17/10/2008

Medicina Ayurvedica

Ayurveda (em Devanagari: आयुर्वेद) é um antigo sistema indiano de Medicina (derivado da metafísica Védica) que beneficia milhões de pessoas na Índia, Nepal, Sri Lanka e cada vez mais no Mundo Ocidental (como autêntica medicina alternativa). A palavra "Ayurveda" é um tatpurusha combinando o termo āyus que significa "vida", "princípio vital", ou "longevidade" com a palavra veda, relacionada ao “conhecimento” ou “cognição”. Assim, o termo "Ayurveda" pode ser traduzido como a "cognição dos processos vitais" ou "conhecimentos que levam a uma vida plena”.
De acordo com o Charaka Samhita (Séc. III AC), "vida" é definida, essencialmente, como uma "associação de corpo, órgãos sensoriais, mente e alma. E, como princípio vital é o fator responsável pela prevenção da degeneração física que causa a morte prematura, anima o corpo durante sua existência, e orienta o processo de renascimento". Segundo esta perspectiva, o Ayurveda relaciona-se com as medidas de proteção à saúde "ayus", que proporcionam vida longa e saudável, juntamente com medidas terapêuticas que promovem a harmonia física, mental, espiritual e social. O Ayurveda é também um dos poucos entre os sistemas tradicionais da medicina indiana que contém um sofisticado sistema de cirurgia (conhecido como “salya-chikitsa”).

Origem mítica
O Ayurvedavatarana (a evolução do Ayurveda) conta que o Ayurveda foi revelado quando Brahma despertou de seu sono cósmico para recriar o universo. O Ayurveda foi, então, transmitido aos deuses através dos estratagemas do divino médico Dhanvantari que emergiu da efervescência do oceano celeste. Esses conhecimentos foram repassados diretamente para Daksha Prajapati, sob a forma de shlokas e, então transmitidos através de uma cadeia sucessiva de divindades ao Senhor Indra, o protetor de dharma.
Conforme a lenda, o primeiro expoente humano do Ayurveda foi Bharadvaja, instruído diretamente por Indra. Bharadvaja, por sua vez, ensinou o Ayurveda a um grupo seleto de sábios, que transmitiram os diferentes aspectos deste conhecimento aos seus discípulos.

Os Vedas (compostos entre 1200 e 700 AC) incluem referências às doenças, ervas e curas com ervas medicinais dispersas nos os quatro Vedas especialmente no Rig Veda. O Atharva Veda contém muitos hinos em homenagem às ervas que eram adoradas como divindades e invocadas através de encantamentos. Existiam, também, muitos mantras (súplicas) para combater a icterícia, tuberculose e doenças hereditárias, entre outras. Os hinos do Atharva Veda cantados para a cura de doenças eram conhecidos como Bhaishajyams e aqueles para alcançar a longevidade e a prosperidade eram conhecidos com Ayushyams. Estes hinos, especialmente os Ayushyams influenciaram, notadamente, o desenvolvimento do Ayurveda.

Exatamente como o conhecimento ayurvédico se originou e se desenvolveu ainda é um enigma, mas muitos mitos transmitidos oralmente, provas arqueológicas, e citações em vários textos originais tem sido utilizados na investigação de suas origens.

História
A medicina Indiana é tão antiga quanto a Civilização do Vale do Indo, que remonta a 3000 AC. As cidades de Harappa e Mohenjodaro, meticulosamente planejadas, são marcos não só para a rica herança cultural da Índia, mas também para seus sistemas avançados de higiene e cuidados com a saúde. Os restos de chifres de veado e betume encontrados em Harappa sugerem a existência de alguma prática médica.
Segundo a tradição, o Ayurveda foi primeiramente descrito em texto por Agnivesha, em seu livro Agnivesh tantra (800 AC). O livro foi posteriormente reformulado por Charaka (300 AC), e ficou conhecido como Charaka Samhitā. Outro antigo texto do Ayurveda é o Sushruta Samhitā que foi compilado por Sushruta, principal aluno de Divodasa, por volta do ano 600 AC. Sushruta é conhecido como o Pai da cirurgia, e no Sushruta Samhita, os ensinamentos e técnicas cirúrgicas de "Dhanvantri " foram compilados e complementados com outras conclusões e observações relacionando tópicos que vão desde a obstetrícia e ortopedia até a oftalmologia. O Sushruta Samhitā juntamente com o Charaka Samhitā, foram textos fundamentais utilizados nas antigas Universidades de Takshashila e Nalanda. Esses textos foram influenciados pela concepção holística da filosofia e da cultura Védica.
A prática do Ayurveda floresceu durante a época de Buda (cerca de 520 AC) e, nesse período, os praticantes do Ayurveda utilizavam comumente combinações de mercúrio e enxofre e outros metais que eram utilizados em conjunto com ervas e plantas na preparação de diferentes medicamentos. Um importante praticante do Ayurveda dessa época foi Nagarjuna, fito-terapeuta budista famoso por inventar novas drogas para o tratamento das doenças. Nagarjuna foi sucedido por Surananda, Nagbodhi, Yashodhana, Nityanatha, Govinda, Anantdev, Vagbhatta, etc.
Durante o reinado de Chandragupta Maurya (415 - 375 AC), o Ayurveda era a principal corrente indiana de técnicas médicas, e continuou a sê-lo até a colonização britânica. Seu descendente, o Imperador Ashoka (304 - 232 AC), após a sangrenta vitória na Guerra de Kalinga, influenciado pelos ensinamentos budistas proibiu qualquer derramamento de sangue em seu reino (em 250 AC). Por isso, muitos praticantes do Ayurveda abandonaram a cirurgia, e adotaram novos tratamentos medicinais. Neste período, o Ayurveda novamente evoluiu e floresceu com a invenção de novas drogas, métodos reformulados e muitas inovações.
Vários acréscimos ao Ayurveda foram introduzidos durante a Idade Média e aos antigos médicos Sushruta e Charaka, junta-se o médico medieval Vagbhata (século VII), considerado um dos três autores clássicos do Ayurveda. No século VIII, Madhav escreveu o Nidāna, um livro em 79 capítulos que enumera doenças, descreve suas causas, sintomas e complicações. Ele também incluiu um capítulo especial sobre varíola (masūrikā). Chakrapani Dutta (DuttaSharma) (Séc. XI), Brâmane de Bengala praticante do Ayurveda escreveu livros sobre o Ayurveda como o "Chakradutta" e outros. O Chakradutta era considerado a essência do Ayurveda.
Durante o século XVII o Governador da colônia Holandesa da Índia (com sede em Kochi) utilizou manuscritos e a orientação do médico Ayurvédico Itty Achudan para compilar seu tratado botânico Hortus Malabaricus.
O Ayurveda sempre foi reverenciado pelo povo indiano, apesar da crescente adoção de técnicas médicas européias ao longo da colonização Britânica. Durante várias décadas a reputação e as competências das várias escolas do Ayurveda declinaram acentuadamente com a introdução da medicina inglesa e com a construção de hospitais com características ocidentais.
No entanto, a partir de 1970, o valor do conhecimento do Ayurveda começou a ser reconhecido, e hoje a construção de hospitais e a formação de profissionais competentes em Ayurveda está florescendo em toda Índia. Houve, também, uma grande evolução na produção e comercialização de ervas medicinais ayurvédicas, bem como o desenvolvimento de documentação científica sobre seus benefícios. Hoje, medicamentos do Ayurveda estão disponíveis em todo o mundo.

Estado atual
A partir do século XX, médicos do Ayurveda começaram a se organizar em associações profissionais para promover o reconhecimento oficial do Ayurveda e de suas profissões. Isto começou a se tornar uma realidade depois da independência da índia em 1947. O Ayurveda é agora um sistema de saúde pública oficial reconhecido como sistema médico de cuidados com a saúde em toda a Índia. O Conselho Central de Medicina da Índia (CCIM) regulamenta e recomenda políticas para promover pesquisas para o desenvolvimento do sistema Ayurvédico.

Uma enciclopédia sobre o Ayurveda - Ayushveda.com - está sendo desenvolvida para divulgar o conhecimento do Ayurveda mundialmente. Em qualquer lugar no mundo, o Ayurveda, agora, é considerado uma medicina alternativa. Em contraste, cerca de 80% da população mundial utiliza a medicina tradicional em seus cuidados iniciais de saúde.
Na Índia, os estudantes do Ayurveda passam por uma formação de cinco anos e meio, incluindo um ano de estágio em seletas escolas médicas do Ayurveda. Recebem o grau de Bacharel em Medicina Ayurvédica e Cirurgia (BAMS) em sua capacitação profissional. Um Bacharelado maior em Ciência [Física, Química, Biologia], e um menor em sânscrito é desejável para os candidatos interessados em estudar o Ayurveda.
Seletas instituições como a Universidade Hindu de Banares (Varanasi), oferecem níveis mais elevados de doutoramento e pós-graduação como o MD em Ayurveda, que inclui um período de três anos de residência e de uma dissertação semelhante aos graus de MD ou MS dos sistemas modernos da medicina ocidental.
Ashtanga (Os oito ramos do Ayurveda):

Medicina geral - Kayachikitsa
Psiquiatria - Bhuta Vidya
Otorrino - Shalakya tantra
Cirurgia - Shalya Tantra
Toxicologia - Agada Tantra
Revitalização - Rasayana Tantra
Fertilidade - Vajikarana Tantra
(Nota: Tantra é um termo genérico associado a sistemas caracterizados pelo encadeamento de diversas técnicas, métodos e práticas desenvolvidas, basicamente, para a transformação física, mental e espiritual do ser humano, ou como procedimentos específicos para a aquisição de conhecimentos do mundo natural ou da realidade metafísica.)
Sapta significa sete, e o termo Dhatu refere-se aos vários tipos de tecidos que constituem o corpo humano. Como Dha significa suporte, Dhatu é entendido como "os elementos que formam o corpo". Assim, como cada elemento é formado a partir do anterior, Dhatus é aquilo que modela o corpo. Os sete dhatus são, Rasa, Rakta, Maamsa, Medas, Asthi, Majja e Shukra.
Rasa dhatu: O alimento que consumimos é digerido no estômago e intestino resultando num semifluido chamado de Rasa dhatu. Na ciência moderna é conhecido com quimo que é absorvido pela corrente sanguínea e se torna parte do plasma sanguíneo.
Rakta dhatu: Rakta significa sangue.
Mamsa dhatu: Refere-se ao tecido muscular. Existem três tipos de músculos no corpo humano: Os músculos esqueléticos que são responsáveis pelos movimentos das articulações, estão sob controle voluntário. A musculatura lisa esta presente nos órgãos internos e, não depende do controle voluntário (eg. os intestinos contém musculatura lisa que impelem os alimentos para a frente). O músculo cardíaco só está presente no coração e é um tecido especializado responsável pelo bombeamento de sangue.
Medas dhatu: Este é o tecido adiposo, que consiste principalmente de gordura. É responsável, principalmente, pela lubrificação das articulações.
Ashthi dhatu: Trata-se de ossos e cartilagens. Os ossos dão firmeza ao corpo.
Majja dhatu: Refere-se à medula óssea. Trata-se de uma substância esponjosa localizada no interior da cavidade dos ossos.
Shukra dhatu: O Shukra dhatu é representado pelo sêmen no homem e pelo óvulo na mulher. É responsável pela reprodução. Admite-se que parte do Shukra dhatu se transforma em ojas.
A palavra ojas é um termo sânscrito que significa literalmente imunidade, energia, vigor, etc. É uma entidade abstrata sem equivalente na medicina ocidental moderna, sendo aceita frequentemente, como o componente que estabelece a conexão entre a consciência e a dimensão material do ser humano.
Verifica-se que algumas pessoas estão sempre cheias de energia, raramente ficam doentes e apresentam um olhar brilhante. Por outro lado, algumas pessoas sempre se sentem cansadas, adoecem com freqüência e apresentam uma fisionomia apática. Entretanto, não é possível identificar qualquer diferença entre as duas, mesmo através de minuciosos testes fisiológicos e bioquímicos. De acordo com o ayurveda a diferença está no nível de ojas. Ojas integra corpo, mente e espírito, resultando numa, indivisível, entidade única. Ojas é responsável por Bala (força) e vyadhikshamatva (resistência às doenças). As escrituras descrevem dois tipos de ojas: Para ojas e Apara ojas. Diz-se que Para ojas está no coração e a sua perda leva à morte. Apara ojas é distribuído por todo o corpo.

Sistema Tridosha
O conceito fundamental da medicina Ayurveda é a doutrina sobre vida saudável. Saúde existe quando há equilíbrio entre as três bioenergias vitais do corpo (doshas) conhecidas como Vata, Pitta e Kapha. Os Doshas são responsáveis pelas características físicas do corpo e pelas tendências emocionais e psicológicas do indivíduo. Quando associados aos sete dhatus (estruturas corporais) e aos três malas (dejetos) engendram o corpo humano. Os atributos dos doshas e suas combinações específicas determinam as capacidades físicas e mentais de cada pessoa. O desequilíbrio entre os doshas é a causa das doenças.
Vata é o princípio dinâmico necessário para movimentar qualquer coisa desde um elétron até uma galáxia. Formado a partir dos elementos ar e éter, está relacionado ao sistema nervoso e à circulação. É eliminado pelas fezes.
Pitta, formado a partir dos elementos fogo e água, é o princípio responsável pela transformação da energia e governa o aquecimento corporal e o metabolismo orgânico, sendo relacionado com os sistemas digestivo e endócrino. É eliminado pelo suor.
Kapha é formado a partir dos elementos água e terra. É o princípio catalizador da energia. Governa a evolução das estruturas mentais e corporais, está relacionado com o equilíbrio da estrutura corporal, da equilibração dos fluídos e da lubrificação das articulações. É eliminado pela urina.
Os médicos do Ayurveda acreditam que essas antigas idéias, baseadas nos conhecimentos desenvolvidos pelos Rishis e Munis, restauram a harmonia com a realidade física. Estes conceitos, também, permitem examinar o estado de equilíbrio do organismo (homeostase). A constituição de uma pessoa pode ser determinada por um dosha predominante, incluindo parcelas dos outros doshas.

Terapias do Ayurveda
Shamana e Shodhana são os dois conceitos sobre terapias do Ayurveda.
Shamana significa alívio, seus métodos atenuam os sintomas das doenças.
Shodhana significa erradicação, seu objetivo é a eliminação das causas fundamentais da doença.
Há cinco tipos de shodhana, conhecidos como panchakarma.

Os panchakarma são: vamana, virechana, nasya, basti e raktha mokshana.
(Basic Guide to Panchakarma)

Normalmente, no shamana os medicamentos são ministrados internamente, no entanto, no shodhana os tratamentos são, basicamente, externos. O Shodana Karma combina dois poorvakarma na preparação do corpo do paciente para o tratamento (snehana e swedana).

Sabores e efeitos fisiológicos
O Ayurveda pesquisa e reconhece a função dos sabores (rasas) dos alimentos e das ervas e, seus efeitos fisiológicos específicos. Os sabores que se transformam após a digestão (Vipaka) são os mais poderosos. Os seis sabores são:
Doce (Madhura) - Alimentos doces refescam, hidradam, lubrificam e nutrem.
Ácido (Amla) - Alimentos ácidos aquecem, lubrificam e nutrem.
Salgado (Lavana) - Alimentos salgados aquecem, dissolvem, estimulam, lubrificam e nutrem.
Amargo (Katu) - Alimentos amargos refrescam, desidratam, purificam e emagrecem.
Picante (Tikta) -Alimentos picantes esquentam, desidratam, estimulam e emagrecem.
Adstringente (Kashaya) - Alimentos adstringentes refrescam, desidratam e reduzem a viscosidade.

Medicações (Veja também: Lista de ervas e minerais do Ayurveda)
O Ayurveda, também, reconhece o valor medicinal de inumeráveis materiais de origem vegetal, animal e mineral. As propriedades medicinais desses materiais, documentadas por pesquisadores do Ayurveda, foram usadas durante séculos para curar doenças e manter uma boa saúde.
Os medicamentos ayurvédicos são produzidos a partir de ervas ou de misturas de ervas, isoladamente ou em combinação com minerais, metais e outros ingredientes de origem animal que devem ser purificados para o uso medicinal.
Os autores e compiladores da literatura Ayurvédica, Charaka, Sushruta, Vagabhatta, Bhav Mishra, Shaligram e outros descreveram as qualidades, características e utilizações das ervas medicinais, minerais, metais, produtos químicos, partes de animais, alimentos cozidos, alimentos naturais, frutas, etc. O Texto Bhav Prakash Nighantu, escrito por Bhav Mishra, é reverenciado pelos seus detalhes.

Panchakarma e massagem Ayurvédica. Veja também: Panchakarma
Panchakarma é um grupo de cinco técnicas de purificação que o Ayurveda prescreve para doenças, intoxicações e, para desinfecções. Uma aplicação típica do Panchakarma exige uma reprogramação nutricional com o emprego de ervas medicinais. As terapias do panchakarma incluem massagens com óleos, banhos quentes, sauna, shirodhara, dehadhara, massagem com arroz aquecido e de uma (ou algumas) das principais terapias (tais como vamana - a remoção das toxinas kapha, virechana - a remoção de toxinas pitta, vasti - a remoção de toxinas vata, raktamoksha - a remoção de toxinas retidas no fluxo sanguíneo, e nasya - remoção das toxinas situadas nos seios nasais e na área craniana).

Abhyanga - massagem com aplicação de óleos (mardana) - é um suporte que ajuda a curar dores, problemas circulatórios, stress, perturbações do sono, rigidez muscular e cansaço.
A massagem terapêutica podem aliviar dores, relaxar músculos rígidos, e reduzir o inchaço associado à artrite. Praticantes do Ayurveda alegam que com as massagem as toxinas entranhadas nas articulações e nos tecidos são eliminadas do organismo.
Entre os vários tipos de terapias do Ayurveda se encontram o panchakarma e a massagem marma abhyangam. As terapias com massagens do Ayurveda foram desenvolvidas, principalmente, no Sri Lanka e no estado indiano do Kerala.

Críticas (Estudos científicos e normas)
Os críticos alegam que não há estudos científicos rigorosos nem testes clínicos dos produtos ayurvédicos. O Centro Nacional para a medicina complementar e alternativa afirma que "a maioria dos ensaios clínicos sobre as terapias do Ayurveda foram insignificantes, ocorreram diversos problemas com os projetos de pesquisa: ausência de grupos de controle adequados, ou problemas que afetaram a obtenção de resultados significativos."
Na Índia, as pesquisas sobre o Ayurveda são patrocionadas e supervisionadas pelo organismo oficial do Governo Central, o Conselho Central para Pesquisa em Ayurveda e Siddha (CCRAS), através de uma rede nacional de institutos de investigação. Um grande número de organizações não-governamentais também estão realizando pesquisas sobre diferentes aspectos do Ayurveda.

Considerações sobre Segurança
Há indícios de que profissionais não autorizados estão aplicando a medicina ayurvédica, especialmente aqueles que utilizam ervas, metais, minerais, ou outros materiais potencialmente tóxicos que colocam em risco a saúde dos pacientes.
Um estudo publicado no jornal da American Medical Association descreve níveis significativos de metais pesados tóxicos como chumbo, mercúrio e arsênico em 20% dos produtos do Ayurveda fabricados no sul da Ásia destinados ao mercado americano. O Jornal apurou, também, que mesmo respeitando as recomendações dos fabricantes, estes de 20% dos medicamentos provocaram severas intoxicações (produzidos com metais pesados muito acima das normas regulamentares). Pesquisas semelhantes foram realizadas na Índia, e confirmaram esses resultados. Casos de intoxicações com o uso de medicamentos ayurvédicos que contém metais são bem conhecidos. Alguns profissionais alegam que "os metais pesados fazem parte integrante de algumas formulações e foram usados durante séculos. Mas, não há registros em textos antigos sobre a utilização segura desses medicamentos.
Existe uma técnica de desintoxicação aplicada aos metais pesados tóxicos e ervas chamada samskaras, que é similar ao chinês Pao Zhi , embora as tecnicas do Ayurveda, mais complexas, envolvam mais orações do que procedimentos fisiológicos.
A desintoxicação é um simples processo químico que envolve quatro etapas sucessivas: aferventar a raiz de acônito com urina de vaca (duas vezes) e com leite de vaca (duas vezes). Este processo acarreta uma modificação química tanto das toxinas quanto das propriedades terapêuticas dos componentes da raiz. Também são extraidos alguns dos componentes no processo de ebulição, diminuindo, assim, a concentração do produto final. Ayurveda: Wikipedia

Ayurveda Glossary
Rejuvenate with Ayurveda (Marketplace)
Ayurveda Kerala
Chakrapani Ayurveda
Nagarjuna Ayurvedic Group
Ayurveda - MD
List of herbs and minerals in Ayurveda
Rasayanas
Chyawanprash
Research and innovations in Ayurveda
Charaka Samhita
Panchgavya - treatment using products of cows
Sri Lankan Ayurvedic tradition
The Roots of Ayurveda by Dominik Wujastyk
Punarnava Ayurveda

Traditional medicine
Yoga (alternative medicine)
Organic Vegetarian Meals: Maharishi University
Traditional Knowledge Digital Library
Ayurveda Br
Kaviraj.org.br
Como o Ayurveda é praticado na Índia / Gilberto Coutinho
Dharma Haven: Tibetan Dharma and Medicine
List of pseudosciences and pseudoscientific concepts
Astrogenetics

Psicologia Indiana.


Manifesto de Pondicherry sobre a psicologia indiana.
Nós, os 160 delegados, que participamos da Conferência Nacional de Yoga e da Abordagem Indiana sobre Psicologia realizada em Pondicherry entre 29 de setembro e 1 de outubro de 2002, publicamos a seguinte declaração em anuência ao manifesto que reivindica a revitalização dos estudos psicológicos, da investigação e da prática da psicologia na Índia.
Admitimos que o estado atual da psicologia na Índia é lamentável. De fato, temos a convicção que a atual psicologia indiana é incapaz de desempenhar a sua função necessária ao desenvolvimento do país.
Acreditamos que esta incrível situação deve-se, em grande medida, ao fato de que a psicologia praticada atualmente na Índia seja um apêndice da psicologia ocidental, que não consegue conectar-se com o ethos Hindu e às implicações psicológicas dos sistemas filosóficos indianos. Portanto, diz-se, em geral, que os estudos psicológicos na Índia atual são imitações e replicações de produções da psicologia ocidental, com ausência de originalidade, incapazes de abranger a problemática social e de abrir novos caminhos de investigação.

Isto é surpreendente, considerando que o pensamento indiano clássico é extremamente rico em conteúdos de natureza psicológica. A nossa cultura desenvolveu uma série de práticas de grande relevância que vão desde a redução do stresse até à auto-realização. Rica em conteúdo, com métodos sofisticados e detentora de uma infinidade de 'práticas e técnicas', a psicologia indiana é capaz de gerar novos modelos de investigação em psicologia que poderiam contribuir não só para a Índia mas para a psicologia em geral. O que temos hoje na Índia é um tipo de psicologia sofrível (de sortilégios), mas não uma verdadeira psicologia indiana..."Pondicherry Manifesto of Indian Psychology"



Fundamentos da Psicologia Indiana (Manashi Roy - IPCR)

Acredita-se que a alma (Ātmā) seja reconhecida através da estrutura psíquica, embora o Yoga clássico considere somente um único órgão psíquico (o órgão do pensamento). Assim, nos textos do Moksadharma há a percepção de que Ātmā é reconhecido através do órgão do pensamento (manah) - "através de um lampejo de lucidez mental Ātmā é intuído como suprema realidade. Ātmā está além da percepção ilusória e não pode ser reduzido a conteúdos mentais".

Os filósofos da escola Samkhya afirmam que todas as ocorrências físicas se projetam na estrutura psíquica e, finalmente, no mais alto nível psíquico, a intuição ou cognição (buddhih) o primeiro produto da evolução de Prakrit.
Mas os adversários argumentam que a mente (manah), a autoconsciência, o princípio da individuação ou ego (ahamkarah) e a intuição ou cognição (buddhi) são processos de conhecimento, mas não são órgãos. De acordo com Vindhyavasi, a consciência do 'eu' é o princípio de individuação, e não poderá ser localizada em qualquer órgão psíquico. O órgão do pensamento (manah) é o único órgão psíquico.
Vyāsa reconhece como órgão psíquico, o órgão do pensamento - a mente (cittam). Ele estabeleceu uma distinção entre coisas e suas qualidades e aceitou todos os estados psíquicos como qualidades (dharmāh) e o órgão psíquico como o portador (dharmī).
A noção de mal psíquico, foi introduzida tanto por Vyasa como pela pela Filosofia Budista. Diz-se que a ignorância e a paixão formam juntos um grupo homogêneo de mal psíquico. Mas quando o Yogi dirige a clara percepção, sobre as impressões psíquicas (Samskārāh) pode conhecer, até, suas vidas passadas.
Entretanto é preciso considerar a Doutrina Atômica da filosofia Vaisésika: "Quando um homem divide algo, e continua dividindo-o, a divisão prossegue até atingir uma unidade indivisível, o átomo. Chama-se átomo (para-manuh, ié, o extremamente pequeno), porque o processo de divisão contínua chega a uma infinitamente pequena unidade indivisível. "De acordo com o Vaisésika todas as ocorrências do mundo fenomenal formam uma trama de átomos indestrutíveis.
(Este texto foi apresentado no Seminário Nacional sobre Indian Psicologia: teorias e modelos, Bangalore, 26-28 dezembro de 2007, que foi organizado conjuntamente pela SVYASA e à CIPR.)


A filosofia ocidental e a psicologia clínica


Este artigo não se refere à religião, nem à psicologia da religião, apenas aborda algumas das principais tradições filosóficas do Oriente que influenciaram diretamente ou estão inseridas no pensamento dos principais escritores e profissionais de psicologia clínica do Ocidente.

Assim como o corpo e mente, oriente e ocidente são falsas dicotomias, a rota da seda (desde o Séc. VIII) foi uma via de diálogo entre o Oriente e o Ocidente, onde circularam importantes textos sobre práticas mentais incluindo a psicologia védica que constitui o núcleo do sistema de saúde mental e aconselhamento psicológico da tradição médica do Ayurveda.

Sidarta Gautama, o Buddha, chegou ao conhecimento das causas do sofrimento (mental) quando atingiu o estado de consciência plena (mindfulness) através de um profundo processo de meditação. Essa busca da consciência plena (mindfulness) é central na psicologia clínica contemporânea. Os cuidados com a saúde de seres humanos mentalmente perturbados foi praticada já na idade média do Oriente, e mais tarde no Ocidente. Muitos dos fundadores da Psicologia Clínica conheceram e foram influenciados por antigos textos orientais quando as traduções começaram a chegar à Europa durante a Século 19.

História

A antiga prática em psicologia clínica deve ser distinguida da moderna profissão da Psicologia clínica. O vocábulo grego psyche significa alento ou alma, enquanto logos significa estudo. Psiquê, também, identifica a deusa grega como alma, então, o termo psicologia deve estar relacionado ao estudo das projeções da alma na mente humana.

Um antigo uso da palavra clínica era, 'o enfermo que recebe o batismo na cama' - Webster 1913, no uso contemporâneo é, geralmente, descrita como uma espécie de purificação ou renascimento - um processo, não-hospitalar, para a reabilitação e reintegração na sociedade.

Relação em ordem cronológica de investigadores em psicologia clínica.

Patanjali (Séc. IV AC?). Um dos fundadores da tradição do yoga, viveu provavelmente entre 200 e 400 AC (precursor da psicologia budista); desenvolveu a ciência da concentração mental em 195 aforismos chamados de Yoga Sutras, considerado um dos poucos textos científicos escritos em forma poética, também, utilizado terapeuticamente na prática do yoga para transtornos mentais comuns e para a ansiedade e depressão.

Padmasambhava (Séc. VIII DC) denominado 'O Buda da medicina tibetana' contribuiu para o desenvolvimento da medicina psiquiátrica tibetana. Os Tibetanos foram notáveis diplomatas, conselheiros, comerciantes, guerreiros e estrategistas militares nas cortes de reinos do Oriente e Ocidente. Por meio deles a medicina tibetana foi introduzida no Ocidente.

Carl Jung (1875-1961)
Os trabalhos de Jung sobre si próprio e sobre seus pacientes lhe convenceram que a vida tem um propósito mais espiritual além dos objetivos materiais.
Baseando-se no estudo do cristianismo, Hinduísmo, Budismo, Gnosticismo, Taoísmo, e de outras tradições, Jung percebeu que o processo de transformação está no coração místico de todas as religiões. É uma viagem para o encontro com a alma (self) a suprema realidade.
Jung prefaciou as traduções em alemão de Richard Wilhelm dos textos Taoístas 'O Segredo da flor de Ouro' e do 'I Ching' que contribuíram para o desenvolvimento da sua teoria dos arquétipos.

Erik H. Erikson (1902-1994). Com base no estudo dos aspectos culturais que influenciam o desenvolvimento psicológico, Erik Erikson formulou a teoria segundo a qual as sociedades criam mecanismos que incentivam e modulam o desenvolvimento da personalidade, entretanto cada cultura desenvolve soluções específicas para problemas similares, também, escreveu uma biografia de Gandhi.

R D Laing (1927-1989)
Segundo a 'Sociedade Lainginiana de Estudos', Laing em março 1971 foi para o Ceilão com Jutta Werner e seus dois filhos, onde passou dois meses estudando meditação em um mosteiro budista. Após a expiração de seu visto de permanência, transferiu-se para a Índia, onde passou três semanas estudando com Gangroti Baba, um asceta hindu, que iniciou Laing no culto da deusa Hindu Kali. Ele passou um bom tempo aprendendo sânscrito e visitando Govinda Lama que foi guru de Timothy Leary e Richard Alpert.

Influência na Psicologia Ocidental

Arthur Schopenhauer (1788-1860), foi profundamente influenciado pelas primeiras traduções dos textos budistas e hindus que chegaram ao ocidente no século 19. Sua filosofia e métodos de investigação têm muitas semelhanças com essas tradições. Suas idéias prenunciavam e estabeleceram as bases para a teoria da evolução de Darwin e para os conceitos de libido e da mente inconsciente de Freud. Aplicando uma metodologia empírica em sua auto-análise criou as bases para o desenvolvimento da metodologia interpessoal de Freud formulada na psicanálise.

Caroline Rhys Davids (1857-1942),
traduziu textos sobre a Psicologia Budista do original em páli. Em 1914 publicou o livro, 'Buddhist Psychology: An Inquiry into the Analysis and Theory of Mind in Pali Literature'. Foi aluna de George Croom Robertson, filósofo escocês, que era editor da revista Fundamentos da Mente de 1876 até 1891.

Wilhelm, Richard (1873-1930),
traduziu do chinês para o alemão o 'I Ching', o 'Tao Te Ching' e o 'O Segredo da Flor de Ouro' com prefácio escrito por Jung, um amigo próximo.

Jack Kornfield (nascido em 1945), iniciado como monge budista na Índia e no sudeste da Ásia, possui um doutorado em psicologia clínica e co-fundou a Insight Meditation Society e Spirit Rock Meditation Center. Entre seus livros mais populares incluem 'Seeking the Heart of Wisdom' (1987, em colaboração com Joseph Goldstein), A 'Path with Heart' (1993) e ''The Art of Forgiveness', Lovingkindness and Peace' (2002).

Daniel Goleman (nascido em 1946).
Goleman ensinou psicologia em Harvard, escreveu sobre ciência para o New York Times e é autor do best-seller "Inteligência Emocional" (1995) e 'Destructive Emotions: A Scientific Dialogue with the Dalai Lama' (Bantam Books, 2003).
Eastern philosophy and clinical psychology: Wikipedia

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