (março-abril), no mês hindu Chaitra. O Ashada Navaratri (“O Festival de verão das Nove Noites”) no mês hindu Ashadha.
A escola Srividya comemora o Vasanta Navaratri em homenagem à deusa Lalita em oposição ao Navratri de Durga do Outono. O templo Vaishno Devi no Jammu comemora seu principal Navaratri durante este período. O Ashada Navaratri é particularmente importante para os devotos da Deusa Varahi (com cabeça de javali), uma das sete Matrikas do Devi Mahatmya.

A maior parte dos Shaktas cultua Lakshmi, solenemente, em casa na noite de lua cheia após o Durga Puja denominado Khojagiri. Outro festival dedicado à Lakshmi é o Diwali (ou Deepavali, o "Festival das Luzes").
A principal festa hindu o Diwali, o ano novo do norte da índia, é realizada nas noites de lua nova, no mês Hindu Kartik (normalmente Outubro ou Novembro). Os Shaktas (e muitos não Shaktas) consideram-no como um outro Puja a Lakshmi e colocam pequenas luminárias fora dos seus lares e rezam para a deusa vir abençoá-los. O Diwali coincide com a celebração do Kali Puja, muito popular em Bengala, incluindo algumas tradições Shaktas, mas focando sua adoração em Kali e não em Lakshmi.

O Jagaddhatri Puja é comemorado nos últimos quatro dias do Navaratri, após o Kali Puja. É muito semelhante ao Durga Puja em seus detalhes e práticas e, é popular em Bengala, e em outras partes do leste da Índia. O Gauri Puja é realizado no quinto dia após o Ganesh Chaturthi, durante o puja a Ganesha no oeste da Índia, que celebra a chegada de Gauri, Mãe de Ganesha, que reencontra seu filho e o leva para casa.
Há diversas datas para o Saraswati Puja, dependendo da região e da tradição local. Comumente, no quinto dia do mês hindu de Phalguna (janeiro-fevereiro), os estudantes oferecem seus livros e instrumentos musicais para Saraswati e rezam para ela os abençoe em seus estudos. Em algumas partes da Índia, o Saraswati Puja é comemorado no mês de Magh; em outros locais, durante os três dias do final Navratri.

Os maiores festivais realizados em templos Shaktas são o Meenakshi Kalyanam e o Ambubachi Mela. O Meenakshi Kalyanam comemora o auspicioso casamento da Deusa (como Meenakshi) com Sundareshwara (Shiva) é realizado no Templo Meenakshi Amman, em Madurai, Tamil Nadu, com duração de 12 dias, contados a partir do segundo dia do mês lunar de Chaitra, em abril ou maio. O Ambubachi Mela é uma celebração da menstruação anual da deusa, realizada em junho / julho (durante a temporada das monções) no Kamakhya Temple, Guwahati, Assam. Nesta comemoração a Deusa é adorada sob a forma de um yoni esculpido em pedra, do qual brota, naturalmente, um fluxo colorido de vermelho.
Shaktism: Wikipedia

Shivaísmo



O Śaivismo ou Śivaísmo (Xivaísmo), é a mais antiga das quatro seitas do Hinduísmo. Os adeptos do Śivaísmo, chamados Śivaístas (Xivaístas), reverenciam Śiva (Xiva) como Ser Supremo. Os Śivaístas acreditam que Śiva é o todo e está em tudo, como criador, preservador, destruidor, e aquele que revela e protege tudo o que existe.


História
É muito difícil determinar o início da história do Śivaísmo. Axel Michaels explica a complexa natureza do Śivaísmo: Tal como Vişņu, Śiva é a suprema divindade e dá seu nome a inúmeras seitas e concepções religiosas. O Śivaismo implica também uma unidade que não pode ser claramente percebida na prática religiosa nem na filosófia ou na doutrina esotérica.
A documentação formal da história religiosa do Śivaismo, em oposição à evidência arqueológica ou citações das escrituras, é incluída nas seguintes observações de Gavin Flood: A formação das tradições Śivaístas, como nós as entendemos, ocorreu entre 200 AC a 100 DC. Os dois grandes épicos, o Mahabharata e o Ramayana contêm muitas histórias tanto de Śiva como de Vishnu, e existem referências ao primitivo Śiva como asceta no Mahabharata. O Śvetāśvatara Upanishad (400 - 200 AC) é o mais antigo texto filosófico que descreve sistematicamente a filosofia do Śivaísmo. De acordo com Gavin Flood, este texto propõe: "... uma teologia que eleva Rudra ao status de Ser Supremo, o Senhor (sânscrito: Īśa) que é transcendente e, ainda, tem funções cosmológicas, assim como Śiva nas tradições posteriores"

Grandes Escolas
O Śivaísmo é composto de muitas escolas que apresentam variações regionais e grandes diferenças filosóficas:
O Śivaismo Pashupata: A seita dos Pashupatas (sânscrito: Pāśupatas) de origem desconhecida, possivelmente de 4000AC) é a mais antiga forma do Śivaísmo. Os Pashupatas eram ascetas residentes, principalmente, nos estados do Gujarat, Caxemira e Nepal.
Kashmir Shaivism. O Śivaísmo da Caxemira, codificado por Vasugupta (800 DC), é uma escola ‘abheda’, fundamentalmente monista, conhecida como Pratyabhijna Darshana que explica a criação da alma e do mundo como centelhas emitidas por Śiva em seu primeiro impulso dinâmico. Como (Self) alma de tudo, Śiva é imanente e transcendente, real, porém abstrato criador, preservador, e destruidor.
Śaiva Siddhanta: No teísmo monista do Rishi Tirumular (200 DC), Śiva é causa eficiente e material, imanente e transcendente. A alma, criada por Śiva está destinada a se fundir nele próprio. No realismo pluralista de Meykandar (1200 DC), Deus, a alma e mundo, são incriadas e eternamente coexistentes. Śiva é causa eficiente, mas não a material.
Siddha Siddhanta: desenvolvido pelo Rishi Gorakshanatha (950 DC). É um sistema monista conhecido como bhedabheda, que considera Śiva tanto imanente como transcendente. Śiva é, simultaneamente, causa eficiente e material. A criação e o retorno final da alma e do cosmos para Śiva são comparados a bolhas que emergem e retornam para a água.
Lingayatismo: Popularizado por Basavanna (1105-1167), esta versão do não-dualismo qualificado, Shakti Vishishtadvaita, aceita tanto a diferença como a não-diferença entre a alma e Deus, como são os raios para o sol. Śiva e a força cósmica formam uma unidade, embora Śiva esteja além da sua criação que é real não ilusória.
Śiva Advaita: Este teísmo monista, formulado por Srikantha (1050 DC), é chamado de Śiva Vishishtadvaita. A alma não é, em última análise, a perfeita unidade com Brahman, mas partilha com o Supremo todas as suas diversas qualidades. Appaya Dikshita (1554-1626) tentou reduzir esta união a uma identidade absoluta - Shuddhadvaita.

Culto doméstico

Em geral, as pessoas veneram Śiva em casa. Elas possuem pedras naturais em forma de lingam, instrumentos para as cerimônias de oferendas de flores e alimentos (Nivedhanam)

Adi Shankara:
O Smartismo é uma forma do Hinduísmo que dá ênfase a um grupo de cinco (ou seis) divindades, em vez de apenas uma única divindade. O "culto das cinco formas" (pañcāyatana pūjā), é um sistema que foi popularizado por Adi Shankara (788 - 820 DC). A tradição Smārta recorre a cinco divindades Śiva, Ganesha, Vishnu, Devī, e Sūrya. Este sistema foi proposto por Śaṅkarācārya, principalmente, para unificar as principais seitas hinduístas através de algumas divindades comuns. A filosofia monista propagada por Śaṅkarācārya possibilita a escolha de uma delas como principal divindade e, ao mesmo tempo, permitir o culto às outras quatro divindades como as diferentes formas de Brahman que tudo permeia. O Dig-vijaya de Shankara menciona seis seitas Śivaístas existentes em sua época, mas que, ainda, estavam em processo de organização.
Shaivism: Wikipedia
History do Shaivism: Wikipedia


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Saivism.net

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