26/01/2018

Física indiana


Sayana (1315 e 1387 DC) num comentário ao Rigveda sobre a velocidade da luz relata que a luz do sol atravessa 2202 yojans em meio naimesh, equivalente, aproximadamente a 299.338,5 km/s. Essa surpreendente precisão, junto com a teoria atômica indiana estimulam uma boa investigação sobre o antigo pensamento cientifico indiano, sua metodologia e suas raízes védicas. O Dr. Subhash Kak, cientista da computação quântica, indólogo, historiador da astronomia e da matemática, descobridor do código astronômico do Rigveda apresenta uma visão relevante da antiga física indiana, (Aqui resumida com adendos da wikipedia): 
"O objetivo deste trabalho é apresentar uma visão prévia da história da antiga física Indiana. O foco são as escolas Vaiśeṣika e Sāṃkhya que estabeleceram os princípios gerais de teoria atômica e da cosmologia. Essas Idéias e de outras escolas foram aplicadas à tecnologia, por um grande período, com podemos ver no livro de Dharampal. Os historiadores da ciência, em geral, desconhecem as contribuições da Índia para a física. A principal razão para isso é que raras pesquisas foram feitas sobre o assunto em poucos departamentos de história da ciência nas universidades indianas desde que "As Ciências positivas dos Hindus de Brajendranath Seal" apareceu em 1915. O plano de fundo deste contexto tem como base alguns textos védicos que apresentam uma visão recursiva de um mundo tripartite: o universo é percebido como as três regiões: terra, espaço e céu que no ser humano são reproduzidas por corpo físico, respiração e mente. Os processos no céu, na terra e na mente são considerados conectados (bandhu). O universo é refletido no sistema cognitivo, levando à ideia de que a introspecção produz conhecimento. Os Rishis (pensadores védicos) intuíram Rta, o princípio da ordem natural que regula e coordena o funcionamento do universo e tudo dentro dele. Eles também consideram que todas descrições são limitadas, e fora do seu contexto normal levam ao paradoxo lógico. As características notáveis ​​desta visão de mundo são: Um universo infinitamente antigo e cíclico; Um mundo atômico e a dicotomia sujeito / objeto; A relatividade do tempo e do espaço; A evolução da vida; Uma ciência da mente; leis computáveis; Teoria da linguagem."

  O hino Rigvedico 10.129 descreve como antes de uma separação entre o sujeito e o objeto não existia espaço ou tempo. Continua a dizer:
               "No início surgiu o desejo, nascido da mente, era a semente primordial. Os Rishis que pesquisaram seus corações com sabedoria conhecem a conexão bandhu entre ser e não-ser.
Uma corda é esticada entre eles; O que estava acima e o que estava abaixo? Poderes seminais criam forças poderosas, abaixo força e acima impulso.
                As conexões (bandhu) entre o exterior e o interior são afirmadas. Em seguida, menciona-se a dicotomia entre purusha e prakriti, o impulso e a força."
        No Rigveda 10.90, purusha é a pessoa cósmica de cujo corpo desmembrado emergem o mundo vivo e o inanimado. Aqui também uma dicotomia, expressa através dos símbolos masculino e feminino, marca o início paradoxal da existência empírica. Purusha nasceu de viraj, "o brilhante", e viraj nasceu dele. Isso marca uma distinção entre purusha, a realidade transcendente, e sua manifestação em termos de consciência individual.
       Mais adiante no mesmo hino, são criadas várias categorias relacionadas à existência, como espaço, céu, terra, direções, vento e assim por diante. Essa enumeração é descrita com maior extensão num diálogo do Brhadaranyaka Upanishad entre Yajanavalkya e Maitreyi onde dezessete das vinte e três categorias do Sâmkhya clássico são descritas:
        "Como todas as águas encontram seu objetivo no mar, então tudo toca na pele, todos odores no nariz, todos gostos na língua, todas as formas nos olhos, todos os sons na orelha, todas as deliberações na mente, todo o conhecimento no intelecto, todas as ações nas mãos, todo o prazer no sexo, toda eliminação nos órgãos excretores, todo o movimento nos pés e todos os Vedas na fala.
        Como uma massa de sal não tem nem dentro nem fora, mas é uma massa de sabor, assim, também esse Self, nem dentro nem fora, mas é uma massa de conhecimento; e tendo surgido desses elementos, desaparece novamente neles (Brhadaranyaka Upanishad)".
       Estes incluem os cinco elementos materiais, os cinco órgãos dos sentidos, os cinco órgãos de ação, buddhi, na forma de vijnana, ahamkara, e mente. As únicas categorias do Sāṃkhya antigo que não são explicitamente mencionados no Brhadaranyaka Upanisad são os tanmatras, mas o bandhu entre o bruto e o sutil, que é enfatizado repetidas vezes no Rigveda, indica o reconhecimento implícito da correspondência entre os sutis tanmatras e os cinco elementos brutos. Essa representação sutil do exterior em termos de 'matra' é descrita explicitamente no Kausitaki Brahmana Upanisad onde as correspondências abstratas específicas para certas funções externas, como fala, respiração, ordem e assim por diante, estão listadas em termos de bhutamatra. A palavra matra aqui se refere à essência da mesma maneira que na noção de tanmatrara. Ahamkara é descrito no Chandogya Upanisad como aquele que vê o universo.   
        Durante o período Rigvédico, reconheceu-se que, embora a natureza siga leis, uma certa liberdade caracteriza o comportamento humano. A unicidade fundamental da realidade é, assim, dividida em duas categorias distintas relacionadas à inata natureza e sua cognição. O universo não só existe fora de nós mesmos, mas uma cópia dele, embora imperfeita, existe dentro de cada um de nós. A enumeração das categorias à medida que surgem no espaço da mente é a preocupação do Sāṃkhya. O objetivo declarado é obter conhecimento discriminativo do manifesto (vyakta), do não-manifesto (avyakta) e do conhecedor (purusha ). Por outro lado, o Vaiśeṣika atribuído a Kanada explica a criação e a existência do universo através de uma teoria atômica. Os dois sistemas têm focos diferentes. O Sāṃkhya aborda a evolução nos níveis cósmico e psicológico; O Vaiśeṣika imerge profundamente na natureza das substâncias e atinge a física e a metafísica.

        O Sāṃkhya e o Vaiśeṣika são geralmente emparelhados com Yoga e o Nyāya, respectivamente. Esta associação fornece ao estudioso a capacidade de avançar ainda mais em sua compreensão. O foco do Sāṃkhya é o mundo interior e, portanto, uma atitude experiencial ou meditativa o complementa. Os insights do Yoga validam as categorias de Sāṃkhya embora os dois caminhem de forma complementar, razão pela qual os dois são, geralmente, considerados o mesmo sistema. 
        No Vaiśeṣika, o foco está na enumeração das categorias do ser, percebidas alem do si mesmo. Uma vez que as categorias são muitas, o uso da lógica formal é essencial para extrair inferências, neste aspecto o Nyāya é seu sistema irmão. Na verdade, o Nyāya (lógica) fornece a base analítica para todas as ciências indianas. "Naiyayikas say astitva jneyatva abhidheyatva", "o que existe, é cognoscível e nomeável". Mas também considera-se que a representação verbal tem quatro formas, das quais um tipo, 'pãra' é imanifesta (RigVeda). Assim, toda descrição e análise é limitada pelo paradoxo.
 
Sāṃkhya clássico (Sāṃkhya-Karika)
        O Sāṃkhya, uma das seis escolas ortodoxas (āstika) da filosofia indiana, é uma filosofia enumerativa cuja epistemologia aceita três dos seis pramanas como os únicos meios confiáveis para a obtenção do conhecimento: Pratyakṣa or Dṛṣṭam (percepção sensorial direta), Anumāna (inferência), e Śabda ou Āptavacana (testemunho verbal ou shāstras). Ao contrário de outras escolas, o Samkhya não considera os seguintes três pramanas epistemologicamente corretos: Upamāṇa (comparação e analogia), Arthāpatti (postulação, suposição, hipótese) ou Anupalabdi (não-percepção, evidência cognitiva negativa). O Sāṃkhya considera a ignorância (avidya) como causa da escravidão e do sofrimento (Samsara) e afirma que através do conhecimento racional da realidade (viveka) surge a libertação do ciclo das encarnações (Saṃsāra), que é sofrimento (duḥkha). A liberação (moksha), afirma o Samkhya, resulta na discriminação entre purusha (jña) e prakriti (avyakta-vyakta).
    Samkhya é estritamente dualista. A filosofia do Sāmkhya distingue duas realidades no universo, puruṣa (consciência) e prakṛti (matéria). Jiva (ser vivo) é o estado no qual puruṣha está está unido com prakṛti. O Samkhya afirma que esta união provoca a emergência de buddhi ("intelecto") e de  ahaṅkāra (autoconsciência). Durante o estado de desequilíbrio, um ou mais dos constituintes dominam os outros criando uma forma de escravidão, particularmente da mente. Ao final do desequilíbrio, a escravidão se transforma em liberação, ou kaivalya, segundo o Samkhya. Wikipedia: Samkhya
        As noções do Sāṃkhya estão incluídas nos primeiros textos védicos, também, é descrito no Mokshadharma no Bhagavad Gita bem como nos Upanishads. Seu fundador lendário foi o sábio Kapila que costumava ser datado em torno do século VII AC, mas, à luz dos novos achados relacionados à antiguidade indiana, é provável que tenha vivido muito antes. Os textos mencionam pelo menos vinte e seis mestres, incluindo Asuri, Pancasikha, Vindhyavasa, Jaigısavya, e Isvarakirshna. Como "Sāṃkhya clássico" entendemos o Sāṃkhya-Karika (SK) de Ihsvarakrishna. O Sāṃkhya-Karika afirma ser o resumo de um tratado perdido, mais abrangente, o Sastitantra.
        De acordo com Sāṃkhya, a realidade é composta por uma série de princípios básicos (tattva), vinte e cinco no sistema clássico. Mas, como o coração do sistema é seu quadro hierárquico, o número exato dos princípios varia, especialmente nos primeiros escritos. Mas essa variação não tem importância fundamental.      

"No sistema clássico, o primeiro princípio é (1) prakriti, considerado a causa da evolução. De prakriti emerge (2) intelecto (buddhi, também chamado mahat), em seguida (3) (ahamkara) a autoconsciência, self. Da autoconsciência emergem os cinco elementos sutis (tanmatra): (4) odor (gandha), (5) sabor (rasa), (6) forma (rupa), (7) tato (sparsa) e, (8) som (sabda). A partir dos elementos sutis emergem os cinco elementos materiais (mahabhuta): (9) éter (Akasha), (10) ar (Vayu), (11) fogo (Agni), (12) água (Ap) e (13) terra (Prithvi). Em seguida, emergem os cinco órgãos dos sentidos (jnanendriya): (14) audição (śrotra) , (15) tato (tvak), (16) visão (cakṣus), (17) gosto (jihvā) e (18) cheiro (ghrāṇa), e cinco órgãos de ação (karmendriya): (19) fala (vāc), (20) apreensão (pāṇi), (21) locomoção (pāda), (22) evacuação (pāyu) e (23) procriação (upastha). Finalmente, a autoconsciência (ahamkara) produz o vigésimo quarto dos elementos básicos: (24) mente (manas), que, como um sexto sentido, faz a mediação entre os dez órgãos e o mundo exterior. O último, vigésimo quinto, tattva é (25) purusha."

Purusha, a eterna consciência pura, por ignorância, se identifica com os produtos de prakṛti como o intelecto (buddhi) e o ego (ahamkara). Isso resulta em sofrimento e incessante transmigração. Entretanto, atingida a realização surge a compreensão que puruṣha é distinto de prakṛti e que é mais do que ego empírico, é o self consciente mais profundo. Assim, purusha o Self transcendental obtém a liberação (moksha).
        O modelo da mente do Samkhya esta representado Figura 2. Nele intelecto (buddhi), a autoconsciência (ahamkara) e a mente (manas) são os três instrumentos internos que processam as impressões sensoriais.
         Uma vez que o buddhi junto com os outros órgãos internos (ahamkara e manas) abrange todos objetos; portanto, o instrumento triplo é o porteiro e os restantes (dez) são as portas.
        Prana é a energia que circula nos processos físicos e mentais. Se alguém focar o indivíduo nos três níveis fundamentais, então, no nível mais baixo está o corpo físico, no próximo nível mais alto o sistema energético, e no nível acima está o intelecto. Uma vez que os três níveis estão inter-relacionados, a situação da energia pode ser alterada por impulsos no nível físico ou no nível mental. A noção chave é que cada nível superior representa características que são emergentes no nível anterior. Nesta teoria, a mente é uma entidade emergente, mas essa emergência requer a presença do eu. A mente pode ser vista de cinco maneiras: manasahamkaracittabuddhi e atman. Novamente, essas categorias são paralelas à da Figura 1.

        A memória surge devido associações e traços deixados por cognições passadas; Isso envolve um contato entre o self e o órgão interno. Os traços são armazenados por repetições e pelo interesse seletivo nos objetos das cognições passadas. Uma memória lembrada pode tornar-se a causa da lembrança de uma parte de cognições prévias, de desejo ou de aversão, e de uma associação adicional de idéias.
         A linguagem ordinária é limitada na sua capacidade de descrever toda a natureza, da mesma forma as memórias são inadequadas em sua lembrança do passado. Somente atman tem acesso às memórias ocultas. Isso significa que uma parte da mente é inconsciente, inacessível ao self empírico.
        Os desdobramentos de prakriti, de intelecto aos elementos sutis e grosseiros, mente e consciência, parecem refletir os estágios através dos quais um indivíduo recém-concebido passará. Aqui, o intelecto, como o segundo tattva, é o que confere à célula recém-fertilizada a capacidade de organizar e crescer; A autoconsciência representa o estágio que permite ao organismo sentir o meio ambiente, e assim por diante. A tese de que o mundo é um todo conectado, permite ver o mesmo processo nos níveis cósmico e psicológico.
        A doutrina das três qualidades constituintes (guna): sattvarajas tamas, desempenha um papel muito importante na física e metafísica do Sāṃkhya. Os gunas foram descritos nos Upanishads. Os gunas estão em equilíbrio na matéria cósmica (prakriti), em seu estado original, pradhāna. À medida que o mundo evolui, um ou outro guna torna-se preponderante em diferentes objetos ou seres, dando caráter específico a cada um. A qualidade sattva, que representa a virtude ou a transparência, é inerente a todas as coisas que tendem à verdade, à sabedoria, à beleza ou à bondade; a qualidade rajas, ou atividade, energia ou paixão, está presente em tudo que é feroz, vigoroso ou ativo; A qualidade tamas, que significa inércia, é encontrada em tudo o que é estúpido ou sombrio. Os gunas podem ser vistos como os três pilares da materialidade.
        O Sāṃkhya também pode ser visto como tendo três dimensões básicas: 1. A dimensão constitutiva (tattva), trata da forma (rupa), o princípio ou o núcleo essencial (linga); 2. A dimensão projetiva (bhava), relativo ao projetivo ou intencional (pravriti), à potencialidade ou à causa-efeito (naimittanaimittika); e 3. A conseqüente dimensão (phala), ocupa-se com o que surgiu (bhūta) ou a criação fenomenal (pratyayasarga). Os gunas também podem ser vistos como os fios que unem os três reinos, tattvas, bhavas e bhutas. 
        O Vaiśeṣika é uma das seis escolas ortodoxas do hinduísmo. Inicialmente era uma filosofia independente com metafísica própria, epistemologia, lógica, ética e soteriologia. Ao longo do tempo, o sistema Vaiśeṣika tornou-se semelhante em seus procedimentos filosóficos, conclusões éticas e soteriologia ao Nyāya, mas manteve diferenças na epistemologia e na metafísica.
A epistemologia da escola vaiśeṣika, aceita apenas dois meios confiáveis ​​para o conhecimento: percepção e inferência. A escola Vaiśeṣika é conhecida por seus insights naturalistas e um consistente atomismo. Postula que todos os objetos no universo físico são redutíveis aos paramāṇu (átomos), e nossas experiências derivam da interação da substância (uma função dos átomos, seu número e seus arranjos espaciais), qualidade, atividade, generalidade, particularidade e inerência. De acordo com a escola Vaiśeṣika  a liberação (moksha) só pode ser alcançado através do conhecimento, especialmente das seis categorias: substância, qualidade, atividade, generalidade, particularidade e inerência.
        A primeira exposição sistemática do Vaisheshika se encontra no Vaiśeṣika Sūtra de Kanada composto por dez livros. Os principais comentários ao Vaiśeṣika Sūtra são o Padārthadharmasaṁgraha de Praśastapāda (séc IV) conhecido como bhāṣya do Vaiśeṣika Sūtra, é considerado um trabalho independente sobre o assunto, e o Daśapadārthaśāstra de Candramati, baseado no tratado de Praśastapāda, está disponível apenas em tradução chinesa. O mais antigo comentário disponível ao tratado de Praśastapāda é Vyomavatī de Vyomaśiva (século VIII). Os outros três comentários são Nyāyakandalī de Śridhara, Kiranāvali de Udayana (século X) e Līlāvatī de Śrivatsa (século XI). A Saptapadārthī de Śivāditya que também pertence ao mesmo período, apresenta os princípios do Nyāya e do Vaiśeṣika como parte de um todo. Wikipedia: Vaisheshika

       O Vaiśeṣika Sutras (VS) de Kanada descreve um sistema de física e metafísica. Sua física é uma teoria atômica da natureza, onde os átomos são distintos da alma, da qual são os instrumentos. Cada elemento tem características individuais (viśeṣa), que o distinguem das outras substâncias não atômicas (dravya - jainismo): tempo, espaço, alma e mente. Os átomos são considerados eternos.
        Existem seis categorias fundamentais (Padārtha) associadas à realidade: substância (dravya), qualidade (guna), movimento (karman), universal (samanya), particularidade (visesa) e inerência (samavaya). Os três primeiros têm uma existência objetiva real e os últimos três são produtos de discriminação intelectual.
        Cada uma dessas categorias é subdividida da seguinte forma:


         Existem nove classes de substâncias (dravya), algumas das quais são não-atômicas, algumas atômicas e outras omnipresentes. A base não-atômica é fornecida pelas três substâncias éter (akahsa), espaço (dish) e tempo (kala), que são unitárias e indestrutíveis; mais quatro, a terra (prithivi), a água (apas), o fogo (tejas) e o ar (vayu) são compostos atômicos de átomos indivisíveis e indestrutíveis (anu paramanu); O eu (atman), que é o oitavo, é omnipresente e eterno; e, finalmente, o nono, é a mente (manas), que também é eterna, mas de dimensões atômicas, isto é, infinitamente pequena.
        Existem dezessete qualidades (guna), listadas sem nenhuma ordem particular como cor ou forma (rupa), sabor (rasa), cheiro (gandha) e toque (sparsa); número (sāṃkhya), tamanho ou dimensão (parimana), separação (prthaktva), conjunção (samyoga) e disjunção (vibhaga); afastamento (paratva) e proximidade (aparatva); julgamento (buddhi), prazer (sukha), dor (duhkha), desejo (icchha), aversão (dvesa) e esforço (prayatna). Essas qualidades são físicas ou psicológicas. Distanciamento e proximidade são interpretados de duas maneiras diferentes: temporalmente ou espacialmente. Esta lista não é considerada abrangente porque o som posterior também é descrito como uma qualidade. Mas há uma diferença fundamental entre som e luz. O som é carregado pelo não-atômico akasha, enquanto a luz, embutida em rupa, é transportada por átomos de tejas. Mas mesmo o som às vezes é visto como uma característica específica dos átomos.

        Existem cinco tipos diferentes de movimento (karman) que estão associados a partículas materiais ou aos órgãos da mente: ejeção, queda (atração), contração, expansão e movimento composto.

        Os universais (samanya) são propriedades genéricas recorrentes em substâncias, qualidades e movimentos. As particularidades (visesa) residem exclusivamente nas substâncias eternas e não compostas, isto é, nos átomos, almas e mentes individuais, e nas substâncias unitárias éter, espaço e tempo.
        Inerência (samavaya) é a relação entre entidades que ocorrem ao mesmo tempo. Isso fornece a ligação que vemos nas várias categorias para que possamos sintetizar nossa experiência.
        A estrutura atômica Vaiśeṣika caracteriza quatro dos cinco mahabhutas do samkhya; O quinto, o éter, não é atômico e é omnipresente. Alguns gunas do Vaiśeṣika correspondem aos tanmatras do Sāṃkhya. No Sāṃkhya os tanmatras vem primeiro, no Vaiśeṣika os átomos são primários.

Conceitos físicos:
              As categorias de Vaiśeṣika parecem fornecer um ponto de partida conveniente para examinar os conceitos físicos inerentes a esses dois sistemas. 
        A camada terrestre consiste de átomos indivisíveis, invisíveis e indestrutíveis (anu, paramanu). É a agregação desses átomos que dá origem a diferentes substâncias compostas destrutíveis. Esses átomos são ideais, representando unidades de atributos fundamentais. Nesse sentido, eles são bastante semelhantes ao conceito de partículas elementares da física moderna que são propostas por motivos teóricos.
      É útil considerar a doutrina atômica moderna como termo de referência. Aqui, as partículas elementares são caracterizadas por vários atributos, cada um dos quais tem um valor numérico. Esses atributos incluem massa, carga, momento angular, energia e assim por diante. As propriedades da matéria bruta são, em princípio, obtidas através de seus constituintes, mas em cada nível superior de agregação de átomos, surgem novas propriedades.
      Filosoficamente, existem duas abordagens principais, positivismo realismo, para a compreensão da física. De acordo com o positivista, somente é considerado conhecimento científico aquele que pode ser expresso em declarações lógicas. Uma vez que nossa lógica e nossa linguagem são resultado das observações do mundo, isso pressupõe que o observador seja central nesse conhecimento. Isto é essencialmente o mesmo que a posição Nyaya. 
        O realista acredita que existe uma realidade independente que é avaliada através da observação e da experiência. Dito de outra forma, os positivistas acreditam que o conhecimento é subjetivo, enquanto os realistas acreditam que é objetivo.
        Um positivista aceita que há elementos de uma realidade empírica que a ciência descobre, mas ressalta que a visão realista envolve uma contradição lógica, uma vez que não há como observar uma realidade independente do observador e, portanto, não podemos verificar se existe tal realidade.

        Uma forma mais fraca de objetividade às vezes é identificada com a posição positivista. Aqui falamos de uma realidade empírica que não é independente do observador, mas é a mesma para todos os observadores. Essa fraca objetividade caracteriza a teoria da relatividade.
Átomos e suas combinações:
        De acordo com os Vaiśeṣika Sutras, "a Terra possui cor, gosto, cheiro e toque. A água possui cor, gosto e toque e é fluida e viscosa. O fogo possui cor e toque. O ar possui toque. Estas (características precedentes) não estão no éter ". As qualidades são vistas como sendo construídas a partir de entidades elementares. Tal imagem unitária é ainda mais claramente enunciada para os átomos e os tanmatras. Como mencionado anteriormente, o Sāṃkhya fornece um foco ligeiramente diferente, onde os tanmatras abstratos são considerados os blocos de construção para os átomos grosseiros.
         As substâncias atômicas do Vaiśeṣika são definidas em uma matriz de quatro substâncias não-atômicas (dravyas) - tempo, espaço, alma e mente. Em outras palavras, o universo físico tem uma existência objetiva, a mente e a alma não emergem aleatoriamente do substrato material e desaparecem quando a estrutura material se desintegra.
        Os elementos objetivos do mundo físico são caracterizados por dravya, guna, e karman, ou substância, qualidade e ação. Existe uma caracterização adicional em termos de propriedades não reativas e reativas.
        Dois átomos se combinam para formar uma molécula binária (dvyanuka). Dois, três, quatro ou mais dvyanukas se combinam em moléculas mais complexas de Tryanuka, caturanuka, e assim por diante. A outra visão é que os átomos formam díades e tríades diretamente para formar moléculas para substâncias diferentes. Os átomos possuem um movimento vibratório incessante. A atividade dos átomos e suas combinações não são arbitrárias, mas de acordo com leis que são expressas como adrsta.
        As moléculas também podem se separar sob a influência do calor (pakajotpatti). Nesta doutrina de pilupaka (aquecimento de átomos), o impacto das partículas de calor decompõe uma molécula.
       Os raios de calor e luz são formados por partículas muito pequenas de alta velocidade. Sendo partículas, sua velocidade é finita, depreende-se, também, o fato de que o movimento é contingente com o tempo como um dos dravyas. As partículas de calor e luz podem ser dotadas de características diferentes e calor e luz podem ser de diferentes tipos.
       Outros dizem que não há diferença entre o átomo de uma semente de cevada e o da semente de arroz, uma vez que estes são apenas átomos da terra. Sob o impacto das partículas de calor, os átomos podem exibir novas características.
        Um átomo bhuta emerge da integração do correspondente tanmatra. Isso indica que o abstrato precede o material. Por outro lado, os átomos podem ser considerados objetos unitários e suas combinações consideradas geradoras de várias formas de tanmatras. Pode-se, ainda, supor que a matéria rudimentar (bhutadi) evolua para formas mais específicas. 
       O Padarthadharmasamgraha de Prasastapada trata da questão das substâncias últimas. A terra, fogo, água e ar são aqui considerados substâncias básicas do material. Mas suas existências são contingentes à presença de alguém que os conhece, ou seja, Brahman. O comentário de Prasastapada e a exposição dos sutra relevantes do VS (Vaiśeṣika Sutras), com números dos sutras mostrados entre parênteses, são os seguintes:
        "Akahsa (éter), tempo e espaço não têm componentes inferiores. (VS 2.1.27, 29-31)
        As qualidades  de Akasha são: som, número, dimensão, separação, conjunção e disjunção. (VS 7.1.22)
       Assim, então, sendo dotado de qualidades e não sendo localizado em qualquer outra coisa, é considerado como uma substância. E, na medida em que não tem causa, seja homogênea ou heterogênea, é eterna. (VS 2.1.18)
      O tempo é a causa das noções [relativas] de "prioridade", "posterioridade" ou "simultaneidade" e "sucessão" e de "atraso" e "breve". Na medida em que não há outra causa ou base para essas noções, como aparecendo em relação a esses objetos, as diferenças que diferem em caráter de todas as noções descritas anteriormente - concluímos "tempo" é a base deles. (VS 2.2.6) O tempo é a causa ou base da produção, persistência e destruição (ou cessação) de todas as coisas produzidas; Como todos estes são falados em termos de tempo ... (VS 2.2.9)
Embora da uniformidade do caráter distintivo do tempo, o tempo seja diretamente por si só, um só, ainda, indiretamente ou figurativamente, é falado como múltiplo, devido à diversidade entre as condições oferecidas pela produção, persistência e cessação de todas as coisas produzidas ...
O espaço é a causa das noções de leste, oeste, abaixo e acima, e assim por diante, em relação a um objeto material considerado com referência a outro objeto material como ponto de partida ou limite. Especialmente assim, como não há outra causa para essas noções." (VS .2.12; 2.1.31; 7.1.24; 7.2.22) 
Natureza do som:
As ideias físicas subjacentes aos sistemas citados estão bem delineadas no estudo do som. De acordo com Prasastapada:
      "o som é a qualidade de akasa, perceptível pelo órgão auditivo. É momentâneo. Pode ser produzido por contato, por disjunção ou por outro som. Existem dois tipos de som: varna (sílabas) e dhvani. A produção das sílabas é resultado do contato do órgão interno e o self quando influenciado pela memória. Se alguém deseja produzir um som, então, faz um esforço. O ar em movimento atinge a garganta, produzindo um contato com akasa resultando no som. Os sons são sempre produzidos em uma série, como uma série de ondulações na água e quando essas ondas atingem a orelha, as ouvimos."
         A energia sonora é vista como uma onda. As ondas atingem o órgão auditivo e são reconhecidas através de associações. O dhvani de Prasastapada é considerado ruído. Mas parece que seu papel é semelhante ao dhvani definido por Anandavardhana e Abhinavagupta como poder de sugestão que na sua forma mais pura desempenha um papel importante na memorização das associações conscientes e inconscientes.
        Evolução:
Considerando a ligação (bandhu) entre o exterior e o interior na mente, é claro que a evolução dos tattvas também pode ser vista como uma evolução do universo. Buddhi ou mahat surge antes do espaço e da matéria. Isso pressupõe que com buddhi também surge a cognição do tempo. Além disso, o espaço e a matéria, que constituem o universo físico, dependem da existência da inteligência. O funcionamento da inteligência da natureza é visto assim que as noções de anterior e posterior, relacionadas à mudança associada a um processo físico, tornam-se reais.
      O sistema Sāṃkhya também pressupõe um universo que surge e depois é dissolvido no oceano da realidade. Isto é o que vemos no ciclo Purânico do universo, também. Dentro de cada ciclo, presume-se um desenvolvimento gradual da vida inteligente. Admite-se que as plantas surgiram primeiro, seguidas por animais de vários tipos e, finalmente, pelo homem. Os processos criação/destruição ocorrem em vários níveis, incluindo o psicológico relacionado à criação e destruição de pensamentos.
         Análise, causalidade: 
        A escolha das categorias básicas no Sāṃkhya e no Vaiśeṣika é ditada por considerações de economia. Isso é paralelo a uma ênfase semelhante em economia na tradição gramatical indiana. O bandhu fundamental entre linguagem, pensamento e realidade empírica possibilita a análise dos processos da natureza.
   O Sāṃkhya Karika apresenta a questão do pramana, o método de obtenção do conhecimento, assim:
          "Percepção, inferência e autoridade confiável são considerados os três meios para esse propósito. A percepção é a determinação seletiva de objetos sensoriais particulares. A inferência, que é de três tipos, depende de uma marca característica e daquele que tem essa marca (associação). A autoridade confiável é um testemunho verbal confiável. A compreensão de coisas além dos sentidos é inferida por analogia."
Os Vaiśeṣika Sutras também apresentam claramente o princípio da causa (karana) e efeito (karya). Prasastapada descreve tempo e espaço como nimittakarana uma causa eficiente para todos os fenômenos. Isto indica a posição no espaço e as mudanças no tempo são fundamentais para toda a realidade.
   A causalidade é expressa no Samkhya como satkarya, "a doutrina da existência do efeito (na causa)".
         "O efeito existe devido a: (a) a não produtividade do não-ser; (b) a necessidade de uma causa material apropriada; (c) impossibilidade de todas as coisas provirem de todas as coisas; (d) coisas que produzem apenas de acordo com sua natureza; (e) a natureza da causa."
        Não existe uma criação 'ex nihilo' no Sāṃkhya, mas apenas uma manifestação progressiva.
       Os gunas fornecem o ingrediente necessário para o universo (seja ele físico ou psicológico) para evoluir. Eles permitem distinguir entre o anterior e o posterior. A ação dos gunas é essencial para a definição de tempo e para o funcionamento da causalidade.

      Mas os gunas realmente não são constituintes objetivos da natureza. Em vez disso, eles representam uma propriedade relativa. Isso é explicado mais claramente em Gaudapadabhasya sobre a relatividade inerente à "mulher bonita e virtuosa que é uma fonte de delicia, mas causa de dor às suas outras esposas e ilusão ao apaixonado". Em termos físicos, pode-se falar de uma separação entre dois extremos com atividade no meio. Ou, os gunas podem ser vistos como o potencial cujos gradientes criaram o processo de mudança incessante. A atividade no meio, caracterizada por rajas, separa os dois pólos purusha e a indiferenciada prakrti, ou entre sattva e tamas.                                                  
 A sede da inteligência: 
        "Nas cognições do som, etc., inferimos um "conhecedor". Esse personagem não pode pertencer ao corpo, nem aos órgãos dos sentidos, nem à mente; porque todos estes são ininteligentes ou inconscientes. A consciência não pode pertencer ao corpo que é um produto material, como jarro; e também nenhuma consciência é encontrada em cadáveres.
        Nem a consciência pode pertencer aos órgãos dos sentidos; porque estes são meros instrumentos, e também porque temos lembranças de objetos mesmo depois que o órgão sensorial foi destruído e mesmo quando o objeto não está em contato com o órgão.
        Nem pode pertencer à mente; porque se o funcionamento da mente for considerada independentemente dos órgãos dos sentidos, então teríamos percepção e lembrança presentes simultaneamente; e porque a própria mente é um mero instrumento.
        E, portanto, a única entidade à qual a consciência pode pertencer é o self, que é então reconhecido por essa consciência.
        A partir do movimento da carruagem, inferimos a existência de um agente orientador inteligente na figura do condutor, de modo que também inferimos um agente orientador inteligente para o corpo, a partir da atividade que aparece no corpo, que tem a capacidade de adquirir o desejável e evitando o indesejável." (Padarthadharmasamgraha de Prasastapada - PP)
        Chegando à questão do purusha, a afirmação "na prakrti na vikrtih purusah", declara que não é prakrti (criativo) nem vikrti (criado) (SK). Purusa transcende vyakta e avyakta, é discriminativo, subjetivo, específico, consciente e não produtivo (SK). O Purusa é uma testemunha, livre, indiferente, vigilante e inativo (SK).
       O purusa, nesta caracterização, não interfere com o prakrti e suas manifestações. É transcendente e completamente livre (kaivalya).
           A proximidade entre prakrti e purusa faz parecer que o inconsciente é dotado de consciência (SK) . 
        Em outras palavras, a linguagem do karikas reconhece com grande clareza, e de uma maneira perfeitamente consistente com as idéias modernas, que a questão da consciência representa um paradoxo. A mente opera de forma causal, assim como faz o mundo físico. Os inputs sensoriais são transformados pelas associações dos diferentes vestígios que se encontram na memória e pelas predisposições (conforme determinadas pelos gunas) para chegar a julgamentos. 
         Qualidades, movimentos, universais:
        Kanada lista dezessete qualidades e diz que há mais. Candramati, no Dasapadarthasastra, acrescenta os seguintes sete a esta lista: massa (gurutva), fluidez (dravatva), viscosidade (sneha), disposição (samskara), mérito (dharma), demérito (adharma) e som (sabda).
        A massa é inerente à terra e à água e provoca a queda das substâncias. A fluidez é inerente à terra, água e fogo e causa o fluxo de uma substância. A viscosidade é inerente à água e causa a aderência a uma substância como a Terra. A disposição pode ser física, em relação a um movimento, ou mental. O mérito e o demérito são qualidades psicológicas relacionadas ao prazer e à dor. O mérito é de dois tipos, isto é, atividade (pravritti) e inatividade (nivritti).
        Em termos físicos, quatro estados da matéria são descritos: akasa ou éter, que não é atômico e, portanto, por si só representa o vácuo; gás, como em tejas; líquido, como na água; e sólido, como na terra. Uma vez que as substâncias agregadas têm tamanho, surge a questão da maneira como as suas qualidades são inerentes.                                                                                                                                                                
        Prasastapada descreve qualidades relacionadas aos objetos de forma um tanto diferente de Candramati. Ele descreve peso, fluidez, visibilidade e samskara (disposição); Esta última qualidade é ainda subdividida em inércia (vega), elasticidade (sthitisthapaka) e traço (bhavana). (PP)
        A fluidez é de duas variedades: natural e instrumental. É uma qualidade natural da água e uma qualidade instrumental da terra e do fogo. Quando a água se congela, como gelo, a fluidez natural da água é cancelada pelo fogo do céu, de modo que os átomos se combinam para formar um sólido. Água, terra e fogo têm fluidez. No entanto, a fluidez da água é considerada primária, enquanto a das outras duas substâncias é secundária. A viscosidade é responsável pela coesão e suavidade.
        Kanada define o movimento em cinco variedades: ejeção (utkshepana), atração (avakshepana), contração (akuncana), expansão (prasarana) e movimento composto (gamana) (VS). No caso da gamana, há contato com pontos de espaço em várias direções, ou há muitos loci (PP). O movimento pela gravidade é discutido. "O peso causa a queda; é imperceptível e conhecido por inferência (PP). "O movimento é produzido pela massa, que é idêntico ao movimento devido à atração gravitacional (PP).
        A inércia que é a qualidade de um objeto em movimento é responsável por continuar seu movimento. O Vaiśeṣika considera é que a inércia é contrariada por outras forças, levando à perda de energia, e é por isso que o objeto em movimento perde lentamente sua velocidade.
       Que o movimento não pode ocorrer instantaneamente, foi bem entendido. Vyomasiva em seu Vyomavati fala de um movimento que tem várias partes deve levar a incrementos de tempo. Da mesma forma, os movimentos produzidos na culinária levarão tempo para produzir a nova qualidade associada ao processo, onde o tempo, neste contexto, é equivalente à energia. Esta é uma declaração do fato empírico de que uma energia mínima precisa ser consumida antes que uma mudança de estado ocorra. Com a água, a temperatura deve atingir o ponto de ebulição antes da obtenção do vapor. Esta observação expressa uma compreensão do efeito quântico nos processos diários.
         Afirma-se que existem dois tipos de universais: maior e menor (PP). O maior universal aqui é o Ser, que abrange tudo. Os universais inferiores excluem e incluem. Isso significa que os universais podem ser definidos de forma hierárquica. O universal superior é semelhante a uma superposição de todas as possibilidades e, assim, antecipa a essência da teoria quântica.
                     Relatividade do tempo e do espaço: 
        Resumindo, as primeiras descrições consideravam movimentos não uniformes de objetos "médios". Modelos posteriores mudam o centro da terra, primeiro considerando que a terra gira em seu eixo e, em seguida, representa o movimento não circular dos planetas em relação ao sol.
          O pensamento especulativo paralelo nos Puranas consideram o espaço e tempo relativos de diversas maneiras. O tempo pode variar a diferentes taxas para diferentes observadores. O tempo e o espaço não são absolutos. Existem inúmeros universos com seus próprios Brahma, Vishnu e Mahesha.
          Para apreciar os antecedentes desse pensamento, considere que no Vaisesika o universal é considerado intemporal e onipresente. Tudo o que pode ser definido em relação ao espaço e ao tempo não pode ser universal. Os processos que marcam a passagem do tempo em um objeto seriam, portanto, relativos. Somente os universais que são da forma mais alta, ou seja, verdade para todo o tempo e espaço é que são absolutos. E o único universal é o Ser.
          Essas idéias foram elaboradas nos Puranas, na literatura agâmica e na literatura tântrica, e em livros como Yoga-Vasistha.
  Falando sobre uma dessas filosofias, o historiador do pensamento, Karl Potter, diz: 
"O Nyaya-Vaisesika oferece um dos esforços mais vigorosos na construção de uma ontologia realista, substancialista que o mundo já viu. Fornece uma ampla crítica das ontologias de eventos e da metafísica idealista. Começa a partir de uma base única para a ontologia que incorpora vários dos mais recentes insights ocidentais sobre a questão de como defender o realismo com maior sucesso. Esta ontologia é "platônica" (admite propriedades repetitivas como em Platão), realista (ele constrói o mundo de indivíduos "intemporais", bem como pontos ou eventos espaço-temporais), mas não exclusivamente fisicalista nem fenomenalista (admite como indivíduos básicos entidades conhecidas e inferidas diretamente de investigações científicas). Embora o sistema tenha muitas características pitorescas e arcaicas de um ponto de vista moderno, como uma base filosófica para acomodar as idéias científicas, ela possui vantagens: seus autores desenvolveram uma teoria atômica, trataram os números muito próximo do espírito da matemática moderna, defendiam uma teoria das ondas da transmissão de som, e adaptaram uma visão empirista da causalidade para seus próprios usos.
  Na realidade, o escopo do Sāṃkhya e do Vaisesika é ainda maior do que isso, porque concilia o observador com o quadro de uma física materialista, levando a insights sutis que foram validados pela física moderna. Considere, por exemplo, a noção de que alguém pode tomar um tanmatras para ser composto de bhutadi ou ao contrário. Os tanmatras são um potencial abstrato, enquanto que o bhutadi são os átomos elementares que é de alguma forma semelhante a função de onda quântica e das partículas elementares. O Sāṃkhya, onde o observador é central, considera que os tanmatras emergem primeiro. Por outro lado, o Vaisesika com seu foco em átomos e suas combinações, não fala de tanmatras apesar de alguns dos gunas sejam semelhantes aos tanmatras. Em outras palavras, temos algo parecido com o conceito de dualidade onda-partícula da física quântica.
  A suposição de que todo mundo observado emergiu de prakriti implica que o substrato material de todas as substâncias é o mesmo. As qualidades dos Vaisesika emergem como átomos materiais combinados de diferentes maneiras. Essas propriedades emergentes não se limitam à matéria inanimada, mas também aos instrumentos de cognição, onde a cognição real exige que ele seja o agente ativador.
  Este artigo apresenta apenas duas das muitas correntes do pensamento físico indiano. É preciso também considerar textos sobre arquitetura, astronomia e tradições relacionadas com artesanato e ciência militar para uma visão adicional."

Links:
“Concepts of space, time, and consciousness in ancient India.” Subhash Kak
“Greek and Indian cosmology: review of early history.” Subhash Kak
“Babylonian and Indian astronomy: early connections.”Subhash Kak
The Sánkhya Aphorisms of Kapila
Nature of matter: Jayant V. Narlikar
History of Indian Science and Technology - www.indianscience.org











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