24/02/2018

Hinduísmo


        O Hinduísmo (Sânscrito: हिन्दू धर्म, Hindu Dharma, também conhecido como सनातन धर्म, Sanatana Dharma - "eterno dharma") é um conjunto de tradições religiosas originadas no subcontinente indiano, engloba muitas crenças, práticas e filosofias com incríveis detalhes. Postula a existência de um espírito transcendental denominado Brahman, cultuado sob diversas formas, tais como Brahma, Vishnu, Shiva ou Shakti.

        O "hinduísmo", uma das mais antigas tradições religiosas do planeta passou por diversas transformações ao longo de sua história principalmente por influência dos Shramanas incluindo Buddha e Mahavira, e dos Darśanas (filosofia indiana). Os estudiosos consideram o hinduísmo como uma fusão ou síntese de várias culturas e tradições com raízes diversas e sem fundador, sendo apresentado como um conjunto de conceitos filosóficos decorrentes de uma tradição oral que remonta à proto-história indiana, sendo a prática hindu, sem dúvida, muito antiga, perto do animismo.

        As práticas hindus incluem rituais como puja (culto, adoração) e recitação de mantras, meditação, ritos de passagem, festivais anuais e ocasionais, e peregrinações. Alguns hindus deixam seu mundo social e seus bens materiais, então, se envolvem em Sannyasa (práticas monásticas) ao longo da vida para alcançar Moksha (liberação do samsara).
        Os estudos sobre da Índia e suas culturas e religiões incluindo a definição de "hinduísmo" e a teoria da invasão ariana foram forjados pelos interesses do colonialismo e pela concepção ocidental de religião. Desde a década de 1990, essas influências e seus resultados foram temas de debate entre os estudiosos do hinduísmo e também foram assumidos pelos críticos da visão ocidental sobre a Índia. 

         'Hindu' (termo persa derivado do nome do Rio Indus, correspondente em sânscrito a Sindhu) refere-se ao adepto de alguma tradição cultural, ou religiosa do hinduísmo. O significado histórico do termo Hindu evoluiu com o tempo, começando com as referências persa e grega à terra do Indus (rio indo) no primeiro milênio AC. Através dos textos da era medieval, o termo Hindu implicava um identificador geográfico, étnico ou cultural para as pessoas que viviam no subcontinente indiano em torno ou além do Rio Indus (Sindhu). No século 16, o termo começou a se referir a residentes do subcontinente que não eram muçulmanos. Certas teorias afirmam que a identidade 'Hindu' se desenvolveu após o século VIII DC com a invasão islâmica, e se afirmou na era colonial britânica.

        'Dharma' (Ordem Cósmica) significa a ordem subjacente na natureza e na vida. Corresponde na religião e na espiritualidade ao caminho da verdade suprema. Dharma é a base para as filosofias, crenças e práticas originárias da Índia. As cinco principais são: Hinduísmo (Sanatana Dharma), Budismo, Jainismo, Ayyavazhi e Sikhismo todas preservam a centralidade do Dharma. Nessas tradições, seres que vivem em harmonia com o Dharma chegam mais rapidamente ao Dharma Yukam, moksha, Nirvana (libertação pessoal).

        O significado da palavra Dharma depende do contexto, e seu significado evoluiu à medida que as idéias do hinduísmo se desenvolveram através da história. Nos primeiros textos e mitos antigos do hinduísmo, Dharma significava a lei cósmica, as regras que diferenciavam o universo do caos, bem como os rituais; Nos Vedas posteriores, UpanishadsPuranas e Épicos, o significado tornou-se refinado, mais rico e mais complexo.
        Dharma, também, designa comportamentos humanos considerados necessários para a ordem das coisas no universo, princípios que impedem o caos; Comportamentos e ações necessários à vida na natureza, na sociedade, na família e do próprio individuo. Dharma abrange idéias como o dever, os direitos, o caráter, a vocação, a religião, os costumes e todos os comportamentos considerados apropriados, ou moralmente corretos.
        Dharma, em outro contexto, refere-se aos ensinamentos e doutrinas dos diversos fundadores de uma determinada tradição como Gautama Buda no Budismo e Mahavira no Jainismo.

                                                         Escrituras / Textos

O Hinduísmo engloba um grande número de textos religiosos desenvolvidos ao longo de muitos séculos que contém diversas visões espirituais com orientações práticas para a vida religiosa. Entre esses textos, estão, os Vedas, os Samhitas, os Brahmanas, os Aranyakas, e os primeiros Upanishads, que segundo a tradição, foram revelados (Śruti) aos homens graças à "visão" dos Rishis. A outra classe de textos, os Smṛti (literalmente memória, concebidos por um autor) é composta pelos Vedangas, pelos Puranas incluindo os épicos Mahabharata e o Ramayana, pelos Agamas, etc. O mais reverenciado é o Bhagavad Gita incluído no Mahabharata que contém as principais concepções desenvolvidas na era védica.

A filosofia hindu descrita nos épicos e Puranas é centrada primeiro na doutrina do avatar (encarnação, parcial ou total, de um deus no ser humano). Os dois principais avatares de Vishnu que aparecem nos épicos são Rama, o herói do Ramayana e Krishna, o principal protagonista do Mahabharata. A diferença entre deva dos Samhitas védicos e do conceito abstrato Brahman dos Upaniṣads (que descrevem o divino como onipresente, impessoal e sem forma), os avatares desses épicos são intermediários humanos entre o Ser Supremo e os mortais que oferecem uma visão do divino mais acessível. Deus é descrito como pessoal e próximo da sua criação (no Bhagavata Purana, Krishna é um pastor, a criação dele é o seu rebanho, a respiração que atravessa a flauta é a alma sem o começo ou o fim das criaturas).

Esta doutrina teve um grande impacto na vida religiosa hindu, porque mostra que Deus se manifestou em uma forma que pode ser apreciada até mesmo pelos homens mais modestos. Rama e Krishna durante milhares de anos foram manifestações do divino, amado e adorado pelos hindus. O conceito de Brahman no Upanishads é sem dúvida o auge do pensamento religioso indiano, mas a visão dos avatares e a história de seus mitos certamente teve mais influência sobre hindu mediano. Os hindus atribuem maior importância à ética e aos significados metafóricos transmitidos por esses textos do que à mitologia literal.
                                                                  Tradições

        Hindus veneram várias deidades, e as consideram manifestações de um único supremo espírito cósmico Brahman, no entanto, outros se concentram em apenas um conceito de Deus, como no Brahmanismo, Vaishnavismo, Shaivismo e Shaktismo.

O termo hinduísmo é complexo, pois consiste de várias correntes de pensamento que abrangem muitos rituais religiosos, bem como de diversas seitas e filosofias. Muitos
        McDaniel classifica o hinduísmo em seis tipos principais e numerosos tipos menores. Os tipos principais, hinduísmo popular (folk), baseado em tradições e cultos de divindades locais, é o sistema mais antigo e não escrito (transmitido oralmente); Hinduísmo védico baseado nos primeiros estratos védicos que remontam ao 2º milênio AC; Hinduísmo Vedântico baseado na filosofia dos Upanishads, incluindo o Advaita Vedanta que enfatiza o conhecimento e a sabedoria; Hinduísmo Yogico, fundamentado nos Yoga Sutras de Patanjali focalizando a concentração mental; Hinduísmo dármico ou "moralidade diária", que McDaniel afirma ser estereotipada em alguns livros como a "única forma de religião hindu com crença em karma, vacas e castas"; e Bhakti ou hinduísmo devocional, onde emoções intensas são elaboradamente incorporadas na busca do espiritual.

                                                              Praticas / Rituais

Wikipedia: Puja
Pūjā é um ritual devocional de oferenda e adoração realizado pelos hindus para uma ou mais divindades, ou para acolher e honrar um convidado, ou para celebrar espiritualmente um evento. A palavra pūjā vem do sânscrito, e significa reverencia, honra, homenagem, adoração e culto.
           No hinduísmo, o puja é feito em diversas ocasiões, frequências e configurações. Pode incluir puja diário em casa, cerimônias ocasionais no templo e festivais anuais, como Durga Puja e Lakshmi Puja.   

        Puja varia de acordo com a escola do hinduísmo, com a região, a ocasião, e a divindade cultuada. Nas cerimônias formais Nigama, fogo pode ser aceso em homenagem à divindade Agni, sem uma estátua ou uma imagem presente. Em contraste, nas cerimônias Agama, uma estátua ou ícone ou imagem da deidade deve estar presente. Em ambas as cerimônias, uma lâmpada (diya) ou uma vara de incenso deve ser acesa enquanto uma oração (mantra) é recitada ou o hino é cantado. Puja é normalmente realizado por um adorador hindu sozinho, embora às vezes na presença de um sacerdote bem versado em hinos e rituais complexos. Nos templos e em pujas oficiados por sacerdotes, alimentos, frutas e doces podem ser incluídos como oferendas sacrificiais para a cerimônia ou para a divindade, que, após as orações, se torna prasad - comida compartilhada por todos. Na sociedade hindu, o puja desempenha um papel vital. É um ato central e diário do hinduísmo. Os rituais variam enormemente entre diversas regiões, vilarejos, e entre os indivíduos.

        Os rituais védicos da oblação do fogo (yajna) e cânticos de hinos védicos são observados em ocasiões especiais, como um casamento hindu. Eventos relevantes da vida, como rituais após a morte, incluem o yajña e o canto de mantras védicos. A transição do Vedismo para o Hinduísmo é marcada pelo abandono gradual do yajña, substituído pelo Pūjā.


                                                                    Festivais
Festivais hindus (sânscrito: Utsava, literalmente: "elevar mais alto") são cerimônias que tecem a vidacalendário hindu lunisolar, muitos coincidindo com a lua cheia (Holi) ou a lua nova (Diwali), muitas vezes com mudanças sazonais. Alguns festivais são encontrados apenas regionalmente e eles celebram tradições locais, enquanto alguns como Holi e Diwali são pan-Hindus. Os festivais geralmente celebram eventos do hinduísmo, conotando temas espirituais e celebrando aspectos de relações humanas, como o vínculo Irmão-Irmão sobre o festival Raksha Bandhan (ou Bhai Dooj). O mesmo festival às vezes marca histórias diferentes dependendo da denominação hindu, e as celebrações incorporam temas regionais, agricultura tradicional, artes locais, encontros familiares, rituais de Puja e festas.
individual e social ao dharma. O hinduísmo tem muitos festivais ao longo do ano, onde as datas são definidas pelo calendário

Alguns grandes festivais regionais ou pan-hindus incluem:
                                                           Cosmogonia / Cosmologia
        "O hindu dharma é a única das grandes fé do mundo dedicada à ideia de que o próprio Cosmos sofre um número imenso, mesmo infinito, de mortes e renascimentos. É o único dharma em que as escalas de tempo correspondem às da cosmologia científica moderna. Seus ciclos percorrem do nosso dia e noite terrestre para um dia e uma noite de Brahma, durante 8,64 bilhões de anos", (próximo da atual estimativa da teoria do Big Bang). Carl Sagan
        De acordo com a cosmologia védica hindu, não há um início absoluto do tempo, pois é considerado infinito e cíclico. Da mesma forma, o universo não têm começo nem fim, também é cíclico. Existem vários universos, cada um se manifesta do caos (dia de Brahma), cresce, decai (pralaya ou noite de Brahma) e morre no caos, então renasce novamente. Além disso, existem realidades diferentes e paralelas.
      
        A duração de uma manifestação do universo é baseada em ciclos de kalpas. Um kalpa é um dia de Brahma ou mil mahayugas, igual a 4,32 bilhões de anos. Um mahayuga é composto pelas quatro yugas (chatur yuga): Satya Yuga,Treta Yuga, Dvapara Yuga e Kali Yuga. Satya yuga é caracterizado pela virtude e sabedoria, não havendo praticamente nenhuma ignorância e vício, com duração de 1.728.000 anos. No Tretā-yuga surge o vício, e tem duração de 1.296.000 anos. No Dvāpara-yuga há um declínio ainda maior da virtude, com aumento do vício e dura 864,000 anos. E, finalmente, Kali-yuga (o atual yuga iniciado a cerca de 5.000 anos), era dos conflitos, da ignorância, dos vícios, fraca virtude, dura 432.000 anos. Na Kali-yuga, o vício aumenta a tal ponto que, no término do yuga, o próprio Senhor Supremo aparece como o Kalki avatāra, vençe os demônios, salva seus devotos, e começa outro Satya-yuga.
Dois kalpas constituem um dia e uma noite de Brahma. Um "mês de Brahma" deve conter trinta desses dias (incluindo noites), ou 259,2 bilhões de anos. De acordo com o Mahabharata, 12 meses de Brahma (= 360 dias) constituem um ano de Brahma; O ciclo de vida do universo é de 100 anos de Brahma. Estes "cem anos" totalizaram 311 trilhões (311,040,000,000,000) de anos terrestres. Por esses cálculos, a vida de Brahmā parece fantasticamente interminável, mas, do ponto de vista da eternidade, é tão breve como um relâmpago. 
A cosmogonia hindu ensina que o princípio de toda a vida, todo o progresso, toda a energia, está em diferenças, contrastes. O mundo foi criado na forma de um ovo (o "ovo de ouro de Brahma", hiranyagarbha em sânscrito). A metade superior do ovo cósmico (brahmāṇḍa) é dividida em sete zonas: as três primeiras, a terra, o ar e o céu, formam o triloka (Nos Vedas, o Cosmos é dividido em três regiões distintas: svar : o céu; bhuvaḥ : o ar; bhūr : a terra) e são cobertos por quatro regiões celestiais que constituem a morada dos deuses. A metade inferior do ovo cósmico compreende sete regiões infernais (pātāla), que formam estágios e são habitadas por demônios e serpentes. Abaixo do ovo cósmico é o oceano primitivo, formado por sete outras zonas infernais. A Terra está dividida em sete continentes rodeados por sete mares.
                                                                   Crenças
        Os principais temas das crenças hindus se referem a Dharma (ética / deveres), Samsāra (o ciclo contínuo de nascimento, vida, morte e renascimento), Karma (ação, intenção e conseqüências), Moksha (libertação de Samsara ou libertação nesta vida), e os vários Yogas (caminhos ou práticas).
        De qualquer maneira que um hindu defina o objetivo da vida, existem vários métodos (iogas) que os sábios ensinaram para alcançar esse objetivo. O Yoga é uma disciplina hindu que treina o corpo, a mente e a consciência para a saúde, a tranquilidade e discernimento espiritual. Isso é feito através de um sistema de posturas e exercícios para praticar o controle do corpo e da mente. Os textos dedicados ao Yoga incluem os Yoga Sutras, o Hatha Yoga Pradipika, o Bhagavad Gita e, como base filosófica e histórica, os Upanishads. O Yoga é o meio, e os quatro principais caminhos (marga) discutidos no hinduísmo são: Bhakti Yoga (o caminho do amor e devoção), Karma Yoga (o caminho da ação correta), Rāja Yoga (o caminho da meditação) e Jñāna Yoga (o caminho do conhecimento).
        Karma literalmente se traduz como "ação", "atividade" ou "trabalho" e pode ser descrito como "lei de ação e retribuição". De acordo com os Upanishads, a consciência do homem, citta ou cetana, é um órgão sutil-material que, com a ajuda do prana, reflete a consciência da alma (jiva ou atman). Chitta é o agregado de manas (a mente subconsciente), ahamkara (self, a autoconsciência) e buddhi (a mente consciente, o intelecto). Prana é o mediador entre jiva e chitta,  é o primeiro e mais sutil elemento material. Chitta é o receptáculo dos samskaras (impressões mentais, lembranças) das ações executadas, tanto no nível físico quanto mental. A informação acumulada  atua como um prisma através do qual uma pessoa olha para o mundo. Tudo o que ela vê, compara com sua experiência passada, percebendo a realidade de forma distorcida. Os samskaras são preservados e transferidos para a vida futura na consciência do indivíduo. Em cada vida, os samskaras formam a estrutura psicofísica do homem, delineando suas propensões e desejos, determinando seu karma. Assim, o conceito de lei universal, neutra e infalível do karma está diretamente relacionado com a reencarnação, bem como com a personalidade do indivíduo, suas qualidades e sua família. Karma combina a noção de livre arbítrio e destino. O ciclo de "atividade, conseqüências da atividade, nascimento, morte e renascimento" é chamado de samsara. Os conceitos de reencarnação e karma estão no coração do hinduísmo.
        Saṃsāra (sâns: संसार) é um termo que significa "vagar", bem como "mundo", sugerindo "mudança cíclica". Saṃsāra é um conceito fundamental em todas as religiões indianas, está ligado à teoria do karma e refere-se à crença de que todos os seres vivos passam ciclicamente por nascimentos e renascimentos. O termo está relacionado a frases como "o ciclo da existência sucessiva", "transmigração", "ciclo kármico", "roda da vida" e "ciclicidade de toda a vida, matéria, existência".
        De acordo com Monier-Williams, Saṃsāra está enraizado no termo Saṃsṛ (संसृ), que significa "rodar, girar, passar por uma sucessão de estados, ir em frente ou obter, movendo-se em um circuito". Uma forma conceitual desta raiz aparece em textos antigos como Saṃsaraṇa, que significa "atravessar uma sucessão de estados, nascimento, renascimento de seres vivos e do mundo", sem obstrução. O termo encurta para Saṃsāra, referindo-se ao mesmo conceito, como uma "passagem através de estados sucessivos de existência mundana". O conceito é então contrastado com o conceito de moksha, também conhecido como mukti, nirvana, nibbana ou kaivalya, que se refere à libertação da roda da vida.
            Puruṣārtha significa literalmente um "propósito da existência humana". É um conceito-chave no hinduísmo e refere-se aos quatro objetivos ou aos próprios objetivos da uma vida humana. Os quatro Purusarthas são Dharma (justiça, valores morais). Artha (prosperidade, valores econômicos), Kama (prazer, amor, valores psicológicos) e Moksha (libertação, valores espirituais).
        Todos os quatro Purusarthas são importantes, mas em casos de conflito, Dharma é considerado mais importante do que Artha ou Kama na filosofia hindu. Moksha é considerado o ideal final da vida humana. Os pensadores indianos reconheceram e debateram a tensão inerente entre a busca ativa da riqueza (Artha purusartha) e o prazer (Kama) e a renúncia de toda riqueza e prazer por conta da libertação espiritual (Moksha). Eles propuseram "ação com renúncia" ou "ação desinteressada, dirigida pelo dharma", também chamada Nishkam Karma como uma possível solução para tal tensão.       
           Moksha (sânscrito: मोक्ष, mokṣa), também chamado vimoksha, Vimukti e mukti, é um termo do Hinduísmo e da filosofia indiana relativo a liberdade, libertação ou liberação. Nos seus sentidos soteriológico e escatológico, refere-se à liberação do saṃsāra, o ciclo da morte e do renascimento, e de todo sofrimento e das limitações da existência material. Nos seus sentidos epistemológico e psicológico, moksha refere-se à libertação da ignorância: auto-realização e autoconhecimento.
         O significado de moksha difere entre as várias escolas de pensamento hindus. Por exemplo, O Advaita Vedanta afirma que, depois de alcançar moksha, uma pessoa conhece sua "alma, self" e a identifica com Brahman em todos seus os aspectos. Os seguidores das escolas Dvaita (dualistas), no estado de moksha, identificam a "alma, self" individual como distinta de Brahman, mas infinitesimalmente próxima, e esperam passar a eternidade em uma loka (céu). Para as escolas teístas, moksha é a libertação do samsara, enquanto que para outras escolas, como a escola monística, moksha é possível na vida atual e é um conceito psicológico. De acordo com Deutsche, moksha é a consciência transcendental como o supremo, estado perfeito do ser, de auto-realização, de liberdade e de "realizar todo o universo como o Eu". Moksha nestas escolas do hinduísmo, sugere Klaus Klostermaier, implica uma manifestação livre de faculdades até então acorrentadas, uma remoção de obstáculos para uma vida sem restrições, permitindo que uma pessoa seja mais verdadeiramente uma pessoa no sentido pleno; o conceito pressupõe um potencial humano não utilizado de criatividade, compaixão e compreensão que foram bloqueados e fechados. Moksha é mais do que a libertação do ciclo de sofrimento da vida (Samsara); A escola Vedântica separa isso em dois: jivanmukti (libertação nesta vida) e videhamukti (libertação após a morte).
                              Ashama são os quatro estágios em que a vida espiritual de um hindu é tradicionalmente dividida. O sistema Ashrama é uma faceta do Dharma. Combinado com quatro objetivos da vida humana (Purusartha), este sistema, tradicionalmente, visava proporcionar a um hindu uma vida plena e a libertação espiritual. Os quatro ashramas são: Brahmacharya (estudante), Grihastha (chefe de família), Vanaprastha (aposentado) e Sannyasa (renúncia). 
        Brahmacharya representa a fase de vida do estudante, inclui a prática do celibato. Grihastha refere-se à vida conjugal do indivíduo, com os deveres de manter um lar, criar uma família, educar os filhos e liderar uma vida social dharmica centrada na família. A fase Grihastha começa com o casamento e foi considerado o mais importante de todos os estágios no contexto sociológico, já que os hindus nessa etapa não só buscaram uma vida virtuosa, mas produziram riqueza e alimentos que sustentavam pessoas em outros estágios da vida, bem como os descendentes que garantem a continuidade da humanidade. Vanaprastha é o estágio de aposentadoria, onde uma pessoa entrega as responsabilidades domésticas à próxima geração, assumindo um papel consultivo, gradualmente se retirando do mundo. O estágio de Sannyasa (ascetismo) marca a renúncia e o desapego da vida material, geralmente sem qualquer propriedade ou lar, focado em Moksha, vive-se em paz uma vida espiritual simples.
        Varṇa em sânscrito significa tipo, ordem, cor ou classe. O termo refere-se a classes sociais em textos como o Manusmriti que classificaram a sociedade, em princípio, em quatro varnas: Brâhmanes, sacerdotes, estudiosos e professores. Kshatriyas, governantes, guerreiros e administradores. Vaishyas, agricultores e comerciantes. Shudras, trabalhadores e prestadores de serviços.
        Dalit (Paria), que significa "oprimido" em sânscrito e "quebrado / excluido" em hindi, é um termo usado principalmente para as castas na Índia que foram submetidas à intocabilidade. Os dalits foram excluídos do sistema varna do hinduísmo e foram considerados uma quinta varna, também conhecida pelo nome de Panchama. Os dalits agora professam várias crenças religiosas, incluindo o budismo, o cristianismo e o sikismo.
        O termo " dalits" foi utilizado como uma tradução para a classificação do Censo Britânico de classes oprimidas, antes de 1935. Foi popularizado pelo economista e reformador BR Ambedkar (1891-1956), ele mesmo um Dalit, e na década de 1970 seu uso foi revigorado quando foi adotado pelo grupo de ativistas Dalit Panthers. 
         O Bhagavad Gītā liga varna ao dever de um indivíduo (svadharma), a natureza inata (vabhāva) e às tendências naturais (guṇa). O Manusmṛiti categoriza as diferentes castas. Os estudiosos discutem se o chamado sistema de castas faz parte do hinduísmo sancionado pelas escrituras ou pelo costume social. E vários estudiosos contemporâneos sustentam que o sistema de castas foi estimulado e fortalecido pelo regime colonial britânico .
        Um homem erudito renunciante geralmente é chamado Varnatita ou "além de todas as varnas" em obras Vedânticas. O bhiksu é aconselhado a não se preocupar com a casta da família da qual ele implora sua comida. Filósofos como Adi Sankara afirmam que não só Brahman está além de todos os varnas, como, também, o homem que é identificado com Ele transcende as distinções e limitações da casta.
                                                                    Conceito de Deus
Representação pictórica de Brahman e Atman: o fio
cruzando as pérolas (existentes) é o atman, alma individual.
O todo formando uma estrela de seis pontas simboliza
 Brahman, alma universal.
         O hinduismo é um extenso sistema de pensamento com crenças que abrangem o monoteísmo, o politeísmo, o panenteísmo, o panteísmo, o pandeismo, o monismo e o ateísmo entre outros; E seu conceito de Deus é complexo e depende de cada indivíduo, a tradição e a filosofia seguidas. Às vezes, é referido como Henoteísmo que envolve devoção a um deus único enquanto se aceita a existência de outros.
        Os hindus acreditam que todas as criaturas vivas têm uma alma. Essa alma - o espírito ou o "eu" verdadeiro de cada pessoa, é chamado de ātman.  Acredita-se que a alma seja eterna. De acordo com as teorias monista / panteísta (não-dualistas) do hinduísmo (como a escola Advaita Vedanta), este Atman é indistinto do supremo espírito BrahmanSatCitAnanda (sâns. सच्चिदानन्द, Satcidananda ou saccidānanda) é a descrição de Brahman, na verdade, sem atributos no Vedanta; Composto por: Sat (सत्) - estado de existência ou existência em si, também verdade, Cit (चित्) - consciência, mente, mesmo conhecimento (Normalmente entendido no sentido de uma consciência impessoal pura), Ananda (आनन्द) - Alegria, felicidade, a alegria pura de Brahman é considerada a maior forma de felicidade incondicional nos Upanishads.
        O objetivo da vida, de acordo com a escola Advaita, é perceber que a alma de alguém é idêntica à alma suprema, que a alma suprema está presente em tudo e em todos, toda a vida está interligada e há unicidade em toda a vida. As Escolas dualistas (ver Dvaita e Bhakti) compreendem Brahman como Ser Supremo separado das almas individuais. Eles adoram o Ser Supremo às vezes como Vishnu, Brahma, Shiva ou Shakti, dependendo da seita. Deus é chamado Ishvara, Bhagavan, Parameshwara, Deva ou Devi, entretanto esses termos têm significados diferentes em diferentes escolas de hinduísmo.   
        As escrituras hindus referem-se a entidades celestiais chamadas Devas (ou devī em forma feminina, devatā usado como sinônimo para Deva em Hindi), que pode ser traduzido para o inglês como deuses ou seres celestiais. Os devas são parte integrante da cultura hindu e são retratados na arte, na arquitetura e nos ícones, e as histórias sobre eles estão relacionadas nas escrituras, particularmente na poesia épica indiana e nos Puranas. No entanto, eles são muitas vezes distinguidos de Ishvara, um deus pessoal que muitos hindus veneram de uma forma particular como seu iṣṭa devatā.
                                                            A sílaba sagrada OM
         Om (ou Aum) é um dos símbolos sagrados do hinduísmo. É o som primordial que surge do caos antes da Criação, é a fonte da existência. É usado como um prefixo e às vezes sufixo para os mantras hindus. Representa a contração dos três gunas: Sattva. Tamas e Rajas, e simboliza o Absoluto. A escrita "Om" é a contração de Aum,  sendo "m" a ressonância e "o", a vibração original.
O som Ôm (ou Aum) é preenchido com uma mensagem simbólica profunda: é considerada a vibração divina primitiva do Universo que representa toda a existência, envolvendo toda a natureza na Verdade Suprema. Assim, o som, produzido de forma prolongada, resultado da combinação de três sons AUM (da tríade para a unidade), significa "o que foi, é e será", e possui, para aqueles que se dedicam à meditação, uma força que é mágica e religiosa. Um Upaniṣad diz: "Como todas as folhas são enroscadas em um tronco que corre através deles, então toda a fala se funde no som OM. O som OM é todo esse universo."

                                                             Templo (Mandir)
     

O templo hindu, (sâns मंदिर, mandir, literalmente "morada, habitação") é um lugar de culto para os seguidores do hinduísmo. No hinduísmo, Mandir é uma representação do cosmos. No seu recinto, o mundo dos homens está confinado ao das divindades. As torres, (Shikhara no norte da Índia ou Vimana no sul) representam a mítica montanha do mundo na cosmogonia hindu. Abaixo desta torre está o lugar mais sagrado do templo, o Garbhagriha (Santuário), que é uma sala simples e sem iluminação. No ritual a divindade está presente; A pedra angular da atividade sacerdotal é o puja (oferta). Um templo incorpora todos os elementos da cosmologia hindu, o maior pináculo ou cúpula representa o Monte Meru - símile da morada de Brahma e do centro do universo espiritual, as esculturas e a iconografia representam simbolicamente dharma, kama, artha, moksha e karma. O layout, os motivos, o plano e o processo de construção recitam rituais antigos, simbolismos geométricos e refletem crenças e valores inatos em várias escolas do hinduísmo. Os templos hindus são destinos espirituais para muitos hindus, bem como marcos para artes, festivais anuais, rituais de ritos de passagem e celebrações comunitárias.

        O templo hindu pode ser um edifício separado ou parte de um edifício. A principal característica distintiva do templo hindu é a presença do murti, a quem ou a que o templo é dedicado. Durante a cerimônia de consagração do templo, Deus em uma de suas formas é convidado a "encarnar" em uma pedra, ou murti de metal ou de madeira e começar a aceitar o culto. O templo é geralmente dedicado ao murti de uma das formas de Deus.

                                                         Peregrinação

        Analogamente ao conceito de poder do mantra, no hinduísmo existe o conceito de sitio de poder. O lugar sagrado ou lugar de peregrinação é designado, na tradição hindu, por dois termos especiais, a saber, tirtha e ksetra.
        Tirtha (Sans. तीर्थ, tīrtha) é um lugar sagrado onde existe uma fonte, lagoa, lago, rio ou mar, cujas águas são consideradas sagradas. A palavra tirtha significa "vau", "travessia", entretanto a raiz da palavra sânscrita (tṛ), da qual é formada, também deriva o conceito de "salvar" (no sentido religioso).
        Originalmente, tirtha era realmente apenas um 'vau' em um rio, um lugar onde você poderia atravessar com segurança de um lado para o outro. Essa ideia foi transferida para o nível metafísico. Aqui, um tirtha representa um ponto de transição ou uma junção entre mundos diferentes; É uma linha de fronteira muito estreita e permeável, que permite ao homem encontrar sua salvação (Moksha), ou unir-se com a suprema consciência (Brahman).
        Existem quatro Tirthas Pan Indianos conhecidos, moradas dos deuses, localizados nas fronteiras do país (Badrinath ao norte, Jagannath Temple a leste, Rameswaram ao sul, Dvaraka ao oeste). Outros Tirthas famosos são os doze Jyotir lingas de Shiva, os Shakti-pithas para a deusa Shakti, os quatro locais de Kumbha Mela (Haridwar, Prayaga, Nasik, Ujjain), ou as sete cidades da salvação (Ayodhya, Mathura, Haridwar, Varanasi, Kanchipuram, Ujjain e Dvaraka).
        Essencialmente relacionada a esta geografia sagrada está a peregrinação (tirtha-yatra) para os vários tirthas, prática fortemente incentivada assim que o Mahabharata e os Puranas exaltaram o mérito religioso resultante. Não há quaisquer restrições, e combina elementos culturais de tradições folclóricas antigas com o hinduísmo. Por exemplo, observa-se nos Tirthas a realização de ritos védicos como a execução de sacrifícios do fogo (homa), ritos ancestrais (sraddha), meditação matutina e noturna (sandhya) e práticas populares como cerimônias de adoração (puja), canto de canções religiosas em conjunto (kirtana), audição de narrativas mitológicas ou seguir procissões religiosas (jatra). No hinduísmo de hoje, a peregrinação como expressão de religiosidade ocupa uma posição central.
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