21/10/2008

Yoga Darshana (Raja Yoga)


O Yoga Sutras de Patanjali é o texto fundamental do Yoga, uma das seis escolas ortodoxas da filosofia indiana. Embora extremamente conciso exerceu enorme influência na filosofia Hindu e na prática do Yoga. É, ainda hoje, tão relevante como quando foi composto.

O termo Yoga, refere-se a um estado de consciência onde o fluxo psicomental - cadeia de pensamentos e sentimentos [Citta-vritti] é suprimido ou controlado [nirodha] levando à união entre Jivatman (consciência empírica - Self individual) e Paramatman (consciência transcendental - Self transcendental). E, sutras (fio, corrente) refere-se ao encadeamento dos aforismos. O título "Yoga Sutras" é, também, traduzido como "Aforismos sobre o Yoga".

O que é o Yoga Sutras?
O Yoga Sutras é a ciência da concentração mental (meditação), um dos poucos textos científicos escritos em linguagem poética. É considerado o arquétipo dos tratados de psicologia profunda. Propõe um processo sistemático para focar, analisar e, transcender cada um dos diferentes níveis das falsas identidades do ego [Ahamkara] até que a jóia do verdadeiro Self [Paramatman] manifeste sua verdadeira luz.
Quando Patanjali compilou o Yoga Sutras, não foi criado um novo sistema, mas sim, antigas concepções e práticas é que foram formalizadas em uma estrutura lógica perfeita. Acredita-se que o Yoga Sutras foi elaborado no século II AC (ou DC?), ou entre 300 e 500 DC segundo o pesquisador James Haughton Woods que traduziu para o inglês os sutras e dois dos principais comentários autorizados a partir de fontes originais em sânscrito. Entretanto, evidências arqueológicas sugerem que os métodos descritos no Yoga Sutras eram praticados por volta de 3000 AC. nas civilizações de Mohehjo Daro e Harappa. E, a tradição oral admite maior antiguidade, possivelmente, na civilização de Mehrgarh, 7000 AC.

Patanjali dividiu O Yoga Sutras em quatro capítulos ou livros (pada), contendo ao todo 196 sutras, com a seguinte estrutura:

Samadhi Pada (51 sutras)
Samadhi é o estado de consciência que transcende a dualidade sujeito/objeto e tem duas formas principais: ênstase consciente (com forma), e ênstase superconsciente (informal).

O autor responde à pergunta: O que é o Yoga? E, em seguida, a natureza e os meios para atingir Samadhi. Este capítulo contém o famoso sutra: "Yogaś Citta-vritti-nirodhaḥ": "Yoga é a supressão dos estados ordinários de consciência (fluxo psicomental)".

sadhana Pada (55 sutras)
Sadhana é a palavra sânscrita para "prática" ou "disciplina".
Aqui o autor descreve duas formas de Yoga: Kriya Yoga (Yoga da Ação) e Ashtanga Yoga (yoga óctuplo ou, as oito competências que devem ser adquiridas pela prática do Yoga).

Kriya Yoga, às vezes chamado Karma Yoga, também está exposto no capítulo três do Bhagavad Gita, onde Krishna orienta Arjuna a agir sem apego aos frutos das ações.

"A primeira parte deste capítulo expõe a filosofia dos Klesas e pretende responder à pergunta 'Por que alguém deveria praticar Yoga?' Trata-se de uma profunda análise do sofrimento e da miséria inerentes à condição humana. A filosofia dos Klesas deve ser perfeitamente compreendida por quem deseja tomar o caminho do Yoga com a firme determinação de perseverar, vida após vida, até atingir o objetivo." (I. K. Taimni)

Vibhuti Pada (56 sutras)
Vibhuti é a palavra sânscrita para "siddhi - poder" ou "manifestação fenomenológica". Embora sejam adquiridos pela prática do Yoga, os poderes "supranormais" aprisionam à roda da vida (Sasāra)
"A primeira parte deste capítulo trata das três práticas restantes da técnica do Yoga que são chamadas de Antaranga ou internas. Através destas práticas cujo objetivo é o Samadhi, todos os mistérios do Yoga são desvelados e os poderes ou Siddhis manifestados. Na segunda parte, estas manifestações são analisadas em detalhe." I. K. Taimni

Kaivalya Pada (34 sutras)
Kaivalya significa literalmente "separação", mas como utilizado nos Sutras refere-se à emancipação ou liberação (moksha). Kaivalya Pada descreve a natureza da liberação e a união do Self Individual com o Self transcendental (Paramatman).
"Neste capítulo são colocadas as implicações filosóficas fundamentais relacionadas ao estudo e à prática de Yoga: a natureza da mente e da percepção sensorial, o desejo e seu efeito cegador - fonte das ilusões (maya) e, a liberação e suas conseqüências. Todas são tratadas de forma concisa, mas de forma sistemática para apresentar ao estudante um referencial adequado de conhecimentos teóricos, visto que todos estes tópicos são conectados de uma forma ou de outra com a doutrina da liberação." I. K. Taimni

As oito etapas do Ashtanga Yoga ou Raja Yoga são: (Yama e Niyama formam a base ética e moral)

Yama - Código de conduta (autocontrole).
Ahimsa: pacifismo, tolerância, supressão da violência (tradicionalmente não-violência).
Satya: veracidade.
Asteya: honestidade.
Brahmacharya: guiar-se por Brahma. Respeito aos aspectos criativos da divindade. Virtude, Dharma (Arete).
Aparigraha: desapego, inclusive material. Isentar-se de preconceitos, superstições e ambições. (não possessividade, altruísmo).

Niyama - Disciplina e Devoção (consagração à prática).
Shaucha: asseio, higiene física e mental.
Santosha: serenidade, impassibilidade.
Tapas: disciplina física e mental, austeridade (ascese).
Svadhyaya: introspecção, busca do autoconhecimento fundamentada no estudo das escrituras relevantes e dos darsanas que levam à compreensão da natureza do Paramatman.
Ishvarapranidhana: devoção, auto-entrega a Ishvara (ou à concebida
forma da Suprema Consciência).

Āsana - integração da mente e do corpo através da atividade física.

Pranayama - regulação da respiração levando ao controle mental.

Pratyahara - isolamento mental, desconexão dos orgãos dos sentidos da percepção sensorial.

Dharana - concentração, uni-direcionamento da mente.

Dhyana - meditação (ininterrupta concentração mental centrada em um único objeto).

Samadhiênstase (turyia). Quando o quarto estado de consciência é atingido, a dualidade sujeito/objeto transcende em completa identificação do sujeito com o objeto - conhece-se pela essência (númeno) não mais pela aparência (fenômeno). Também, união da "alma individual" com a "alma transcendental".

Essas etapas ou competências são, algumas vezes, classificadas como inferiores e superiores. As quatro inferiores correspondem ao Hatha Yoga, enquanto que as superiores são específicas do Raja Yoga. As três superiores, quando praticadas em cadeia, constituem o Samyama que é o método fundamental do Yoga.

Prática
O objetivo do Raja Yoga é suprimir (controlar) o fluxo psico-mental ou perturbações mentais. Um Hatha Yogin inicia seu sadhana com Asanas e Pranayamas, enquanto que um Raja Yogin inicia seu sadhana através da concentração mental, embora alguns asanas e pranayamas sejam normalmente incluídos como preparação para a a meditação. Wikipedia: Raja Yoga ...Wikipedia: Yoga...Wikipedia: Yoga sutras .....Wikipedia: Patanjali....Meditation course practice: online meditation tools of meditation teacher Patanjali by G S Virk

Trechos do prefácio de I. K. Taimni à sua obra "A Ciência do Yoga":
“...Um estudo cuidadoso do Yoga-Sutras, do tipo de preparação e do esforço necessário para atingir o objetivo do yoga pode dar ao estudante a impressão de uma aventura impossível, muito além da capacidade do aspirante mediano. Esta impressão certamente o desanimará e, se não refletir profundamente sobre a problemática existencial e não desenvolver uma aguda percepção da mesma, poderá abandonar a idéia de enfrentar esse desafio, ou então, postergá-lo para uma vida futura...

Não há qualquer dúvida de que a busca dos ideais do yoga é uma tarefa difícil e não pode ser realizada como mero passatempo ou como fuga ao Stress e à Tensão da vida cotidiana. Ela, somente, poderá ser realizada com a compreensão plena da condição humana, da miséria e do sofrimento que lhes são inerentes. A maneira definitiva de acabar permanentemente com esta miséria e sofrimento é encontrar a verdade que está oculta dentro de nós mesmos, pelo único método disponível, a disciplina e as técnicas do yoga.
É verdade, também, que a realização deste objetivo é um processo de longo prazo. O aspirante deve estar preparado para despender um grande número de vidas - tantas quanto sejam necessárias - em sua sincera e íntegra busca. Ninguém pode avaliar, no início, suas potencialidades nem o tempo necessário. Ele pode esperar o melhor, mas deve estar preparado para o pior. Aquele que não se sente apto para esta tarefa não deve sob qualquer motivação tentá-la precipitadamente. Ele deve continuar seus estudos teóricos do Yoga, refletindo constantemente sobre os mais profundos problemas da vida, esforçando-se em purificar sua mente e fortalecer seu caráter, até que o seu poder de discriminação torne-se suficientemente forte para permiti-lo discernir entre as ilusões mentais as realmente significativas e ver a vida em sua nua e crua realidade...

De fato, este é o propósito do Kriya Yoga a que Patanjali se refere no início do capítulo dois. Quando o olho interno da verdadeira discriminação se abrir como resultado da prática de Kriya Yoga deixará de perguntar se é suficientemente forte para empreender esta longa e árdua caminhada. Então, nada será capaz de detê-lo e, naturalmente, de todo coração poderá dedicar-se a esta difícil e sagrada tarefa...

É importante definir um começo, em algum instante, tão rápido quanto possível - Agora. Definir um momento para um tão sério início serve para aglutinar forças ao redor do eixo da iniciativa que impulsionará o aspirante ao seu objetivo. No início lentamente, mas com velocidade crescente até que ele se torne tão envolvido na persecução dos seus ideais que não se importará mais com tempo e espaço. Inesperadamente, perceberá que o objetivo foi atingido, e olhando para trás verá com assombro a longa e árdua jornada concluída - embora, o tempo todo, estava vivendo inconscientemente o Absoluto".
I. K. Taimni

Links
The Science of Yoga by I. K. Taimni
Yoga sutras - tradução livre por Cláudio Azevedo
Pātañjalayogasūtra-s
Yoga Sutras de Patanjali: Himalayan Masters
HRIH: Os Yoga Sutras de Patanjali
INDOPEDIA: Yoga Sutras of Patanjali
Yoga Sutras by Shyam Metha
Yoga System of Patanjali by Sir James Haughton Woods
Yoga Sutras of Patanjali with the exposition of Vyasa (Ch II Sadana Pada) by Swami Veda Bharati and Usharbudh Arya
Yoga: Immortality and Freedon by Mircea Eliade
The Synthesis of Yoga by Sri Aurobindo

Glossary of Yoga Terms: George Feuerstein
Enciclopedia (glossário) de Yoga da Pensamento por Georg Feuerstein
Yoga Dictionary / MiMi.hu
Haryana: History of Yoga
Indian Psychology Institute
A History of Yoga: Vivian Worthington
A Short History of Yoga by Georg Feuerstein
The Origins of Yoga and Tantra by Goffrey Samuel
Shamanism: Wikipedia
The Yoga Tradition by Georg Feuerstein com prefácio de Ken Wilber
A Tradição do Yoga por Georg Feuerstein
Yoga and psychology: Harold Coward
Psychoterapy, East and West - A Unifying Paradigm: Swami Ajaya, Ph.D
Yoga in modern India By Josoph S. Alter
Hindu Psychology: Swami Akhilananda

Indian Ethos 1900-1921, confronted: Netaji Subhas
Indian Ethics: Purushottama Bilimoria, Joseph Prabhu & Renuka Sharma

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