12/07/2024

Tantrāloka - Parte 1


Tantraloka - Capítulo 1

अथ श्री तन्त्रालोकः प्रथममाह्निकम्
atha śrī tantrālokaḥ prathamamāhnikam
Primeiro capítulo (āhnika) do śrī tantrāloka

1- विमलकलाश्रयाभिनवसृष्टिमहा जननी भरिततनुश्च पञ्चमुखगुप्तरुचिर्जनकः | तदुभययामलस्फुरितभावविसर्गमयं हृदयमनुत्तरामृतकुलं मम सस्फुरतात् ॥१॥
vimalakalāśrayābhinavasṛṣṭimahā jananī bharitatanuśca pañcamukhaguptarucirjanakaḥ |
tadubhayayāmalasphuritabhāvavisargamayaṃ hṛdayamanuttarāmṛtakulaṃ mama sasphuratāt ॥1॥
विमलकला [vimalakalā] vimalakalā* आश्रय [āśraya] proteção* अभिनव [abhinava] abhinava* सृष्टि [sṛṣṭi] criação* महा [mahā] grande* जननी [jananī] mãe* भरिततनुः [bharitatanuḥ] completo, íntegro* च [ca] e* पञ्चमुख [pañcamukha] cinco faces* गुप्त [gupta] secreto* रुचिः [ruciḥ] luz* जनकः [janakaḥ] pai* तत् [tat] aquele* उभय [ubhaya] ambos* यामल [yāmala] par, casal* स्फुरित [sphurita] pulsação* भाव [bhāva] inclinação* विसर्ग [visarga] emissão* मय [maya] deleite* हृदयम् [hṛdayam] coração* अनुत्तर [anuttara] o absoluto* अमृत [amṛta] néctar* कुल [kula] família* मम [mama] minha* सस्फुर [sasphura] palpitante* तात् [tāt] aquele*
Swami Lakshmanjoo: "[Abhinavagupta]: Minha essência do ser, que é preenchida com o néctar supremo da consciência de Deus, que surgiu pela união de minha mãe e meu pai, deixe essa essência do meu ser vibrar em todo este universo. Minha mãe foi chamada de Vimala porque residia na pureza da consciência de Deus e seu distinto festival foi meu nascimento em sua vida. Meu pai, que não tinha nenhum desejo de prazeres sensuais, foi chamado de Pañcamukhagupta. Pañcamukhagupta significa. [Karasimhagupla]. Seu nome [dado] era Narasimhagupta e ele era meu pai. A união dessas duas almas produziu a existência de Abhinava. E deixe o coração e a essência do meu ser vibrar em todo esse universo.

2- नौमि चित्प्रतिभां देवीं परां भैरवयोगिनीम् | मातृमानप्रमेयांशशूलाम्बुजकृतास्पदाम् ॥२॥
naumi citpratibhāṃ devīṃ parāṃ bhairavayoginīm | mātṛmānaprameyāṃśaśūlāmbujakṛtāspadām ॥2॥
नौमि [naumi] saúdo* चित् प्रतिभ [cit pratibha] luz da consciência* देवी परा [devī parā] deusa suprema parã* भैरव योगिनी [bhairava yoginī] unida a bhairava* मातृ मान प्रमेय [mātṛ māna prameya] sujeito objeto e meio de conhecimento* अंश [aṃśa] parte* शूल [śūla] afiada* अम्बुज [ambuja] lótus* कृतास्पद [kṛtāspada] estabelecida*
2- Swami Lakshmanjoo: “Eu me curvo àquela energia suprema parã, que é a luz da consciência e que é una com o supremo Bhairava; aquela energia que está estabelecida no lótus ãsana nos três lótus, que tem três pontas afiadas.”

3- नौमि देवीं शरीरस्थां नृत्यतो भैरवाकृते प्रावृण्मेघघनव्योमविद्युल्लेखाविलासिनीम् ॥३॥
naumi devīṃ śarīrasthāṃ nṛtyato bhairavākṛte prāvṛṇmeghaghanavyomavidyullekhāvilāsinīm ॥3॥
नौमि देवी [naumi devī] saúdo a deusa (aparā)* शरीरस्थ नृत्यतो भैरव अकृत [śarīrastha nṛtyato bhairava akṛta] que reside no corpo do dançarino bhairava* प्रावृस् [prāvṛs] estação chuvosa* मेघ घन [megha ghana] nuvens densas* व्योम [vyoma] no céu* विद्युल्लेखा [vidyullekhā] relâmpago* विलासिनी [vilāsinī] brilha*
3- Swami Lakshmanjoo: "Eu me curvo àquela devī (deusa), aparā, a energia inferior do Senhor Bhairava, que está situada em corpos grosseiros, o corpo grosseiro de Bhairava – Bhairava, o verdadeiro dançarino – e que está brilhando exatamente como o relâmpago de nuvens densas da estação chuvosa. É aquela luz que emergiu do mundo objetivo; ela brilha no mundo objetivo na forma da consciência de Deus. Eu me curvo a essa devī."

4- दीप्तज्योतिश्छटाप्लुष्टभेदबन्धत्रयं स्फुरत् स्ताज्ज्ञानशूलं सत्पक्षविपक्षोत्कर्तनक्षमम् ॥४॥
dīptajyotiśchaṭāpluṣṭabhedabandhatrayaṃ sphurat stājjñānaśūlaṃ satpakṣavipakṣotkartanakṣamam ॥4॥
दीप्त ज्योतिस् [dīpta jyotis] luz resplandecente* छटा [chaṭā] raios luminosos* प्लुष्ट [pluṣṭa] queimar, consumir* भेद [bheda] destrir opostos* बन्ध त्रय [bandha traya] três cadeias* स्फुरत् [sphurat] brilhante* ज्ञानशूल [jñānaśūla] tridente do conhecimento* सत्पक्ष विपक्ष [satpakṣa vipakṣa] guarnecido de seis oponentes* उत्कर्तन [utkartana] cortar em pedaços* क्षम [kṣama] poder*
4- Swami Lakshmanjoo: "Que o triśūla (tridente), a śūla (arma) de três pontas afiadas do Senhor Śiva – embora esteja repleta de vontade, conhecimento e ação, ela tem predominância apenas no conhecimento (isto é jñāna śūlaṁ) –deixe que jñāna śūla permaneça de tal maneira que destrua os opostos [exatamente como] naquele estado supremo de jagat-ānanda. E deixe que jñāna śūla destrua todas as três amarras por sua chama da consciência divina absoluta de Deus (dīpta jyoti)."

5- स्वातन्त्र्यशक्तिः क्रमसंसिसृक्षा क्रमात्मता चेति विभोर्विभूतिः तदेव देवीत्रयमन्तरास्तामनुत्तरं मे प्रथयत्स्वरूपम् ॥५॥
svātantryaśaktiḥ kramasaṃsisṛkṣā kramātmatā ceti vibhorvibhūtiḥ tadeva devītrayamantarāstāmanuttaraṃ me prathayatsvarūpam ॥5॥
स्वातन्त्र्य शक्तिः [svātantrya śaktiḥ] poder da liberdade* क्रम संसिसृक्षा [krama saṃsisṛkṣā] desejo de criar sucessão* क्रमात्मता [kramātmatā] natureza da sucessão* विभु विभूति [vibhu vibhūti] poder do onipresente śiva* तत् एव देवी त्रय मन्तरास्त [tat eva devī traya mantarāsta] que essas três deusas* अनुत्तर [anuttara] o absoluto (anuttara)* प्रथयत् मे [prathayat me] revele-me* स्वरूप [svarūpa] natureza superior*
5- Swami Lakshmanjoo: "A energia preenchida com svātantrya, independência absoluta, é a primeira; krama saṁsisṛkṣā, apenas a vontade de desejar o mundo da sucessão, [é a segunda]; e kramātmatā, o mundo da sucessão, [é a terceira]. Svātantrya śakti é primeiro (é abheda), krama saṁsisṛkṣā, apenas [a vontade] de dar origem ao mundo sucessivo (é bhedābheda), e kramātmatā, o mundo sucessivo (é bheda). a glória do Senhor Śiva, que essas três energias permaneçam em meu coração de tal forma que me revelem a natureza suprema da consciência de Deus (anuttaraṁ svarūpam prathaya)."

6- तद्देवताविभवभाविमहामरीचिचक्रेश्वरायितनिजस्थितिरेक एव देवीसुतो गणपतिः स्फुरदिन्दुकान्तिः सम्यक्समुच्छलयतान्मम संविदब्धिम् ॥६॥
taddevatāvibhavabhāvimahāmarīcicakreśvarāyitanijasthitireka eva devīsuto gaṇapatiḥ sphuradindukāntiḥ samyaksamucchalayatānmama saṃvidabdhim ॥6॥
तत् देवता [tat devatā] aquela divindade* विभव [vibhava] poder* भावि [bhāvi] senhor da roda* महा मरीचि [mahā marīci] grandes raios* चक्रेश्वर [cakreśvara] senhor dos exércitos* आयित निजस्थिति [āyita nijasthiti] situado em sua própria natureza* एक एव [eka eva] único* देवी सुतः [devī sutaḥ] filho da deusa* गणपति [gaṇapati] gaṇapati* स्फुरत् इन्दु कान्ति [sphurat indu kānti] como a lua brilhando* सम्यक् समुच्छलयतात् मम संविद् अब्धि [samyak samucchalayatāt mama saṃvid abdhi] agite bem o oceano de minha consciência*
6- Swami Lakshmanjoo: "Que o desdobramento da energia suprema de parā, Gaṇapati significa, o senhor das massas, o senhor das classes (todas as classes), e esse senhor das classes é chamado Gaṇapati. Ele é uma ramificação de devī, parā devī... E aquele senhor Gaṇapati, [que] está brilhando exatamente como a lua cheia (sphurat indu kāntiḥ), e aquele Gaṇapati [que] é sthitir, está situado em sua própria natureza, governando como o governador do śakti cakra dessas três energias (parā, parāparā e aparā) – essas três energias criaram a glória e essa glória é parā, parāparā e aparā – e essa glória, tripla glória, criou inumeráveis śakti cakras, e naquele śakti cakra governa aquele Gaṇapati, que é cakreśvara..."

7- रागारुणां ग्रन्थिबिलावकीर्ण यो जालमातानवितानवृत्ति कलोम्भितं बाह्यपथे चकार स्तान्मे स मच्छन्दविभुः प्रसन्नः ॥७॥
rāgāruṇāṃ granthibilāvakīrṇa yo jālamātānavitānavṛtti kalombhitaṃ bāhyapathe cakāra stānme sa macchandavibhuḥ prasannaḥ ॥7॥
यः [yaḥ] aquele que* अवकीर्ण [avakīrṇa] lançou* जाल [jāla] a rede* राग अरुणा [rāga aruṇā] tingida de vermelho* ग्रन्थि बिल [granthi bila] cheia de nós e buracos* आतान वितान वृत्ति कल उम्भित बाह्य पथे [ātāna vitāna vṛtti kala umbhita bāhya pathe] com muitas partes se espalha e se estende por toda parte * सः मच्छन्द विभु चकार प्रसन्न स्तान्मे [saḥ macchanda vibhu cakāra prasanna stānme] que o senhor macchanda fique satisfeito comigo*
7-Raniero Gnoli: “Que Macchandanãtha, que espalhou a rede, me seja propício - a rede tingida de vermelho, toda cheia de nós e buracos, composta de muitas partes, que se desdobra e se estende por toda parte.”
Swami Lakshmanjoo: "Agora ele se curva diante de todos os mestres desta escola, direta e indiretamente. Primeiro, ele se curva [diante] do mestre, Macchandanātha. Deixe Macchandanātha permanecer feliz comigo - prasanna."

8- त्रैयम्बकाभिहितसन्ततिताम्रपर्णीसन्मौक्तिकप्रकरकान्तिविशेषभाजः पूर्वे जयन्ति गुरवो गुरुशास्त्रसिन्धुकल्लोलकेलिकलनामलकर्णधाराः ॥८॥
traiyambakābhihitasantatitāmraparṇīsanmauktikaprakarakāntiviśeṣabhājaḥ pūrve jayanti guravo guruśāstrasindhukallolakelikalanāmalakarṇadhārāḥ ॥8॥
जयन्ति पूर्वे गुरवः [jayanti pūrve guravaḥ] que aqueles antigos mestres sejam glorificados* अभिहित सन्तति ताम्रपर्णी सत् मौक्तिक प्रकर कान्ति विशेष भाज त्रैयम्बक [abhihita santati tāmraparṇī sat mauktika prakara kānti viśeṣa bhāja traiyambaka] eles são a fileira luminosa das pérolas da verdade em tamraparni (rio) da linhagem espiritual que leva o nome de tryambaka* गुरु शास्त्र सिन्धु कल्लोल केलि कलन अमल कर्णधारा [guru śāstra sindhu kallola keli kalana amala karṇadhārā] os timoneiros imaculados (do barco) que atravessa as ondas agitadas do mar das escrituras sagradas!*
8- Raniero Gnoli: “Louvor e vitória aos antigos Mestres, luminosos como montes de pérolas no rio da linha espiritual que leva o nome de Tryambaka, pilotos imaculados [que nos guiam] pelas ondas agitadas do mar das veneráveis escrituras sagradas!”
Swami Lakshmanjoo: "Que aqueles antigos mestres sejam glorificados porque eram karṇadhārāḥ altruístas, altruístas..."

9- जयति गुरुरेक एव श्रीश्रीकण्ठो भुवि प्रथितः तदपरमूर्तिर्भगवान् महेश्वरो भूतिराजश्च ॥९॥
jayati gurureka eva śrīśrīkaṇṭho bhuvi prathitaḥ tadaparamūrtirbhagavān maheśvaro bhūtirājaśca ॥9॥
जयति गुरु एक एव श्रीश्रीकण्ठ [jayati guru eka eva śrīśrīkaṇṭha] gloria ao guru śrīkaṇṭha o único* भुवि प्रथित [bhuvi prathita] que surgiu neste universo* भगवान् महेश्वर च भूतिराज [bhagavān maheśvaraḥ ca bhūtirāja] aos veneráveis maheśvara e bhūtirāja* तत् अपर मूर्ति [tat apara mūrti] suas outras formas*
9- Swami Lakshmanjoo: "Que aquele mestre único, Śrīkaṇṭhanātha, que apareceu neste universo, seja sempre glorificado. E outra formação de Seu ser que era Maheśvara e Bhūtirāja, que esses dois mestres também sejam glorificados."

10- श्रीसोमानन्दबोधश्रीमदुत्पलविनिःसृताः जयन्ति संविदामोदसन्दर्भा दिक्प्रसर्पिणः ॥१०॥
śrīsomānandabodhaśrīmadutpalaviniḥsṛtāḥ jayanti saṃvidāmodasandarbhā dikprasarpiṇaḥ ॥10॥
जयन्ति [jayanti] glória* संविद् आमोद सन्दर्भा दिक् प्रसर्पिण [saṃvid āmoda sandarbhā dik prasarpiṇa] às composições perfumadas com a consciência que se espalha em todas as direções* श्री सोमानन्द बोध श्रीमत् उत्पल विनिःसृत [śrī somānanda bodha śrīmat utpala viniḥsṛta] emanadas de utpaladeva que (as recebeu) do venerável somãnanda*
10- Swami Lakshmanjoo: "... espalhado por todo o mundo e expandido a partir do conhecimento de Somānanda e Utpaladeva. Somānanda e Utpaladeva criaram aquela fragrância, que se espalhou por todo o mundo, ..."

11- तदास्वादभरावेशबृंहितां मतिषट्पदीम् गुरोर्लक्ष्मणगुप्तस्य नादसंमोहिनीं नुमः ॥११॥
tadāsvādabharāveśabṛṃhitāṃ matiṣaṭpadīm gurorlakṣmaṇaguptasya nādasaṃmohinīṃ numaḥ ॥11॥
नुमः [numaḥ] eu me curvo diante da* मति षट्पदी [mati ṣaṭpadī] 'abelha' do intelecto* गुरु लक्ष्मणगुप्तस्य [guru lakṣmaṇaguptasya] do guru lakṣmaṇagupta* तत् आस्वाद भर आवेश बृंहित [tat āsvāda bhara āveśa bṛṃhita] intensificado pela absorção no sabor dele* नाद संमोहिनी [nāda saṃmohinī] que cativa o coração de todos por esse som*
11- Mark Dyczkowski: "Saudamos a mente semelhante a uma abelha do Mestre Lakṣmaṇagupta, cujo som é o atrativo (ressonância da consciência) intensificado por sua absorção no copioso sabor disso (Lótus, o Mestre Utpaladeva)."

12- यः पूर्णानन्दविश्रान्तसर्वशास्त्रार्थपारगः स श्रीचुखुलको दिश्यादिष्टं मे गुरुरुत्तमः ॥१२॥
yaḥ pūrṇānandaviśrāntasarvaśāstrārthapāragaḥ sa śrīcukhulako diśyādiṣṭaṃ me gururuttamaḥ ॥12॥
यः स श्रीचुखुलक [yaḥ sa śrīcukhulaka] que o senhor cukhulaka* पूर्ण आनन्द विश्रान्त सर्व शास्त्र आर्थ पारगः [pūrṇa ānanda viśrānta sarva śāstra ārtha pāragaḥ] descansando em plena felicidade e que dominava todos os śāstras* दिश्यादिष्टं मे गुरु उत्तम [diśyādiṣṭaṃ me guru uttama] conceda-me tudo o que eu desejo (conhecer)*
12- Swami Lakshmanjoo: "Meu pai também era meu mestre de espiritualidade porque ele estava descansando em ānanda (pūrṇa ānanda) completo e universal e ele dominava e tinha as informações de todos os śāstras – meu pai. E seu nome era Cukhulakanātha. Embora seu nome fosse Narasiṁhagupta, seu outro nome era Cukhulakanātha. Que Cukhulakanātha, que foi meu grande mestre, conceda-me tudo o que eu desejo no mundo espiritual."

13- जयताज्जगदुद्धृतिक्षमोऽसौ भगवत्या सह शंभुनाथ एकः यदुदीरितशासनांशुभिर्मे प्रकटोऽयं गहनोऽपि शास्त्रमार्गः ॥१३॥
jayatājjagaduddhṛtikṣamo'sau bhagavatyā saha śaṃbhunātha ekaḥ yadudīritaśāsanāṃśubhirme prakaṭo'yaṃ gahano'pi śāstramārgaḥ ॥13॥
जयतात् [jayatāt] saúdo* शंभुनाथ एक [śaṃbhunātha eka] śambhunātha o único* भगवत्या सह [bhagavatyā saha] junto com (sua) consorte* जगत् उद्धृति क्षम [jagat uddhṛti kṣama] pode elevar o (inteiro) universo* असौ यद् उदीरित शासन अंशुभिः [asau yad udīrita śāsana aṃśubhiḥ] aquele que, pelos raios (iluminadores) de suas instruções* प्रकट मे [prakaṭa me] tornou claro para mim* अयं [ayaṃ] este* शास्त्र मार्ग [śāstra mārga] caminho das escrituras* अपि गहन [api gahana] embora (difícil) de entender*
13- Swami Lakshmanjoo: "Agora ele se curva diante de seu mestre do sistema Kula. [Seu] mestre do sistema Kula era Śambhunātha. E [Śambhunātha] tinha uma dūti (consorte). E ele era jagat uddhṛtikṣama ... Ele poderia elevar o universo inteiro em um minuto, deixe meu mestre ser glorificado. Que ele seja glorificado junto com sua dūti – que sua dūti também seja glorificada – foi quem apontou os pontos importantes dos śāstras, que se tornaram claros para mim ..."

14- सन्ति पद्धतयश्चित्राः स्रोतोभेदेषु भूयसा अनुत्तरषडर्धार्थक्रमे त्वेकापि नेक्ष्यते ॥१४॥
santi paddhatayaścitrāḥ srotobhedeṣu bhūyasā anuttaraṣaḍardhārthakrame tvekāpi nekṣyate ॥14॥
सन्ति पद्धतय चित्र भूयसा स्रोत भेदेषु [santi paddhatayaḥ citra bhūyasā srota bhedeṣu] existem muitos manuais em uso em diferentes tradições* तु एक अपि न इक्ष्यते अनुत्तर षडर्ध आर्थ क्रम [tu eka api na ikṣyate anuttara ṣaḍardha ārtha krama] mas não se vê um para os ritos do anuttaratrika*
14- M. D.: Existem vários manuais litúrgicos em uso em muitas tradições. Mas não se vê um para os ritos do Anuttaratrika.

15- इत्यहं बहुशः सद्भिः शिष्यसब्रह्मचारिभिः अर्थितो रचये स्पष्टां पूर्णार्था प्रक्रियामिमाम् ॥१५॥
ityahaṃ bahuśaḥ sadbhiḥ śiṣyasabrahmacāribhiḥ arthito racaye spaṣṭāṃ pūrṇārthā prakriyāmimām ॥15॥
इत्यहं [ityahaṃ] então eu* बहुश सद्भिः शिष्य सब्रह्मचारिभिः अर्थिता [bahuśa sadbhiḥ śiṣya sabrahmacāribhiḥ arthitā] repetidamente solicitado por discípulos e colegas* रचये इमाम् आर्था स्पष्टां प्रक्रिया पूर्ण [racaye imām ārthā spaṣṭāṃ prakriyā pūrṇa] componho esta obra, clara e completa*
15- M. D.: "Portanto, repetidamente solicitado por (meus) discípulos e companheiros sinceros, componho esta liturgia, que é clara e completa."

16- श्रीभट्टनाथचरणाब्जयुगात्तथा श्रीभट्टारिकांघ्रियुगलाद्गुरुसन्ततिर्या बोधान्यपाशविषनुत्तदुपासनोत्थबोधोज्ज्वलोऽभिनवगुप्त इदं करोति ॥१६॥
śrībhaṭṭanāthacaraṇābjayugāttathā śrībhaṭṭārikāṃghriyugalādgurusantatiryā bodhānyapāśaviṣanuttadupāsanotthabodhojjvalo'bhinavagupta idaṃ karoti ॥16॥
अभिनवगुप्त करोति इदं [abhinavagupta karoti idaṃ] abhinavagupta faz isso* तत् उपासन उत्थ बोध उज्ज्वल [tat upāsana uttha bodha ujjvala] resplandecente com o conhecimento vindo a ele* श्री भट्टनाथ चरण अब्ज युगात् [śrī bhaṭṭanātha caraṇa abja yugāt] através dos pés de lótus do venerável bhaṭṭanātha* तथा श्री भट्टारिका अङ्घ्रि युगलात् [tathā śrī bhaṭṭārikā aṅghri yugalāt] bem como através de bhaṭṭārikā sua consorte* गुरु सन्ततिः [guru santatiḥ] e da série ininterrupta de gurus* या बोध अन्य पाश विषनुत् [yā bodha anya pāśa viṣanut] que elimina o veneno de tudo que se opõem consciência*
16- M. D.: Abhinavagupta faz isso, flamejando com a consciência iluminada surgida da adoração dos pés de lótus de Bhaṭṭanātha (ou seja, Śambhunātha) e Bhaṭṭārikā (sua consorte, junto com aqueles que os precederam) na Linhagem dos Mestres. (Sua adoração) é o antídoto do veneno dos grilhões de todas (coisas) que vão contra a consciência."

17- न तदस्तीह यन्न श्रीमालिनीविजयोत्तरे देवदेवेन निर्दिष्टं स्वशब्देनाथ लिङ्गतः ॥१७॥
na tadastīha yanna śrīmālinīvijayottare devadevena nirdiṣṭaṃ svaśabdenātha liṅgataḥ ॥17॥
न तत् अस्ति इह [na tat asti iha] não há nada aqui* यद् न निर्दिष्ट [yad na nirdiṣṭa] que não seja ensinado* देव देवेन श्रीमालिनीविजयोत्तर [deva devena śrīmālinīvijayottara] pelo deus dos deuses no mālinīvijaya tantra* स्व शब्देन अथ लिङ्गत [sva śabdena atha liṅgata] por suas palavras e por seus sinais*
17- Mark Dyczkowski: "Não há nada aqui (no Tantrāloka) que não seja ensinado pelo Deus dos deuses no Mālinīvijayattaratantra, seja direta ou indiretamente."

18- दशाष्टादशवस्वष्टभिन्नं यच्छासनं विभोः तत्सारं त्रिकशास्त्रं हि तत्सारं मालिनीमतम् ॥१८॥
daśāṣṭādaśavasvaṣṭabhinnaṃ yacchāsanaṃ vibhoḥ tatsāraṃ trikaśāstraṃ hi tatsāraṃ mālinīmatam ॥18॥
तत् सार शासन विभु [tat sāra śāsana vibhu] os ensinamentos (trika śāstra) do senhor* दश अष्टादश वसु अष्ट भिन्न [daśa aṣṭādaśa vasu aṣṭa bhinna] são divididos em dez, dezoito e sessenta e quatro* यत् हि सार त्रिक शास्त्र तत् मालिनी मत [yat hi sāra trika śāstra tat mālinī mata] cuja essência são as escrituras trika e destas o malinivijaya*
18- Mark Dyczkowski: “Os Ensinamentos do Senhor são divididos em (grupos de) dez, dezoito e sessenta e quatro (Tantras), cuja essência são as escrituras Trika e destas, o Malinivijaya.”

19- अतोऽत्रान्तर्गतं सर्व संप्रदायोज्झितैर्बुधैः अदृष्ट प्रकटीकुर्मो गुरुनाथाज्ञया वयम् ॥१९॥
ato'trāntargataṃ sarva saṃpradāyojjhitairbudhaiḥ adṛṣṭa prakaṭīkurmo gurunāthājñayā vayam ॥19॥
अतस् गुरु नाथ आज्ञया [atas guru nātha ājñayā] assim por ordem do guru* प्रकटी कुर्म वयम् सर्व अत्र अन्तर्गत [prakaṭī kurma vayam sarva atra antargata] explicaremos tudo o que está contido aqui* बुध संप्रदाय उज्झित अदृष्ट [budha saṃpradāya ujjhita adṛṣṭa] que os eruditos sem saṃpradāya não conseguem ver*
19- M D: “Assim, por ordem do Mestre, explicaremos tudo o que está contido aqui, (particularmente aquelas escrituras negligenciadas) que não foram notadas pelos eruditos que não pertencem a nenhuma linhagem”.

20- अभिनवगुप्तस्य कृतिः सेयं यस्योदिता गुरुभिराख्या त्रिनयनचरणसरोरुहचिन्तनलब्धप्रसिद्धिरिति ॥२०॥
abhinavaguptasya kṛtiḥ seyaṃ yasyoditā gurubhirākhyā trinayanacaraṇasaroruhacintanalabdhaprasiddhiriti ॥20॥
सा इयं कृति अभिनवगुप्तस्य [sā iyaṃ kṛti abhinavaguptasya] este é o trabalho de abhinavagupta* यस्य आख्या उदिता गुरुभिः [yasya ākhyā uditā gurubhiḥ] (um homem) assim declaram os mestres* त्रि नयन चरण सरोरुह चिन्तन लब्ध प्रसिद्धि इति [tri nayana caraṇa saroruha cintana labdha prasiddhi iti] que alcançou a perfeição suprema meditando nos pés de lótus do senhor de três olhos*
20- Raniero Gnoli: “Tal é o trabalho de Abhinavagupta, de um homem – assim declaram os Mestres – que graças à meditação (contínua) nos lótus dos pés do Deus de três olhos alcançou a suprema excelência do espírito.”

21- श्रीशम्भुनाथभास्करचरणनिपातप्रभापगतसंकोचम् अभिनवगुप्तहृदम्बुजमेतद्विचिनुत महेशपूजनहेतोः ॥२१॥
śrīśambhunāthabhāskaracaraṇanipātaprabhāpagatasaṃkocam abhinavaguptahṛdambujametadvicinuta maheśapūjanahetoḥ ॥21॥
महेश पूजन हेतु [maheśa pūjana hetu] para adorar o Senhor* विचिनुत एतत् अभिनवगुप्त हृद् अम्बुज [vicinuta etat abhinavagupta hṛd ambuja] contemple este o lótus do coração de abhinavagupta* श्री शम्भुनाथ भास्कर चरण निपात प्रभा अपगत संकोच [śrī śambhunātha bhāskara caraṇa nipāta prabhā apagata saṃkoca] que floresceu pela luz que cai dos pés do śambhunātha semelhante ao sol*
21- Mark Dyczkowski: "Para adorar o Senhor, contemple este, o lótus do coração de Abhinavagupta que floresceu pela luz que cai dos pés do Śambhunātha semelhante ao sol."

22- इह तावत्समस्तेषु शास्त्रेषु परिगीयते अज्ञानं संसृतेर्हेतुर्ज्ञानं मोक्षैककारणम् ॥२२॥
iha tāvatsamasteṣu śāstreṣu parigīyate ajñānaṃ saṃsṛterheturjñānaṃ mokṣaikakāraṇam ॥22॥
इह तावत् परिगीयते समस्तेषु शास्त्रेषु [iha tāvat parigīyate samasteṣu śāstreṣu] aqui (neste mundo) todas as escrituras declaram* अज्ञान हेतु [ajñāna hetu] que a ignorância é a causa da transmigração* संसृति मोक्ष एक कारण ज्ञान [saṃsṛti mokṣa eka kāraṇa jñāna] e a única causa da libertação é o conhecimento*
22-M. D.: "Aqui (em nossa tradição) todas as escrituras declaram unanimemente que a ignorância é a causa da transmigração e somente o conhecimento a causa da liberdade."

23- मलमज्ञानमिच्छन्ति संसाराङ्कुरकारणम् इति प्रोक्तं तथा च श्रीमलिनीविजयोत्तरे ॥२३॥
malamajñānamicchanti saṃsārāṅkurakāraṇam iti proktaṃ tathā ca śrīmalinīvijayottare ॥23॥
प्रोक्त तथा च श्रीमलिनीविजयोत्तरे [prokta tathā ca śrīmalinīvijayottare] isso é explicado no mālinīvijaya* इच्छन्ति मलम् अज्ञानम् [icchanti malam ajñānam] onde mala é considerado ignorância* संसार आङ्कुर कारणम् इति [saṃsāra āṅkura kāraṇam iti] a causa da germinação do saṃsāra*
23- Mark Dyczkowski: "(O Senhor) diz isso no Mālinīvijayatantra (onde Ele declara) que: A visão (dos sábios) é que a impureza (mala) (que mancha a alma) é na verdade (apenas) a ignorância, a causa do broto do saṃsāra."

24- विशेषणेन बुद्धिस्थे संसारोत्तरकालिके संभावनां निरस्यैतदभावे मोक्षमब्रवीत् ॥२४॥
viśeṣaṇena buddhisthe saṃsārottarakālike saṃbhāvanāṃ nirasyaitadabhāve mokṣamabravīt ॥24॥
विशेषणेन [viśeṣaṇena] qualificação* बुद्धिस्थे [buddhistha] ligada ao intelecto* संसार उत्तर कालिके [saṃsāra uttara kālike] quando a transmigração chegar ao fim* संभावन [saṃbhāvana] considerando* निरस्य [nirasya] rejeitar* तत् [tat] disso* अभाव [abhāva] ausência* अब्रवीत् मोक्षम भाव [abravīt mokṣa bhāva] (o senhor) disse que a liberação ocorrerá*
24- Mark Dyczkowski: "Tendo excluído a possibilidade de que o conhecimento presente no intelecto, subsequente ao estado de aprisionamento da transmigração, seja libertador, especificando que a ignorância é a causa do broto da transmigração, o Senhor disse que a libertação é alcançada mesmo quando esse conhecimento intelectual está ausente."

25- अज्ञानमिति न ज्ञानाभावश्चातिप्रसङ्गतः स हि लोष्टादिकेऽप्यस्ति न च तस्यास्ति संसृतिः ॥२५॥
ajñānamiti na jñānābhāvaścātiprasaṅgataḥ sa hi loṣṭādike'pyasti na ca tasyāsti saṃsṛtiḥ ॥25॥
अज्ञान इति न अभावत् ज्ञान [ajñāna iti na abhāvat jñāna] ignorância não significa ausência de conhecimento* च अतिप्रसङ्गतः [ca atiprasaṅgataḥ] (no caso afirmativo) cairíamos no caso da extensão excessiva* हि स लोष्ट अदिक [hi sa loṣṭa adika] e até uma pedra, etc* अपि अस्ति न च तस्य अस्ति संसृति [api asti na ca tasya asti saṃsṛti] também estariam sujeitas à transmigração*
25- Mark Dyczkowski: "(Não somos da escola daqueles que acreditam nisso:) a ignorância consiste em uma total falta de conhecimento. Se assim fosse (o uso do termo) seria muito extenso (e teríamos que admitir) que pedras e similares (também estão) sujeitas à transmigração."

26- अतो ज्ञेयस्य तत्त्वस्य सामस्त्येनाप्रथात्मकम् ज्ञानमेव तदज्ञानं शिवसूत्रेषु भाषितम् ॥२६॥
ato jñeyasya tattvasya sāmastyenāprathātmakam jñānameva tadajñānaṃ śivasūtreṣu bhāṣitam ॥26॥
अतस् शिव सूत्रेषु [atas śiva sūtreṣu] portanto nos śivasūtras* तत् अज्ञान एव भाषित [tat ajñāna eva bhāṣita] aquela ignorância é mencionada apenas como* ज्ञेयस्य तत्त्वस्य सामस्त्येन अप्रथ आत्मक ज्ञान [jñeyasya tattvasya sāmastyena apratha ātmaka jñāna] *falta de compreensão da natureza última do objeto de conhecimento em sua totalidade
26- Mark Dyczkowski: "Portanto, diz-se no Śivasūtra que a ignorância (que aprisiona) é o tipo de conhecimento que acarreta a falta de discernimento sobre a natureza última do objeto do conhecimento em sua totalidade."

27- चैतन्यमात्मा ज्ञानं च बन्ध इत्यत्र सूत्रयोः संश्लेषेतरयोगाभ्यामयमर्थः प्रदर्शितः ॥२७॥
caitanyamātmā jñānaṃ ca bandha ityatra sūtrayoḥ saṃśleṣetarayogābhyāmayamarthaḥ pradarśitaḥ ॥27॥
अयम् अर्थ प्रदर्शित [ayam artha pradarśita] este significado é especificado* संश्लेष इतर योगाभ्याम् [saṃśleṣa itara yogābhyām] ao combiná-los ou mantê-los separadamente* सूत्र अत्र चैतन्य आत्मा च ज्ञान बन्ध इति [sūtra atra caitanya ātmā ca jñāna bandha iti] nesses sutras a consciência é o self e o conhecimento é escravidão*
27- Mark Dyczkowski: "Este é o ponto que se destaca ao ler os aforismos “o Eu é consciência” e “o conhecimento é escravidão” alternadamente, em conjunto e separadamente."

28- चैतन्यमिति भावान्तः शब्दः स्वातन्त्र्यमात्रकम् अनाक्षिप्तविशेषं सदाह सूत्रे पुरातने ॥२८॥
caitanyamiti bhāvāntaḥ śabdaḥ svātantryamātrakam anākṣiptaviśeṣaṃ sadāha sūtre purātane ॥28॥
आह सूत्रे पुरातन भावान्तः शब्द चैतन्य इति [āha sūtre purātana bhāvāntaḥ śabda caitanya iti] no sutra anterior afirmou-se que o termo abstrato caitanya* स्वातन्त्र्य मात्रक [svātantrya mātraka] refere-se a (um estado de) liberdade absoluta* सदा अनाक्षिप्त विशेष [sadā anākṣipta viśeṣa] sem atributos específicos*
28- Mark Dyczkowski: "A palavra 'consciência' (caitanya) é um substantivo abstrato, pois sugere (que a consciência não é alguma 'coisa'), mas é, essencialmente, (um estado de) liberdade criativa e irrestrita (svatantrya), que é Ser - como tal, livre de todos os atributos específicos (condicionados)."

29- द्वितीयेन तु सूत्रेण क्रियां वा करणं च वा ब्रुवता तस्य चिन्मात्ररूपस्य द्वैतमुच्यते ॥२९॥
dvitīyena tu sūtreṇa kriyāṃ vā karaṇaṃ ca vā bruvatā tasya cinmātrarūpasya dvaitamucyate ॥29॥
द्वितीयेन तु सूत्रेण च वा ब्रुवता [dvitīyena tu sūtreṇa ca vā bruvatā] o segundo aforismo declara* क्रिया वा करण [kriyā vā karaṇa] a existência da ação e do instrumento da ação* उच्यते द्वैत [ucyate dvaita] surgindo dualidade* तस्य चित् मात्र रूपस्य [tasya cit mātra rūpasya] nele cuja natureza é consciência pura*
29- Mark Dyczkowski: "Ao proferir o segundo aforismo (‘conhecimento é aprisionamento’, Śiva) declara que a dualidade (aprisionadora) dessa natureza consciente pura (é o conhecimento empírico), seja ele (considerado) o ato (de conhecer em si) ou o instrumento (por meio do qual algo é conhecido).."

30- द्वैतप्रथा तदज्ञानं तुच्छत्वाद्बन्ध उच्यते तत एव समुच्छेद्यमित्यावृत्त्यानिरूपितम् ॥३०॥
dvaitaprathā tadajñānaṃ tucchatvādbandha ucyate tata eva samucchedyamityāvṛttyānirūpitam ॥30॥
तत् अज्ञान द्वैत प्रथा [tat ajñāna dvaita prathā] essa ignorância é percepção da dualidade* तुच्छत्वात् उच्यते बन्ध [tucchatvāt ucyate bandha] por ser inútil é chamada de escravidão* तत एव समुच्छेद्य [tata eva samucchedya] portanto deve ser eliminada* इति निरूपित आवृत्त्या [iti nirūpita āvṛttyā] isso é explicado pela repetição destes [dois] sutras*
30- Mark Dyczkowski: "A ignorância disso (da consciência não dual) é a percepção (prathā) da dualidade que, por ser insignificante (tuccha) (e sem valor em relação à consciência não dual de ser consciente), é considerada escravidão e, portanto, deve ser eliminada. É isso que se diz (ao ler o segundo aforismo) em conjunto (com o primeiro) (āvṛttyā) (de modo que significa "ignorância é escravidão").”

31- स्वतन्त्रात्मातिरिक्तस्तु तुच्छोऽतुच्छोऽपि कश्चन न मोक्षो नाम तन्नास्य पृथङ्नामापि गृह्यते ॥३१॥
svatantrātmātiriktastu tuccho'tuccho'pi kaścana na mokṣo nāma tannāsya pṛthaṅnāmāpi gṛhyate ॥31॥
मोक्ष नाम न कश्चन अतुच्छः तु तुच्छः [mokṣa nāma na kaścana atucchaḥ tu tucchaḥ] libertação não é algo real (atuccha) ou irreal (tuccha)* अतिरिक्त आत्म स्वतन्त्र [atirikta ātma svatantra] que difere do self que é svatantra* गृह्यते अपि तन्नास्य पृथक् नामा अपि [gṛhyate api tannāsya pṛthak nāmā api] não difere dele nem mesmo no nome*
31- Mark Dyczkowski: "A liberação não é alguma realidade substancial (atuccha) ou de outra natureza (tuccha) que difere do Self que é (intrinsecamente) livre. (Na verdade,) não difere dele nem mesmo no nome."

32- यत्तु ज्ञेयसतत्त्वस्य पूर्णपूर्णप्रथात्मकम् तदुत्तरोत्तरं ज्ञानं तत्तत्संसारशान्तिदम् ॥३२॥
yattu jñeyasatattvasya pūrṇapūrṇaprathātmakam taduttarottaraṃ jñānaṃ tattatsaṃsāraśāntidam ॥32॥
यत् तु ज्ञान ज्ञेय सतत्त्वस्य प्रथ आत्मक [yattu jñāna jñeya satattvasya pratha ātmaka] o conhecimento da natureza do cognoscível* पूर्ण पूर्ण तत् उत्तर उत्तर तत्तत् संसार शान्तिद [pūrṇa pūrṇa tat uttara uttara tattat saṃsāra śāntida] à medida que se torna mais completo e mais elevado elimina as formas de transmigração*
32- Mark Dyczkowski: "À medida que o conhecimento da (realidade), isto é, o objeto do conhecimento juntamente com os princípios metafísicos que o constituem, se torna mais completo e, portanto, progressivamente mais elevado, ele reprime as diversas formas de transmigração que correspondem (aos níveis alcançados)."

33- रागाद्यकलुषोऽस्म्यन्तःशून्योऽहं कर्तृतोज्झितः | इत्थं समासव्यासाभ्यां ज्ञानं मुञ्चति तावतः ॥३३॥
rāgādyakaluṣo'smyantaḥśūnyo'haṃ kartṛtojjhitaḥ | itthaṃ samāsavyāsābhyāṃ jñānaṃ muñcati tāvataḥ ॥33॥
राग आदि अकलुष अस्मि [rāga ādi akaluṣa asmi] não sou contaminado pelo apego e outros* अन्तः शून्य अहं [antaḥ śūnya ahaṃ] estou internamente vazio* कर्तृता उज्झित [kartṛtā ujjhita] não estou ativo* इत्थं तावत् ज्ञान मुञ्चति समास व्यासाभ्यां [itthaṃ tāvat jñāna muñcati samāsa vyāsābhyāṃ] são formas de conhecimento que coletiva ou individualmente (libertam apenas das formas relevantes de transmigração)*
33- Mark Dyczkowski: "Não sou contaminado pelo apego e coisas do gênero", "Estou interiormente vazio" e "Estou inativo" são formas de insight que, coletiva ou individualmente, só podem libertar de suas correspondentes (formas de escravidão)."

34- तस्मान्मुक्तोऽप्यवच्छेदादवच्छेदान्तरस्थितेः | अमुक्त एव मुक्तस्तु सर्वावच्छेदवर्जितः ॥३४॥
tasmānmukto'pyavacchedādavacchedāntarasthiteḥ | amukta eva muktastu sarvāvacchedavarjitaḥ ॥34॥
तस्मात् मुक्त अपि अवच्छेदात् [tasmāt mukta api avacchedāt] portanto aquele que está livre de limitação não é libertado* अवच्छेद आन्तर स्थित [avaccheda āntara sthita] pois existem outras limitações* अमुक्त एव [amukta eva] (assim) ele não está realmente liberado* तु सर्व अवच्छेद वर्जित मुक्त [tu sarva avaccheda varjita mukta] mas se livrar de todas as limitações estará liberado*
34- Mark Dyczkowski: “Portanto, aquele que está livre de (apenas uma) limitação (avaccheda) não é libertado, pois existem outras limitações que continuam a existir. Aquele que está verdadeiramente libertado está livre de todas as limitações”.

35- यत्तु ज्ञेयसतत्त्वस्य ज्ञानं सर्वात्मनोज्झितम् | अवच्छेदैर्न तत्कुत्राप्यज्ञानं सत्यमुक्तिदम् ॥३५॥
yattu jñeyasatattvasya jñānaṃ sarvātmanojjhitam | avacchedairna tatkutrāpyajñānaṃ satyamuktidam ॥35॥
तु यत् ज्ञानं ज्ञेय सतत्त्वस्य [tu yat jñānaṃ jñeya satattvasya] o conhecimento do objeto de conhecimento incluindo seu fundamento* सर्वात्मन उज्झित अवच्छेदैः [sarvātmana ujjhita avacchedaiḥ] livre de todas as limitações* न तत् कुत्रा अपि अज्ञानं [na tat kutrā api ajñānaṃ] não havendo ignorância em nenhum lugar* सत्य मुक्ति दम् [satya mukti dam] confere a verdadeira libertação*
35- Mark Dyczkowski: “O conhecimento do objeto do conhecimento (jñeya), juntamente com os princípios metafísicos que o constituem (satattva), livre de todas as limitações, não admite a persistência da ignorância em nenhum ponto. Como tal, concede a verdadeira libertação.”.

36- ज्ञानाज्ञानस्वरूपं यदुक्तं प्रत्येकमप्यदः | द्विधा पौरुषबौद्धत्वभिदोक्तं शिवशासने ॥३६॥
jñānājñānasvarūpaṃ yaduktaṃ pratyekamapyadaḥ | dvidhā pauruṣabauddhatvabhidoktaṃ śivaśāsane ॥36॥
शिवशासने [śiva śāsane] segundo os śiva śāstras* ज्ञाना अज्ञान स्वरूप यत् उक्त प्रत्यक अपि अदस् द्विधा [jñānā ajñāna svarūpa yat ukta pratyaka api adas dvidhā] a natureza do conhecimento e da ignorância discutidas aqui são de duas maneiras cada um* पौरुष बौद्धत्व भिद उक्त [pauruṣa bauddhatva bhida ukta] ignorância do self e ignorância intelectual*
36- Mark Dyczkowski: "De acordo com a doutrina Śaiva (śivaśāsana), o conhecimento e a ignorância mencionados (aqui) são de dois tipos: espiritual (paurusa) (que constitui a consciência individual) e intelectual (bauddha) (que está no nível da mente consciente)."

37/38- तत्र पुंसो यदज्ञानं मलाख्यं तज्जमप्यथ | स्वपूर्णचित्क्रियारूपशिवतावरणात्मकम् ॥३७॥
संकोचिदृक्क्रियारूपं तत्पशोरविकल्पितम् | तदज्ञानं न बुद्ध्यंशोऽध्यवसायाद्यभावतः ॥३८॥
tatra puṃso yadajñānaṃ malākhyaṃ tajjamapyatha | svapūrṇacitkriyārūpaśivatāvaraṇātmakam ॥37॥
saṃkocidṛkkriyārūpaṃ tatpaśoravikalpitam | tadajñānaṃ na buddhyaṁśo'dhyavasāyādyabhāvataḥ ॥38॥
तत्र अज्ञानं मलाख्य [tatra ajñānaṃ malākhya] a ignorância chamada mala (impureza) inerente ao self limitado* पुंसो यत् अपि अथ तत् जम् [puṃso yat api atha tat jam] embora nasça dele (śiva)* स्व पूर्ण चित् क्रिया रूप शिवता आवरण आत्मक [sva pūrṇa cit kriyā rūpa śivatā āvaraṇa ātmaka] abrange o estado de śiva que é consciência e ação perfeitas em si* /  संकोचि दृक् क्रिया रूप अविकल्पित [saṃkoci dṛk kriyā rūpa avikalpita] é contração do conhecimento e da atividade sem qualquer vikalpa* तत् पशु [tat paśu] relacionada ao ser limitado* तत् अज्ञान [tat ajñāna] essa ignorância* न बुद्ध्यंश [na buddhi aṁśa] não pertence ao intelecto* अध्यवसाय आदि अभावत [adhyavasāya ādi abhāvata] pela ausência de determinação, etc*
37/38- Mark Dyczkowski: "A ignorância espiritual é chamada de 'impureza' (mala). Ela é (inerente ao próprio estado agrilhoado e, portanto) não é um produto de construções de pensamento (avikalpita) (como é o caso da ignorância intelectual). É essencialmente o (estado) contraído do conhecimento e ação da alma acorrentada. É gerado pelo próprio Śiva, mas mesmo assim, é o véu que obscurece Sua própria natureza, que é conhecimento completo e ação (desobstruída). Este (tipo de) ignorância não diz respeito ao intelecto porque não implica intelecção (adhyavasāya)."

39/40- अहमित्थमिदं वेद्मीत्येवमध्यवसायिनी | षट्कञ्चुकाबिलाणूत्थप्रतिबिम्बनतो यदा ॥३९॥
धीर्जायते तदा तादृग्ज्ञानमज्ञानशब्दितम् | बौद्धं तस्य च तत्पौंस्नं पोषणीयं च पोष्टृच ॥४०॥
ahamitthamidaṃ vedmītyevamadhyavasāyinī | ṣaṭkañcukābilāṇūtthapratibimbanato yadā ॥39॥
dhīrjāyate tadā tādṛgjñānamajñānaśabditam | bauddhaṃ tasya ca tatpauṃsnaṃ poṣaṇīyaṃ ca poṣṭṛca ॥40॥
यदा धीर् जायते अध्यवसायिनी [yadā dhīr jāyate adhyavasāyinī] quando surge este intelecto que determina* एवम् अहम् वेद्मि इत्थम् इदं [evam aham vedmi ittham idaṃ] eu sei disso assim* इति षट् कञ्चुक आबिल अणु उत्थ प्रतिबिम्बनतः [iti ṣaṭ kañcuka ābila aṇu uttha pratibimbanataḥ] gerado pelo reflexo (do self) no (intelecto) do self individual (aṇu) que é maculado pelos seis kañcukas* तदा तादृक् ज्ञानम् अज्ञान शब्दितम् बौद्ध [tadā tādṛk jñānam ajñāna śabditam bauddha] tal conhecimento é chamado de ignorância relacionada ao intelecto* तस्य च तत् पौंस्नं पोषणीयं च पोष्टृ च [tasya ca tat pauṃsnaṃ poṣaṇīyaṃ ca poṣṭṛ ca] a ignorância do self e a ignorância mental alimentam-se mutuamente*
39/40- Mark Dyczkowski: "A forma da noção que determina (adhyavāsayanī dhī) (a natureza de uma entidade) é "Eu sei disso assim". É gerada pelo reflexo (da luz do Sel) no (espelho do intelecto) da alma individual (aṇu) que está maculada pelas seis coberturas obscurecedoras. (Se não se desenvolver mais) tal conhecimento é considerado ignorância (espiritual). A ignorância espiritual e intelectual alimentam-se uma da outra."

41/42- क्षीणे तु पशुसंस्कारे पुंसः प्राप्तपरस्थितेः | विकस्वरं तद्विज्ञानं पौरुषं निर्विकल्पकम् ॥४१॥
विकस्वराविकल्पात्मज्ञानौचित्येन यावसा | तद्बौद्धं यस्य तत्पौंस्नं प्राग्वत्पोष्यं च पोष्टृ च ॥४२॥
kṣīṇe tu paśusaṃskāre puṃsaḥ prāptaparasthiteḥ | vikasvaraṃ tadvijñānaṃ pauruṣaṃ nirvikalpakam ॥41॥
vikasvarāvikalpātmajñānaucityena yāvasā | tadbauddhaṃ yasya tatpauṃsnaṃ prāgvatpoṣyaṃ ca poṣṭṛ ca ॥42॥
क्षीणे तु पशु संस्कार [kṣīṇe tu paśu saṃskāra] quando as impressões de um ser limitado são destruídas* पुंसः प्राप्त परस्थित [puṃsaḥ prāpta parasthita] ao atingir o estado supremo* तत् विज्ञान पौरुष [tat vijñāna pauruṣa] que é chamado de conhecimento pauruṣa* विकस्वर निर्विकल्पक [vikasvara nirvikalpaka] que é expandido e sem vikalpa* तत् बौद्ध यावसा [tat bauddha yāvasā] esse conhecimento é chamado conhecimento intelectual na medida em que* विकस्वर अविकल्प आत्म ज्ञान औचित्येन [vikasvara avikalpa ātma jñāna aucityena] esse conhecimento é expandido e desprovido de vikalpas* प्राक्वत् यस्य तत् पौंस्नं पोष्यं च पोष्टृच [prākvat yasya tat pauṃsnaṃ poṣyaṃ ca poṣṭṛca] como antes esses dois conhecimentos alimentam-se um do outro*
41/42- Mark Dyczkowski: "O conhecimento espiritual é a consciência em expansão (vijñāna), desprovida de construções mentais, da alma individual que atingiu seu estado supremo original, à medida que o traço latente (saṃskāra) de seu estado inferior de aprisionamento se dissipa. A percepção libertadora (avasā) que se desenvolve em consonância com a plenitude desse conhecimento em expansão do Si Mesmo, livre de construções mentais, é o conhecimento intelectual (no nível da mente consciente), do qual o conhecimento espiritual é, como antes, nutrido e também o nutre. Assim, o conhecimento espiritual e o intelectual se nutrem mutuamente."

43- तत्र दीक्षादिना पौंस्नमज्ञानं ध्वंसि यद्यपि | तथापि तच्छरीरान्ते तज्ज्ञानं व्यज्यते स्फुटम् ॥४३॥
tatra dīkṣādinā pauṃsnamajñānaṃ dhvaṃsi yadyapi | tathāpi taccharīrānte tajjñānaṃ vyajyate sphuṭam ॥43॥
तत्र [tatra] com relação a esses (tipos de ignorância)* अपि [yadi api] embora* पौंस्नम् अज्ञान ध्वंसि [pauṃsnam ajñāna dhvaṃsi] a ignorância relacionada ao self seja eliminada* दीक्षा आदिना [dīkṣā ādinā] através da iniciação, etc* यदि तथा अपि [tathā api] no entanto* तत् ज्ञान [tat jñāna] esse conhecimento* व्यज्यते स्फुट [vyajyate sphuṭa] manifesta-se claramente* तत् शरीर अन्ते [tat śarīra ante] após a morte do corpo*
43- Mark Dyczkowski: "A iniciação e similares erradicam a ignorância espiritual. No entanto, seu conhecimento correspondente se manifesta claramente apenas quando o corpo morre."

44- बौद्धज्ञानेन तु यदा बौद्धमज्ञानजृम्भितम् | विलीयते तदा जीवन्मुक्तिः करतले स्थिता ॥४४॥
bauddhajñānena tu yadā bauddhamajñānajṛmbhitam | vilīyate tadā jīvanmuktiḥ karatale sthitā ॥44॥
तु यदा बौद्धज्ञानेन [tu yadā bauddhajñānena] contudo através (da evolução) do conhecimento mental* जृम्भित बौद्धम् अज्ञान विलीयते [jṛmbhita bauddham ajñāna vilīyate] o desenvolvimento da ignorância mental desaparece* तदा जीवन्मुक्ति [tadā jīvanmukti] então a liberação enquanto vivo* स्थिता करतले [sthitā karatale] está na palma da mão*
44- Mark Dyczkowski: "(No entanto), se o desenvolvimento da ignorância intelectual cessasse por meio do conhecimento intelectual, então a libertação enquanto ainda estava vivo estaria como se estivesse na palma da mão."

45- दीक्षापि बौद्धविज्ञानपूर्वा सत्यं विमोचिका | तेन तत्रापि बौद्धस्य ज्ञानस्यास्ति प्रधानता ॥४५॥
dīkṣāpi bauddhavijñānapūrvā satyaṃ vimocikā | tena tatrāpi bauddhasya jñānasyāsti pradhānatā ॥45॥
दीक्ष अपि [dīkṣa api] assim como a iniciação* सत्य विमोचिका [satya vimocikā] é verdadeiramente libertadora* पूर्वा बौद्धविज्ञान [pūrvā bauddhavijñāna] quando precedida de discernimento* तेन अपि तत्रा [tena api tatrā] também mesmo nesse caso* अस्ति प्रधानता बौद्धस्य ज्ञानस्य [asti pradhānatā bauddhasya jñānasya] o conhecimento intelectual é o fator dominante*
45- Mark Dyczkowski: "Até mesmo a iniciação é verdadeiramente libertadora (satyam) somente se for precedida por uma compreensão intelectual clara (bauddhavijāna). Assim, também nesse caso, o conhecimento intelectual é fundamental."

46- ज्ञानाज्ञानागतं चैतद्द्वित्वं स्वायम्भुवे रुरौ | मतङ्गादौ कृतं श्रीमत्खेटपालादिदैशिकैः ॥४६॥
jñānājñānāgataṃ caitaddvitvaṃ svāyambhuve rurau | mataṅgādau kṛtaṃ śrīmatkheṭapālādidaiśikaiḥ ॥46॥
एतद् द्वित्व ज्ञान अज्ञान गत च [etad dvitva jñāna ajñāna gata ca] essas duas formas do conhecimento e da ignorância* कृत [kṛta] foram explicadas* श्रीमत् खेटपाल आदि दैशिक [śrīmat kheṭapāla ādi daiśika] pelo eminente Kheṭapāla e outros mestres* स्वायम्भुवे रुरु मतङ्ग आदौ [svāyambhuve ruru mataṅga ādau] no rauravāgama svayambhuvāgama mataṅgatantra e outros*
46- Mark Dyczkowski: "Esses dois aspectos do conhecimento e da ignorância foram expostos por muitos Mestres, o primeiro dos quais foi Kheṭapāla em seus (comentários) sobre o Rauravāgama, Svayambhuvāgama, Mataṅgatantra e o resto."

47- तथाविधावसायात्मबौद्धविज्ञानसम्पदे | शास्त्रमेव प्रधानं यज्ज्ञेयतत्त्वप्रदर्शकम् ॥४७॥
tathāvidhāvasāyātmabauddhavijñānasampade | śāstrameva pradhānaṃ yajjñeyatattvapradarśakam ॥47॥
शास्त्र एव यत् ज्ञेय तत्त्व प्रदर्शक [śāstra eva yat jñeya tattva pradarśaka] as escrituras que revelam a natureza da realidade* प्रधान सम्पदे तथाविध बौद्ध विज्ञान आत्म अवसाय [pradhāna sampade tathāvidha bauddha vijñāna ātma avasāya] são principal meio para atingir aquela compreensão intelectual que é a percepção da liberdade*
47- Mark Dyczkowski: "As Escrituras, que revelam a natureza de tudo o que precisa ser conhecido (jñeyatattva), são de fato o principal meio pelo qual (o sábio) atinge aquela compreensão intelectual que é esse insight libertador (avasāya)."

48- दीक्षया गलितेऽप्यन्तरज्ञाने पौरुषात्मनि | धीगतस्यानिवृत्तत्वाद्विकल्पोऽपि हि सम्भवेत् ॥४८॥
dīkṣayā galite'pyantarajñāne pauruṣātmani | dhīgatasyānivṛttatvādvikalpo'pi hi saṃbhavet ॥48॥
दीक्षया [dīkṣayā] embora por meio da iniciação* गलित अपि अन्तर् अज्ञान पौरुष आत्मनि [galita api antar ajñāna pauruṣa ātmani] a ignorância intelectual interna desapareça* धीगतस्य अनिवृत्तत्वात् विकल्प अपि हि संभवेत् [dhīgatasya anivṛttatvāt vikalpa api hi saṃbhavet] se a ignorância intelectual persistir pauruṣa ajñāna pode surgir novamente*
48- Mark Dyczkowski: "Embora os ritos de iniciação possam ter eliminado a ignorância espiritual interna, construções de pensamento podem (no entanto) ainda se formar enquanto a ignorância intelectual persistir."

49- देहसद्भावपर्यन्तमात्मभावो यतो धियि | देहान्तेऽपि न मोक्षः स्यात्पौरुषाज्ञानहानितः ॥४९॥
dehasadbhāvaparyantamātmabhāvo yato dhiyi | dehānte'pi na mokṣaḥ syātpauruṣājñānahānitaḥ ॥49॥
यत देह सद्भाव पर्यन्त [yata deha sadbhāva paryanta] enquanto o corpo existir* आत्म भाव धियि [ātma bhāva dhiyi] o sentido de auto identificação persiste na mente* न देह अन्त अपि [na deha anta api] mas não quando o corpo deixa de existir* स्यात् मोक्ष हानित पौरुष अज्ञान [syāt mokṣa hānita pauruṣa ajñāna] então há libertação devido ao desaparecimento da ignorância intelectual* 
49- Mark Dyczkowski: "Enquanto o corpo permanecer, o sentido da própria identidade (corpórea) persiste na mente, mas não quando o corpo deixa de existir. Portanto, (aquele cuja) ignorância espiritual foi removida é libertado (só então). "

50- बौद्धाज्ञाननिवृत्तौ तु विकल्पोन्मूलनाद्ध्रुवम् | तदैव मोक्ष इत्युक्तं धात्रा श्रीमन्निशाटने ॥५०॥
bauddhājñānanivṛttau tu vikalponmūlanāddhruvam | tadaiva mokṣa ityuktaṃ dhātrā śrīmanniśāṭane ॥50॥
तु बौद्ध अज्ञान निवृत्ति [tu bauddha ajñāna nivṛtti] no entanto quando cessa bauddhājñāna (ignorância intelectual)* विकल्प उन्मूलनात् ध्रुवम् [vikalpa unmūlanāt dhruvam] o conhecimento conceitual (vikalpa) acaba* तद् एव मोक्ष [tad eva mokṣa] e a libertação é alcançada* इति उक्त धात्रा श्रीमत् निशाटन [iti ukta dhātrā śrīmat niśāṭana] assim disse śiva no niśāṭanatantra*
50- Mark Dyczkowski: “No entanto, a libertação é certamente alcançada no exato momento em que a ignorância intelectual cessa, porque (a formação) de construções de pensamento (vinculativas) foi posta fim. Como o próprio Benfeitor disse no Niśātanatantra."

51- विकल्पयुक्तचितस्तु पिण्डपाताच्छिवं व्रजेत् | इतरस्तु तदैवेति शास्त्रस्यात्र प्रधानतः ॥५१॥
vikalpayuktacitastu piṇḍapātācchivaṃ vrajet | itarastu tadaiveti śāstrasyātra pradhānataḥ ॥51॥
तु विकल्प युक्त चित [tu vikalpa yukta cita] aquele cuja mente está associada ao conhecimento conceitual* व्रजेत् शिव पिण्ड पाता [vrajet śiva [piṇḍa pātā] alcança śiva depois que o corpo morre* इतर तु तद् एव [itara tu tad eva] mas quem possui conhecimento intelectual se liberta em vida* इति प्रधानत शास्त्रस्य अत्र [iti pradhānata śāstrasya atra] pois o conhecimento dos śāstras é predominante*
51- Mark Dyczkowski: "Aquele cuja mente é dada a construções de pensamentos alcança Śiva somente depois que o corpo morre, (não assim) para aquele (que percebe) a importância suprema das escrituras."

52- ज्ञेयस्य हि परं तत्त्वं यः प्रकाशात्मकः शिवः | नह्यप्रकाशरूपस्य प्राकाश्यं वस्तुतापि वा ॥५२॥
jñeyasya hi paraṃ tattvaṃ yaḥ prakāśātmakaḥ śivaḥ | nahyaprakāśarūpasya prākāśyaṃ vastutāpi vā ॥52॥
परं तत्त्व ज्ञेयस्य [paraṃ tattva jñeyasya] natureza suprema do objeto de percepção* हि शिव यः प्रकाश आत्मक [hi śiva yaḥ prakāśa ātmaka] é śiva que é formado de luz* अप्रकाश रूपस्य नहि प्राकाश्य [aprakāśa rūpasya nahi prākāśya] o que não é luz não pode se manifestar* वा अपि वस्तुता [vā api vastutā] nem ter realidade*
52- Mark Dyczkowski: "A natureza suprema (param tattvam) do objeto (da percepção) é o próprio Śiva que é Luz, pois aquilo que não é Luz não pode ser iluminado (isto é, manifestado) nem ter qualquer existência (vastutā)."

53- अवस्तुतापि भावानां चमत्कारैकगोचरा | यत्कुड्यसदृशी नेयं धीरवस्त्वेतदित्यपि ॥५३॥
avastutāpi bhāvānāṃ camatkāraikagocarā | yatkuḍyasadṛśī neyaṃ dhīravastvetadityapi ॥53॥
अपि अवस्तुत भावानां [api avastuta bhāvānāṃ] até mesmo o conceito de inexistência* चमत्कार एक गोचरा [camatkāra eka gocarā] está presente no domínio único da consciência* यत् इयं धीः अवस्तु एतद् इति अपि न कुड्य सदृशी [yat iyaṃ dhīḥ avastu etad iti api na kuḍya sadṛśī] a noção 'inexistente (avastu)' não é como (a de um objeto inanimado) como uma parede*
53- Mark Dyczkowski: "A não existência (avastuta) das entidades também está presente no mesmo campo do admirável (da consciência como a sua existência). A noção (dhi) de "isto não existe (avastu)" não é semelhante a (um objeto inerte como) uma parede."

54- प्रकाशो नाम यश्चायं सर्वत्रैव प्रकाशते | अनपह्नवनीयत्वात् किं तस्मिन्मानकल्पनैः ॥५४॥
prakāśo nāma yaścāyaṃ sarvatraiva prakāśate | anapahnavanīyatvāt kiṃ tasminmānakalpanaiḥ ॥54॥
च अयं यः नाम प्रकाश सर्वत्र एव [ca ayaṃ yaḥ nāma prakāśa sarvatra eva] esta luz (da consciência) brilha em todos os lugares* प्रकाशते [prakāśate] é autoevidente* किं मान कल्पना तस्मिन् अनपह्न वनीयत्वात् [kiṃ māna kalpanā tasmin anapahna vanīyatvāt] qual é então a utilidade de aplicar qualquer meio de conhecimento para (conhecê-la)*
54- Mark Dyczkowski: "De fato, essa Luz (da consciência) brilha em todos os momentos; portanto, como não pode ser negada, qual a utilidade (de aplicar meios artificiais) de conhecimento para conhecê-la? (Tudo o que precisa ser feito é reconhecer que a Luz Única existe e que ilumina a manifestação de todas as coisas)."

55- प्रमाणान्यपि वस्तूनां जीवितं यानि तन्वते | तेषामपि परो जीवः स एव परमेश्वरः ॥५५॥
pramāṇānyapi vastūnāṃ jīvitaṃ yāni tanvate | teṣāmapi paro jīvaḥ sa eva parameśvaraḥ ॥55॥
प्रमाणानि अपि वस्तूनां जीवितं [pramāṇāni api vastūnāṃ jīvitaṃ] os meios de conhecimento dão vida aos objetos* यानि तन्वते तेषाम् अपि परः जीवः स एव परमेश्वरः [yāni tanvate teṣām api paraḥ jīvaḥ sa eva parameśvaraḥ] no entanto é o próprio paramesvara apenas ele que dá vida a tudo*
55- Mark Dyczkowski: "Os diversos meios de conhecimento dão vida a todas as coisas (vastu) (pois é por meio deles que elas aparecem ao sujeito senciente), enquanto a suprema essência vital (jīva) desses meios é também o próprio Senhor Supremo (que é a verdadeira identidade do observador)."


56- सर्वापह्नवहेवाकधर्माप्येवं हि वर्तते | ज्ञानमात्मार्थमित्येतन्नेति मां प्रति भासते ॥५६॥
sarvāpahnavahevākadharmāpyevaṃ hi vartate | jñānamātmārthamityetanneti māṃ prati bhāsate ॥56॥
अपि हेवाक अपह्नव सर्व धर्मा [api hevāka apahnava sarva dharmā] mesmo alguém que se deleita em negar tudo* वर्तते एवं हि इति ज्ञान आत्मा आर्थ [vartate evaṃ hi iti jñāna ātmā ārtha] deve perceber que a negação do conhecimento do sujeito e do objeto* एतद् नेति मां प्रति भासते [etad neti māṃ prati bhāsate] se apresenta àquele ser empenhado em negar sua própria existência*
56- Mark Dyczkowski: "Mesmo alguém (que se deleita) em refutar tudo deve admitir que (sua vã tentativa de) negar o conhecimento, sujeito e objeto é (só possível) na medida em que (qualquer um desses aspectos) se apresenta ao senciente (sujeito empenhado em refutar sua existência)."
Swami Lakshmanjoo: "... Os budistas negam o mundo objetivo, o mundo subjetivo e o mundo cognitivo, mas esta negação dos mundos objetivo, subjetivo e cognitivo também prova a existência do conhecimento porque eles sabem que este objeto não existe ... porque essa negação também existe naquela existência do Senhor Śiva."

57- अपह्नुतौ साधने वा वस्तूनामाद्यमीदृशम् | यत्तत्र के प्रमाणानामुपपत्त्युपयोगिते ॥५७॥
apahnutau sādhane vā vastūnāmādyamīdṛśam | yattatra ke pramāṇānāmupapattyupayogite ॥57॥
अपह्नुतौ साधन वा [apahnutau sādhana vā] na negação ou afirmação da existência de qualquer coisa* ईदृशम् यत् आद्यम् वस्तूनाम् तत्र [īdṛśam yat ādyam vastūnām tatra] considerando a prioridade de tal realidade* के प्रमाणानाम् उपपत्ति उपयोगित [ke pramāṇānām upapatti upayogita] como podem os meios de conhecimento ser aplicados a ele*
57- Mark Dyczkowski: "(Na medida em que) a negação ou afirmação da (existência de) coisas é precedida (a priori) por tal pessoa (que a faz), como podem as razões (baseadas em qualquer um) dos meios de conhecimento ser aplicáveis ​​ali (a ele)?”

58- कामिके तत एवोक्तं हेतुवादविवर्जितम् | तस्य देवातिदेवस्य परापेक्षा न विद्यते ॥५८॥
kāmike tata evoktaṃ hetuvādavivarjitam | tasya devātidevasya parāpekṣā na vidyate ॥58॥
कामिक उक्तं ततस् एव [kāmika uktaṃ tatas eva] o kāmika tantra diz que esta realidade* हेतु वाद विवर्जित [hetu vāda vivarjita] está além da discussão lógica* तस्य देव अतिदेवस्य न विद्यते पर अपेक्षा [tasya deva atidevasya na vidyate para apekṣā] o deus supremo dos deuses não depende de nenhum outro*
58- Mark Dyczkowski: "Assim, diz-se no Kāmikāgama que “(A Divindade) está livre de discussão lógica (hetuvāda). Aquele Deus que transcende os deuses não depende de (nada) mais (para estabelecer Sua existência), porque (tudo) mais depende Dele, e assim Ele é (sempre) independente (e livre).”

59/60/61 (60/61/62)- परस्य तदपेक्षत्वात्स्वतन्त्रोऽयमतः स्थितः | अनपेक्षस्य वशिनो देशकालाकृतिक्रमाः ॥५९॥
नियता नेति स विभुर्नित्यो विश्वाकृतिः शिवः | विभुत्वात्सर्वगो नित्यभावादाद्यन्तवर्जितः ॥६०॥
विश्वाकृतित्वाच्चिदचित्तद्वैचित्र्यावभासकः | ततोऽस्य बहुरूपत्वमुक्तं दीक्षोत्तरादिके ॥६१॥
parasya tadapekṣatvātsvatantro'yamataḥ sthitaḥ | anapekṣasya vaśino deśakālākṛtikramāḥ ॥59॥
niyatā neti sa vibhurnityo viśvākṛtiḥ śivaḥ | vibhutvātsarvago nityabhāvādādyantavarjitaḥ ॥60॥
viśvākṛtitvāccidacittadvaicitryāvabhāsakaḥ | tato'sya bahurūpatvamuktaṃ dīkṣottarādike ॥61॥
परस्य तद् अपेक्षत्वात् [parasya tad apekṣatvāt] é o outro que depende dele* अतः स्थितः अयम् स्वतन्त्र [ataḥ sthitaḥ ayam svatantra] e por isso ele é sempre livre* अनपेक्षस्य वशिन [anapekṣasya vaśina] independente e senhor de tudo* देश काल आकृति क्रमा [deśa kāla ākṛti kramā] e que não depende das sequências de espaço, tempo e forma* // नियता न इति सः शिवः [niyatā na iti saḥ śivaḥ] assim é ele é śiva* विभुः नित्यः विश्वाकृतिः [vibhuḥ nityaḥ viśvākṛtiḥ] onipotente eterno e onipresente* विभुत्वात् सर्वगः [vibhutvāt sarvagaḥ] pela onipotência está em toda parte* नित्यभावात् आदि अन्त वर्जितः [nityabhāvāt ādi anta varjitaḥ] pela eternidade não tem começo nem fim* // विश्वाकृतित्वात् [viśvākṛtitvāt] pela sua onipresença* चित् अचित् तद् वैचित्र्य अवभासकः [cit acit tad vaicitrya avabhāsakaḥ] manifesta todas as coisas, animadas ou inanimadas* ततस्दी क्षोत्तरादिके अस्य उक्तं बहु रूपत्वम् [tatas dīkṣottarādike asya uktaṃ bahu rūpatvam] assim no dīkṣottaratantra diz-se que ele tem muitas formas*
60/61/62- Mark Dyczkowski: “Para aquele que é independente e mestre (de todas as coisas), os processos espaciais, temporais e formais não são restringidos (niyata) (pelo Karma e pela lei natural), e assim Ele é Śiva, que é onipresente, eterno e oniforme. Em virtude de Sua onipresença, Ele é onipresente. Como Ele é eterno, Ele é livre de princípio e fim. Como Ele é oniforme, Ele manifesta a maravilhosa variedade de coisas, tanto sencientes quanto insencientes."

63- भुवनं विग्रहो ज्योतिः खं शब्दो मन्त्र एव च | बिन्दुनादादिसंभिन्नः षड्विधः शिव उच्यते ॥६३॥
bhuvanaṃ vigraho jyotiḥ khaṃ śabdo mantra eva ca | bindunādādisaṃbhinnaḥ ṣaḍvidhaḥ śiva ucyate ॥63॥
शिव उच्यते षड्विधः [śiva ucyate ṣaḍvidhaḥ] śiva é considerado sêxtuplo* भुवनं विग्रहः ज्योतिः खं शब्दः एव च मन्त्र [bhuvanaṃ vigrahaḥ jyotiḥ khaṃ śabdaḥ eva ca mantra] mundo forma luz espaço som e mantra* संभिन्नः बिन्दु नाद आदि [saṃbhinnaḥ bindu nāda ādi] junto com bindu nāda etc.*
63- Mark Dyczkowski: "Assim, Sua natureza pluriforme é ensinada, por exemplo, no Diksottara. Śiva, unido ao Ponto (bindu) e ao Som (nāda) etc., é dito ser de seis tipos, (como Mundo (bhuvana), Forma (icônica) (vigraha), Luz (jyotis), Espaço (kha), Som (não percutido) (sabda) e Mantra."
Raniero Gnoli: “Diz-se que ele tem múltiplas formas: «Śiva é sêxtuplo, isto é, mundo, forma, luz, espaço, som e mantra» (onde bindu, nãda, etc. estão incluídos aqui)."

64- यो यदात्मकतानिष्ठस्तद्भावं स प्रपद्यते | व्योमादिशब्दविज्ञानात्परो मोक्षो न संशयः ॥६४॥
yo yadātmakatāniṣṭhastadbhāvaṃ sa prapadyate | vyomādiśabdavijñānātparo mokṣo na saṃśayaḥ ॥64॥
यः स प्रपद्यते तत् भावं [yaḥ sa prapadyate tat bhāvaṃ] (a forma de śiva) que ele alcança nesse estado* यत् आत्मकता निष्ठः न संशयः परः मोक्षः [yat ātmakatā niṣṭhaḥ na saṃśayaḥ paraḥ mokṣaḥ] é aquela que tem a natureza sem dúvida da suprema liberação* व्योम आदि शब्द विज्ञानात् [vyoma ādi śabda vijñānāt] alcançada pela consciência perfeita daqueles aspectos começando com o espaço, etc.*
64- Mark Dyczkowski: "(O adepto) atinge o estado de ser que é a natureza essencial daquele (um dos seis aspectos de Śiva) no qual ele está resolutamente estabelecido (nistha), (enquanto) a suprema libertação é (atingida) sem dúvida por um conhecimento completo (vijñāna) da ressonância (pervasiva) (Sabda) de (todos estes aspectos), começando pelo Espaço."

65- विश्वाकृतित्वे देवस्य तदेतच्चोपलक्षणम् | अनवच्छिन्नतारूढाववच्छेदलयेऽस्य च ॥६५॥
viśvākṛtitve devasya tadetaccopalakṣaṇam | anavacchinnatārūḍhāvavacchedalaye'sya ca ॥65॥
तत् एतत् च उपलक्षण विश्वाकृतित्व देवस्य [tat etat ca upalakṣaṇa viśvākṛtitva devasya] esta é uma característica parcial da multiplicidade de formas (oniformidade) do senhor śiva* अनवच्छित्नता रूढ [anavacchitnatā rūḍha] quando sua natureza incondicionada se afirma* अवच्छेद लय अस्य च [avaccheda laya asya ca] e suas limitações estão dissolvidas*
65- Mark Dyczkowski: "Além disso, como Deus é oniforme, essa (série é apenas) uma designação secundária (metafórica) (de Sua natureza no contexto de) Sua ascensão (progressiva) ao (Seu) estado incondicionado e da dissolução de Suas limitações (em Seu estado transcendental)."

66- उक्तं च कामिके देवः सर्वाकृतिर्निराकृतिः | जलदर्पणवत्तेन सर्वं व्याप्तं चराचरम् ॥६६॥
uktaṃ ca kāmike devaḥ sarvākṛtirnirākṛtiḥ | jaladarpaṇavattena sarvaṃ vyāptaṃ carācaram ॥66॥
कामिक उक्त च [kāmika ukta ca] o kāmikatantra diz que* देव सर्व आकृति निराकृति [deva sarva ākṛti nirākṛti] śiva é oniforme e sem forma* सर्व व्याप्त चराचर तेन [sarva vyāpta carācara tena] todas as coisas são permeadas por ele* जल दर्पणवत् [jala darpaṇavat] como uma espelho ou uma lâmina d'agua (que reflete imagens)*
66- Mark Dyczkowski: "Está no Kāmikāgama: 'Deus é informe e oniforme, assim como a água ou um espelho (quando imagens são refletidas neles). Ele permeia todas as coisas, tanto as animadas e móveis quanto as inanimadas e imóveis, (e assume a sua forma)'."

67/68- न चास्य विभुताद्योऽयं धर्मोऽन्योन्यं विभिद्यते | एक एवास्य धर्मोऽसौ सर्वाक्षेपेण वर्तते ॥६७॥
तेन स्वातन्त्र्यशक्त्यैव युक्त इत्याञ्जसो विधिः | बहुशक्तित्वमप्यस्य तच्छक्त्यैवावियुक्तता ॥६८॥
na cāsya vibhutādyo'yaṃ dharmo'nyonyaṃ vibhidyate | eka evāsya dharmo'sau sarvākṣepeṇa vartate ॥67॥
tena svātantryaśaktyaiva yukta ityāñjaso vidhiḥ | bahuśaktitvamapyasya tacchaktyaivāviyuktatā ॥68॥
च अयं धर्म विभुता आद्य न अस्य विभिद्यते अन्योन्यं [ca ayaṃ dharma vibhutā ādya na asya vibhidyate anyonyaṃ] não são seus atributos de onipresença e os outros que diferem entre si* असौ एक एव धर्म अस्य [asau eka eva dharma asya] porque ele possui um atributo único* सर्वाक्षेपेण वर्तते [sarvākṣepeṇa vartate] poder de total liberdade* तेन आञ्जसः विधिः [tena āñjasaḥ vidhiḥ] portanto a maneira correta de ver isto* इति युक्तः स्वातन्त्र्य शक्त्या [iti yuktaḥ svātantrya śaktyā] é que ele está unido ao seu único poder da liberdade total* एव अपि बहु शक्तित्व अवियुक्तता अस्य तत् शक्त्य एव [eva api bahu śaktitva aviyuktatā asya tat śaktya eva] e que todos seus outros poderes estão incluídos nesse único poder*
67/68- Mark Dyczkowski: "Ele possui apenas um atributo que engloba todos os outros. Assim, o preceito (vidhi) é correto (que afirma) que Ele está unido apenas ao poder da liberdade (criativa) (svātantrya).”

69- शक्तिश्च नाम भावस्य स्वं रूपं मातृकल्पितम् | तेनाद्वयः स एवापि शक्तिमत्परिकल्पने ॥६९॥
śaktiśca nāma bhāvasya svaṃ rūpaṃ mātṛkalpitam | tenādvayaḥ sa evāpi śaktimatparikalpane ॥69॥
च शक्ति नाम स्व रूप मातृ कल्पित भावस्य [ca śakti nāma sva rūpa mātṛkalpita bhāvasya] o chamado poder (śakti) é à própria natureza de algo diversamente percebido* तेन अपि स एव आद्वयः [tena api sa eva ādvayaḥ] no entanto (śiva) é uma unidade* शक्तिमत् परि कल्पने [śaktimat pari kalpane] mesmo quando percebido com muitos poderes*
69- Mark Dyczkowski: "O poder (śakti) (que é a eficácia funcional) de uma entidade é a sua própria natureza (específica), conforme concebida pelos sujeitos (que a percebem) (matrkalpita) (com base em seus vários efeitos). Assim, segue-se que (Śiva) também é (uma realidade) sem uma segunda, (mesmo) quando Ele é concebido como (poder e) o possuidor do poder."


70- मातृक्ल्प्ते हि देवस्य तत्र तत्र वपुष्यलम् | को भेदो वस्तुतो वह्नेर्दग्धृपक्तृत्वयोरिव ॥७०॥
mātṛklpte hi devasya tatra tatra vapuṣyalam | ko bhedo vastuto vahnerdagdhṛpaktṛtvayoriva ॥70॥
वस्तुत कः इव भेदः वपुषि देवस्य [vastuta kaḥ iva bhedaḥ vapuṣi devasya] na realidade qual é diferença entre os vários aspectos de śiva* मातृक्ल्प्ते हि तत्र तत्र [mātṛklpte hi tatra tatra] imaginados pelos sujeitos pensantes (e o próprio śiva)?* अलम् वह्नेः दग्धृ पक्तृत्वयोः [alam vahneḥ dagdhṛ paktṛtvayoḥ] (nenhuma como entre) o fogo que aquece e o fogo que cozinha*
70- Mark Dyczkowski: "Assim como não há diferença entre a capacidade do fogo de queimar e cozinhar (e o próprio fogo que permanece sempre o mesmo), da mesma forma, qual é a diferença real entre as formas (vapus) de Deus concebidas em diversas circunstâncias (tatra tatra) pelos (muitos) observadores?"
Raniero Gnoli: “Fundamentalmente (vastutah), que diferença existe entre os vários aspectos de Deus, imaginados pelos sujeitos pensantes? O fogo, apesar de ser imaginado como algo capaz de queimar ou cozinhar, ainda permanece único."

71- न चासौ परमार्थेन न किञ्चिद्भासनादृते | नह्यस्ति किञ्चित्तच्छक्तितद्वद्भेदोऽपि वास्तवः ॥७१॥
na cāsau paramārthena na kiñcidbhāsanādṛte | nahyasti kiñcittacchaktitadvadbhedo'pi vāstavaḥ ॥71॥
च असौ न परमार्थेन न किञ्चित् [ca asau na paramārthena na kiñcit] essa diferença não é absolutamente inexistente* भासनात् ऋते न हि अस्ति किञ्चित् [bhāsanāt ṛte na hi asti kiñcit] ela existe porque nada existe fora da manifestação* तत् शक्ति तत्वत् भेद अपि वास्तव [tat śakti tatvat bheda api vāstava] a diferença entre o poder e seu possuidor também é real*
71- Mark Dyczkowski: "Contudo, essa diferença (entre poderes e seu possuidor) não é absolutamente inexistente (pelo contrário, existe). Nada existe à parte de sua manifestação; portanto, a diferença entre o poder e seu possuidor também é real (vāstava) (nesse sentido)."

72- स्वशक्त्युद्रेकजनकं तादात्म्याद्वस्तुनो हि यत् | शक्तिस्तदपि देव्येवं भान्त्यप्यन्यस्वरूपिणी ॥७२॥
svaśaktyudrekajanakaṃ tādātmyādvastuno hi yat | śaktistadapi devyevaṃ bhāntyapyanyasvarūpiṇī ॥72॥
यत् तत् अपि [yat tat api] aquilo que* स्व शक्ति उद्रेक तादात्म्यात् वस्तुन जनक [sva śakti udreka tādātmyāt vastuna janaka] por sua identidade com seu próprio poder gera muitos (poderes)* देवि शक्ति [devi śakti] que é śakti a deusa* हि अपि भान्ति एवं अन्य स्वरूपिणी [hi api bhānti evaṃ anya svarūpiṇī] mesmo se manifestando assim ela os supera*
72- Mark Dyczkowski: “Aquilo que uma entidade possui que, em virtude de sua unidade com ela, gera uma abundância de seus próprios poderes, também é um poder. (Da mesma forma, o Senhor tem apenas um poder, a saber) a Deusa, que, embora se manifeste desta forma, transcende (suas manifestações).”.

73- शिवश्चालुप्तविभवस्तथा सृष्टोऽवभासते | स्वसंविन्मातृमकुरे स्वातन्त्र्याद्भावनादिषु ॥७३॥
śivaścāluptavibhavastathā sṛṣṭo'vabhāsate | svasaṃvinmātṛmakure svātantryādbhāvanādiṣu ॥73॥
तथा च शिवः विभव अलुप्त [tathā ca śivaḥ vibhava alupta] mesmo śiva sem que seu poder seja afetado* अवभासते भावना अदिषु स्वातन्त्र्यात् [avabhāsate bhāvanā adiṣu svātantryāt] manifesta-se durante a meditação etc. em virtude de sua liberdade* सृष्ट मातृ मकुरे स्व संविद् [sṛṣṭa mātṛ makure sva saṃvid] como criado no espelho perceptivo*
73- Mark Dyczkowski: "É em virtude de Sua liberdade que Śiva (também), sem ser privado de Seu glorioso poder (vibhava), se manifesta desta forma no curso da meditação criativa (bhāvanā) e similares, como criado (sṛṣṭa) dentro do espelho do percebedor (da consciência do indivíduo), cuja
consciência é (na verdade) a Sua própria."

74- तस्माद्येन मुखेनैष भात्यनंशोऽपि तत्तथा | शक्तिरित्येष वस्त्वेव शक्तितद्वत्क्रमः स्फुटः ॥७४॥
tasmādyena mukhenaiṣa bhātyanaṃśo'pi tattathā | śaktirityeṣa vastveva śaktitadvatkramaḥ sphuṭaḥ ॥74॥
तस्मात् येन मुखन [tasmāt yena mukhana] portanto todo meio através do qual (śiva)* एषः अपि अनंश भाति [eṣaḥ api anaṃśa bhāti] que embora sem partes se manifesta* तत् शक्ति इति तथा [tat śakti iti tathā] é o poder* तद् वत् क्रम एष स्फुट शक्ति वस्तु एव [tad vat krama eṣa sphuṭa śakti vastu eva] assim esta sucessão do poder e o próprio poder (śiva) torna-se claramente uma realidade*
74- Mark Dyczkowski: "Portanto, por qualquer meio (mukha) pelo qual (Śiva), embora desprovido de partes, se manifesta assim (como se as possuísse), é um poder. Assim, esta sucessão do poder ao seu possuidor é uma evidente (sphuṭa) realidade (vastu)."

75/76/77- श्रीमत्किरणशास्त्रे च तत्प्रश्नोत्तरपूर्वकम् | अनुभावो विकल्पोऽपि मानसो न मनः शिवे ॥७५॥
अविज्ञाय शिवं दीक्षा कथमित्यत्र चोत्तरम् | क्षुधाद्यनुभवो नैव विकल्पो नहि मानसः ॥७६॥
रसाद्यनध्यक्षत्वेऽपि रूपादेव यथा तरुम् | विकल्पो वेत्ति तद्वत्तु नादबिन्द्वादिना शिवम् ॥७७॥
śrīmatkiraṇaśāstre ca tatpraśnottarapūrvakam | anubhāvo vikalpo'pi mānaso na manaḥ śive ॥75॥
avijñāya śivaṃ dīkṣā kathamityatra cottaram | kṣudhādyanubhavo naiva vikalpo nahi mānasaḥ ॥76॥
rasādyanadhyakṣatve'pi rūpādeva yathā tarum | vikalpo vetti tadvattu nādabindvādinā śivam ॥77॥
च श्रीमत् किरण शास्त्रे [ca śrīmat kiraṇa śāstre] isso também está expresso no kiraṇāgama* तत् प्रश्न उत्तर पूर्वक [tat praśna uttara pūrvaka] sendo explicado através de perguntas e respostas como* अनुभाव मानस अपि विकल्प न मनस् शिवे [anubhāva mānasa api vikalpa na manas śive] a percepção direta [como da fome e da sede] é mental e, como tal, é uma construção do pensamento* // अविज्ञाय शिवं [avijñāya śivaṃ] se a mente não é capaz de tornar śiva conhecido* दीक्षा कथम् इति उत्तरम् अत्र च क्षुध् आदि अनुभव [dīkṣā katham iti uttaram atra ca kṣudh ādi anubhava] como pode a iniciação ser eficaz (a resposta é a seguinte) a experiência de fome, etc.* न एव विकल्प नहि मानस [na eva vikalpa nahi mānasa] não é de forma alguma vikalpa não é mental* // यथा विकल्प वेत्ति तरुम् रूपात् एव रस आदि अनध्यक्षत्व अपि [yathā vikalpa vetti tarum rūpāt eva rasa ādi anadhyakṣatva api] da mesma forma para conhecer uma árvore não há necessidade da percepção do sabor mas a da forma é suficiente* तत् वत् तु शिवम् नाद बिन्दु आदिना [tat vat tu śivam nāda bindu ādinā] então para conhecer śiva pode ser suficiente o bindu o nãda, etc.
75/76/77- Mark Dyczkowski: "Essa visão também é expressa à sua maneira no venerável Kiraṇaśāstra, no decorrer de uma série de perguntas e respostas (que começa com a seguinte objeção): “A experiência (anubhāva) (de fome e sede etc.) é mental e, como tal, também é uma construção do pensamento (vikalpa). Assim, a mente não pode se aplicar a Śiva. (De qualquer forma, Śiva também pode ser realizado pelo pensamento). Assim como uma noção de conhecer uma árvore apenas por sua forma, mesmo quando seu sabor etc. não é percebido, da mesma forma, Śiva é conhecido por meio de seus poderes que são aspectos de sua natureza, como o Som Divino (nada), a Luz (bindu) e similares"

78/79/80/81- बहुशक्तित्वमस्योक्तं शिवस्य यदतो महान् । कलातत्त्वपुराणाणुपदादिर्भेदविस्तरः ॥७८॥
सृष्टिस्थितितिरोधानसंहारानुग्रहादि च । तुर्यमित्यपि देवस्य बहुशक्तित्वजृम्भितम् ॥७९॥
जाग्रत्स्वप्नसुषुप्तान्यतदतीतानि यान्यपि । तान्यप्यमुष्य नाथस्य स्वातन्त्र्यलहरीभरः ॥८०॥
महामन्त्रेशमन्त्रेशमन्त्राः शिवपुरोगमाः । अकलौ सकलश्चेति शिवस्यैव विभूतयः ॥८१॥
bahuśaktitvamasyoktaṃ śivasya yadato mahān । kalātattvapurāṇāṇupadādirbhedavistaraḥ ॥78॥
sṛṣṭisthititirodhānasaṃhārānugrahādi ca । turyamityapi devasya bahuśaktitvajṛmbhitam ॥79॥
jāgratsvapnasuṣuptānyatadatītāni yānyapi । tānyapyamuṣya nāthasya svātantryalaharībharaḥ ॥80॥
mahāmantreśamantreśamantrāḥ śivapurogamāḥ । akalau sakalaśceti śivasyaiva vibhūtayaḥ ॥81॥
बहु शक्तित्वम् उक्तं अस्य शिवस्य [bahu śaktitvam uktaṃ asya śivasya] os poderes de Shiva que foram ditos são múltiplos* यत् अतस् महान् कला तत्त्व पुराणा अणु पद आदिः भेद विस्तरः [yat atas mahān kalā tattva purāṇā aṇu pada ādiḥ bheda vistaraḥ] consistem em forças princípios ordens cósmicas fonemas mantras e 'fórmulas'* // सृष्टि स्थिति तिरोधान संहार अनुग्रह आदि च [sṛṣṭi sthiti tirodhāna saṃhāra anugraha ādi ca] junto com ele criação persistência afastamento obscurecimento e graça* इति अपि तुर्य [iti api turya] o próprio quarto estado* बहु शक्तित्व जृम्भित देवस्य [bahu śaktitva jṛmbhita devasya] tudo isso é a manifestação dos muitos poderes de śiva* // जाग्रत् स्वप्न सुषुप्त अन्य तद् अतीतानि यानि अपि स्वातन्त्र्यलहरी भरः तानि अपि अमुष्य नाथस्य [jāgrat svapna suṣupta anya tad atītāni yāni api svātantryalaharī bharaḥ tāni api amuṣya nāthasya] também vigília sonho e sono bem como os estados de consciência que o transcendem nada mais são do que as grandes ondas da liberdade criativa de śiva* // शिव पुरोगमाः महा मन्त्र इश मन्त्र इश मन्त्राः अकलौसकल च इति विभूतयः शिवस्यैव [śiva purogamāḥ mahā mantra iśa mantra iśa mantrāḥ akalausakala ca iti vibhūtayaḥ śivasyaiva] os mantras encabeçados por śiva, com os assuntos: 'desprovidos do poder da consciência' (vijñānākalā) 'desprovidos do poder na dissolução' (pralayākala) e os 'obscurecidos' (sakala) são os grandes poderes do próprio Śiva.*
78/79/80/81- Mark Dyczkowski: "Diz-se que os muitos poderes que Śiva possui são a grande extensão da diferenciação (bheda) (dos Caminhos da manifestação, que consistem nas) forças cósmicas (kalā), princípios metafísicos (tattva) e ordens mundiais (pura), (juntamente com seus respectivos denotadores, ou seja, os Caminhos das) letras, Mantras, partes de Mantras (pada) e o restante. O desdobramento do poder multifacetado do Senhor (também consiste nos processos de) criação, persistência, obscurecimento, retirada e graça, etc., bem como o Quarto (estado). Além disso, (os estados de) vigília, sonho e sono profundo, e outros além deles, são todos a multiplicidade das ondas da liberdade (criativa) (svātantrya) do Senhor. Assim também (os percebedores) liderados por Śiva (chamados) os Grandes Senhores do Mantra, os Senhores do Mantra e os Mantras, (juntamente com) os dois que são Descondicionados (ākala) e os Condicionados (sakala), são (todos) os gloriosos poderes (vibhūti) do próprio Śiva."

82/83/84/85/86- तत्त्वग्रामस्य सर्वस्य धर्मः स्यादनपायवान् । आत्मैव हि स्वभावात्मेत्युक्तं श्रीत्रिशिरोमते ॥८२॥
हृदिस्थं सर्वदेहस्थं स्वभावस्थं सुसूक्ष्मकम् । सामूह्यं चैव तत्त्वानां ग्रामशब्देन कीर्तितम् ॥८३॥
आत्मैव धर्म इत्युक्तः शिवामृतपरिप्लुतः । प्रकाशावस्थितं ज्ञानं भावाभावादिमध्यतः ॥८४॥
स्वस्थाने वर्तनं ज्ञेयं द्रष्टृत्वं विगतावृति । विविक्तवस्तुकथितशुद्धविज्ञाननिर्मलः ॥८५॥
ग्रामधर्मवृत्तिरुक्तस्तस्य सर्वं प्रसिद्ध्यति । ऊर्ध्वं त्यक्त्वाधो विशेत्स रामस्थो मध्यदेशगः ॥८६॥
tattvagrāmasya sarvasya dharmaḥ syādanapāyavān । ātmaiva hi svabhāvātmetyuktaṃ śrītriśiromate ॥82॥
hṛdisthaṃ sarvadehasthaṃ svabhāvasthaṃ susūkṣmakam । sāmūhyaṃ caiva tattvānāṃ grāmaśabdena kīrtitam ॥83॥
ātmaiva dharma ityuktaḥ śivāmṛtapariplutaḥ । prakāśāvasthitaṃ jñānaṃ bhāvābhāvādimadhyataḥ ॥84॥
svasthāne vartanaṃ jñeyaṃ draṣṭṛtvaṃ vigatāvṛti । viviktavastukathitaśuddhavijñānanirmalaḥ ॥85॥
grāmadharmavṛttiruktastasya sarvaṃ prasiddhyati । ūrdhvaṃ tyaktvādho viśetsa rāmastho madhyadeśagaḥ ॥86॥
उक्तं श्रीत्रिशिरोमते इति [uktaṃ śrītriśiromate iti] segundo o triśirobhairavatantra* धर्म तत्त्व ग्रामस्य सर्वस्य [dharma tattva grāmasya sarvasya] o principal atributo de todo grupo de tattvas* स्यात् अनपायवान् आत्म [syāt anapāyavān ātma] é o imperecível self (ātma)* एव हि स्व भाव आत्म [eva hi sva bhāva ātma] porque ele é a essência de todos os tattvas* सामूह्य च एव तत्त्वानां [sāmūhya ca eva tattvānāṃ] *[o conjunto de todos os tattvas हृदि स्थं [hṛdi sthaṃ] estabelecidos no coração* सर्व देह स्थं [sarva deha sthaṃ] em todo o corpo* स्व भाव स्थं [sva bhāva sthaṃ] em sua própria natureza* सु सूक्ष्मक कीर्तित ग्राम शब्देन [su sūkṣmaka kīrtita grāma śabdena] sendo sutil e mencionado pela palavra grupo (grāma)* आत्म एव शिव आमृत परिप्लुत उक्तः धर्म इति [ātma eva śiva āmṛta paripluta uktaḥ dharma iti] diz-se que seu atributo é o Self inundado com o néctar de śiva* ज्ञान प्रकाशा अवस्थित भाव अभाव आदि मध्यत [jñāna prakāśā avasthita bhāva abhāva ādi madhyata] sendo o conhecimento (jñāna) a luz situada entre entre os opostos - ser e não-ser* ज्ञेय वर्तन स्व स्थान द्रष्टृत्वं विगतावृति [jñeya vartana sva sthāna draṣṭṛtvaṃ vigatāvṛti] permanecer na própria morada é a capacidade de perceber o todo sem impedimentos* विविक्त वस्तु कथित शुद्ध विज्ञान निर्मल [vivikta vastu kathita śuddha vijñāna nirmala] aquele que foi purificado pela consciência pura que diz-se (as escrituras) ser a da realidade transcendente* ग्राम धर्म वृत्ति [grāma dharma vṛtti] é aquele que permanece na 'natureza do grupo* तस्य सर्वं प्रसिद्ध्यति [tasya sarvaṃ prasiddhyati] aquele que é bem sucedido em tudo* त्यक्त्वा ऊर्ध्वं अधस् रुक्तस् सः विशेत् मध्य देश गः राम स्थ [tyaktvā ūrdhvaṃ adhas ruktas saḥ viśet madhya deśa gaḥ rāma stha] tendo abandonado a 'superior' e a 'inferior' (respiração), (o yogin) deve entrar (no centro onde) residindo na morada intermediária ele se estabelece em deleite (rāma)* ॥86॥
82/83/84/85/86- Mark Dyczkowski: "De acordo com o Triśirobhairavamata, a natureza inerente e imperecível (dharma) de todo o grupo (grāma) de princípios metafísicos (tattva) é o Self, que é a identidade (ātman) de sua natureza essencial. A totalidade extremamente sutil (sāmūhya) dos princípios que residem no Coração, em todo o corpo e na natureza específica (svabhāva) (de todas as coisas), é chamado de 'grupo' (grāma). Diz-se que a natureza (essencial) (dharma) (deste grupo) é o Self (incondicionado), inundado com o néctar de Śiva. A consciência (jñāna) reside na Luz entre (as polaridades) do Ser, do Não-Ser e do resto (dos opostos). Deve-se saber que permanecer na própria morada é a capacidade de perceber (draṣṭṛtva) (o Todo) sem impedimentos. Aquele que foi purificado pela consciência pura que (a escritura) diz ser a da realidade transcendental (viviktavastu), é aquele que permanece na 'natureza do grupo' (grāmadharmavṛtti). Aquele (cuja conduta é tal) alcança tudo." Tendo abandonado a 'superior' e a 'inferior' (respiração), (o yoguin) deve entrar (no centro onde), residindo na morada intermediária, ele se estabelece em deleite (rāma )."


87/88- गतिः स्थानं स्वप्नजाग्रदुन्मेषणनिमेषणे । धावनं प्लवनं चैव आयासः शक्तिवेदनम् ॥८७॥
बुद्धिभेदास्तथा भावाः सञ्ज्ञाः कर्माण्यनेकशः । एष रामो व्यापकोऽत्र शिवः परमकारणम् ॥८८॥
gatiḥ sthānaṃ svapnajāgradunmeṣaṇanimeṣaṇe । dhāvanaṃ plavanaṃ caiva āyāsaḥ śaktivedanam ॥87॥
buddhi bhedāstathā bhāvāḥ sañjñāḥ karmāṇyanekaśaḥ । eṣa rāmo vyāpako'tra śivaḥ paramakāraṇam ॥88॥
गति [gati] movimento* स्थान [sthāna] permanecer em pé* स्वप्न जाग्रत् उन्मेष णनिमेषण [svapna jāgrat unmeṣa ṇanimeṣaṇa] sonho vigília abrir e fechar os olhos* धावन [dhāvana] correr* च एव [ca eva] e mesmo* प्लवन [plavana] saltar* आयास [āyāsa] esforço* शक्ति वेदन [śakti vedana] percepção do poder* बुद्धि भेदा तथा [buddhi bhedā tathā] várias formas do intelecto também* भावा सञ्ज्ञा कर्माणि अनेकश [bhāvā sañjñā karmāṇi anekaśa] em entidades em nomes e em inúmeras ações* अत्र एषः राम व्यापक शिव [atra eṣaḥ rāma vyāpaka śiva] em tudo isso śiva está presente* परम कारण [parama kāraṇa] como sua causa suprema e onipresente*
87/88- Mark Dyczkowski: "Este deleite - Rāma - (acompanha-o) enquanto se move, fica em pé, sonha (o sonho das construções mentais) e acorda (para a intuição do conhecimento). (Está presente) na abertura (do estado cósmico de Īśvara) e o fechamento (do estado cósmico de Īśvara que é o estado transcendental de Sadāśiva), enquanto corre, salta, exerce um esforço, experimenta o poder, nas várias formas do intelecto (buddhi), em entidades, em nomes e em inúmeras ações, Śiva está presente em tudo isso como (sua) causa suprema e onipresente”.

89/90- कल्मषक्षीणमनसा स्मृतिमात्रनिरोधनात् । ध्यायते परमं ध्येयं गमागमपदे स्थितम् ॥८९॥
परं शिवं तु व्रजति भैरवाख्यं जपादपि । तत्स्वरूपं जपः प्रोक्तो भावाभावपदच्युतः ॥९०॥
kalmaṣakṣīṇamanasā smṛtimātranirodhanāt । dhyāyate paramaṃ dhyeyaṃ gamāgamapade sthitam ॥89॥
paraṃ śivaṃ tu vrajati bhairavākhyaṃ japādapi । tatsvarūpaṃ japaḥ prokto bhāvābhāvapadacyutaḥ ॥90॥
कल्मष क्षीण मनसा [kalmaṣa kṣīṇa manasā] com sua mente livre de impurezas* स्मृति मात्र निरोधनात् [smṛti mātra nirodhanāt] e suprimindo toda sua memória* ध्यायत परमं ध्येय [dhyāyata paramaṃ dhyeya] medita no objeto supremo da meditação* स्थित गम आगम पदे [sthita gama āgama pade] e contendo o estado de movimento* तु व्रजति परंअ शिव [tu vrajati paraṃa śiva] alcança o supremo śiva* आख्य भैरव जप अपि [ākhya bhairava japa api] também é chamado de bhairava através do japa* तत् स्वरूपं प्रोक्त जप भाव अभाव पद च्युत [tat svarūpaṃ prokta japa bhāva abhāva pada cyuta] diz-se que japa mantra é a própria natureza de śiva que é livre da dualidade*
89/90- Mark Dyczkowski: "Aquele que, com sua mente livre de impurezas e suprimindo sua memória (que é a fonte do pensamento) medita no objeto supremo da meditação, residindo no plano de movimento e repouso (gamāgamapada), alcança o Supremo Śiva que também é chamado de Bhairava pela recitação repetida do mantra (japa). Diz-se que a recitação repetida do mantra é sua própria natureza, que é livre das polaridades do Ser e do Não-Ser."

91- तदत्रापि तदीयेन स्वातन्त्र्येणोपकल्पितः । दूरासन्नादिको भेदश्चित्स्वातन्त्र्यव्यपेक्षया ॥९१॥
tadatrāpi tadīyena svātantryeṇopakalpitaḥ । dūrāsannādiko bhedaścitsvātantryavyapekṣayā ॥91॥
तद् अत्र अपि भेद [tad atra api bheda] neste caso a distinção (entre os vários meios de realização)* दूर आसन्न आदिक [dūra āsanna ādika] como mais próximo ou distante etc.* उपकल्पित तदीयेन स्वातन्त्र्येण [upakalpita tadīyena svātantryeṇa] concebida por śiva* चित् स्वातन्त्र्य व्यपेक्षया [cit svātantrya vyapekṣayā] decorre de sua liberdade de consciência*
91- Mark Dyczkowski: "Assim, também neste caso, é (claro) que a distinção (entre os vários meios de realização) como mais próximo ou distante etc. (isto é, mais ou menos interior ou espiritual) é concebida pelo (poder criativo do Senhor) em acordo com a liberdade de sua consciência (citsvatantrya)."

92- एवं स्वातन्त्र्यपूर्णत्वादतिदुर्घटकार्ययम् । केन नाम न रूपेण भासते परमेश्वरः ॥९२॥
evaṃ svātantryapūrṇatvādatidurghaṭakāryayam । kena nāma na rūpeṇa bhāsate parameśvaraḥ ॥92॥
केन रूपेण नाम परम ईश्वर न भासते [kena rūpeṇa nāma parama īśvara na bhāsate] em que forma o senhor supremo não aparece* एवं स्वातन्त्र्य पूर्णत्वात् [evaṃ svātantrya pūrṇatvāt] em virtude da sua liberdade absoluta?* अयम् अतिदुर्घट कारि [ayam atidurghaṭa kāri] ele faz as coisas mais difíceis e impossíveis*
92- Mark Dyczkowski: "Na verdade, em que forma o Senhor Supremo não aparece em virtude da plenitude (de sua) liberdade? Na verdade, ele realiza milagres!"

93/94- निरावरणमाभाति भात्यावृतनिजात्मकः । आवृतानावृतो भाति बहुधा भेदसंगमात् ॥९३॥
इति शक्तित्रयं नाथे स्वातन्त्र्यापरनामकम् । इच्छादिभिरभिख्याभिर्गुरुभिः प्रकटीकृतम् ॥९४॥
nirāvaraṇamābhāti bhātyābṛtanijātmakaḥ । āvṛtānāvṛto bhāti bahudhā bhedasaṃgamāt ॥93॥
iti śaktitrayaṃ nāthe svātantryāparanāmakam । icchādibhirabhikhyābhirgurubhiḥ prakaṭīkṛtam ॥94॥
भेद संगमात् बहुधा आभाति निरावरण [bheda saṃgamāt bahudhā ābhāti nirāvaraṇa] ao se associar à dualidade ele se torna manifesto de muitas formas sem obscurecimento* भाति आवृत निज आत्मक [bhāti āvṛta nija ātmaka] ele aparece com sua própria natureza essencial velada* भाति आवृत अनावृत [bhāti āvṛta anāvṛta] ele brilha tanto velado ou como desvelado* // प्रकटीकृत गुरुभिः अभिख्याभिः [prakaṭīkṛta gurubhiḥ abhikhyābhiḥ] os mestres revelaram claramente a natureza* इति शक्ति त्रय [iti śakti traya] desses três poderes* इच्छा आदिभिः [icchā ādibhiḥ] vontade conhecimento e ação* स्वातन्त्र्य अपर नामक नाथ [svātantrya apara nāmaka nātha] que é outro nome para sua liberdade absoluta*
93/94- Mark Dyczkowski: "(Śiva) manifesta-se livre de obscuridade. Ele manifesta-se tendo obscurecido Sua própria natureza. Ele manifesta-se tanto (parcialmente) obscurecido quanto não obscurecido. Ao associar-se com a dualidade (e a diversidade, Ele manifesta) (bhedasasaṃgamāt) de muitas maneiras. Assim, existem três poderes dentro do Senhor (correspondentes a essas três condições). (Meu venerável) mestre elucidou claramente (sua natureza) como sendo aqueles denominados vontade, (conhecimento e ação), também (coletivamente) chamados de (Sua) liberdade (criativa) (svatantrya)."

95- देवो ह्यन्वर्थशास्त्रोक्तैः शब्दैः समुपदिश्यते । महाभैरवदेवोऽयं पतिर्यः परमः शिवः ॥९५॥
devo hyanvarthaśāstroktaiḥ śabdaiḥ samupadiśyate । mahābhairavadevo'yaṃ patiryaḥ paramaḥ śivaḥ ॥95॥
देव हि समुपदिश्यति अन्वर्थ शास्त्र उक्त शब्द [deva hi samupadiśyati anvartha śāstra ukta śabda] 'deva' é indicado nas escrituras por palavras que explicam* अयं महा भैरव देव [ayaṃ mahā bhairava deva] a natureza deste deus (chamado mahābhairava)* यः पति परम शिव [yaḥ pati parama śiva] que é o senhor e supremo śiva*
95- Mark Dyczkowski: "(A natureza de) Deus (deva) é ensinada por meio de palavras declaradas nas escrituras (que servem como etimologias), cujos significados estão de acordo com Sua natureza. Ele é Mahābhairava, o Senhor (Pati) e Supremo Śiva."

96/97/98/99/100- विश्वं बिभर्ति पूरणधारणयोगेन तेन च श्रियते । सविमर्शतया रव रूपतश्च संसारभीरुहितकृच्च ॥९६॥
संसारभीतिजनिताद्रवात्परामर्शतोऽपि हृदि जातः । प्रकटीभूतं भवभयविमर्शनं शक्तिपाततो येन ॥९७॥
नक्षत्रप्रेरककालतत्त्वसंशोषकारिणो ये च । कालग्राससमाधानरसिकमनःसु तेषु च प्रकटः ॥९८॥
सङ्कोचिपशुजनभिये यासां रवणं स्वकरणदेवीनाम् । अन्तर्बहिश्चतुर्विधखेचर्यादिकगणस्यापि ॥९९॥
तस्य स्वामी संसारवृत्तिविघटनमहाभीमः । भैरव इति गुरुभिरिमैरन्वर्थैः संस्तुतः शास्त्रे ॥१००॥
viśvaṃ bibharti pūraṇadhāraṇayogena tena ca śriyate । savimarśatayā rava rūpataśca saṃsārabhīruhitakṛcca ॥96॥
saṃsārabhītijanitādravātparāmarśato'pi hṛdi jātaḥ । prakaṭībhūtaṃ bhavabhayavimarśanaṃ śaktipātato yena ॥97॥
nakṣatraprerakakālatattvasaṃśoṣakāriṇo ye ca । kālagrāsasamādhānarasikamanaḥsu teṣu ca prakaṭaḥ ॥98॥
saṅkocipaśujanabhiye yāsāṃ ravaṇaṃ svakaraṇadevīnām । antarbahiścaturvidhakhecaryādikagaṇasyāpi ॥99॥
tasya svāmī saṃsāravṛttivighaṭanamahābhīmaḥ । bhairava iti gurubhirimairanvarthaiḥ saṃstutaḥ śāstre ॥100॥
बिभर्ति विश्वं [bibharti viśvaṃ] (śiva é chamado 'bhairava' pelas seguintes razões:) ele mantém o universo* पूरण धारण योगेन [pūraṇa dhāraṇa yogena] preenchendo-o e apoiando-o* च श्रियते तेन [ca śriyate tena] e é sustentado por ele* रूपतः रव च स विमर्शतया [rūpataḥ rava ca sa vimarśatayā] ele assume a forma de som (rava) ressonância da consciência* च संसार भीरु हितकृत् [ca saṃsāra bhīru hitakṛt] ele é o benfeitor daqueles que têm medo da transmigração* अपि जातः हृदि परामर्शतः रवात् संसार भीति जनितात् [api jātaḥ hṛdi parāmarśataḥ ravāt saṃsāra bhīti janitāt] ele nasce no coração pela força da intensa concentração devido ao medo da transmigração* येन शक्ति पाततः भव भय विमर्शनं प्रकटीभूतं [yena śakti pātataḥ bhava bhaya vimarśanaṃ prakaṭībhūtaṃ] em virtude de sua graça a consciência do medo da existência acorrentada se manifesta* ये च नक्षत्र प्रेरक काल तत्त्व संशोषकारिणः [ye ca nakṣatra preraka kāla tattva saṃśoṣakāriṇaḥ] ele surge nas mentes daqueles que se deleitam na contemplação que devora o tempo e assim esgota o princípio do tempo que impulsiona as constelações* प्रकटः तेषु च काल ग्रास समाधान रसिक मनःसु [prakaṭaḥ teṣu ca kāla grāsa samādhāna rasika manaḥsu] ele aniquila o curso contínuo da transmigração e também o grande terrível* स्व करण देवीनाम् यासां रवणं सङ्कोचि पशुजन भिये [sva karaṇa devīnām yāsāṃ ravaṇaṃ saṅkoci paśujana bhiye] ele é o mestre das deusas dos sentidos cujo som assusta as almas acorrentadas cuja consciência está contraída* अपि अन्तर् बहिस् चतुर्विध खेचरि आदिक गणस्य [api antar bahis caturvidha khecari ādika gaṇasya] ele é também o mestre do grupo interno e externo dos quatro poderes começando com khecarī* तस्य स्वामी संसार वृत्ति विघटन महा भीमः [tasya svāmī saṃsāra vṛtti vighaṭana mahā bhīmaḥ] ele parece muito temível por conta da destruição de todos os modos de transmigração* भैरव इति संस्तुतः गुरुभिः शास्त्रे इमैः अन्वर्थैः [bhairava iti saṃstutaḥ gurubhiḥ śāstre imaiḥ anvarthaiḥ] tais são as etimologias com as quais os mestres elogiam bhairava nas escrituras*
96/97/98/99/100- Mark Dyczkowski: "(Deus é chamado de Bhairava pelas seguintes razões). A) Ele sustenta (bibharti) o universo preenchendo-o e apoiando-o e é sustentado por ele. Além disso, ele é dotado de consciência reflexiva e também o (cosmogônico) ressonância (rava) (da consciência). B) Ele ajuda aqueles que têm medo da existência transmigratória. C) Ele nasce no Coração (da consciência) pela reflexão (sobre o próprio estado acorrentado) despertado pelo grito do medo. da existência transmigratória. D) Em virtude de Sua graça, a consciência do medo da existência acorrentada (bhava) é claramente evidente. E) Ele se manifesta nas mentes daqueles que se deleitam na contemplação que devora o tempo e (assim) esgota o princípio do tempo que impulsiona as constelações. F) Ele aniquila o curso contínuo da transmigração e também o Grande Terrível. G) Ele é o mestre das deusas dos sentidos cujo som (ravaṇaṃ) assusta as almas acorrentadas (cuja consciência está) contraída. (Ele também é o mestre) do grupo interno e externo dos quatro (poderes) começando pelos que vagam no Céu (da consciência). Tais são as etimologias com as quais os Mestres elogiam Bhairava nas escrituras."

101/102/103/104- हेयोपादेयकथाविरहे स्वानन्दघनतयोच्छलनम् । क्रीडा सर्वोत्कर्षेण वर्तनेच्छा तथा स्वतन्त्रत्वम् ॥१०१॥
व्यवहरणमभिन्नेऽपि स्वात्मनि भेदेन सञ्जल्पः । निखिलावभासनाच्च द्योतनमस्य स्तुतिर्यतः सकलम् ॥१०२॥
तत्प्रवणमात्मलाभात्प्रभृति समस्तेऽपि कर्तव्ये । बोधात्मकः समस्तक्रियामयो दृक्क्रियागुणश्च गतिः ॥१०३॥
इति निर्वचनैः शिवतनुशास्त्रे गुरुभिः स्मृतो देवः । शासनरोधनपालनपाचनयोगात्स सर्वमुपकुरुते । तेन पतिः श्रेयोमय एव शिवो नाशिवं किमपि तत्र ॥१०४॥
heyopādeyakathāvirahe svānandaghanatayocchalanam । krīḍā sarvotkarṣeṇa vartanecchā tathā svatantratvam ॥101॥
vyavaharaṇamabhinne'pi svātmani bhedena sañjalpaḥ । nikhilāvabhāsanācca dyotanamasya stutiryataḥ sakalam ॥102॥
tatpravaṇamātmalābhātprabhṛti samaste'pi kartavye । bodhātmakaḥ samastakriyāmayo dṛkkriyāguṇaśca gatiḥ ॥103॥
iti nirvacanaiḥ śivatanuśāstre gurubhiḥ smṛto devaḥ । śāsanarodhanapālanapācanayogātsa sarvamupakurute । tena patiḥ śreyomaya eva śivo nāśivaṃ kimapi tatra ॥104॥
इति स्मृतो देव गुरुभिः निर्वचनैः शिवतनु शास्त्रे [iti smṛto deva gurubhiḥ nirvacanaiḥ śivatanu śāstre] śiva é chamado deva pelos mestres de acordo com as etimologias encontradas no śivatanuśāstra* हेय उपादेय कथा विरहे उच्छलनम् सु आनन्द घनतय [heya upādeya kathā virahe ucchalanam su ānanda ghanataya] é independente de todas as considerações que permitem atingir ou evitar no jogo da manifestação cósmica em virtude de sua felicidade* क्रीडा वर्तन इच्छा सर्व उत्कर्षेण तथा स्वतन्त्रत्वम् [krīḍā vartana icchā sarva utkarṣeṇa tathā svatantratvam] pela sua disposição de superar tudo com sua liberdade absoluta* अभिन्न अपि स्व आत्मनि व्यवहरणम् संजल्पः भेदेन [abhinna api sva ātmani vyavaharaṇam saṃjalpaḥ bhedena] embora ele se comporte de maneira variada dentro de sua própria natureza não dual ele se manifesta como um discurso dualista* निखिल अवभासनात् च [nikhila avabhāsanāt ca] ele brilha porque manifesta todas as coisas* द्योतनम् स्तुतिः अस्य यतस् सकलम् तत् प्रवणम् प्रभृति आत्म लाभात् अपि समस्त कर्तव्ये [dyotanam stutiḥ asya yatas sakalam tat pravaṇam prabhṛti ātma lābhāt api samasta kartavye] ele é louvado porque todas as coisas se inclinam a ele em suas diversas funções desde o momento em surgem* बोध आत्मकः समस्त क्रिया मयः च दृक् क्रिया गुण गतिः [bodha ātmakaḥ samasta kriyā mayaḥ ca dṛk kriyā guṇa gatiḥ] seu movimento em toda atividade é a consciência que é o ato universal dotado dos atributos de conhecimento e ação universais* शासन रोधन पालन पाचन योगात् सः उपकुरुते सर्वम् तेन पतिः श्रेयस् मयः एव [śāsana rodhana pālana pācana yogāt saḥ upakurute sarvam tena patiḥ śreyas mayaḥ eva] ele é chamado de senhor (pati) porque ao ensinar estabilizar proteger e amadurecer ajuda todos os seres* शिवः न अशिवं किम् अपि तत्र [śivaḥ na aśivaṃ kim api tatra] ele é chamado śiva porque ele é o bem supremo e dele não há nada desfavorável (aśiva)*
101/102/103/104- Mark Dyczkowski: "(Deus é chamado de ‘deva’ pelos seguintes motivos.) A) Desprovido de quaisquer considerações (kathā) de um objetivo a alcançar ou de uma consequência a evitar, (Ele joga) o jogo (krīḍā) de derramar (Si mesmo) em manifestação cósmica devido à Sua densa (ininterrupta) (ghana) bem-aventurança. B) Sua intenção permanente (e infalível) (vartanecchā) é ser superior a todos e tal é a Sua liberdade (para ser assim). C) Seu comportamento variado (vyavaharana) dentro de Sua própria natureza que, embora indivisa, (se manifesta) como dividido (dentro dela) como o discurso (saṁjalpa) (da representação conceitual). D) (Diz-se que Ele é) brilhante (dyotana) porque Ele torna todas as coisas manifestas. E) Ele é louvado (stuti) porque tudo se inclina para Ele em todas as suas diversas atividades (kartavya) desde o momento em que adquire uma natureza própria. F) Seu procedimento (gati) é a consciência desperta, que consiste em toda a Sua ação universal e é dotada dos atributos do conhecimento e da ação universais."

105- ईदृग्रूपं कियदपि रुद्रोपेन्द्रादिषु स्फुरेद्येन । तेनावच्छेदनुदे परममहत्पदविशेषणमुपात्तम् ॥१०५॥
īdṛgrūpaṃ kiyadapi rudropendrādiṣu sphuredyena । tenāvacchedanude paramamahatpadaviśeṣaṇamupāttam ॥105॥
येन ईदृक् रूप स्फुरेत् कियत् अपि रुद्र उपेन्द्र आदिषु [yena īdṛk rūpa sphuret kiyat api rudra upendra ādiṣu] essa mesma natureza também se manifesta limitadamente em rudra e upendra* तेन अवच्छेद नुदे उपात्त परम महत् पद विशेषण [tena avaccheda nude upātta parama mahat pada viśeṣaṇa] portanto os adjetivos supremo e grande são aplicados para excluir formas restritas*
105- Mark Dyczkowski: "Essa mesma natureza também se manifesta em um grau contido (nos deuses menores), como Rudra e Upendra, portanto, os adjetivos 'Supremo' e 'Grande' são adicionados (ao seu nome) para excluir (a ideia equivocada de que ) ele é limitado."

106- इति यज्ज्ञेयसतत्त्वं दर्श्यते तच्छिवाज्ञाया । मया स्वसंवित्सत्तर्कपतिशास्त्रत्रिकक्रमात् ॥१०६॥
iti yajjñeyasatattvaṃ darśyate tacchivājñāyā mayā svasaṃvitsattarkapatiśāstratrikakramāt ॥106॥
इति शिव आज्ञाया [iti śiva ājñāyā] assim por determinação de śiva* तत् यत् ज्ञेय सतत्त्व दर्श्यत मया [tat yat jñeya satattva darśyata mayā] explicarei a verdadeira natureza do que deve ser conhecido* स्व संवित् सत् तर्क पति शास्त्र त्रिक क्रमात् [sva saṃvit sattarka pati śāstra trika kramāt] segundo minha própria percepção e conhecimento das escrituras śaivas trika e krama*
106- Mark Dyczkowski: "Assim, exporei, por ordem de Śiva, de acordo com minha própria
consciência, raciocínio discriminativo sólido (sattarka), doutrina Śaiva (patisastra), Trika e Krama, a verdadeira natureza daquilo que precisa ser conhecido."

107- तस्य शक्तय एवैतास्तिस्रो भान्ति परादिकाः । सृष्टौ स्थितौ लये तुर्ये तेनैता द्वादशोदिताः ॥१०७॥
tasya śaktaya evaitāstisro bhānti parādikāḥ । sṛṣṭau sthitau laye turye tenaitā dvādaśoditāḥ ॥107॥
तस्य परा आदिक [tasya parā ādikāḥ] śiva possui três poderes: pará, parãparã e apara (abheda bhedābheda e bheda)* एताः तिस्रः शक्तय एव भान्ति सृष्टि स्थिति लय [etāḥ tisraḥ śaktaya eva bhānti sṛṣṭi sthiti laya] que se manifestam nas fases de criação manutenção reabsorção* तुर्य तेन एताः द्वादश उदिताः [turya tena etāḥ dvādaśa uditāḥ] e o quarto estado assim tornando-se doze*
107- Mark Dyczkowski: "(Śiva) possui apenas esses três poderes, a saber, (a Deusa) Para (Suprema) e os demais (isto é, Parāparā (Intermediária) e Aparā (Inferior)). Eles se manifestam nas fases da criação, persistência, retirada e no Quarto (que os inclui e os transcende). Assim, (eles) surgiram doze vezes."
Swami Lakshmanjoo: "As três energias do Senhor Śiva – parā, parāparā e aparā, [que são] abheda, bhedābheda e bheda [respectivamente] – brilham em sua própria natureza nos estados de criação, proteção, destruição e no estado transcendental destes três (turya significa aquele estado transcendental) ... que se tornam doze [kālīs]"

108- तावान्पूर्णस्वभावोऽसौ परमः शिव उच्यते । तेनात्रोपासकाः साक्षात्तत्रैव परिनिष्ठिताः ॥१०८॥
tāvānpūrṇasvabhāvo'sau paramaḥ śiva ucyate । tenātropāsakāḥ sākṣāttatraiva pariniṣṭhitāḥ ॥108॥
असौ उच्यते परम शिव तावान् पूर्ण स्वभाव [asau ucyate parama śiva tāvān pūrṇa svabhāva] śiva na plenitude de sua natureza devido aos doze poderes é considerado o supremo* तेन अत्र उपासकाः परिनिष्ठिताः साक्षात् तत्र एव [tena atra upāsakāḥ pariniṣṭhitāḥ sākṣāt tatra eva] portanto aqueles que adoram estes doze aspectos estão estabelecidos na verdadeira natureza de śiva*
108- Mark Dyczkowski: “Aquele que é tão pleno (āvān) é completo (e perfeito), e (assim) é dito ser o Supremo Śiva. Portanto, aqueles que adoram (esses doze aspectos) aqui estão evidentemente bem estabelecidos lá (na natureza de Śiva).”

109- तासामपि च भेदांशन्यूनाधिक्यादियोजनम् । तत्स्वातन्त्र्यबलादेव शास्त्रेषु परिभाषितम् ॥१०९॥
tāsāmapi ca bhedāṃśanyūnādhikyādiyojanam । tatsvātantryabalādeva śāstreṣu paribhāṣitam ॥109॥
च तासाम् अपि शास्त्र परिभाषित [ca tāsām api śāstra paribhāṣita] e deles (os doze poderes) as escrituras explicam* भेद अंश न्यून आधिक्य् आदि योजन [bheda aṃśa nyūna ādhiky ādi yojana] que sua diminuição ou aumento, etc. no aspecto da dualidade* तत् स्वातन्त्र्य बलात् एव [tat svātantrya balāt eva] deve-se unicamente à sua liberdade*
109- Mark Dyczkowski: "As escrituras explicam que a conjunção desses (poderes) com um
maior ou menor (número de) aspectos diferenciados (bhedāṁśa) etc. ocorre pelo poder de Sua liberdade (criativa)."

110/111- एकवीरो यामलोऽथ त्रिशक्तिश्चतुरात्मकः । पञ्चमूर्तिः षडात्मायं सप्तकोऽष्टकभूषितः ॥११०॥
नवात्मा दशदिक्छक्तिरेकादशकलात्मकः । द्वादशारमहाचक्रनायको भैरवस्त्विति ॥१११॥
ekavīro yāmalo'tha triśaktiścaturātmakaḥ । pañcamūrtiḥ ṣaḍātmāyaṃ saptako'ṣṭakabhūṣitaḥ ॥110॥
navātmā daśadikchaktirekādaśakalātmakaḥ । dvādaśāramahācakranāyako bhairavastviti ॥111॥
भैरवः तु इति अथ अयं एकवीरः [bhairavaḥ tu iti atha ayaṃ ekavīraḥ] bhairava manifesta-se como apenas um (paramaśiva) * यामल [yāmala] um par (śiva e śakti)* त्रिशक्तिः [triśaktiḥ] como poder triplo (parā, parāparā e aparā)* चतुर् आत्मकः [catur ātmakaḥ] em quatro estados de consciência* पञ्च मूर्तिः [pañca mūrtiḥ] com cinco faces (īśāna tatpuruṣa sadyojāta vāmadeva e aghora* षत् आत्मा [ṣat ātmā] em seis aspectos (viśvā, viśveśā, raudrī, vīrakā, tryambikā e gurvī)* सप्तक [saptaka] na forma de sete (brāhmī, māheśvarī, kaumārī, vaiṣṇavī, vārāhī, indrāṇi e cāmunṇḍā)* अष्टक भूषितः [aṣṭaka bhūṣitaḥ] pelas sete deusas mais aghorā* नव आत्मा [nava ātmā] como nove com sua inclusão* दश दिक् शक्तिः [daśa dik śaktiḥ] as dez direções (governadas pela deusas: umā, durgā, bhadrakālī, svastī, svāhā, śubhāṅkarī, śrīḥ, gaurī, lokadhātri, vāgīśī)* एकादश कल आत्मकः द्वादश अर महा चक्र नायक [ekādaśa kala ātmakaḥ dvādaśa ara mahā cakra nāyaka] de onze poderes da grande roda com doze raios*
110/111- Mark Dyczkowski: "Bhairava, o Senhor da Grande Roda de doze raios, permanece.
(também como) o 'Herói Solitário' (ekavira), o 'Casal' (yāmala), como possuidor de três poderes, como quádruplo, com cinco formas icônicas, como sêxtuplo, como este grupo de sete e adornado com o grupo de oito, como o Um de Nove Dobras (navatman), como possuidor dos poderes das dez direções e como as onze energias."

112- एवं यावत्सहस्रारे निःसङ्ख्यारेऽपि वा प्रभुः । विश्वचक्रे महेशानो विश्वशक्तिर्विजृम्भते ॥११२॥
evaṃ yāvatsahasrāre niḥsaṅkhyāre'pi vā prabhuḥ । viśvacakre maheśāno viśvaśaktirvijṛmbhate ॥112॥
एवं यावत् प्रभुः सहस्र अरे [evaṃ yāvat prabhuḥ sahasra are] o senhor tendo alcançado a roda dos mil raios* वा अपि निःसङ्ख्यार [vā api niḥsaṅkhyāra] ou mesmo aquela de infinitos raios* विश्व चक्रे विजृम्भते शक्तिः विश्व मह ईशानः [viśva cakre maha īśānaḥ vijṛmbhate śaktiḥ viśva] brilha na roda universal e torna-se o grande senhor dotado de todos os poderes*
112- Mark Dyczkowski: "E como o Senhor da Grande Roda de doze raios (progressivamente), até que o Senhor (se manifeste) na Roda dos Mil Raios ou mesmo naquela de incontáveis ​​raios. O Grande Senhor, dotado de todos os poderes, se desdobra (desta forma) na Roda do Todo."

113- तेषामपि च चक्राणां स्ववर्गानुगमात्मना । ऐक्येन चक्रगो भेदस्तत्र तत्र निरूपितः ॥११३॥
teṣāmapi ca cakrāṇāṃ svavargānugamātmanā । aikyena cakrago bhedastatra tatra nirūpitaḥ ॥113॥
च भेदः चक्र गः तेषाम् अपि चक्राणाम् निरूपितः तत्र तत्र [ca bhedaḥ cakra gaḥ teṣām api cakrāṇām nirūpitaḥ tatra tatra] a distinção entre esses cakras é explicada em vários lugares* ऐक्येन स्व वर्ग अनुगम आत्मना [aikyena sva varga anugama ātmanā] cada um é uma unidade abrangente cuja natureza está de acordo com o grupo ao qual pertence*
113- Mark Dyczkowski: "A diferença entre essas configurações (cakra) também é descrita em vários lugares (nas escrituras), (cada) como uma unidade (abrangente), cuja natureza está de acordo com a categoria à qual pertence (de acordo com sua função)."

114- चतुष्षड्द्विर्द्विगणनायोगात्त्रैशिरसे मते । षट्चक्रेश्वरता नाथस्योक्ता चित्रनिजाकृतेः ॥११४॥
catuṣṣaḍdvirdvigaṇanāyogāttraiśirase mate । ṣaṭcakreśvaratā nāthasyoktā citranijākṛteḥ ॥114॥
त्रैशिरसे मते [traiśirase mate] segundo o triśirobhairavatantra* षट् चक्र ईश्वरता नाथस्य उक्ता चित्र निज आकृत [ṣaṭ cakra īśvaratā nāthasya uktā citra nija ākṛta] o senhor dos seis cakras governa com suas múltiplas formas* चतुर् षत् द्विस् द्वि गणना योगात् [catur ṣat dvis dvi gaṇanā yogāt] quatro, seis, oito, doze, dezesseis e vinte e quatro (rodas de energia)*
114- Mark Dyczkowski: "O domínio das seis rodas da própria forma do Senhor é descrito no Traiśirasamata como sendo maravilhosamente variado em virtude de Sua união com quatro, seis e duas vezes duas vezes esses poderes."
S. Laksmanjoo: "Primeiro tome as seis energias: quádruplas (catuṣ), ṣaḍ (sêxtuplas), dvir-dvigaṇanāt; dvigaṇanā yogena, (dvigaṇanā yogena significa seis em dois), ou seja, doze vezes e vinte e quatro. Então, ṣaṇṇāṁ cakrāṇām īśvaratā, então Ele governa e possui o reino dessas seis [rodas de] energias, seis chakras ... estes são ṣaṭ cakras. É definido no Triśirobhairava [tantra]."

115- नामानि चक्रदेवीनां तत्र कृत्यविभेदतः । सौम्यरौद्राकृतिध्यानयोगीन्यन्वर्थकल्पनात् ॥११४॥
nāmāni cakradevīnāṃ tatra kṛtyavibhedataḥ । saumyaraudrākṛtidhyānayogīnyanvarthakalpanāt ॥114॥
तत्र नामानि चक्र देवीनां [tatra nāmāni cakra devīnāṃ] os nomes das deusas dos cakras* कृत्य विभेदतः अन्वर्थ कल्पनात् [kṛtya vibhedataḥ anvartha kalpanāt] variam de acordo com as diferentes funções através de concepções mentais específicas* सौम्य रौद्र आकृति ध्यान योगीनि [saumya raudra ākṛti dhyāna yogīni] em associação com a meditação em forma pacífica ou irada*
115- Mark Dyczkowski: "Os nomes das deusas das Rodas variam de acordo com suas diversas funções. Isso ocorre porque elas são concebidas de acordo com seu propósito (natureza e significado de seu nome) (anvarthakalpana), em associação com a visualização (dhyana) de uma forma pacífica (saumya) ou feroz (raudra)."

116- एकस्य संविन्नाथस्य ह्यान्तरी प्रतिभा तनुः । सौम्यं वान्यन्मितं संविदूर्मिचक्रमुपास्यते ॥११६॥
ekasya saṃvinnāthasya hyāntarī pratibhā tanuḥ । saumyaṃ vānyanmitaṃ saṃvidūrmicakramupāsyate ॥116॥
आन्तरी प्रतिभा हि तनुः एकस्य संविद् नाथस्य [āntarī pratibhā hi tanuḥ ekasya saṃvid nāthasya] o corpo interno do indiviso senhor da consciência é sua imaginação criativa (pratibhā)* संविद् ऊर्मि चक्रम् [saṃvid ūrmi cakram] que se expande pelos cakras através de ondas de consciência* उपास्यते मितं सौम्यं वा अन्यत् [upāsyate mitaṃ saumyaṃ vā anyat] que se dorada de uma forma limitada com caráter pacífico ou terrível*
116- Mark Dyczkowski: "O corpo do único Senhor da Consciência é (Sua) imaginação criativa interior (pratibha). (Ele é) adorado (externamente) como o ciclo das ondas da (superação dos poderes da) consciência (saṁvidūrmicakra) (em uma forma condicionada) limitada (como a divindade manifestada por meio dela), seja pacífica ou não."

117/118/119/120/121/122- अस्य स्यात्पुष्टिरित्येषा संविद्देवी तयोदितात् । ध्यानात्सञ्जल्पसम्मिश्राद्व्यापाराच्चापि बाह्यतः ॥११७॥
स्फुटीभूता सती भाति तस्य तादृक्फलप्रदा । पुष्टिः शुष्कस्य सरसीभावो जलमतः सितम् ॥११८॥
अनुगम्य ततो ध्यानं तत्प्रधानं प्रतन्यते । ये च स्वभावतो वर्णा रसनिःष्यन्दिनो यथा ॥११९॥
दन्त्यौष्ठ्यदन्त्यप्रायास्ते कैश्चिद्वर्णैः कृताः सह । तं बीजभावमागत्य संविदं स्फुटयन्ति ताम् ॥१२०॥
पुष्टिं कुरु रसेनैनमाप्याययतरामिति । सञ्जल्पोऽपि विकल्पात्मा किं तामेव न पूरयेत् ॥१२१॥
अमृतेयमिदं क्षीरमिदं सर्पिर्बलावहम् । तेनास्य बीजं पुष्णीयामित्येनां पूरयेत्क्रियाम् ॥१२२॥
asya syātpuṣṭirityeṣā saṃviddevī tayoditāt । dhyānātsañjalpasammiśrādvyāpārāccāpi bāhyataḥ ॥117॥
sphuṭībhūtā satī bhāti tasya tādṛkphalapradā । puṣṭiḥ śuṣkasya sarasībhāvo jalamataḥ sitam ॥118॥
anugamya tato dhyānaṃ tatpradhānaṃ pratanyate । ye ca svabhāvato varṇā rasaniḥṣyandino yathā ॥119॥
dantyauṣṭhyadantyaprāyāste kaiścidvarṇaiḥ kṛtāḥ saha । taṃ bījabhāvamāgatya saṃvidaṃ sphuṭayanti tām ॥120॥
puṣṭiṃ kuru rasenainamāpyāyayatarāmiti । sañjalpo'pi vikalpātmā kiṃ tāmeva na pūrayet ॥121॥
amṛteyamidaṃ kṣīramidaṃ sarpirbalāvaham । tenāsya bījaṃ puṣṇīyāmityenāṃ pūrayetkriyām ॥122॥
ध्यानात् सञ्जल्प सम्मिश्रात् उदितात् एषा संविद् देवी तया अस्य स्यात् पुष्टिः इति च अपि व्यापारात् बाह्यतः [dhyānāt sañjalpa sammiśrāt uditāt eṣā saṃvid devī tayā asya syāt puṣṭiḥ iti ca api vyāpārāt bāhyataḥ] a deusa da consciência surge na forma: 'que ele seja bem aventurado!' ela se manifesta em virtude desta meditação em associação com a repetição de mantras e de ação ritual externa e concede à pessoa que a invoca os frutos desejados* ॥११७॥ स्फुटी भूता सती भाति तस्य तादृक् फल प्रदा पुष्टिः शुष्कस्य सरसी भावः जलमतः सितम् [sphuṭī bhūtā satī bhāti tasya tādṛk phala pradā puṣṭiḥ śuṣkasya sarasī bhāvaḥ jalamataḥ sitam] a realização (puṣṭi) é um processo de infusão do 'suco' (rasa) (do sabor do deleite) em alguém que 'definhou' assim, a forma apropriada de meditação é como água (pura) limpa* ॥११८॥ अनुगम्य ततस् ध्यानं तत् प्रधानं प्रतन्यते च वर्णा ये स्व भावतः रस निःष्यन्दिनः यथा [anugamya tatas dhyānaṃtat pradhānaṃ pratanyate ca varṇā ye sva bhāvataḥ rasa niḥṣyandinaḥ yathā] e se desenvolve tendo ela como elemento principal as letras das quais (este) suco (rasa) flui, por exemplo, * ॥११९॥ दन्त्य ओष्ठ्य दन्त्य प्रायाः ते कृताः सह कैश्चित् वर्णैः तं बीज भावम् आगत्य स्फुटयन्ति संविदं ताम् [dantya oṣṭhya dantya prāyāḥ te kṛtāḥ saha kaiścit varṇaiḥ taṃ bīja bhāvam āgatya sphuṭayanti saṃvidaṃ tām] os dentais e os labiodentais, são combinados com outras letras. para formar sílabas semente (mantras) e tornar essa (forma de) consciência manifestada* ॥१२०॥ किं अपि सञ्जल्प न पूरयेत् तामेव विकल्प आत्मा पुष्टिं कुरु रसेन आप्याययतराम् एनम् इति [kiṃ api sañjalpa vikalpa ātmā na pūrayet tāmeva puṣṭiṃ kuru rasena āpyāyayatarām enam iti] por que então uma expressão essencialmente uma construção de pensamento não pode transmitir (uma sensação de) realização a essa mesma (consciência) quando (dizemos): 'traga prosperidade! alimente-o com suco (rasa)!] * । ॥१२१॥ इयम् अमृता इदं क्षीरम् इदं सर्पिस् बल आवहम् पुष्णीयाम् अस्य बीजं तेन इति पूरयेत् एनां क्रियाम् [iyam amṛtā idaṃ kṣīram idaṃ sarpis bala āvaham puṣṇīyām asya bījaṃ tena iti [pūrayet enāṃ kriyām] assim este rito é completado (dizendo enquanto oferece oblações): 'esta ambrosia, esta coalhada e esta manteiga clarificada (são todas) fontes de força. Posso nutrir sua semente com isso!* ॥१२२॥
117/118/119/120/121/122- Mark Dyczkowski: "(Quando) a Deusa da Consciência se manifesta claramente (na forma da intenção): ‘que ele seja realizado (pusti)!’, ela se manifesta em virtude desta meditação (dhyana), que surge desta forma em associação com as palavras (dos Mantras) e a ação (ritual) externa (vyāpāra) e concede àquele (que a invoca) tais tipos de frutos (que estão de acordo com sua forma pacífica ou irada). 1) (A visualização:) ‘realização’ (pusti) é um processo de infundir o ‘suco’ (rasa) (da vitalidade) em alguém que ‘secou’ (śuṣka). Assim, a forma apropriada de visualização é como água (pura) e limpa (sita), e se desdobra tendo isso como seu principal (elemento). 2) (O Mantra:) Aquelas letras das quais, por sua própria natureza, flui este suco (rasa), como, por exemplo, o labiodental (V) e o dental (S), uma vez combinadas com outras letras, assumem o estado de sílaba-semente (Mantras) e, assim, tornam manifesta essa forma de consciência. Por que, então, uma expressão (saṁjalpa), embora essencialmente uma construção mental, não pode também transmitir uma sensação de plenitude a essa mesma consciência quando dizemos: “Traz plenitude! Nutre-o com suco (rasa)!” 3) (O rito:) Assim, este rito (que nutre) deve ser completado (dizendo-se, ao oferecer as oblações): “este néctar (amrita), este leite, esta manteiga clarificada é uma fonte de força. Que eu possa nutrir sua semente com isso!"

123- तस्माद्विश्वेश्वरो बोधभैरवः समुपास्यते । अवच्छेदानवच्छिद्भ्यां भोगमोक्षार्थिभिः क्रमात् ॥१२३॥
tasmādviśveśvaro bodhabhairavaḥ samupāsyate । avacchedānavacchidbhyāṃ bhogamokṣārthibhiḥ kramāt ॥123॥
तस्मात् विश्व ईश्वरः बोध भैरवः [tasmāt viśva īśvaraḥ bodha bhairavaḥ] portanto o senhor do universo a consciência bhairava* समुपास्यते अवच्छेद अनवच्छिद्भ्यां [samupāsyate avaccheda anavacchidbhyāṃ] é adorado de forma limitada ou ilimitada* भोग मोक्ष आर्थिभिः क्रमात् [bhoga mokṣa ārthibhiḥ kramāt] por aqueles que desejam experiencia ou libertação*
123- Mark Dyczkowski: "Portanto, o Senhor do Universo (viśveśvara), o Bhairava da Consciência (bodhabhairava) é adorado de duas maneiras, isto é, de forma limitada ou ilimitada, por aqueles que desejam prazer ou libertação, (respectivamente)."

124/125/126/127- येऽप्यन्यदेवताभक्ता इत्यतो गुरुरादिशत् । ये बोधाद्व्यतिरिक्तं हि किञ्चिद्याज्यतया विदुः ॥१२४॥
तेऽपि वेद्यं विविञ्चाना बोधाभेदेन मन्वते । तेनाविच्छिन्नतामर्शरूपाहन्ताप्रथात्मनः ॥१२५॥
स्वयम्प्रथस्य न विधिः सृष्ट्यात्मास्य च पूर्वगः । वेद्या हि देवतासृष्टिः शक्तेर्हेतोः समुत्थिता ॥१२६॥
अहंरूपा तु संवित्तिर्नित्या स्वप्रथनात्मिका । विधिर्नियोगस्त्र्यंशा च भावना चोदनात्मिका ॥१२७॥
ye'pyanyadevatābhaktā ityato gururādiśat । ye bodhādvyatiriktaṃ hi kiñcidyājyatayā viduḥ ॥124॥
te'pi vedyaṃ viviñcānā bodhābhedena manvate । tenāvicchinnatāmarśarūpāhantāprathātmanaḥ ॥125॥
svayamprathasya na vidhiḥ sṛṣṭyātmāsya ca pūrvagaḥ । vedyā hi devatāsṛṣṭiḥ śakterhetoḥ samutthitā ॥126॥
ahaṃrūpā tu saṃvittirnityā svaprathanātmikā । vidhirniyogastryaṃśā ca bhāvanā codanātmikā ॥127॥
ye api anya devatā bhaktā iti atos guruḥ ādiśat ye bodhāt vyatiriktaṃ hi kiñcit yājyatayā viduḥ // te api vedyaṃ viviñcānā bodha abhedena manvate tena avicchinnata āmarśa rūpa ahantā prathā ātmanaḥ // svayam prathasya na vidhiḥ sṛṣṭiḥ ātmāsya ca pūrvagaḥ vedyā hi devatā sṛṣṭiḥ śakteḥ hetu samutthitā // ahaṃ rūpā tu saṃvittiḥ nityā sva prathana ātmikā vidhiḥ niyogaḥ tri aṃśā ca bhāvanā codana ātmikā
124/125/126/127- Mark Dyczkowski: "O Mestre (Kṛṣṇa) ensinou isso em um verso (do Bhagavadgītā que começa com as palavras:) 'mesmo aqueles que são devotados a outras divindades'. Se aqueles que consideram algo digno de adoração fora da consciência, se examinassem cuidadosamente o objeto (de sua devoção), descobririam que (na verdade) nada mais é do que consciência. A natureza (do Bhairava) é a experiência em desenvolvimento (pratha) do “senso do Eu”, que é auto reveladora e autoconsciência ininterrupta. Não é, portanto, alcançado (seguindo) quaisquer injunções (porque todas as regras são, em última análise), uma criação (de consciência). A Deidade (também é) criada pelo poder (da consciência) e esta criação é objetiva. No entanto, a consciência, como (a consciência pura) 'Eu (Sou)', é eterna e auto reveladora (e, portanto, nunca pode ser um objeto). (O que se entende) aqui por injunção é um comando que impele à ação (codana) (conforme estabelecido pelo Mīmāṃsā como norma) forma tripla de execução (bhāvanā)."

128/129- तदेकसिद्धा इन्द्राद्या विधिपूर्वा हि देवताः । अहंबोधस्तु न तथा ते तु संवेद्यरूपताम् ॥१२८॥
उन्मग्नामेव पश्यन्तस्तं विदन्तोऽपि नो विदुः । तदुक्तं न विदुर्मां तु तत्त्वेनातश्चलन्ति ते ॥१२९॥
tadekasiddhā indrādyā vidhipūrvā hi devatāḥ । ahaṃbodhastu na tathā te tu saṃvedyarūpatām ॥128॥
unmagnāmeva paśyantastaṃ vidanto'pi no viduḥ । taduktaṃ na vidurmāṃ tu tattvenātaścalanti te ॥129॥
devatāḥ indra ādyāḥ tat eka siddhāḥ vidhi pūrvāḥ hi ahaṃ bodhaḥ tu na tathā te tu saṃvedya rūpatām // unmagnāmeva paśyantaḥ staṃ vidantaḥ api no viduḥ tat uktaṃ na viduḥ māṃ tu tattvena atas calanti te*
128/129- Mark Dyczkowski: "(No entanto) apenas divindades (menores) como Indra, (cuja adoração) é de fato ordenada por injunções, são alcançadas dessa forma. Este não é o caso da consciência do 'Eu'. Aqueles (que se sacrificam à consciência) (mas) testemunham apenas (seu) aspecto objetivo emergindo da realidade, embora percebam isso (a consciência neste aspecto como divindade) na verdade não a conhecem. Então (o Senhor Kṛṣṇa) disse que: 'aqueles que não me conhecem realmente, decaem.'"

130/131- चलनं तु व्यवच्छिन्नरूपतापत्तिरेव या । देवान्देवयजो यान्तीत्यादि तेन न्यरूप्यत ॥१३०॥
निमज्ज्य वेद्यतां ये तु तत्र संविन्मयीं स्थितिम् । विदुस्ते ह्यनवच्छिन्नं तद्भक्ता अपि यान्ति माम् ॥१३१॥
calanaṃ tu vyavacchinnarūpatāpattireva yā । devāndevayajo yāntītyādi tena nyarūpyata ॥130॥
nimajjya vedyatāṃ ye tu tatra saṃvinmayīṃ sthitim । viduste hyanavacchinnaṃ tadbhaktā api yānti mām ॥131॥
calanaṃ tu vyavacchinna rūpatā āpattir eva yā tena nyarūpyata yāntī devān deva yajaḥ iti ādi * // tu ye nimajjya vedyatāṃ viduḥ tatra sthitim saṃvin mayīṃ te yānti mām api tat bhaktā hi anavacchinnaṃ*
130/131- Mark Dyczkowski: "(O que se entende por) ‘cair’ nada mais é do que a assunção de uma forma limitada (por aquele que adora os deuses em vez de se atentar à sua própria consciência). É por isso que o Mestre disse: ‘vão aos deuses aqueles que adoram os deuses’. Aqueles, porém, que uma vez submergindo a natureza objetivamente perceptível (desses deuses) na consciência, conhecem ali o estado permanente da consciência incondicionada, mesmo que sejam devotos (a alguma forma divina particular), me alcançam."

132- सर्वत्रात्र ह्यहंशब्दो बोधमात्रैकवाचकः । स भोक्तृप्रभुशब्दाभ्यां याज्ययष्ट्टतयोदितः ॥१३२॥
sarvatrātra hyahaṃśabdo bodhamātraikavācakaḥ । sa bhoktṛprabhuśabdābhyāṃ yājyayaṣṭṭatayoditaḥ ॥132॥
sarvatra ātra hi ahaṃ śabdaḥ bodha mātra eka vācakaḥ saḥ bhoktṛ prabhu śabdābhyāṃ yājya yaṣṭṭataya uditaḥ*
132- Mark Dyczkowski: "Aqui, em todos os versos, o pronome pessoal “Eu” denota apenas a consciência pura e iluminada (bodha). Agora as palavras “desfrutador” (bhoktṛ) e “Senhor” (prabhu), referem-se àquele que oferece o sacrifício e (a divindade que é) o objeto de (seu) sacrifício, (respectivamente). "

133- याजमानी संविदेव याज्या नान्येति चोदितम् । नान्याकृतिः कुतोऽप्यन्या देवता न हि सोचिता ॥१३३॥
yājamānī saṃvideva yājyā nānyeti coditam । nānyākṛtiḥ kuto'pyanyā devatā na hi socitā ॥133॥
yājamānī saṃvid eva yājyā na ānya iti ca uditam na anya ākṛtiḥ kutas api anyā devatā na hi saḥ ucitā*
133- Mark Dyczkowski: "Diz-se que a própria consciência oferece sacrifício e esse sacrifício é oferecido a ela. Não há outra divindade além desta, nem é apropriado (essa divindade) ter qualquer forma (exceto a consciência)."

134/135- विधिश्च नोक्तः कोऽप्यत्र मन्त्रादि वृत्तिधाम वा । सोऽयमात्मानमावृत्य स्थितो जडपदं गतः ॥१३४॥
आवृतानावृतात्मा तु देवादिस्थावरान्तगः । जडाजडस्याप्येतस्य द्वैरूप्यस्यास्ति चित्रता ॥१३५॥
vidhiśca noktaḥ ko'pyatra mantrādi vṛttidhāma vā । so'yamātmānamāvṛtya sthito jaḍapadaṃ gataḥ ॥134॥
āvṛtānāvṛtātmā tu devādisthāvarāntagaḥ । jaḍājaḍasyāpyetasya dvairūpyasyāsti citratā ॥135॥
vidhiḥ ca na uktaḥ kaḥ api atra mantrā ādi vṛtti dhāma vā saḥ ayam ātmānam āvṛtya sthitaḥ jaḍa padaṃ gataḥ // āvṛta ānāvṛta ātmā tu deva ādi sthāvara anta gaḥ jaḍa ajaḍasya api etasya dvairūpyasya asti citratā*
134/135- Mark Dyczkowski: "E (assim) nenhuma injunção é declarada aqui (em nossa opinião, ter algo a ver com a consciência) ou os Mantras (védicos) etc., que são o domínio de seu funcionamento (vṛtti). Esta (consciência) se vela e, tendo feito isso, está presente no plano do insensível. Meio velada e meio revelada, ela está presente (nos seres vivos), desde os deuses até as plantas. Cada uma dessas duas formas (de consciência), senciente e insenciente, é maravilhosamente diversa!"

136- तस्य स्वतन्त्रभावो हि किं किं यन्न विचित्रयेत् । तदुक्तं त्रिशिरःशास्त्रे सम्बुद्ध इति वेत्ति यः । ज्ञेयभावो हि चिद्धर्मस्तच्छायाच्छादयेन्न ताम् ॥१३६॥
tasya svatantrabhāvo hi kiṃ kiṃ yanna vicitrayet । taduktaṃ triśiraḥśāstre sambuddha iti vetti yaḥ । jñeyabhāvo hi ciddharmastacchāyācchādayenna tām ॥136॥
तस्य स्वतन्त्र भावः हि किं किं यत् न विचिन्तयेत् [tasya svatantra bhāvaḥ hi kiṃ kiṃ yat na vicintayet] ele é realmente livre e não há nada que ele não possa conceber* तत् उक्तं त्रिशिरः शास्त्र संबुद्धः इति वेत्ति यः [tat uktaṃ triśiraḥ śāstra saṃbuddhaḥ iti vetti yaḥ] aquele que sabe disso (diversidade) está perfeitamente desperto de acordo com o triśirobhairavatantra* ज्ञेय भावः हि चित् धर्मः तत् छाया आच्छादयेत् न ताम् [jñeya bhāvaḥ hi cit dharmaḥ tat chāyā ācchādayet na tām] a cognoscibilidade é uma qualidade da consciência: a sua sombra não pode encobri-lo*
136- Mark Dyczkowski: "Ele (o Senhor da Consciência) é realmente livre e não há nada que ele não possa conceber. Aquele que sabe disso (diversidade maravilhosa) está, de acordo com o Triśirobhairavatantra, perfeitamente desperto. A objetividade é uma qualidade da consciência - a sombra (projetada) não pode cobri-lo!"

137- तेनाजडस्य भागस्य पुद्गलाण्वादिसञ्ज्ञिनः । अनावरणभागांशे वैचित्र्यं बहुधा स्थितम् ॥१३७॥
tenājaḍasya bhāgasya pudgalāṇvādisañjñinaḥ । anāvaraṇabhāgāṃśe vaicitryaṃ bahudhā sthitam ॥137॥
tena sthitam ajaḍasya bhāgasya sañjñinaḥ pudgala aṇu ādi vaicitryaṃ bahudhā bhāga āṃśa anāvaraṇa*
137- Mark Dyczkowski: "Assim, a maravilhosa diversidade daquele aspecto senciente chamado, por exemplo, alma individual (pudgala) ou partícula de consciência (aṇu), repousa de muitas maneiras no aspecto (da consciência) que não está obscurecido."
Raniero Gnoli: "As diversas configurações daquilo que forma, na consciência, a parte senciente, chamada pessoa (pudgala), alma, etc., abordam, portanto, de diversas maneiras, naquilo que, da consciência, é a parte imune aos véus."

138- संविद्रूपे न भेदोऽस्ति वास्तवो यद्यपि ध्रुवे । तथाप्यावृतिनिर्ह्रासतारतम्यात्स लक्ष्यते ॥१३८॥
saṃvidrūpe na bhedo'sti vāstavo yadyapi dhruve । tathāpyāvṛtinirhrāsatāratamyātsa lakṣyate ॥138॥
यदि अपि न अस्ति वास्तवस् भेद संविद् रूप ध्रुवे [yadi api na asti vāstavas bheda saṃvid rūpa dhruve] mesmo que não haja dualidade dentro da consciência que permanece estável* तथा अपि सः लक्ष्यते आवृति निर्ह्रास तारतम्यात् [tathā api saḥ lakṣyate āvṛti nirhrāsa tāratamyāt] percebe-se uma (dualidade) devido à remoção gradual de sua cobertura*
138- Mark Dyczkowski: "Embora não haja divisão real (bheda) (de níveis) dentro da consciência, que é sempre estável (dhruva) (e invariável), mesmo assim ela é percebida (como existente) devido à gradação (da diminuição progressiva) do véu (que a cobre)."

139- तद्विस्तरेण वक्ष्यामः शक्तिपातविनिर्णये । समाप्य परतां स्थौल्यप्रसङ्गे चर्चयिष्यते ॥१३९॥
tadvistareṇa vakṣyāmaḥ śaktipātavinirṇaye । samāpya paratāṃ sthaulyaprasaṅge carcayiṣyate ॥139॥
तत् वक्ष्यामः विस्तरेण विनिर्णय शक्तिपात [tat vakṣyāmaḥ vistareṇa vinirṇaya śaktipāta] trataremos deste assunto extensivamente no decorrer da explicação sobre śaktipata* समाप्य परतां स्थौल्य प्रसङ्गे चर्चयिष्यते [samāpya paratāṃ sthaulya prasaṅge carcayiṣyate] concluiremos a exposição do estado supremo e discutirmos os níveis inferiores de consciência*
139- Mark Dyczkowski: "Falaremos extensivamente sobre isso ao explicar (a natureza da) descida do poder (da graça) (śaktipāta), e tendo concluído (o assunto) presente na primeira (parte), será discutido no contexto de assuntos pertinentes ao ritual (sthaulyaprasaṅga) (na segunda parte)."

140- अतः कञ्चित्प्रमातारं प्रति प्रथयते विभुः । पूर्णमेव निजं रूपं कञ्चिदंशांशिकाक्रमात् ॥१४०॥
ataḥ kañcitpramātāraṃ prati prathayate vibhuḥ । pūrṇameva nijaṃ rūpaṃ kañcidaṃśāṃśikākramāt ॥140॥
अतस् विभुः प्रथयते प्रति कञ्चिद् प्रमातारं पूर्णम् एव निजं रूपं [atas vibhuḥ prathayate prati kañcid pramātāraṃ pūrṇam eva nijaṃ rūpaṃ] assim enquanto para algum conhecedor o senhor se revela em sua plenitude* कञ्चिद् अंशां शिका क्रमात् [kañcid aṃśāṃ śikā kramāt] para outro ele se revela em partes progressivamente*
140- Mark Dyczkowski: “Assim, enquanto o Senhor Onipresente (vibhu) revela Sua própria forma completa (em toda a Sua plenitude) a um competente observador (pramātṛ), (Ele o faz) a algum (outro) parte por parte, progressivamente”.

141- विश्वभावैकभावात्मस्वरूपप्रथनं हि यत् । अणूनां तत्परं ज्ञानं तदन्यदपरं बहु ॥१४१॥
viśvabhāvaikabhāvātmasvarūpaprathanaṃ hi yat । aṇūnāṃ tatparaṃ jñānaṃ tadanyadaparaṃ bahu ॥141॥
विश्व भाव एक भावात्म स्वरूप प्रथनं हि यत् अणूनां तत् परं ज्ञानं [viśva bhāva eka bhāvātma svarūpa prathanaṃ hi yat aṇūnāṃ tat paraṃ jñānaṃ] a revelação da própria natureza que é o único ser que é o ser de todas as coisas é o conhecimento supremo do self* तत् अन्यत् अपरं बहु [tat anyat aparaṃ bahu] o outro é inferior pois é múltiplo*
141- Mark Dyczkowski: "A experiência (plena e completa) (prathana) da própria natureza como o Ser único (bhava) de todos os seres é o conhecimento supremo (para) (da Deidade) que as almas individuais possuem. Inferior (apara) e múltiplo é aquele (conhecimento) que é diferente disso."

142- तच्च साक्षादुपायेन तदुपायादिनापि वा । प्रथमानं विचित्राभिर्भङ्गीभिरिह भिद्यते ॥१४२॥
tacca sākṣādupāyena tadupāyādināpi vā । prathamānaṃ vicitrābhirbhaṅgībhiriha bhidyate ॥142॥
तत् च साक्षात् उपायेन अपि वा तत् उपाय आदिन [tat ca sākṣāt upāyena api vā tat upāya ādina] esse conhecimento é revelado pelos meios diretos ou derivados* प्रथमानं विचित्राभिर् भङ्गीभिः इह भिद्यते [prathamānaṃ vicitrābhir bhaṅgībhiḥ iha bhidyate] e portanto divididos de maneiras diferentes*
142- Mark Dyczkowski: "E esse conhecimento, revelado (prathamāna) por meio um direto, bem como (aqueles que são) meios para aquele (meio direto) etc., é dividido aqui em modalidades (maravilhosamente) diversas (vicitra)"

143- तत्रापि स्वपरद्वारद्वारित्वात्सर्वश्ॐऽशशः । व्यवधानाव्यवधिना भूयान्भेदः प्रवर्तते ॥१४३॥
tatrāpi svaparadvāradvāritvātsarvaśoṃ'śaśaḥ । vyavadhānāvyavadhinā bhūyānbhedaḥ pravartate ॥143॥
tatra api sva para dvāra dvāritvāt sarvaśa aṃśaśaḥ vyavadhāna avyavadhinā bhūyān bhedaḥ pravartate*
143- Mark Dyczkowski: "Ali (nesse caso) também, esses (meios) são de muitos tipos, conforme sejam (diretos ou) mediados em relação a si mesmos ou a outrem, em todos os aspectos ou parte por parte, com ou sem (obstáculos) interpostos."
Raniero Gnoli: "De todas estas variedades existem, por sua vez, outras subespécies, determinadas por isto, que os meios referidos podem ser apresentados como mediadores ou mediados em relação a si mesmos ou a outrem, de forma total ou parcial, com ou sem elementos intervenientes."

144- ज्ञानस्य चाभ्युपायो यो न तदज्ञानमुच्यते । ज्ञानमेव तु तत्सूक्ष्मं परं त्विच्छात्मकं मतम् ॥१४४॥
jñānasya cābhyupāyo yo na tadajñānamucyate । jñānameva tu tatsūkṣmaṃ paraṃ tvicchātmakaṃ matam ॥144॥
च अभ्युपायः यः ज्ञानस्य न तत् अज्ञानम् उच्यते [ca abhyupāyaḥ yaḥ jñānasya na tat ajñānam ucyate] os meios para alcançar o conhecimento não tem a natureza da ignorância* ज्ञानम् एव तु मतम् तत् सूक्ष्मं तु परं इच्छा आत्मकं [jñānam eva tu matam tat sūkṣmaṃ tu paraṃ icchā ātmakaṃ] mas de conhecimento sutil inerente à suprema vontade*
144- Mark Dyczkowski: "O meio para o conhecimento não é considerado a ausência de conhecimento (ajñāna), (mas sim) o próprio conhecimento; (contudo,) aquilo que é mais sutil do que isso é considerado o meio supremo. É (o poder da) vontade (icchā) (para a realização que atinge seu objetivo instantaneamente)."

145- उपायोपेयभावस्तु ज्ञानस्य स्थौल्यविश्रमः । एषैव च क्रियाशक्तिर्बन्धमोक्षैककारणम् ॥१४४॥
upāyopeyabhāvastu jñānasya sthaulyaviśramaḥ । eṣaiva ca kriyāśaktirbandhamokṣaikakāraṇam ॥145॥
उपाय उपेय भावः तु [upāya upeya bhāvaḥ tu] as condições caminho e objetivo* ज्ञानस्य स्थौल्य विश्रमः च एष इव क्रिया शक्तिः [jñānasya sthaulya viśramaḥ ca eṣa iva kriyā śaktiḥ] são falsas expressões de conhecimento na forma “bruta” do poder da atividade* बन्ध मोक्ष एक कारणम् [bandha mokṣa eka kāraṇam] que é a única causa da escravidão e da liberação*
145- Mark Dyczkowski: "(A noção de que existe) uma condição que é o meio, e outra que é o objetivo é (essencialmente) um erro (inerente ao) estado grosseiro do conhecimento, e que é o próprio poder da ação, que é a única causa (tanto da) escravidão quanto da libertação.”

146- तत्राद्ये स्वपरामर्शे निर्विकल्पैकधामनि । यत्स्फुरेत्प्रकटं साक्षात्तदिच्छाख्यं प्रकीर्तितम् ॥१४५॥
tatrādye svaparāmarśe nirvikalpaikadhāmani । yatsphuretprakaṭaṃ sākṣāttadicchākhyaṃ prakīrtitam ॥145॥
तत्र आद्या स्व परामर्शे निर्विकल्प एक धामनि साक्षात् यत् प्रकटं स्फुरेत् [tatra ādyā sva parāmarśe nirvikalpa eka dhāmani sākṣāt yat prakaṭaṃ sphuret] aquele conhecimento que surge imediatamente na consciência livre de construções mentais que se manifesta claramente* तत् इच्छा आख्यं प्रकीर्तितम् [tat icchā ākhyaṃ prakīrtitam] é o meio chamado de vontade (icchopāya)*
146- Mark Dyczkowski: "1) Ali (como tal), aquilo que se manifesta claramente no primeiro (momento da percepção) dentro da própria autoconsciência, a única morada (da) pura consciência livre de pensamentos, é dito ser o meio direto (saksat) (para a realização) chamado vontade (icchā)."

147- यथा विस्फुरितदृशामनुसन्धिं विनाप्यलम् । भाति भावः स्फुटस्तद्वत्केषामपि शिवात्मता ॥१४७॥
yathā visphuritadṛśāmanusandhiṃ vināpyalam । bhāti bhāvaḥ sphuṭastadvatkeṣāmapi śivātmatā ॥147॥
यथा विस्फुरित दृशाम् भावः भाति स्फुटः अपि विना अनुसन्धिं अलम् [yathā visphurita dṛśām bhāvaḥ bhāti sphuṭaḥ api vinā anusandhiṃ alam] assim como um objeto aparece claramente para quem está com os olhos abertos sem necessidade de concentração* तद्वत् केषाम् अपि शिव आत्मता [tadvat keṣām api śiva ātmatā] da mesma forma a natureza de śiva aparece para alguns*
147- Mark Dyczkowski: "Assim como uma entidade (bhāva) se manifesta clara (e diretamente) para aqueles cujos olhos (dṛk) estão bem abertos, sem ter que (aplicar sua mente para) determinar sua natureza (anusaṁdhi), da mesma forma a natureza de Śiva (se manifesta em um instante) para algumas (almas elevadas) também."

148- भूयो भूयो विकल्पांशनिश्चयक्रमचर्चनात् । यत्परामर्शमभ्येति ज्ञानोपायं तु तद्विदुः ॥१४८॥
bhūyo bhūyo vikalpāṃśaniścayakramacarcanāt । yatparāmarśamabhyeti jñānopāyaṃ tu tadviduḥ ॥148॥॥
भूयस् भूयस् विकल्प आंश निश्चय क्रम चर्चनात् [bhūyas bhūyas vikalpa āṃśa niścaya krama carcanāt] aqueles que percebem um objeto de forma clara e correta com base na certeza determinada pela repetição de sucessivas determinações mentais* यत् परामर्शम् अभ्येति ज्ञान उपायं तु तत् विदुः [yat parāmarśam abhyeti jñāna upāyaṃ tu tat viduḥ] pode alcançar parāmarśa este meio é conhecido como o caminho de conhecimento (jñānopāya)*
148- Mark Dyczkowski: "2) (Considerando que, se a consciência reflexiva clara e certa) (da própria identidade como todas as coisas) vier por deliberação repetida (carcana) sobre o processo (em desenvolvimento) de convicção (crescente) (niścayakrama) que faz parte da noção (vikalpa) (de que ‘Eu sou Śiva e tudo isso’), (os sábios) sabem que isso é de fato o meio baseado no conhecimento.’"

149- यत्तु तत्कल्पनाकॢप्तबहिर्भूतार्थसाधनम् । क्रियोपायं तदाम्नातं भेदो नात्रापवर्गगः ॥१४८॥
yattu tatkalpanākḷptabahirbhūtārthasādhanam । kriyopāyaṃ tadāmnātaṃ bhedo nātrāpavargagaḥ ॥148॥
तु तत् यत् आम्नातं क्रियोपायं [tu tat yat āmnātaṃ kriyopāyaṃ] mas esse que é considerado o meio de ação* तत् कल्पन कॢप्त बहिस् भूत आर्थसाधनम् [tat kalpana kḷpta bahis bhūta ārthasādhanam] utiliza como instrumentos meios externos concebidos por sua imaginação* भेदः न अत्र अपवर्गगः [bhedaḥ na atra apavargagaḥ] mas as diferenças entre esses upāyas não afetam a libertação*
149- Mark Dyczkowski: "3) Enquanto os meios baseados na ação são ensinados como sendo (aquele que utiliza como) meio (sadhana) uma entidade externa (artha) moldada (para servir como tal) por essa (mesma) conceitualização (kalpanā). Contudo a diversidade (de meios) não afeta o objetivo (que permanece de qualquer forma) da libertação. "

150- यतो नान्या क्रिया नाम ज्ञानमेव हि तत्तथा । रूढेर्योगान्ततां प्राप्तमिति श्रीगमशासने ॥१५०॥
yato nānyā kriyā nāma jñānameva hi tattathā । rūḍheryogāntatāṃ prāptamiti śrīgamaśāsane ॥150॥
श्रीगमशासने यतस् नाम क्रिया न अन्या ज्ञानम् [śrīgamaśāsane yatas nāma kriyā na anyā jñānam] o venerável gāmatantra afirma que a ação não difere do conhecimento* एव हि तत् रूढेः तथा योग अन्ततां प्राप्तम् इति [eva hi tat rūḍheḥ tathā yoga antatāṃ prāptam iti] esse conhecimento quando desenvolvido propriamente caracteriza o yoga*
150- M. Dyczkowski: "Pois a ação não difere (do conhecimento), pois o próprio conhecimento é tal (tatha) que ao desenvolvê-lo (e torná-lo firme), atinge-se o limite (mais elevado) do Yoga.’ (Diz-se) nos veneráveis ​​ensinamentos Gama (śāsana)."

151- योगो नान्यः क्रिया नान्या तत्त्वारूढा हि या मतिः । स्वचित्तवासनाशान्तौ सा क्रियेत्यभिधीयते ॥१५१॥
yogo nānyaḥ kriyā nānyā tattvārūḍhā hi yā matiḥ । svacittavāsanāśāntau sā kriyetyabhidhīyate ॥151॥
योगः न अन्यः क्रिया न अन्या [yogaḥ na anyaḥ kriyā na anyā] yoga e ação não diferem ente si* सा मतिः तत्त्व आरूढा हि या स्व चित्त वासना शान्तौ [sā matiḥ tattva ārūḍhā hi yā sva citta vāsanā śāntau] e que (mati) reside no princípio supremo enquanto pacifica as tendências da própria mente* अभिधीयते क्रिय इति [abhidhīyate kriya iti] é chamado kriyā*
151- M. Dyczkowski: "“Yoga não difere da ação (kriyā) e a ação não difere (de Yoga).’* A percepção (mati) que, elevada através dos princípios metafísicos (tattva), serve para apaziguar as impressões latentes (vāsanā) na própria mente”, é denominada ação.’."

152/153- स्वचित्ते वासनाः कर्ममलमायाप्रसूतयः । तासां शान्तिनिमित्तं या मतिः संवित्स्वभाविका ॥१५२॥
सा देहारम्भिबाह्यस्थतत्त्वव्राताधिशायिनी । क्रिया सैव च योगः स्यात्तत्त्वानां चिल्लयीकृतौ ॥१५३॥
svacitte vāsanāḥ karmamalamāyāprasūtayaḥ । tāsāṃ śāntinimittaṃ yā matiḥ saṃvitsvabhāvikā ॥152॥
sā dehārambhibāhyasthatattvavrātādhiśāyinī । kriyā saiva ca yogaḥ syāttattvānāṃ cillayīkṛtau ॥153॥
वासन स्व चित्त प्रसूतयः कर्ममल माया [vāsana sva citta prasūtayaḥ karmamala māyā] as impressões latentes na mente resultam de kārmamala āṇavamala e māyīyamala* सा मतिः संविद् स्वभाविका या शान्ति निमित्तं तासां [sā matiḥ saṃvid svabhāvikā yā śānti nimittaṃ tāsāṃ] a cognição (mati) que se identifica com a consciência é a causa da pacificação desses (vāsanas)* अधिशायिनी देह आरम्भि बाह्यस्थ तत्त्व व्रात [adhiśāyinī deha ārambhi bāhyastha tattva vrāta] está relacionada em todos os níveis começando pelo corpo* च स क्रिया एव स्यात् योगः तत्त्वानां चित् लयीकृतौ [ca sa kriyā eva syāt yogaḥ tattvānāṃ cit layīkṛtau] é esta ação como yoga que consiste em dissolver esses princípios na consciência*
152/153- M. Dyczkowski: "As impressões latentes na própria mente são produtos das
(três impurezas, a saber,) Āṇava, Māyīya e Karma. A percepção (mati) que é o meio de subjugá-las (śāntinimittam) é (essencialmente) a consciência, que repousa sobre (e utiliza) (adhiśāyinī) o grupo de princípios da realidade que, localizados externamente, geram o corpo. Essa mesma (percepção) é tanto ação quanto Yoga, engajada em fundir os princípios da realidade na consciência.”"

154- लोकेऽपि किल गच्छामीत्येवमन्तः स्फुरैव या । सा देहं देशमक्षांश्चाप्याविशन्ती गतिक्रिया ॥१५४॥
loke'pi kila gacchāmītyevamantaḥ sphuraiva yā । sā dehaṃ deśamakṣāṃścāpyāviśantī gatikriyā ॥154॥
अपि लोक किल सा स्फुर एव या गच्छामि ईति एवम् अन्तः [api loka kila sā sphura eva yā gacchāmi īti evam antaḥ] de fato mesmo na atividade normal a ideia de movimento a princípio interna* गति क्रिया आविशन्ती देहं देशम् च अपि अक्षांश् [gati kriyā āviśantī dehaṃ deśam ca api akṣāṃś] torna-se uma ação de ir quando penetra no corpo no espaço e nos órgãos motores*
154- M. Dyczkowski: "Mesmo no mundo (da vida cotidiana) (loka), o impulso interior (sphura) (da consciência) na forma (da intenção): ‘Eu vou’, penetrando o corpo, o órgão (de ação) e o local (para o qual é dirigido), (resulta em)  movimento (do corpo)."

155- तस्मात्क्रियापि या नाम ज्ञानमेव हि सा ततः । ज्ञानमेव विमोक्षाय युक्तं चैतदुदाहृतम् ॥१५५॥
tasmātkriyāpi yā nāma jñānameva hi sā tataḥ । jñānameva vimokṣāya yuktaṃ caitadudāhṛtam ॥155॥
तस्मात् क्रिय अपि या नाम ज्ञान एव [tasmāt kriya api yā nāma jñāna eva] o que se chama de ação nada mais é do que conhecimento* हि च एतद् उदाहृतम् सा ततः ज्ञान एव विमोक्षाय युक्तं [hi ca etad udāhṛtam sā tataḥ jñāna eva vimokṣāya yuktaṃ] assim é justificável dizer que somente o conhecimento é capaz de proporcionar libertação*
155- M. Dyczkowski: "Portanto, o que é (comumente) chamado de ação (ritual) é também (essencialmente) apenas (um tipo de) conhecimento. Assim, (embora a ação iógica e ritual seja a base deste meio de realização), o que foi dito (antes), ou seja, que somente o conhecimento é libertador, é (logicamente) correto.”"

156/157- मोक्षो हि नाम नैवान्यः स्वरूपप्रथनं हि सः । स्वरूपं चात्मनः संविन्नान्यत्तत्र तु याः पुनः ॥१५६॥
क्रियादिकाः शक्तयस्ताः संविद्रूपाधिका नहि । असंविद्रूपतायोगाद्धर्मिणश्चानिरूपणात् ॥१५७॥
mokṣo hi nāma naivānyaḥ svarūpaprathanaṃ hi saḥ । svarūpaṃ cātmanaḥ saṃvinnānyattatra tu yāḥ punaḥ ॥156॥
kriyādikāḥ śaktayastāḥ saṃvidrūpādhikā nahi । asaṃvidrūpatāyogāddharmiṇaścānirūpaṇāt ॥157॥
हि नाम मोक्ष सः न एव अन्यः स्व रूप प्रथनं [hi nāma mokṣa saḥ na eva anyaḥ sva rūpa prathanaṃ] de fato a libertação não é nada mais do que a manifestação da nossa própria natureza* हि स्व रूपं च आत्मनः संविद् न आन्यत् तत्र तु याः पुनः [hi sva rūpaṃ ca ātmanaḥ saṃvid na ānyat tatra tu yāḥ punaḥ] sendo esta nada mais do que é a própria consciência* // क्रिय आदिकाः शक्तयः ताः नहि संविद् रूप आधिकाः [kriya ādikāḥ śaktayaḥ tāḥ nahi saṃvid rūpa ādhikāḥ] essas energias (kriyāśakti jñānaśakti e icchāśakti) não são adicionadas à consciência pois nada existe além da consciência* च असंविद् रूपता योगात् अनिरूपणात् धर्मिणः [ca asaṃvid rūpatā yogāt anirūpaṇāt dharmiṇaḥ] e não se pode admitir a existência [diferente da consciência] de algo que carrega essas qualidades*
156/157- M. Dyczkowski: "A libertação nada mais é do que a experiência plena e completa (prathana) da própria natureza. E a natureza do Eu é a consciência pura. De fato, não há nada mais ali. Além disso, os diversos poderes de ação e o restante não diferem da natureza consciente, pois é irracional sustentar que algo mais possa existir que não seja consciência, e também porque as escrituras não descrevem nenhum fundamento subjacente a esses poderes que os possua como atributos. Em outras palavras, Śiva, que é a consciência universal, é Ele mesmo todos os Seus poderes."

158- परमेश्वरशास्त्रे हि न च काणाददृष्टिवत् । शक्तीनां धर्मरूपाणामाश्रयः कोऽपि कथ्यते ॥१५८॥
parameśvaraśāstre hi na ca kāṇādadṛṣṭivat । śaktīnāṃ dharmarūpāṇāmāśrayaḥ ko'pi kathyate ॥158॥
परमेश्वर शास्त्र हि न च कथ्यते काणाद दृष्टि वत् [parameśvara śāstra hi na ca kathyate kāṇāda dṛṣṭi vat] de acordo com as escrituras sagradas do senhor supremo não há como no sistema de kāṇāda referência* आश्रयः क अपि शक्तीनां धर्म रूपणाम् [āśrayaḥ ka api śaktīnāṃ dharma rūpaṇām] relacionada aos poderes se pertençam ou aos quais estão atribuídos*
158- M. Dyczkowski: "Ao contrário da visão de Kanada (Vaiśeṣika), “nas escrituras do Senhor Supremo”, não se diz haver qualquer substrato dos poderes (aos quais eles estão relacionados) como seus atributos (que estejam separados dele)."

159- ततश्च दृक्क्रियेच्छाद्या भिन्नाश्चेच्छक्तयस्तथा । एकः शिव इतीयं वाग्वस्तुशून्यैव जायते ॥१५९॥
tataśca dṛkkriyecchādyā bhinnāścecchaktayastathā । ekaḥ śiva itīyaṃ vāgvastuśūnyaiva jāyate ॥159॥
ततस् च चेत् दृक् क्रिय इच्छा आद्या शक्तयश् भिन्नाः [tatas ca cet dṛk kriya icchā ādyā śaktayaś bhinnāḥ] se os poderes do conhecimento da ação da vontade e outros fossem diferentes dele* तथा ईयं वाक् शिवः एकः इति [tathā īyaṃ vāk śivaḥ ekaḥ iti] então a concepção de há apenas um único śiva* एव जायते वस्तु शून्य [eva jāyate vastu śūnya] seria desprovida de realidade*
159- M. Dyczkowski: "Além disso, se os poderes da vontade, do conhecimento, da ação e os demais fossem independentes e separados de seu fundamento subjacente, a afirmação (vāc) ‘Śiva é um’ se tornaria desprovida de realidade"

160- तस्मात्संवित्त्वमेवैतत्स्वातन्त्र्यं यत्तदप्यलम् । विविच्यमानं बह्वीषु पर्यवस्यति शक्तिषु ॥१६०॥
tasmātsaṃvittvamevaitatsvātantryaṃ yattadapyalam । vivicyamānaṃ bahvīṣu paryavasyati śaktiṣu ॥160॥
तस्मात् एतत् संविद् त्वम् एव तद् अपि यत् स्वातन्त्र्यं [tasmāt etat saṃvid tvam eva tad api yat svātantryaṃ] portanto aquilo que é consciência é liberdade absoluta* अलम् विविच्यमानं पर्यवस्यति बह्वीषु शक्तिषु [alam vivicyamānaṃ paryavasyati bahvīṣu śaktiṣu] e na medida em que se diversifica resulta em múltiplos poderes*
160- M. Dyczkowski: “Portanto, a própria consciência é esta liberdade (do poder criativo), que (de acordo com a medida em que) é concebida (vivicyamāna) como este ou aquele (poder) resulta em muitos poderes.”.

161- यतश्चात्मप्रथा मोक्षस्तन्नेहाशङ्क्यमीदृशम् । नावश्यं कारणात्कार्यं तज्ज्ञान्यपि न मुच्यते ॥१६१॥
yataścātmaprathā mokṣastannehāśaṅkyamīdṛśam । nāvaśyaṃ kāraṇātkāryaṃ tajjñānyapi na mucyate ॥161॥
यतस् च मोक्षः आत्म प्रथा [yatas ca mokṣaḥ ātma prathā] como a liberação é a manifestação do self* तत् ज्ञानि अपि न मुच्यते तत् न इह ईदृशम् आशङ्क्यम् न अवश्यं कार्यं कारणात् [tat jñāni api na mucyate tat na iha īdṛśam āśaṅkyam na avaśyaṃ kāryaṃ kāraṇāt] portanto é impossível dizer que quem possui conhecimento pode não ser libertado baseado no argumento de que uma causa nem sempre pode produzir um efeito*
161- M. Dyczkowski: "Não há, portanto, qualquer dúvida (possível) aqui (com relação aos nossos ensinamentos, a saber) de que mesmo alguém que tenha conhecimento (completo) (jñānin) dessa (única realidade última) possa não ser libertado, (porque, embora o conhecimento seja a causa da libertação, ele pode não produzir seu resultado todas as vezes), já que uma causa não necessariamente dá origem ao seu efeito (imediatamente e em todos os casos). (Essa objeção é infundada), porque a libertação é (na verdade, nada mais do que) a experiência da própria identidade autêntica (ātmaprathā) (e não meramente seu efeito)."

162- यतो ज्ञानेन मोक्षस्य या हेतुफलतोदिता । न सा मुख्या ततो नायं प्रसङ्ग इति निश्चितम् ॥१६२॥
yato jñānena mokṣasya yā hetuphalatoditā । na sā mukhyā tato nāyaṃ prasaṅga iti niścitam ॥162॥
यतस् या उदिता मोक्षस्य ज्ञानेन न मुख्या सा हेतु फलत [yatas yā uditā mokṣasya jñānena na mukhyā sā hetu phalata] como libertação e conhecimento não estão ligados por uma relação de causa e efeito* ततस् इयं न प्रसंग इति निश्चितम् [tatas iyaṃ na prasaṃga iti niścitam] tal possibilidade deve ser excluída*
162- M. Dyczkowski: “CComo a relação que se diz existir entre conhecimento e libertação
não é primariamente causal, é certo que nenhuma consequência indesejável (prasaṅga) (deste tipo) é possível.”.

163- एवं ज्ञानस्वभावैव क्रिया स्थूलत्वमात्मनि । यतो वहति तेनास्यां चित्रता दृश्यतां किल ॥१६३॥
evaṃ jñānasvabhāvaiva kriyā sthūlatvamātmani । yato vahati tenāsyāṃ citratā dṛśyatāṃ kila ॥163॥
एवं क्रिया एव ज्ञानस्व भाव [evaṃ kriyā eva jñānasva bhāva] como a ação tem a natureza do conhecimento* यतस् वहति स्थूलत्वम् आत्मनि [yatas vahati sthūlatvam ātmani] mas carrega em si um aspecto de materialidade* तेन चित्रता अस्यां दृश्यतां किल [tena citratā asyāṃ dṛśyatāṃ kila] então percebe-se nela a diversidade (dos objetos)*
163- M. Dyczkowski: "Assim, como a ação, que é conhecimento por natureza, carrega em si um estado grosseiro dessa maneira, eis que nela reside o maravilhoso estado de diversidade."

164- क्रियोपायेऽभ्युपायानां ग्राह्यबाह्यविभेदिनाम् । भेदोपभेदवैविध्यान्निःसङ्ख्यत्वमवान्तरात् ॥१६४॥
kriyopāye'bhyupāyānāṃ grāhyabāhyavibhedinām । bhedopabhedavaividhyānniḥsaṅkhyatvamavāntarāt ॥164॥
क्रिय उपाय अभ्युपायानां ग्राह्य बाह्य विभेदिनाम् [kriya upāya abhyupāyānāṃ grāhya bāhya vibhedinām] kriyopāya é dividido em meios perceptíveis e meios externos* भेद उपभेद वैविध्यात् निःसङ्ख्यत्वम् अवान्तरात् [bheda upabheda vaividhyāt niḥsaṅkhyatvam avāntarāt] que são inumeráveis devido a muitas divisões e subdivisões*
164- M. Dyczkowski: "Os meios baseados na ação dividem-se em aqueles que são percebidos objetivamente (mas não se manifestam externamente, como é o caso da prática iogue interna) e externos (como o ritual). Estes são inumeráveis ​​porque possuem muitos tipos de divisões e subdivisões subsidiárias."

165- अनेन चैतत्प्रध्वस्तं यत्केचन शशङ्किरे । उपायभेदान्मोक्षेऽपि भेदः स्यादिति सूरयः ॥१६५॥
anena caitatpradhvastaṃ yatkecana śaśaṅkire । upāyabhedānmokṣe'pi bhedaḥ syāditi sūrayaḥ ॥165॥
अनेन च एतत् प्रध्वस्तं यत् केचन शशङ्किरे सूरयः [anena ca etat pradhvastaṃ yat kecana śaśaṅkire sūrayaḥ] tudo isto demonstra a inconsistência dos argumentos de alguns estudiosos* उपाय भेदात् मोक्ष अपि भेदः स्यात् इति [upāya bhedāt mokṣa api bhedaḥ syāt iti] que diferentes meios e caminhos levam a diferentes tipos de libertação*
165- M. Dyczkowski: "Assim, as dúvidas que alguns eruditos tinham são dissipadas, nomeadamente a de que, havendo uma diversidade de meios, deveria haver também uma diferença nas (formas de) libertação (às quais conduzem).."

166- मलतच्छक्तिविध्वंसतिरोभूच्युतिमध्यतः । हेतुभेदेऽपि नो भिन्ना घटध्वंसादिवृत्तिवत् ॥१६६॥
malatacchaktividhvaṃsatirobhūcyutimadhyataḥ । hetubhede'pi no bhinnā ghaṭadhvaṃsādivṛttivat ॥166॥
अपि हेतु भेद मल तत् शक्ति विध्वंस तिरोभू च्युति मध्यतः न भिन्नाः [api hetu bheda mala tat śakti vidhvaṃsa tirobhū cyuti madhyataḥ na bhinnāḥ] embora as causas possam ser diversas a destruição o desaparecimento e a remoção da impureza (mala) e o poder que a provoca são um só* घट ध्वंस आदि वृत्ति वत् [ghaṭa dhvaṃsa ādi vṛtti vat] assim como qualquer objeto inerte como uma jarra pode ser destruído*
166- M. Dyczkowski: "Embora as causas possam ser diversas, o resultado, a saber, a destruição, desaparecimento e remoção da impureza (mala) e o poder que a provoca são, no entanto, um só. Assim como qualquer objeto inerte, como uma jarra, pode ser destruído (de várias maneiras)."

167- तदेतत्त्रिविधत्वं हि शास्त्रे श्रीपूर्वनामनि । आदेशि परमेशित्रा समावेशविनिर्णये ॥१६७॥
tadetattrividhatvaṃ hi śāstre śrīpūrvanāmani । ādeśi parameśitrā samāveśavinirṇaye ॥167॥
तत् एतत् त्रिविधत्वं हि शास्त्र श्रीपूर्वनामनि आदेशि परम ईशित्रा [tat etat trividhatvaṃ hi śāstra śrīpūrvanāmani ādeśi parama īśitrā] esses três meios (śāmbhavopāya śāktopāya e āṇavopāya) foram ensinados pelo senhor supremo no mãlinīvijayottaratantra* समावेश विनिर्णये [samāveśa vinirṇaye] onde são descritas as interpenetrações (samāveśa)*
167- M. Dyczkowski: "As três (maneiras pelas quais a impureza é destruída) foram ensinadas pelo Senhor Supremo no Mālinīvijayottaratantra no decorrer da explicação (das formas) de penetração (samāveśa) (pela energia de Śiva) (no e pelo estado supremo). "

168- अकिञ्चिच्चिन्तकस्यैव गुरुणा प्रतिबोधतः । उत्पद्यते य आवेशः शाम्भवोऽसावुदीरितः ॥१६८॥
akiñciccintakasyaiva guruṇā pratibodhataḥ । utpadyate ya āveśaḥ śāmbhavo'sāvudīritaḥ ॥168॥
आवेशः उत्पद्यते गुरुणा प्रतिबोधतः एव अकिंचिद् चिन्तकस्य [āveśaḥ utpadyate guruṇā pratibodhataḥ eva akiṃcid cintakasya] a penetração śāmbhava que é produzida através de um intenso despertar para quem não pensa em nada* उदीरितः यः असाउ शाम्भवः [udīritaḥ yaḥ asāu śāmbhavaḥ] *é considerada pertencente a śiva
168- M. Dyczkowski: "(Ali lemos isso) a penetração (āveśa) que surge para quem não pensa em nada por meio do insight intenso e desperto (pratibodhataḥ), é considerada pertencente a Śiva (Śāmbhava)."

169- उच्चाररहितं वस्तु चेतसैव विचिन्तयन् । यं समावेशमाप्नोति शाक्तः सोऽत्राभिधीयते ॥१६९॥
uccārarahitaṃ vastu cetasaiva vicintayan । yaṃ samāveśamāpnoti śāktaḥ so'trābhidhīyate ॥169॥
यं समावेशम् आप्नोति विचिन्तयन् एव वस्तु चेतसा उच्चार रहितं [yaṃ samāveśam āpnoti vicintayan eva vastu cetasā uccāra rahitaṃ] a interpenetração obtida pela meditação apenas através da mente em um objeto sem recitação de mantra* अत्र सः अभिधीयते शाक्तः [atra saḥ abhidhīyate śāktaḥ] é considerada aqui como śākti*
169- M. Dyczkowski: "A penetração alcançada pela percepção da realidade (vastu) apenas pela mente, desprovida da expressão do mantra (uccāra), é aqui considerada unicamente pertencente a śākti (śākta)."

170- उच्चारकरणध्यानवर्णस्थानप्रकल्पनैः । यो भवेत्स समावेशः सम्यगाणव उच्यते ॥१७०॥
uccārakaraṇadhyānavarṇasthānaprakalpanaiḥ । yo bhavetsa samāveśaḥ samyagāṇava ucyate ॥170॥
स सम्यक् समावेशः यः भवेत् उच्चार करण ध्यान वर्ण स्थानप्रकल्पना [sa samyak samāveśaḥ yaḥ bhavet uccāra karaṇa dhyāna varṇa sthānaprakalpanā] a interpenetração obtida pela recitação de mantras pela disciplina corporal pela meditação por meio dos fonemas ou pela fixação em um ponto de apoio* आणव उच्यते [āṇava ucyate] é chamada āṇava (pertencente ao indivíduo)*
170- M. Dyczkowski: "A penetração que ocorre pela pronúncia do mantra (uccāra), das posturas corporais (karaṇa), da meditação (dhyāna), das letras (varṇa) e da formação de suportes (sthānakalpanā) é apropriadamente considerada como pertencente ao alma individual (āṇava)."

171- अकिञ्चिच्चिन्तकस्येति विकल्पानुपयोगिता । तया च झटिति ज्ञेयसमापत्तिर्निरूप्यते ॥१७१॥
akiñciccintakasyeti vikalpānupayogitā । tayā ca jhaṭiti jñeyasamāpattirnirūpyate ॥171॥
अकिञ्चिद् चिन्तकस्य इति विकल्प अनुपयोगिता [akiñcid cintakasya iti vikalpa anupayogitā] para quem está sem pensamento significa para quem está sem vikalpa (pensamento discursivo)* च तया निरूप्यते झटिति ज्ञेय समापत्तिः [ca tayā nirūpyate jhaṭiti jñeya samāpattiḥ] ocorre uma percepção imediata do que deve ser conhecido*
171- M. Dyczkowski: "A expressão 'aquele que não pensa em nada''' (implica que neste meio) as construções de pensamento são inúteis. Assim, (como elas são inúteis e não surgem), a obtenção do objeto de realização (jñeyasamāpatti) é considerada instantânea."

172- सा कथं भवतीत्याह गुरुणातिगरीयसा । ज्ञेयाभिमुखबोधेन द्राक्प्ररूढत्वशालिना ॥१७२॥
sā kathaṃ bhavatītyāha guruṇātigarīyasā । jñeyābhimukhabodhena drākprarūḍhatvaśālinā ॥172॥
कथं सा भवति ईति आह गुरुणा अतिगरीयसा [kathaṃ sā bhavati īti āha guruṇā atigarīyasā] como isso acontece (diz o senhor) através de um despertar muito forte* ज्ञेय अभिमुख बोधेन द्राक् प्ररूढत्व शालिना [jñeya abhimukha bodhena drāk prarūḍhatva śālinā] orientado para o que deve ser conhecido e que se desenvolve num instante*
172- M. Dyczkowski: "Como isso acontece? (Isso acontece), diz (o Senhor) por meio daquele insight extremamente intenso e desperto (bodha) direcionado ao objeto de realização (jñeya) que se desenvolve em um instante."

173a- तृतीयार्थे तसि व्याख्या वा वैयधिकरण्यतः ॥१७३a॥
tṛtīyārthe tasi vyākhyā vā vaiyadhikaraṇyataḥ ॥173a॥
तृतीय आर्थे तसि व्याख्या वा वैयधिकरण्यतः [tṛtīya ārthe tasi vyākhyā vā vaiyadhikaraṇyataḥ] *
173a- M. Dyczkowski: "(O sufixo) ‘tasi’ (no final da palavra ‘prabodhatah’), de acordo com esta explicação (do verso no Mālinīvijayottaratantra), opcionalmente confere (à palavra à qual é sufixado) o sentido do caso instrumental. Caso contrário, (as duas palavras também podem ser entendidas) como não estando em concordância."
L. Silburn, A. Padoux: “o sufixo 'tas' (de pratibodhatas: despertar - do verso no Mālinīvijayottaratantra) tem valor instrumental. Os dois termos (guruṇā' e pratibodhatas) podem, no entanto, ser lidos como não relacionados entre si [neste caso], a penetração (āveśa) é produzida por um despertar (pratibodhatas) devido ao mestre (guruna)."

173b/174a- आवेशश्चास्वतन्त्रस्य स्वतद्रूपनिमज्जनात् ॥१७३b॥
परतद्रूपता शम्भोराद्याच्छक्त्यविभागिनः ॥१७४a॥
āveśaścāsvatantrasya svatadrūpanimajjanāt ॥173b॥
paratadrūpatā śambhorādyācchaktyavibhāginaḥ ॥174a॥
आवेशः च आस्वतन्त्रस्य स्व तद् रूप निमज्जनात् [āveśaḥ ca āsvatantrasya sva tad rūpa nimajjanāt] * // पर तद् रूपता शम्भोः आद्यात् शक्ति अविभागिनः [para tad rūpatā śambhoḥ ādyāt śakti avibhāginaḥ] *
173b/174a- M. Dyczkowski: "(E o termo 'penetração' (āveśa) é aquele estado (de identidade) com a suprema (consciência desperta) (para-tad-rūpatā) (que emerge) de Śambhu, que é indiviso de (Seu próprio) poder e precede (todos os outros meios de realização). (Isso ocorre) em virtude da submersão daquela natureza (contraída) daquele que não é livre (asvatantra), que é a própria (svatadriipata)."
L. Silburn, A. Padoux: “A penetração (āveśa), que é a identificação com o Supremo, consiste em imergir a própria natureza [individual] privada de liberdade, e esta, devido ao Śambhu primordial (ādya), inseparável de suas energias."

174b/175/176a- तेनायमत्र वाक्यार्थो विज्ञेयं प्रोन्मिषत्स्वयम् ॥१७४ब्॥
विनापि निश्चयेन द्राक् मातृदर्पणबिम्बितम् । मातारमधरीकुर्वत् स्वां विभूतिं प्रदर्शयत् ॥१७५॥
आस्ते हृदयनैर्मल्यातिशये तारतम्यतः ॥१७६अ॥
tenāyamatra vākyārtho vijñeyaṃ pronmiṣatsvayam ॥174b॥
vināpi niścayena drāk mātṛdarpaṇabimbitam । mātāramadharīkurvat svāṃ vibhūtiṃ pradarśayat ॥175॥
āste hṛdayanairmalyātiśaye tāratamyataḥ ॥176a॥
तेन अयम् अत्र वाक्य अर्थः विज्ञेयं प्रोन्मिषत् स्वयम् [tena ayam atra vākya arthaḥ vijñeyaṃ pronmiṣat svayam] * // विन अपि निश्चयेन द्राक् मातृ दर्पण बिम्बितम् मातारम् अधरीकुर्वत् स्वां विभूतिं प्रदर्शयत् [vina api niścayena drāk mātṛ darpaṇa bimbitam mātāram adharīkurvat svāṃ vibhūtiṃ pradarśayat] * // आस्ते हृदय नैर्मल्य अतिशये तारतम्यतः [āste hṛdaya nairmalya atiśaye tāratamyataḥ] *
174b/175/176a- M. Dyczkowski: "Assim, o significado desta afirmação aqui é o seguinte: o objeto da realização (jñeya), desdobrando-se espontaneamente por si mesmo, mesmo sem (qualquer) intelecção (niścaya) interveniente, subordinando subitamente o sujeito (limitado) refletido no espelho do sujeito (supremo) (mātṛ), revelando continuamente sua própria glória (vibhūti), permanece em níveis cada vez mais elevados (taratamyatah) dentro da excelência da pureza (nairmalya) do Coração (da consciência reflexiva)."
L. Silburn, A. Padoux: “[O verso 168] significa, de fato, que o que é eminentemente digno de ser conhecido, floresce espontaneamente, de repente, além de toda certeza [intelectual] (niścaya), subjugando o sujeito consciente [limitado] que se reflete no espelho do intelecto. Permanecendo assim no coração eminentemente puro, aquilo que é digno de ser conhecido é ali gradualmente revelado em toda a sua glória.”

176b/177/178a- ज्ञेयं द्विधा च चिन्मात्रं जडं चाद्यं च कल्पितम् ॥१७६b॥
इतरत्तु तथा सत्यं तद्विभागोऽयमीदृशः । जडेन यः समावेशः स प्रतिच्छन्दकाकृतिः ॥१७७॥
चैतन्येन समावेशस्तादात्म्यं नापरं किल ॥१७८a॥
jñeyaṃ dvidhā ca cinmātraṃ jaḍaṃ cādyaṃ ca kalpitam ॥176b॥
itarattu tathā satyaṃ tadvibhāgo'yamīdṛśaḥ । jaḍena yaḥ samāveśaḥ sa praticchandakākṛtiḥ ॥177॥
caitanyena samāveśastādātmyaṃ nāparaṃ kila ॥178a॥
ज्ञेयं द्विधा च चित् मात्रं जडं च आद्यं च कल्पितम् [jñeyaṃ dvidhā ca cit mātraṃ jaḍaṃ ca ādyaṃ ca kalpitam] * // इतरत् तु तथा सत्यं तद् विभागः अयम् ईदृशः जडेन यः समावेशः स प्रतिच्छन्दक आकृतिः [itarat tu tathā satyaṃ tad vibhāgaḥ ayam īdṛśaḥ jaḍena yaḥ samāveśaḥ sa praticchandaka ākṛtiḥ] * // चैतन्येन समावेशस् तादात्म्यं न अपरं किल [caitanyena samāveśas tādātmyaṃ na aparaṃ kila] *
176b/177/178a- L. Silburn, A. Padoux: “Duplo é o que pode ser conhecido: o insensível e a pura consciência. O primeiro é imaginário (kalpita), o outro, verdadeiro. Assim é essa divisão em dois. A interpenetração própria da parte insensível assume a forma específica do reflexo; a interpenetração própria da consciência absoluta (caitanya) é pura identidade.”

178b/179a- तेनाविकल्पा संवित्तिर्भावनाद्यनपेक्षिणी ॥१७८b॥
शिवतादात्म्यमापन्ना समावेशोऽत्र शाम्भवः ॥१७९a॥
tenāvikalpā saṃvittirbhāvanādyanapekṣiṇī ॥178b॥
śivatādātmyamāpannā samāveśo'tra śāmbhavaḥ ॥179a॥
तेन आविकल्पा संवित्तिः भावन आदि अनपेक्षिणी [tena āvikalpā saṃvittiḥ bhāvana ādi anapekṣiṇī] * // शिव तादात्म्यम् आपन्ना समावेश अत्र शांभवः [śiva tādātmyam āpannā samāveśa atra śāṃbhavaḥ] *
178b/179a- L. Silburn, A. Padoux: “É por isso que a interpenetração específica de Śambhu (sãmbhavasamãvesa), é uma consciência indiferenciada, independente de toda meditação, etc., onde se alcança a identidade com Śiva (śivatādātmyam).”

179b/180a- तत्प्रसादात्पुनः पश्चाद्भाविनोऽत्र विनिश्चयाः ॥१७९b॥
सन्तु तादात्म्यमापन्ना न तु तेषामुपायता ॥१८०a॥
tatprasādātpunaḥ paścādbhāvino'tra viniścayāḥ ॥179a॥
santu tādātmyamāpannā na tu teṣāmupāyatā ॥180a॥
तत् प्रसादात् पुनः पश्चात् भाविनः स्त्र विनिश्चयाः [tat prasādāt punaḥ paścāt bhāvinaḥ stra viniścayāḥ] * // सन्तु तादात्म्यम् आपन्नाः न तु तेषाम् उपायता [santu tādātmyam āpannāḥ na tu teṣām upāyatā] *
179b/180a- L. Silburn, A. Padoux: “Graças a ela, as certezas intelectuais que então se desenvolvem podem alcançar a identidade [com Śiva], mas sem poder ser [por sua vez] meios [de acesso ao Supremo].”

179b/180a- विकल्पापेक्षया मानमविकल्पमिति ब्रुवन् ॥१७९b॥
प्रत्युक्त एव सिद्धं हि विकल्पेनानुगम्यते ॥१८०a॥
vikalpāpekṣayā mānamavikalpamiti bruvan ॥179b॥
pratyukta eva siddhaṃ hi vikalpenānugamyate ॥180a॥
विकल्प अपेक्षया मानम् अविकल्पम् इति ब्रुवन् [vikalpa apekṣayā mānam avikalpam iti bruvan] * // प्रत्युक्तः एव सिद्धं हि विकल्पेन अनुगम्यते [pratyuktaḥ eva siddhaṃ hi vikalpena anugamyate] *
179b/180a- L. Silburn, A. Padoux: “Para aqueles que afirmam que demonstramos conhecimento indiferenciado com a ajuda do vikalpa, respondemos que ele apenas confirma o que já é evidente (siddha).”

181b/182a- गृहीतमिति सुस्पष्टा निश्चयस्य यतः प्रथा ॥१८१a॥
गृह्णामीत्यविकल्पैक्यबलात्तु प्रतिपद्यते ॥१८२b॥
gṛhītamiti suspaṣṭā niścayasya yataḥ prathā ॥181b॥
gṛhṇāmītyavikalpaikyabalāttu pratipadyate ॥182a॥
गृहीतम् इति सुस्पष्टा निश्चयस्य यतः प्रथा [gṛhītam iti suspaṣṭā niścayasya yataḥ prathā] * // गृह्णामि इति अविकल्प ऐक्य बलात् तु प्रतिपद्यते [gṛhṇāmi iti avikalpa aikya balāt tu pratipadyate] *
181b/182a- L. Silburn, A. Padoux: “Dizer “isto é percebido” procede do desenvolvimento manifesto de uma certeza [de natureza intelectual], mas dizer “eu percebo” resulta do poder da identificação com o indiferenciado.”

182b/183a- अविकल्पात्मसंवित्तौ या स्फुरत्तैव वस्तुनः ॥१८२ब्॥
सा सिद्धिर्न विकल्पात्तु वस्त्वपेक्षाविवर्जितात् ॥१८३अ॥
avikalpātmasaṃvittau yā sphurattaiva vastunaḥ ॥182b॥
sā siddhirna vikalpāttu vastvapekṣāvivarjitāt ॥183a॥
अविकल्प आत्म संवित्तौ या स्फुरत्ता एव वस्तुनः [avikalpa ātma saṃvittau yā sphurattā eva vastunaḥ] * // सा सिद्धिः न विकल्पात् तु वस्तु अपेक्षा विवर्जितात् [sā siddhiḥ na vikalpāt tu vastu apekṣā vivarjitāt] *
182b/183a- L. Silburn, A. Padoux: “A manifestação da coisa na consciência indiferenciada, é sua evidência. Isto não decorre de um pensamento diferenciador, porque é desprovido de referência objetiva.”

183a/184a- केवलं संविदः सोऽयं नैर्मल्येतरविभ्रमः ॥१८३b॥
यद्विकल्पानपेक्षत्वसापेक्षत्वे निजात्मनि ॥१८४a॥
kevalaṃ saṃvidaḥ so'yaṃ nairmalyetaravibhramaḥ ॥183b॥
yadvikalpānapekṣatvasāpekṣatve nijātmani ॥184a॥
केवलं संविदः सः अयं नैर्मल्य इतर विभ्रमः [kevalaṃ saṃvidaḥ saḥ ayaṃ nairmalya itara vibhramaḥ] * // यद् विकल्प अन् अपेक्षत्व स अपेक्षत्वे निज आत्मनि [yad vikalpa an apekṣatva sa apekṣatve nija ātmani] *
183a/184a- L. Silburn, A. Padoux: “Se a Consciência é dependente ou não do pensamento diferenciador é devido unicamente ao fato de que a Consciência aparece de forma variável, pura ou impura.”

184b/185/186a- निशीथेऽपि मणिज्ञानी विद्युत्कालप्रदर्शितान् ॥१८४b॥
तांस्तान्विशेषांश्चिनुते रत्नानां भूयसामपि । नैर्मल्यं संविदश्चेदं पूर्वाभ्यासवशादथो ॥१८५॥
अनियन्त्रेश्वरेच्छात इत्येतच्चर्चयिष्यते ॥१८६a॥
niśīthe'pi maṇijñānī vidyutkālapradarśitān ॥184b॥
tāṃstānviśeṣāṃścinute ratnānāṃ bhūyasāmapi । nairmalyaṃ saṃvidaścedaṃ pūrvābhyāsavaśādatho ॥185॥
aniyantreśvarecchāta ityetaccarcayiṣyate ॥186a॥
निशीथ अपि मणिज्ञानी विद्युत् काल प्रदर्शितान् [niśītha api maṇijñānī vidyut kāla pradarśitān] * // तांस्तान् विशेषां चिनुते रत्नानां भूयसाम् अपि नैर्मल्यं संविदः च इदं पूर्व अभ्यास वशात् अथो [tāṃstān viśeṣāṃ cinute ratnānāṃ bhūyasām api nairmalyaṃ saṃvidaḥ ca idaṃ pūrva abhyāsa vaśāt atho] * // अनियन्त्र ईश्वर इच्छातई इति एतद् चर्चयिष्यते [aniyantra īśvara icchātaī iti etad carcayiṣyate] *
184b/185/186a- L. Silburn, A. Padoux: “Um joalheiro pode perceber as particularidades de um grande número de pedras, mesmo que elas sejam mostradas à noite, durante um clarão. Tal pureza de consciência deve ser à prática em vidas passadas ou à vontade do Soberano (Īśvara) que não está restringida por nada. isso será explicado mais tarde.”

186b/187/188- पञ्चाशद्विधता चास्य समावेशस्य वर्णिता ॥१८६b॥
तत्त्वषट्त्रिंशकैतत्स्थस्फुटभेदाभिसन्धितः । एतत्तत्त्वान्तरे यत्पुंविद्याशक्त्यात्मकं त्रयम् ॥१८७॥
अम्भोधिकाष्ठाज्वलनसङ्ख्यैर्भेदैर्यतः क्रमात् । पुंविद्याशक्तिसञ्ज्ञं यत्तत्सर्वव्यापकं यतः ॥१८८॥
pañcāśadvidhatā cāsya samāveśasya varṇitā ॥186b॥
tattvaṣaṭtriṃśakaitatsthasphuṭabhedābhisandhitaḥ । etattattvāntare yatpuṃvidyāśaktyātmakaṃ trayam ॥187॥
ambhodhikāṣṭhājvalanasaṅkhyairbhedairyataḥ kramāt । puṃvidyāśaktisañjñaṃ yattatsarvavyāpakaṃ yataḥ ॥188॥
पञ्चा शद्विधता च अस्य समावेशस्य वर्णिता [pañcā śadvidhatā ca asya samāveśasya varṇitā] * // तत्त्व षट्त्रिंशक एतत् स्थ स्फुट भेद अभिसन्धितः एतत् तत्त्व अन्तरे यद् पुं विद्या शक्त्यात्मकं त्रयम् [tattva ṣaṭtriṃśaka etat stha sphuṭa bheda abhisandhitaḥ etat tattva antare yad puṃ vidyā śaktyātmakaṃ trayam] * अम्भोधि काष्ठा ज्वलन संख्यैः भेदैः यतः क्रमात् पुं विद्या शक्ति संज्ञं यद् तद् सर्व व्यापकं यतः [ambhodhi kāṣṭhā jvalana saṃkhyaiḥ bhedaiḥ yataḥ kramāt puṃ vidyā śakti saṃjñaṃ yad tad sarva vyāpakaṃ yataḥ] *
186b/187/188- L. Silburn, A. Padoux: “[Um Antigo Tratado: Mālinīvijayottaratantra] descreve cinquenta formas desta compensação resultantes das diferenças que existem entre [alguns dos] 36 tattvas. [De fato], três destes, ser individual (puṃ), ciência (vidyā) energia (śakti) dividem-se respectivamente em quatro, dez e três aspectos e 'penetram' (vyâpaka) todos os outros.”

189- अव्यापकेभ्यस्तेनेदं भेदेन गणितं किल । अशुद्धिशुद्ध्यमानत्वशुद्धितस्तु मिथोऽपि तत् ॥१८९॥
avyāpakebhyastenedaṃ bhedena gaṇitaṃ kila । aśuddhiśuddhyamānatvaśuddhitastu mitho'pi tat ॥189॥
तेन इदं गणितं भेदेन अव्यापकेभ्यः किल [tena idaṃ gaṇitaṃ bhedena avyāpakebhyaḥ kila] portanto este grupo de três é considerado separadamente porque não permeia todos* तद् अपि मिथस् अशुद्धि शुद्ध्यमानत्व तु शुद्धितः [tad api mithas aśuddhi śuddhyamānatva tu śuddhitaḥ] eles se distinguem entre si por serem impuros puros e impuros ou puros*
189- L. Silburn, A. Padoux: “L. Silburn, A. Padoux: “É por isso que os contamos separadamente dos outros, que não são 'penetrantes'. Por outro lado, eles [são] distinguidos entre si por serem respectivamente: impuros, puros e impuros, e puros.”

190- भूतान्यध्यक्षसिद्धानि कार्यहेत्वनुमेयतः । तत्त्ववर्गात्पृथग्भूतसमाख्यान्यत एव हि ॥१९०॥
bhūtānyadhyakṣasiddhāni kāryahetvanumeyataḥ । tattvavargātpṛthagbhūtasamākhyānyata eva hi ॥190॥
भूतानि अध्यक्ष सिद्धानि [bhūtāni adhyakṣa siddhāni] os elementos densos são conhecidos diretamente* पृथग्भूत समाख्यानि अत एव हि तत्त्व वर्गात् [pṛthagbhūta samākhyāni ata eva hi tattva vargāt] são portanto listados separadamente* अनुमेयतः कार्य हेतु [anumeyataḥ kārya hetu] (os outros) são inferidos pela relação causa efeito*
190- M. Dyczkowski: "(A existência) dos elementos grosseiros (bhūta) é provada pela percepção direta e, portanto, eles são classificados separadamente do (outro) grupo de princípios (tattva), (cuja existência) só pode ser inferida por (seus) efeitos, (dos quais são) a causa (kāryahetu)."
L. Silburn, A. Padoux: “Os elementos grosseiros (bhūta) são diretamente perceptíveis. Eles são, portanto, listados separadamente dos outros tattvas, cuja existência é deduzida do efeito para a causa.”

191- सर्वप्रतीतिसद्भावगोचरं भूतमेव हि । विदुश्चतुष्टये चात्र सावकाशे तदास्थितिम् ॥१९१॥
sarvapratītisadbhāvagocaraṃ bhūtameva hi । viduścatuṣṭaye cātra sāvakāśe tadāsthitim ॥191॥
भूतम् एव हि सर्व प्रतीति सत् भाव गोचरं [bhūtam eva hi sarva pratīti sat bhāva gocaraṃ] ('bhuta' significa existente) porque um 'existente' é aquele cuja verdadeira natureza é perceptível por todos* विदुः अत्र तद् आस्थितिम् चतुष्टये च स अवकाशे [viduḥ atra tad āsthitim catuṣṭaye ca sa avakāśe] isto é reconhecido nos quatro elementos além do espaço*
191- M. Dyczkowski: "(Os elementos grosseiros são chamados de ‘bhūta’, que significa literalmente ‘existente’, porque) um ‘existente’ é aquilo cuja verdadeira natureza é percebida por todos, e sabe-se que esse é o caso aqui com quatro (dos cinco elementos grosseiros), juntamente com o espaço (āvakāśa) (como o quinto)."

192/193/194/195- रुद्रशक्तिसमावेशः पञ्चधा ननु चर्च्यते । कोऽवकाशो भवेत्तत्र भौतावेशादिवर्णने ॥१९२॥
प्रसङ्गादेतदितिचेत्समाधिः सम्भवन्नयम् । नास्माकं मानसावर्जी लोको भिन्नरुचिर्यतः ॥१९३॥
उच्यते द्वैतशास्त्रेषु परमेशाद्विभेदिता । भूतादीनां यथा सात्र न तथा द्वयवर्जिते ॥१९४॥
यावान्षट्त्रिंशकः सोऽयं यदन्यदपि किञ्चन । एतावती महादेवी रुद्रशक्तिरनर्गला ॥१९५॥
rudraśaktisamāveśaḥ pañcadhā nanu carcyate । ko'vakāśo bhavettatra bhautāveśādivarṇane ॥192॥
prasaṅgādetaditicetsamādhiḥ sambhavannayam । nāsmākaṃ mānasāvarjī loko bhinnaruciryataḥ ॥193॥
ucyate dvaitaśāstreṣu parameśādvibheditā । bhūtādīnāṃ yathā sātra na tathā dvayavarjite ॥194॥
yāvānṣaṭtriṃśakaḥ so'yaṃ yadanyadapi kiñcana । etāvatī mahādevī rudraśaktiranargalā ॥195॥
रुद्र शक्ति समावेशः पञ्चधा ननु चर्च्यते कः अवकाशः भवेत् तत्र भौत आवेश आदि वर्णने [rudra śakti samāveśaḥ pañcadhā nanu carcyate kaḥ avakāśaḥ bhavet tatra bhauta āveśa ādi varṇane] * // प्रसंगात् एतद् इति चेत् समाधिः संभवन् अयम् न आस्माकं मानस आवर्जी लोकः भिन्न रुचिः यतस् [prasaṃgāt etad iti cet samādhiḥ saṃbhavan ayam na āsmākaṃ mānasa āvarjī lokaḥ bhinna ruciḥ yatas] * // उच्यते द्वैत शास्त्रेषु परम ईशात् विभेदिता भूत आदीनां यथा सा अत्र न तथा द्वय वर्जिते [ucyate dvaita śāstreṣu parama īśāt vibheditā bhūta ādīnāṃ yathā sā atra na tathā dvaya varjite] * // यावान् षट्त्रिंशकः सः अयं यद् अन्यत् अपि किञ्चन एतावती महा देवी रुद्र शक्तिः अनर्गला [yāvān ṣaṭtriṃśakaḥ saḥ ayaṃ yad anyat api kiñcana etāvatī mahā devī rudra śaktiḥ anargalā] *
192/193/194/195- M. Dyczkowski: "Certamente, (alguém pode perguntar: o Mālinīvijayottara) está expondo a penetração quíntupla do poder de Rudra, então qual a ocasião para descrever a penetração dos Elementos e o restante ali (nesse contexto)? Se você justificasse isso dizendo que este (tópico é discutido ali apenas) incidentalmente (no curso da discussão principal), nossa resposta é que pessoas sem visões (sensatas) e com gostos diferentes dos (nossos) não são do nosso povo. (Respondemos) que não é dito aqui (nesta visão), que é livre de dualismo, que os Elementos são diferentes do Senhor Supremo, como ocorre nas escrituras dualistas. Assim como todo este grupo de trinta e seis (princípios) e também tudo o mais (que possa existir), tal é a extensão da Grande Deusa, que é o poder de Rudra livre de (todas) restrições."

196- तत एव द्वितीयेऽस्मिन्नधिकारे न्यरूप्यत । धरादेर्विश्वरूपत्वं पाञ्चदश्यादिभेदतः ॥१९६॥
tata eva dvitīye'sminnadhikāre nyarūpyata । dharāderviśvarūpatvaṃ pāñcadaśyādibhedataḥ ॥196॥
तत एव द्वितीय अस्मिन् अधिकारे [tata eva dvitīya asmin adhikāre] é por isso que no segundo capítulo do (mālinīvijayottaratantra)* विश्व रूपत्वं धरा आदेः न्यरूप्यत [viśva rūpatvaṃ dharā ādeḥ nyarūpyata] a oniformidade da terra e outros (princípios) foram descritos* पाञ्चदश्य आदि भेदतः [pāñcadaśya ādi bhedataḥ] devido à sua subdivisão em quinze, etc*
196- M. Dyczkowski: "Assim (esta é a razão pela qual o Senhor) descreveu no segundo capítulo deste (Vālinīvijayottara) a oniformidade da Terra e o resto (dos) princípios como tendo quinze etc. subdivisões."

197- तस्माद्यथा पुरस्थेऽर्थे गुणाद्यंशांशिकामुखात् । निरंशभावसम्बोधस्तथैवात्रापि बुध्यताम् ॥१९७॥
tasmādyathā purasthe'rthe guṇādyaṃśāṃśikāmukhāt । niraṃśabhāvasambodhastathaivātrāpi budhyatām ॥197॥
तस्मात् यथा पुरस्थ अर्थ निरंश भाव संबोधः [tasmāt yathā purastha artha niraṃśa bhāva saṃbodhaḥ] portanto é como no caso de um objeto que está diante de nós e que é apreendido em sua totalidade* गुण आदि अंशांशिका मुखात् तथ एव अत्र अपि बुध्यताम् [guṇa ādi aṃśāṃśikā mukhāt tatha eva atra api budhyatām] à partir das percepções parciais de suas qualidades*
197- M. Dyczkowski: “Portanto, assim como qualquer objeto que está diante de alguém é percebido como um todo indiviso, por meio das (percepções) parciais de suas qualidades e similares, saiba que da mesma forma aqui também (a totalidade da realidade pode ser apreendida parte por parte)."

198/199/200- अत एवाविकल्पत्वध्रौव्यप्राभववैभवैः । अन्यैर्वा शक्तिरूपत्वाद्धर्मैः स्वसमवायिभिः ॥१९८॥
सर्वशोऽप्यथ वांशेन तं विभुं परमेश्वरम् । उपासते विकल्पौघसंस्काराद्ये श्रुतोत्थितात् ॥१९९॥
ते तत्तत्स्वविकल्पान्तःस्फुरत्तद्धर्मपाटवात् । धर्मिणं पूर्णधर्मौघमभेदेनाधिशेरते ॥२००॥
ata evāvikalpatvadhrauvyaprābhavavaibhavaiḥ । anyairvā śaktirūpatvāddharmaiḥ svasamavāyibhiḥ ॥198॥
sarvaśo'pyatha vāṃśena taṃ vibhuṃ parameśvaram । upāsate vikalpaughasaṃskārādye śrutotthitāt ॥199॥
te tattatsvavikalpāntaḥsphurattaddharmapāṭavāt । dharmiṇaṃ pūrṇadharmaughamabhedenādhiśerate ॥200॥
अत एव अविकल्पत्व ध्रौव्य प्राभव वैभवैः अन्यैर्वा शक्ति रूपत्वात् धर्मैः स्व समवायिभिः [ata eva avikalpatva dhrauvya prābhava vaibhavaiḥ anyairvā śakti rūpatvāt dharmaiḥ sva samavāyibhiḥ] * //
सर्वशस् अपि अथ वा अंशेन तं विभुं परमेश्वरम् उपासते विकल्प ओघ संस्कारात् ये श्रुत उत्थितात् [sarvaśas api atha vā aṃśena taṃ vibhuṃ parameśvaram upāsate vikalpa ogha saṃskārāt ye śruta utthitāt] * //
ते तत् तत् स्व विकल्प अन्तर् स्फुरत् तद् धर्म पाटवात् धर्मिणं पूर्ण धर्म ओघम् अभेदेन अधिशेरते [te tat tat sva vikalpa antar sphurat tad dharma pāṭavāt dharmiṇaṃ pūrṇa dharma ogham abhedena adhiśerate] *
198/199/200- M. Dyczkowski: "Portanto, (há) aqueles que, pela purificação do fluxo de (seus) pensamentos que ocorre ao ouvir (e estudar os ensinamentos) (śruta), contemplam com reverência (upāsate) o Supremo Senhor Onipresente, seja em (Sua) totalidade ou parte por parte, por meio de Seus (divinos) atributos, como Sua (transcendência) além do pensamento, permanência, majestade, glória ou outros. (Todos esses atributos) são igualmente (o poder do Senhor) (em sua totalidade) e, como tal, inerentes (uns aos outros). Assim, pela intensidade (patava) de qualquer atributo (como ‘O Senhor Śiva é eterno’) manifestando-se em seu correspondente pensamento (repetidamente formado pela reflexão sobre os ensinamentos concernentes à Sua natureza), (a pessoa) chega a repousar em união com o possuidor de (todos) eles, que é a totalidade do fluxo (de todos os Seus) atributos divinos."

201- ऊचिवानत एव श्रीविद्याधिपतिरादरात् । त्वत्स्वरूपमविकल्पमक्षजा कल्पने न विषयीकरोति चेत् । अन्तरुल्लिखितचित्रसंविदो नो भवेयुरनुभूतयः स्फुटाः ॥२०१॥
ūcivānata eva śrīvidyādhipatirādarāt । tvatsvarūpamavikalpamakṣajā kalpane na viṣayīkaroti cet । antarullikhitacitrasaṃvido no bhaveyuranubhūtayaḥ sphuṭāḥ ॥201॥
अतस् एव श्री विद्याधिपतिः आदरात् ऊचिवान् [atas eva śrī vidyādhipatiḥ ādarāt ūcivān] assim respeitosamente disse śrī vidyādhipati* चेत् अक्षजा न त्वत् स्व रूपम् अविकल्पम् कल्पने विषयीकरोति [cet akṣajā na tvat sva rūpam avikalpam kalpane viṣayīkaroti] se a consciência sensorial não transformasse sua natureza indiferenciada em um objeto de pensamento* अन्तर् उल्लिखित चित्र संविदः न भवेयुः अनुभूतयः स्फुटाः [antar ullikhita citra saṃvidaḥ na bhaveyuḥ anubhūtayaḥ sphuṭāḥ] não poderiam existir as diversas percepções delineadas internamente*
201- M. Dyczkowski: "Assim, Vidyāpati disse com reverência: (Ó Senhor) se a consciência sensorial não transformasse sua natureza inconcebível (avikalpa) em um objeto de percepção no domínio do pensamento (kalpanā), não poderiam existir as diversas percepções delineadas dentro (de nós)."

202/203/204- तदुक्तं श्रीमतङ्गादौ स्वशक्तिकिरणात्मकम् । अथ पत्युरधिष्ठानमित्याद्युक्तं विशेषणैः ॥२०२॥
तस्यां दिवि सुदीप्तात्मा निष्कम्पोऽचलमूर्तिमान् । काष्ठा सैव परा सूक्ष्मा सर्वदिक्कामृतात्मिका ॥२०३॥
प्रध्वस्तावरणा शान्ता वस्तुमात्रातिलालसा । आद्यन्तोपरता साध्वी मूर्तित्वेनोपचर्यते ॥२०४॥
taduktaṃ śrīmataṅgādau svaśaktikiraṇātmakam । atha patyuradhiṣṭhānamityādyuktaṃ viśeṣaṇaiḥ ॥202॥
tasyāṃ divi sudīptātmā niṣkampo'calamūrtimān । kāṣṭhā saiva parā sūkṣmā sarvadikkāmṛtātmikā ॥203॥
pradhvastāvaraṇā śāntā vastumātrātilālasā । ādyantoparatā sādhvī mūrtitvenopacaryate ॥204॥
तद् उक्तं श्री मतङ्ग आदौ स्व शक्ति किरण आत्मकम् अथ पत्युः अधिष्ठानम् इति आदि उक्तं विशेषणैः [tad uktaṃ śrī mataṅga ādau sva śakti kiraṇa ātmakam atha patyuḥ adhiṣṭhānam iti ādi uktaṃ viśeṣaṇaiḥ] * // तस्यां दिवि सुदीप्त आत्मा निष्कम्पः अचल मूर्तिमान् काष्ठा स एव परा सूक्ष्मा सर्व दिक्क आमृत आत्मिका [tasyāṃ divi sudīpta ātmā niṣkampaḥ acala mūrtimān kāṣṭhā sa eva parā sūkṣmā sarva dikka āmṛta ātmikā] * // प्रध्वस्त आवरणा शान्ता वस्तुमात्र अतिलालसा आदि अन्त उपरता साध्वी मूर्तित्वेन उपचर्यते [pradhvasta āvaraṇā śāntā vastumātra atilālasā ādi anta uparatā sādhvī mūrtitvena upacaryate] *
202/203/204- M. Dyczkowski: "O mesmo é dito no início (de um capítulo) do venerável Mataṅgatantra, indicando várias qualidades distintivas do que é declarado (a respeito do fundamento de sustentação do Senhor) no início (desta passagem, a saber): “agora, o fundamento de sustentação do Senhor (dentro do qual Ele se manifesta) consiste nos raios de Suas próprias energias”. (Assim continua): “(residindo desta forma) dentro dessa luz (de Seu poder, Ele) é bem iluminado pela natureza (sudipta), Ele não vacila e (assim) possui uma forma imóvel. Esse mesmo (poder) é o nível supremo (kāṣṭhā) (da existência), que, sutil e presente em todas as direções (no espaço), é néctar. (Toda) cobertura obscurecedora completamente destruída, ela (sua natureza) é pacífica e é o deleite intenso dentro daquilo que nada mais é do que a própria realidade (vastumatra)”. Sábia (sādhvī), sem começo nem fim, (Ela) é metaforicamente considerada a forma icônica (mūrti) (do Senhor)."

205- तथोपचारस्यात्रैतन्निमित्तं सप्रयोजनम् । तन्मुखा स्फुटता धर्मिण्याशु तन्मयतास्थितिः ॥२०५॥
tathopacārasyātraitannimittaṃ saprayojanam । tanmukhā sphuṭatā dharmiṇyāśu tanmayatāsthitiḥ ॥205॥
तथ उपचारस्य अत्र एतद् निमित्तं स प्रयोजनम् तद्मुखा स्फुटता धर्मिण्या आशु तद् मयता स्थितिः [tatha upacārasya atra etad nimittaṃ sa prayojanam tadmukhā sphuṭatā dharmiṇyā āśu tad mayatā sthitiḥ] *
205- M. Dyczkowski: "A causa e o propósito desta metáfora (é indicar) que esse (poder) é o meio (mukhā) através do qual (o Senhor), o portador de cada atributo (divino), torna-se claramente aparente (e que) sua (manifestação) é a instantânea (da própria realização) identidade (com ele)."

206- त एव धर्माः शक्त्याख्यास्तैस्तैरुचितरूपकैः । आकारैः पर्युपास्यन्ते तन्मयीभावसिद्धये ॥२०६॥
ta eva dharmāḥ śaktyākhyāstaistairucitarūpakaiḥ । ākāraiḥ paryupāsyante tanmayībhāvasiddhaye ॥206॥
त एव धर्माः शक्ति आख्याः [ta eva dharmāḥ śakti ākhyāḥ] esses mesmos atributos conhecidos como poderes* पर्युपास्यन्ते तैः तैः उचित रूपकैः आकारैः [paryupāsyante taiḥ taiḥ ucita rūpakaiḥ ākāraiḥ] são adorados em aspecto apropriado* तद् मयी भाव सिद्धये [tad mayī bhāva siddhaye] para identificar-se com seu possuidor]*
206- M. Dyczkowski: “Esses mesmos atributos, (também conhecidos como) poderes, são venerados em qualquer forma apropriada para que esta identificação (com seu possuidor) possa ocorrer”.

207- तत्र काचित्पुनः शक्तिरनन्ता वा मिताश्च वा । आक्षिपेद्धवतासत्त्वन्यायाद्दूरान्तिकत्वतः ॥२०७॥
tatra kācitpunaḥ śaktiranantā vā mitāśca vā । ākṣipeddhavatāsattvanyāyāddūrāntikatvataḥ ॥207॥
तत्र काचिद् पुनः शक्तिः अनन्ताः वा मिताः च वा आक्षिपेत् धवता सत्त्व न्यायात् दूर अन्तिकत्वतः [tatra kācid punaḥ śaktiḥ anantāḥ vā mitāḥ ca vā ākṣipet dhavatā sattva nyāyāt dūra antikatvataḥ] *
207- M. Dyczkowski: "Novamente, devido à sua maior proximidade ou distância (da consciência universal), um determinado poder pode abranger um número infinito ou limitado de poderes, de acordo com o princípio de que o 'Ser' (sattva) inclui toda entidade particular, enquanto a natureza de Dhava (de uma árvore Dhava) inclui apenas o número limitado de árvores Dhava existentes."

208/209- तेन पूर्णस्वभावत्वं प्रकाशत्वं चिदात्मता । भैरवत्वं विश्वशक्तीराक्षिपेद्व्यापकत्वतः ॥२०८॥
सदाशिवादयस्तूर्ध्वव्याप्त्यभावादधोजुषः । शक्तीः समाक्षिपेयुस्तदुपासान्तिकदूरतः ॥२०९॥
tena pūrṇasvabhāvatvaṃ prakāśatvaṃ cidātmatā । bhairavatvaṃ viśvaśaktīrākṣipedvyāpakatvataḥ ॥208॥
sadāśivādayastūrdhvavyāptyabhāvādadhojuṣaḥ । śaktīḥ samākṣipeyustadupāsāntikadūrataḥ ॥209॥
तेन पूर्ण स्व भावत्वं प्रकाशत्वं चित् आत्मता भैरवत्वं विश्व शक्तीः आक्षिपेत् व्यापकत्वतः [tena pūrṇa sva bhāvatvaṃ prakāśatvaṃ cit ātmatā bhairavatvaṃ viśva śaktīḥ ākṣipet vyāpakatvataḥ] * // सदाशिव आदयस् ऊर्ध्व व्याप्ति अभावाद् अधोजुषः शक्तीः समाक्षिपेयुः तद् उपासा अन्तिक दूरतः [sadāśiva ādayas ūrdhva vyāpti abhāvād adhojuṣaḥ śaktīḥ samākṣipeyuḥ tad upāsā antika dūrataḥ] *
208/209- M. Dyczkowski: "Portanto, a plenitude (perfeita) da própria natureza, a luminosidade (prakāśatva) (da Luz da consciência), a natureza consciente e o estado de Bhairava, (são cada um um atributo divino) que inclui todos os poderes, porque os permeia (todos). No entanto, (os princípios) que começam com Sadãsiva podem (apenas) incluir as energias que estão abaixo deles, porque não há permeação ascendente. (Assim, os estados de realização variam) de acordo com a proximidade ou distância (da consciência da forma) da adoração (upāsā)."
L. Silburn, A. Padoux: “Assim, a própria natureza irrestrita, luz consciente (prakāśatva), consciência pura (cit), natureza de Bhairava (bhairavatvam), é o que contém as energias universais onipresentes. Sadāśiva, etc., por outro lado, não penetram (vyāpti) nos [níveis de realidade] que lhes são superiores, mas apenas nas energias inferiores. Quando se adora [Sadãsiva, etc.], o fruto do estímulo varia conforme essas [divindades] estejam mais ou menos distantes [da Consciência irrestrita].”

210- इत्थम्भावे च शाक्ताख्यो वैकल्पिकपथक्रमः । इह तूक्तो यतस्तस्मात्प्रतियोग्यविकल्पकम् ॥२१०॥
itthambhāve ca śāktākhyo vaikalpikapathakramaḥ । iha tūkto yatastasmātpratiyogyavikalpakam ॥210॥
इत्थंभावे च शाक्त आख्यः वैकल्पिक पथ क्रमः इह तु उक्तम् यतस् तस्मात् प्रतियोगि अविकल्पकम् [itthaṃbhāve ca śākta ākhyaḥ vaikalpika patha kramaḥ iha tu uktam yatas tasmāt pratiyogi avikalpakam] *
210- L. Silburn, A. Padoux: “O que acabamos de ver [relaciona-se] com o que chamamos [o caminho] da energia [e, portanto, depende] da implantação do pensamento diferenciado (vaikalpikapathakrama). Foi exposto aqui precisamente porque [o caminho de Śiva, que é o do] 'indiferenciado, é o oposto."
M. Dyczkowski: "Quando essa condição (prevalece), (este) processo (que consiste essencialmente em seguir) um caminho (para a realização) formado pela (intensificação gradual (krama)) de construções de pensamento (como “Eu sou Śiva, dotado de todos os atributos divinos”) é chamado de Meios Potencializados (pertinentes a Śakti). O objetivo de se referir a este (processo) aqui (no decorrer desta exposição dos meios pertinentes a Śiva) é que, na medida em que é (um meio) que não requer (a formação de) construções de pensamento (mas consiste em sua erradicação instantânea), ele é justamente o oposto disso."

211- अविकल्पपथारूढो येन येन पथा विशेत् । धरासदाशिवान्तेन तेन तेन शिवीभवेत् ॥२११॥
avikalpapathārūḍho yena yena pathā viśet । dharāsadāśivāntena tena tena śivībhavet ॥211॥
अविकल्प पथ आरूढः येन येन पथा विशेत् धरा सदाशिव अन्तेन शिवीभवेत् तेन तेन [avikalpa patha ārūḍhaḥ yena yena pathā viśet dharā sadāśiva antena śivībhavet tena tena] *
211- M. Dyczkowski: "Aquele que está estabelecido no caminho livre de construções mentais, qualquer que seja o caminho que ele percorra, de Sadāśiva à Terra, ele se identifica através dele com Śiva."

212- निर्मले हृदये प्राग्र्यस्फुरद्भूम्यंशभासिनि । प्रकाशे तन्मुखेनैव संवित्परशिवात्मता ॥२१२॥
nirmale hṛdaye prāgryasphuradbhūmyaṃśabhāsini । prakāśe tanmukhenaiva saṃvitparaśivātmatā ॥212॥
निर्मले हृदये प्राग्र्य स्फुरत् भूमि अंश भासिनि प्रकाशे तत् मुखेन एव संविद् परशिव आत्मता [nirmale hṛdaye prāgrya sphurat bhūmi aṃśa bhāsini prakāśe tat mukhena eva saṃvid paraśiva ātmatā] *
212- M. Dyczkowski: "Quando o Coração é puro e possui em si uma luz que ilumina o aspecto que é o plano primordial (sempre) radiante, (então, dentro disso e) por meio disso mesmo, (alcança-se) o estado do Supremo Śiva, que é consciência."

213- एवं परेच्छाशक्त्यंशसदुपायमिमं विदुः । शाम्भवाख्यं समावेशं सुमत्यन्तेनिवासिनः ॥२१३॥
evaṃ parecchāśaktyaṃśasadupāyamimaṃ viduḥ । śāmbhavākhyaṃ samāveśaṃ sumatyantenivāsinaḥ ॥213॥
एवं पर इच्छा शक्ति अंश सत् उपायम् इमं विदुः शाम्भव आख्यं समावेशं सुमति अन्तेनिवासिनः [evaṃ para icchā śakti aṃśa sat upāyam imaṃ viduḥ śāmbhava ākhyaṃ samāveśaṃ sumati antenivāsinaḥ] *
213- M. Dyczkowski: “Dessa forma, os discípulos de Sumati conhecem este meio, que é o verdadeiro (sadupāya), que é um aspecto do poder da vontade suprema (parā), e é a penetração chamada ‘pertencente a Śiva’."

214- शाक्तोऽथ भण्यते चेतोधीमनोऽहङ्कृति स्फुटम् । सविकल्पतया मायामयमिच्छादि वस्तुतः ॥२१४॥
śākto'tha bhaṇyate cetodhīmano'haṅkṛti sphuṭam । savikalpatayā māyāmayamicchādi vastutaḥ ॥214॥
शाक्तः अथ भण्यते चेतस् धी मनस् अहंकृति स्फुटम् स विकल्पतया माया मयम् इच्छा आदि वस्तुतः [śāktaḥ atha bhaṇyate cetas dhī manas ahaṃkṛti sphuṭam sa vikalpatayā māyā mayam icchā ādi vastutaḥ] *
214- M. Dyczkowski: "Agora vamos discutir 'śāktopāya' (caminho da śākti, Empoderado). A consciência mental (cetas), (consistindo) do intelecto, da mente e do ego, é claramente evidente (para todos). Como é um estado dado à conceitualização (savikalpatā), é Māyā, (embora) na realidade (consista em) poderes da vontade e o resto (da consciência)."

215- अभिमानेन सङ्कल्पाध्यवसायक्रमेण यः । शाक्तः स मायोपायोऽपि तदन्ते निर्विकल्पकः ॥२१५॥
abhimānena saṅkalpādhyavasāyakrameṇa yaḥ । śāktaḥ sa māyopāyo'pi tadante nirvikalpakaḥ ॥215॥
अभिमानेन संकल्प आध्यवसाय क्रमेण यः शाक्तः सः माय उपायः अपि तद् अन्ते निर्विकल्पकः [abhimānena saṃkalpa ādhyavasāya krameṇa yaḥ śāktaḥ saḥ māya upāyaḥ api tad ante nirvikalpakaḥ] *
215- L. Silburn, A. Padoux: “Embora o Śāktopāya se relacione com as funções de afirmação (adhyavasãya), imaginação (saṃkalpa), autoconceito (abhimãna) e este aspecto se relacione com a ilusão, termina no conhecimento indiferenciado.”
M. Dyczkowski: "O Empoderado (meio para a realização funciona) pela operação sucessiva (dessas três faculdades mentais, começando com o ego, que) assume (uma identidade pessoal) (abhimana). (A identificação é seguida pela atividade da mente, que forma) a intenção (saṃkalpa) (de compreender, e então o intelecto, que faz a constatação conceitual final) (adhyavasāya). Embora este meio seja baseado em Māyā (mayopaya) (na medida em que funciona desta maneira), ao final desse (processo, atinge-se, em última análise, um estado de consciência que é) livre de construções do pensamento."

216- पशोर्वै याविकल्पा भूर्दशा सा शाम्भवी परम् । अपूर्णा मातृदौरात्म्यात्तदपाये विकस्वरा ॥२१६॥
paśorvai yāvikalpā bhūrdaśā sā śāmbhavī param । apūrṇā mātṛdaurātmyāttadapāye vikasvarā ॥216॥
पशु वै य अविकल्पा भूः दशा सा शाम्भवी परम् अपूर्णा मातृ दौरात्म्यात् तद् अपाये विकस्वरा [paśu vai ya avikalpā bhūḥ daśā sā śāmbhavī param apūrṇā mātṛ daurātmyāt tad apāye vikasvarā] *
216- M. Dyczkowski: "O plano (daśā) da (consciência que até mesmo) a alma acorrentada (experimenta no primeiro momento de percepção), livre de pensamento construtivo, é o nível supremo e pertence a Śiva (śāmbhavī). (No entanto, ele não está ciente dele em toda a sua) plenitude (apūrṇā) devido à sua condição miserável (daurātmya) (como sujeito individual, condicionado), Ao cessar (seu estado limitado), (desdobra-se)."

217- एवं वैकल्पिकी भूमिः शाक्ते कर्तृत्ववेदने । यस्यां स्फुटे परं त्वस्यां सङ्कोचः पूर्वनीतितः ॥२१७॥
evaṃ vaikalpikī bhūmiḥ śākte kartṛtvavedane । yasyāṃ sphuṭe paraṃ tvasyāṃ saṅkocaḥ pūrvanītitaḥ ॥217॥
एवं वैकल्पिकी भूमिः शाक्ते कर्तृत्व वेदने यस्यां स्फुटे परं त्वस्यां संकोचः पूर्व नीतितः [evaṃ vaikalpikī bhūmiḥ śākte kartṛtva vedane yasyāṃ sphuṭe paraṃ tvasyāṃ saṃkocaḥ pūrva nītitaḥ] *
217- M. Dyczkowski: "Esse é o caso também com o plano de construções de pensamento (que funciona) no Śāktopāya em que a atividade (kartrtva) e a cognição (vedana) (do sujeito individual) são claramente evidentes (para ele), embora, pelas razões expostas acima, neste (nível de consciência) está contraída."

218- तथा सङ्कोचसम्भारविलायनपरस्य तु । सा यथेष्टान्तराभासकारिणी शक्तिरुज्ज्वला ॥२१८॥
tathā saṅkocasambhāravilāyanaparasya tu । sā yatheṣṭāntarābhāsakāriṇī śaktirujjvalā ॥218॥
तथा सङ्कोच संभार विलायन परस्य तु सा यथ इष्ट अन्तर आभास कारिणी शक्तिः उज्ज्वला [tathā saṅkoca saṃbhāra vilāyana parasya tu sā yatha iṣṭa antara ābhāsa kāriṇī śaktiḥ ujjvalā] *
218- M. Dyczkowski: "Aquele que pretende desta forma dissolver o fardo desta contração recebe aquele poder ardente (da consciência) que provoca a manifestação interior conforme desejado."

219- ननु वैकल्पिकी किं धीराणवे नास्ति तत्र सा । अन्योपायात्र तूच्चाररहितत्वं न्यरूपयत् ॥२१९॥
nanu vaikalpikī kiṃ dhīrāṇave nāsti tatra sā । anyopāyātra tūccārarahitatvaṃ nyarūpayat ॥219॥
ननु वैकल्पिकी किं धीर् आणवे न अस्ति तत्र सा अन्य उपाया अत्र तु उच्चार रहितत्वं न्यरूपयत् [nanu vaikalpikī kiṃ dhīr āṇave na asti tatra sā anya upāyā atra tu uccāra rahitatvaṃ nyarūpayat] *
219- M. Dyczkowski: Certamente, (pode-se perguntar, isso significa que) ali, no domínio do exercício dos Meios Individuais (āṇavopāya), o intelecto não está envolvido em pensamentos? (Não, o pensamento persiste também nesses meios. A diferença entre eles é que o intelecto, no decorrer da prática dos Meios Individuais, é mediado por) outros meios (anyopāya), (enquanto) aqui (o Senhor) disse (no Malinivijayottara' que os Meios Potencializados) são desprovidos (de outras práticas, como) a recitação (de Mantras).

220- उच्चारशब्देनात्रोक्ता बह्वन्तेन तदादयः । शक्त्युपाये न सन्त्येते भेदाभेदौ हि शक्तिता ॥२२०॥
uccāraśabdenātroktā bahvantena tadādayaḥ । śaktyupāye na santyete bhedābhedau hi śaktitā ॥220॥
उच्चार शब्देन आत्र उक्ता बहु अन्तेन तद् आदयः शक्ति उपाय न सन्ति एते भेद अभेद हि शक्तिता [uccāra śabdena ātra uktā bahu antena tad ādayaḥ śakti upāya na santi ete bheda abheda hi śaktitā] *
220- M. Dyczkowski: "A palavra ‘uccāra' (repetição do mantra) aqui por (sua) desinência de plural (caso) (também implicitamente) afirma ‘e o resto’ (ādayaḥ) (com referência às outras práticas dos Meios Individuais, indicando) que eles estão ausentes no Śāktopāya. O estado de poder (śaktitā) é de unidade e diferença (não de dualidade como é o estado individual)."

221- अणुर्नाम स्फुटो भेदस्तदुपाय इहाणवः । विकल्पनिश्चयात्मैव पर्यन्ते निर्विकल्पकः ॥२२१॥
aṇurnāma sphuṭo bhedastadupāya ihāṇavaḥ । vikalpaniścayātmaiva paryante nirvikalpakaḥ ॥221॥
अणुः नाम स्फुटः भेदः तद् उपाय इह आणवः विकल्प निश्चय आत्म एव पर्यन्ते निर्विकल्पकः [aṇuḥ nāma sphuṭaḥ bhedaḥ tad upāya iha āṇavaḥ vikalpa niścaya ātma eva paryante nirvikalpakaḥ] *
221- L. Silburn, A. Padoux: “Chamamos de indivíduo (aṇu), na verdade, aquilo que claramente se relaciona com a divisão (bheda); o caminho que lhe corresponde é individual (āṇavopāya). Embora haja certezas de que se pode ter a natureza de vikalpa, termina, por fim, em consciência indiferenciada”.
M. Dyczkowski: "A dualidade (bheda) entre as almas individuais (aṇu) é evidente. Aqui, o meio relacionado a ela (que a resolve) é o individual (āṇava). Sua natureza essencial é a certeza (que é a determinação correta da) representação conceitual (vikalpaniścaya). Em última análise, (ela culmina em um estado de consciência que é) livre de construções mentais. "

222- ननु धीमानसाहङ्कृत्पुमांसो व्याप्नुयुः शिवम् । नाधोवर्तितया तेन कथितं कथमीदृशम् ॥२२२॥
nanu dhīmānasāhaṅkṛtpumāṃso vyāpnuyuḥ śivam । nādhovartitayā tena kathitaṃ kathamīdṛśam ॥222॥
ननु धी मानस् आहंकृत् पुमांसः व्याप्नुयुः शिवम् न आधस् वर्तितया तेन कथितं कथम् ईदृशम् [nanu dhī mānas āhaṃkṛt pumāṃsaḥ vyāpnuyuḥ śivam na ādhas vartitayā tena kathitaṃ katham īdṛśam] *
222- M. Dyczkowski: "Certamente (alguém pode objetar que nem) o intelecto, a mente, o ego, (nem) a alma individual podem permear Śiva, porque (pertencem a ordens da realidade que) estão abaixo (Dele), então como é que (você) disse tal coisa (que implica o contrário)?”

223- उच्यते वस्तुतोऽस्माकं शिव एव तथाविधः । स्वरूपगोपनं कृत्वा स्वप्रकाशः पुनस्तथा ॥२२३॥
ucyate vastuto'smākaṃ śiva eva tathāvidhaḥ । svarūpagopanaṃ kṛtvā svaprakāśaḥ punastathā ॥223॥
उच्यते वस्तुतस् अस्माकं शिवः एव तथा विधः स्वरूप गोपनं कृत्वा स्व प्रकाशः पुनर् तथा [ucyate vastutas asmākaṃ śivaḥ eva tathā vidhaḥ svarūpa gopanaṃ kṛtvā sva prakāśaḥ punar tathā] *
223- M. Dyczkowski: "(Em resposta a tais objeções) dizemos que, de acordo com nós, o próprio Śiva assume a natureza (do intelecto e da mente) quando ele se oculta e novamente (através do mesmo intelecto e mente que ele revela) sua (natureza) auto luminosa.”

224/225- द्वैतशास्त्रे मतङ्गादौ चाप्येतत्सुनिरूपितम् । अधोव्याप्तुः शिवस्यैव स प्रकाशो व्यवस्थितः ॥२२४॥
येन बुद्धिमनोभूमावपि भाति परं पदम् ॥२२५॥
dvaitaśāstre mataṅgādau cāpyetatsunirūpitam । adhovyāptuḥ śivasyaiva sa prakāśo vyavasthitaḥ ॥224॥
yena buddhimanobhūmāvapi bhāti paraṃ padam ॥225॥
द्वैत शास्त्र मतङ्ग आदौ च अपि एतद् सु निरूपितम् अधोव्याप्तुः शिवस्य एव सः प्रकाशः व्यवस्थितः [dvaita śāstra mataṅga ādau ca api etad su nirūpitam adhovyāptuḥ śivasya eva saḥ prakāśaḥ vyavasthitaḥ] * // येन बुद्धि मनस् भूमाउ अपि भाति परं पदम् [yena buddhi manas bhūmāu api bhāti paraṃ padam] *
224/225- M. Dyczkowski: "O mesmo conceito também é claramente expresso em escrituras dualistas como o Mataṅgatantra que declara que: 'a Luz de Śiva, que permeia os níveis abaixo dele, persiste de tal forma que o nível supremo (continua a) brilhar mesmo nos planos do intelecto e da mente.'”

226- द्वावप्येतौ समावेशौ निर्विकल्पार्णवं प्रति । प्रयात एव तद्रूढिं विना नैव हि किञ्चन ॥२२६॥
dvāvapyetau samāveśau nirvikalpārṇavaṃ prati । prayāta eva tadrūḍhiṃ vinā naiva hi kiñcana ॥226॥
द्वाउ अपि एतौ समावेशौ निर्विकल्प आर्णवं प्रति प्रयात एव तद् रूढिं विना न एव हि किञ्चन [dvāu api etau samāveśau nirvikalpa ārṇavaṃ prati prayāta eva tad rūḍhiṃ vinā na eva hi kiñcana] *
226- M. Dyczkowski: “Essas duas penetrações (śāktopāya e āṇavopāya) são ambas direcionadas ao oceano de (consciência) que está livre de construções de pensamento, se nao fosse estabelecido nada poderia existir.”

227- संवित्तिफलभिच्चात्र न प्रकल्प्येत्यतोऽब्रवीत् । कल्पनायाश्च मुख्यत्वमत्रैव किल सूचितम् ॥२२७॥
saṃvittiphalabhiccātra na prakalpyetyato'bravīt । kalpanāyāśca mukhyatvamatraiva kila sūcitam ॥227॥
संवित्ति फल भित् च अत्र न प्रकल्प्य इति अब्रवीत् कल्पनायाः च मुख्यत्वम् अत्र एव किल सूचितम् [saṃvitti phala bhit ca atra na prakalpya iti abravīt kalpanāyāḥ ca mukhyatvam atra eva kila sūcitam] *
227- M. Dyczkowski: “É por isso que (o Senhor) disse que “(o sábio) não deve imaginar que haja qualquer diferença entre os frutos (alcançados aplicando-se aos vários meios de realização, pois todos eles são) consciência”. O assunto aqui é a (natureza) da imaginação (que concebe essas supostas diferenças).”

228- विकल्पापेक्षया योऽपि प्रामाण्यं प्राह तन्मते । तद्विकल्पक्रमोपात्तनिर्विकल्पप्रमाणता ॥२२८॥
vikalpāpekṣayā yo'pi prāmāṇyaṃ prāha tanmate । tadvikalpakramopāttanirvikalpapramāṇatā ॥228॥
प्रमाणता [vikalpa āpekṣayā yaḥ api prāmāṇyaṃ prāha tad mate tad vikalpa krama upātta nirvikalpa pramāṇatā] *
228- M. Dyczkowski: “Mesmo aqueles que sustentam que a validade do conhecimento é determinada pela análise conceitual (devem admitir que) a validade do conhecimento (que é essencialmente) livre de construções de pensamento, é determinada por uma série de construções de pensamento.”

229- रत्नतत्त्वमविद्वान्प्राङ्निश्चयोपायचर्चनात् । अनुपायाविकल्पाप्तौ रत्नज्ञ इति भण्यते ॥२२९॥
ratnatattvamavidvānprāṅniścayopāyacarcanāt । anupāyāvikalpāptau ratnajña iti bhaṇyate ॥229॥
रत्न तत्त्वम् अविद्वान् प्राक् निश्चय उपाय चर्चनात् अनुपाय अविकल्प आप्तौ रत्नज्ञ इति भण्यते [ratna tattvam avidvān prāk niścaya upāya carcanāt anupāya avikalpa āptau ratnajña iti bhaṇyate] *
229- M. Dyczkowski: "(Por exemplo no caso) de uma pessoa que desconhece o verdadeiro (valor de) uma gema. No início, ela especula (carcana) (sobre seu valor) até que (finalmente) vem a conhecê-lo, por meio (de uma série de) avaliações (niścayopāya), assim atinge (um estado de consciência) que é livre de pensamento e não requer outros meios.”

230- अभेदोपायमत्रोक्तं शाम्भवं शाक्तमुच्यते । भेदाभेदात्मकोपायं भेदोपायं तदाणवम् ॥२३०॥
abhedopāyamatroktaṃ śāmbhavaṃ śāktamucyate । bhedābhedātmakopāyaṃ bhedopāyaṃ tadāṇavam ॥230॥
अभेद उपायम् अत्र उक्तं शाम्भवं शाक्तम् उच्यते भेद अभेद आत्मक उपायं भेद उपायं तद् आणवम् [abheda upāyam atra uktaṃ śāmbhavaṃ śāktam ucyate bheda abheda ātmaka upāyaṃ bheda upāyaṃ tad āṇavam] *
230- M. Dyczkowski: "Aqui diz-se que os meio pertencente a Śiva (Śāmbhavopāya) é (baseado na) unidade. O Śāktopāya é (baseado na) unidade da diversidade e o Āṇavopāya é o meio (baseado) na diversidade.

231- अन्ते ज्ञानेऽत्र सोपाये समस्तः कर्मविस्तरः । प्रस्फुटेनैव रूपेण भावी सोऽन्तर्भविष्यति ॥२३१॥
ante jñāne'tra sopāye samastaḥ karmavistaraḥ । prasphuṭenaiva rūpeṇa bhāvī so'ntarbhaviṣyati ॥231॥
अन्ते ज्ञान अत्र स उपाय समस्तः कर्म विस्तरः प्रस्फुटेन एव रूपेण भावी स अन्तर् भविष्यति [ante jñāna atra sa upāya samastaḥ karma vistaraḥ prasphuṭena eva rūpeṇa bhāvī sa antar bhaviṣyati] *
231- M. Dyczkowski: “Toda a extensão da ação (ritual), que iremos (descrever posteriormente), está claramente incluída na última forma de conhecimento (Āṇavopāya) junto com seus meios.”

232- क्रिया हि नाम विज्ञानान्नान्यद्वस्तु क्रमात्मताम् । उपायवशतः प्राप्तं तत्क्रियेति पुरोदितम् ॥२३२॥
kriyā hi nāma vijñānānnānyadvastu kramātmatām । upāyavaśataḥ prāptaṃ tatkriyeti puroditam ॥232॥
क्रिया हि नाम विज्ञानान् न अन्यत् वस्तु क्रमात्मताम् उपाय वशतः प्राप्तं तत् क्रिय इति पुर उदितम् [kriyā hi nāma vijñānān na anyat vastu kramātmatām upāya vaśataḥ prāptaṃ tat kriya iti pura uditam] *
232- M. Dyczkowski: “A ação não difere do conhecimento. (É o próprio conhecimento) que, assumindo a forma de um desenvolvimento progressivo (krama) através dos meios para a realização é, como dissemos antes, denominado ação.”

233- सम्यग्ज्ञानं च मुक्त्येककारणं स्वपरस्थितम् । यतो हि कल्पनामात्रं स्वपरादिविभूतयः ॥२३३॥
samyagjñānaṃ ca muktyekakāraṇaṃ svaparasthitam । yato hi kalpanāmātraṃ svaparādivibhūtayaḥ ॥233॥
सम्यक् ज्ञानं च मुक्ति एक कारणं स्व पर स्थितम् यतस् हि कल्पना मात्रं स्व पर अदि विभूतयः [samyak jñānaṃ ca mukti eka kāraṇaṃ sva para sthitam yatas hi kalpanā mātraṃ sva para adi vibhūtayaḥ] *
233- M. Dyczkowski: "O conhecimento correto (samyak jñāna) é a única causa da libertação, quer esteja dentro de si mesmo, no Mestre e no discípulo. De fato, as manifestações (vibhūti) do 'Self' e do 'outro', e semelhantes são apenas construções de pensamento (kalpanāmātra).”

234- तुल्ये काल्पनिकत्वे च यदैक्यस्फुरणात्मकः । गुरुः स तावदेकात्मा सिद्धो मुक्तश्च भण्यते ॥२३४॥
tulye kālpanikatve ca yadaikyasphuraṇātmakaḥ । guruḥ sa tāvadekātmā siddho muktaśca bhaṇyate ॥234॥
तुल्ये काल्पनिकत्वे च यद् ऐक्य स्फुरण आत्मकः गुरुः सः तावत् एक आत्मा सिद्धः मुक्तः च भण्यते [tulye kālpanikatve ca yad aikya sphuraṇa ātmakaḥ guruḥ saḥ tāvat eka ātmā siddhaḥ muktaḥ ca bhaṇyate] *
234- M. Dyczkowski: “Como (as noções de 'self' e 'outro') são apenas conceituais (kalpanika), o Mestre brilha unido aos seus discípulos, com os quais é um e, como tal, é chamado de 'realizado' (siddha) e 'liberado (mukta)'.”

235- यावानस्य हि संतानो गुरुस्तावान्स कीर्तितः । सम्यग्ज्ञानमयश्चेति स्वात्मना मुच्यते ततः ॥२३५॥
yāvānasya hi saṃtāno gurustāvānsa kīrtitaḥ । samyagjñānamayaśceti svātmanā mucyate tataḥ ॥235॥
यावान् अस्य हि संतानः गुरुः तावत् सः कीर्तितः सम्यक् ज्ञान मयः च इति स्व आत्मना मुच्यते ततस् [yāvān asya hi saṃtānaḥ guruḥ tāvat saḥ kīrtitaḥ samyak jñāna mayaḥ ca iti sva ātmanā mucyate tatas] *
235- M. Dyczkowski: “Diz-se que um Mestre é tão grande quanto sua família (espiritual) (santāna), e se (esta) for composta de conhecimento correto (samyagjñāna), então ele se liberta (enquanto um membro desta família espiritual atinge a libertação).”

236- तत एव स्वसंतानं ज्ञानी तारयतीत्यदः । युक्त्यागमाभ्यां संसिद्धं तावानेको यतो मुनिः ॥२३६॥
tata eva svasaṃtānaṃ jñānī tārayatītyadaḥ । yuktyāgamābhyāṃ saṃsiddhaṃ tāvāneko yato muniḥ ॥236॥
ततस् एव स्व संतानं ज्ञानी तारयत् ईति अदस् युक्ति आगमाभ्यां संसिद्धं तावान् एकः यतस् मुनिः [tatas eva sva saṃtānaṃ jñānī tārayat īti adas yukti āgamābhyāṃ saṃsiddhaṃ tāvān ekaḥ yatas muniḥ] *
236- M. Dyczkowski: " Assim, (a citação) que começa (com as palavras): ‘o homem de conhecimento liberta sua própria família espiritual’ é plenamente comprovado tanto pela razão (yukti) quanto pelas escrituras (āgama), pois tal é a extensão de (apenas) um (verdadeiro) sábio."

237/238- तेनात्र ये चोदयन्ति ननु ज्ञानाद्विमुक्तता । दीक्षादिका क्रिया चेयं सा कथं मुक्तये भवेत् ॥२३७॥
ज्ञानात्मा सेति चेज्ज्ञानं यत्रस्थं तं विमोचयेत् । अन्यस्य मोचने वापि भवेत्किं नासमञ्जसम् । इति ते मूलतः क्षिप्ता यत्त्वत्रान्यैः समर्थितम् ॥२३८॥
tenātra ye codayanti nanu jñānādvimuktatā । dīkṣādikā kriyā ceyaṃ sā kathaṃ muktaye bhavet ॥237॥
jñānātmā seti cejjñānaṃ yatrasthaṃ taṃ vimocayet । anyasya mocane vāpi bhavetkiṃ nāsamañjasam । iti te mūlataḥ kṣiptā yattvatrānyaiḥ samarthitam ॥238॥
तेन अत्र ये च उदयन्ति ननु ज्ञानात् विमुक्तता दीक्षा आदिका क्रिया च इयं सा कथं मुक्तये भवेत् [tena atra ye ca udayanti nanu jñānāt vimuktatā dīkṣā ādikā kriyā ca iyaṃ sā kathaṃ muktaye bhavet] * // ज्ञान आत्मा स इति चेत् ज्ञानं यत्र स्थं तं विमोचयेत् अन्यस्य मोचने वापि भवेत् किं न असमञ्जसम् इति ते मूलतस् क्षिप्ता यद् त्वत्रान्यैः समर्थितम् [jñāna ātmā sa iti cet jñānaṃ yatra sthaṃ taṃ vimocayet anyasya mocane vāpi bhavet kiṃ na asamañjasam iti te mūlatas kṣiptā yad tvatrānyaiḥ samarthitam] *
237/238- M. Dyczkowski: "Assim, (ao aceitar que o mestre e seus discípulos são essencialmente a mesma realidade consciente pura), aqueles outros (que) sustentam e promovem (a seguinte visão) foram refutados desde a raiz (de sua argumentação): Certamente, (objetam eles), o estado de libertação se deve ao conhecimento, então como pode uma ação (ritual) como a iniciação ser libertadora? Se você diz (que a ação é essencialmente) conhecimento, então ela libertaria (apenas) aquele em quem está presente. Não seria (portanto) incoerente (sustentar) que ela (serve para) libertar também outra pessoa?”

239/240- मलो नाम किल द्रव्यं चक्षुःस्थपटलादिवत् । तद्विहन्त्री क्रिया दीक्षा त्वञ्जनादिककर्मवत् ॥२३९॥
तत्पुरस्तान्निषेत्स्यामो युक्त्यागमविगर्हितम् । मलमायाकर्मणां च दर्शयिष्यामहे स्थितिम् ॥२४०॥
malo nāma kila dravyaṃ cakṣuḥsthapaṭalādivat । tadvihantrī kriyā dīkṣā tvañjanādikakarmavat ॥239॥
tatpurastānniṣetsyāmo yuktyāgamavigarhitam । malamāyākarmaṇāṃ ca darśayiṣyāmahe sthitim ॥240॥
मलः नाम किल द्रव्यं चक्षुस् स्थ पटल आदि वत् तद् विहन्त्री क्रिया दीक्षा तु अञ्जन आदिक कर्म वत् [malaḥ nāma kila dravyaṃ cakṣus stha paṭala ādi vat tad vihantrī kriyā dīkṣā tu añjana ādika karma vat] * // तत् पुरस्तात् निषेत्स्यामः युक्ति आगम विगर्हितम् मल माया कर्मणा च दर्शयिष्यामहे स्थितिम् [tat purastāt niṣetsyāmaḥ yukti āgama vigarhitam mala māyā karmaṇā ca darśayiṣyāmahe sthitim] *
239/240- M. Dyczkowski: "(O dualista Saivasiddhantin sustenta que a impureza espiritual (mala) é uma substância material (dravya) (que cobre a alma), assim como, por exemplo, uma catarata cobre o olho, e que a iniciação é a ação que a remove, assim como o ato de aplicar colírio e similares (remove cataratas). Mais adiante, refutaremos essa (visão), que é contrária tanto à razão quanto às escrituras, e explicaremos a (verdadeira) condição de (Āṇavamala, Māyīyamala e Kārmamala) Mala, Karma e Māyā.”

241/242- एवं शक्तित्रयोपायं यज्ज्ञानं तत्र पश्चिमम् । मूलं तदुत्तरं मध्यमुत्तरोत्तरमादिमम् ॥२४१॥
ततोऽपि परमं ज्ञानमुपायादिविवर्जितम् । आनन्दशक्तिविश्रान्तमनुत्तरमिहोच्यते ॥२४२॥
evaṃ śaktitrayopāyaṃ yajjñānaṃ tatra paścimam । mūlaṃ taduttaraṃ madhyamuttarottaramādimam ॥241॥
tato'pi paramaṃ jñānamupāyādivivarjitam । ānandaśaktiviśrāntamanuttaramihocyate ॥242॥
एवं शक्ति त्रय उपायं यद् ज्ञानं तत्र पश्चिमम् मूलं तद् उत्तरं मध्यम् उत्तर उत्तरम् आदिमम् [evaṃ śakti traya upāyaṃ yad jñānaṃ tatra paścimam mūlaṃ tad uttaraṃ madhyam uttara uttaram ādimam] * // ततस् अपि परमं ज्ञानम् उपाय आदि विवर्जितम् आनन्द शक्ति विश्रान्तम् अनुत्तरम् इह उच्यते [tatas api paramaṃ jñānam upāya ādi vivarjitam ānanda śakti viśrāntam anuttaram iha ucyate] *
241/242- M. Dyczkowski: "Tal é o meio para a realização, que consiste nos três poderes (de vontade, conhecimento e ação). A raiz destes é a última forma de conhecimento (isto é, o Meio Individual: āṇavopāya). O meio Empoderado (śāktopāya) é superior a este, o primeiro (o Meio Supremo: śāmbhavopāya) é ainda superior. Superior ainda a este é o conhecimento livre de meios (anupayā) e de tudo o mais. Ele repousa no poder da bem-aventurança que é chamado aqui de Anuttara (o Absoluto)."

243/244/245- तत्स्वप्रकाशं विज्ञानं विद्याविद्येश्वरादिभिः । अपि दुर्लभसद्भावं श्रीसिद्धातन्त्र उच्यते ॥२४३॥
मालिन्यां सूचितं चैतत्पटलेऽष्टादशे स्फुटम् । न चैतदप्रसन्नेन शङ्करेणेति वाक्यतः ॥२४४॥
इत्यनेनैव पाठेन मालिनीविजयोत्तरे । इति ज्ञानचतुष्कं यत्सिद्धिमुक्तिमहोदयम् । तन्मया तन्त्र्यते तन्त्रालोकनाम्न्यत्र शासने ॥२४५॥
tatsvaprakāśaṃ vijñānaṃ vidyāvidyeśvarādibhiḥ । api durlabhasadbhāvaṃ śrīsiddhātantra ucyate ॥243॥
mālinyāṃ sūcitaṃ caitatpaṭale'ṣṭādaśe sphuṭam । na caitadaprasannena śaṅkareṇeti vākyataḥ ॥244॥
ityanenaiva pāṭhena mālinīvijayottare । iti jñānacatuṣkaṃ yatsiddhimuktimahodayam । tanmayā tantryate tantrālokanāmnyatra śāsane ॥245॥
तत् स्व प्रकाशं विज्ञानं विद्या विद्या ईश्वर आदिभिः अपि दुस् लभ सत् भावं श्री सिद्धातन्त्र उच्यते [tat sva prakāśaṃ vijñānaṃ vidyā vidyā īśvara ādibhiḥ api dus labha sat bhāvaṃ śrī siddhātantra ucyate] * // मालिन्यां सूचितं च एतद् पटले अष्टादश स्फुटम् न च एतद् अप्रसन्नेन शंकरेण इति वाक्यतः [mālinyāṃ sūcitaṃ ca etad paṭale aṣṭādaśa sphuṭam na ca etad aprasannena śaṃkareṇa iti vākyataḥ] * // इति अनेन एव पाठेन मालिनीविजयोत्तरे इति ज्ञान चतुष्कं यद् सिद्धि मुक्ति मह उदयम् तत् मया तन्त्र्यते तन्त्रालोक नाम्नि अत्र शासने [iti anena eva pāṭhena mālinīvijayottare iti jñāna catuṣkaṃ yad siddhi mukti maha udayam tat mayā tantryate tantrāloka nāmni atra śāsane] *
243/244/245- M. Dyczkowski: "Essa consciência que é autoiluminada e cuja verdadeira natureza
é difícil de alcançar mesmo por Vidyās e Vidyeśvaras etc. (almas individuais mais evoluídas) é ensinada no venerável Siddhatantra (isto é, o Siddhayogisvarimata) e citada no décimo oitavo capítulo do Malini, também, com esta mesma leitura no Malinivijayottara, afirmando: ‘Sankara não (ensina) isso (se) Ele não estiver propício!’. Aqui, neste ensinamento chamado Elucidação dos Tantras (Tantraloka), eu exponho este conhecimento quádruplo, que é a grande revelação da realização (siddhi) e da libertação."

246- तत्रेह यद्यदन्तर्वा बहिर्वा परिमृश्यते । अनुद्घाटितरूपं तत्पूर्वमेव प्रकाशते ॥२४६॥
tatreha yadyadantarvā bahirvā parimṛśyate । anudghāṭitarūpaṃ tatpūrvameva prakāśate ॥246॥
तत्र इह यद् यद् अन्तर् वा बहिर् वा परिमृश्यते अनुद्घाटित रूपं तत् पूर्वम् एव प्रकाशते [tatra iha yad yad antar vā bahir vā parimṛśyate anudghāṭita rūpaṃ tat pūrvam eva prakāśate] *
246- M. Dyczkowski: “Aqui e ali, tudo aquilo sobre o que se reflete, seja interno ou externo, manifesta-se inicialmente de forma não revelada (anudghāṭita) (genérica, não especificada).”

247- तथानुद्घाटिताकारानिर्वाच्येनात्मना प्रथा । संशयः कुत्रचिद्रूपे निश्चिते सति नान्यथा ॥२४७॥
tathānudghāṭitākārānirvācyenātmanā prathā । saṃśayaḥ kutracidrūpe niścite sati nānyathā ॥247॥
तथा अनुद्घाटित आकारा अनिर्वाच्येन आत्मना प्रथा संशयः कुत्रचिद् रूपे निश्चिते सति न अन्यथा [tathā anudghāṭita ākārā anirvācyena ātmanā prathā saṃśayaḥ kutracid rūpe niścite sati na anyathā] *
247- M. Dyczkowski: "Uma percepção (prathā) cuja forma (neste estágio) não é revelada desta forma, não pode ser definida (anirvācya), e (portanto) é (essencialmente) dúvida. (Ela surge apenas) quando a natureza (rūpa) (do objeto desta incerteza) foi determinado até certo ponto (como o portador desses atributos genéricos e não especificados), e não de outra forma."

248/249- एतत्किमिति मुख्येऽस्मिन्नेतदंशः सुनिश्चितः । संशयोऽस्तित्वनास्त्यादिधर्मानुद्घाटितात्मकः ॥२४८॥
किमित्येतस्य शब्दस्य नाधिकोऽर्थः प्रकाशते । किं त्वनुन्मुद्रिताकारं वस्त्वेवाभिदधात्ययम् ॥२४९॥
etatkimiti mukhye'sminnetadaṃśaḥ suniścitaḥ । saṃśayo'stitvanāstyādidharmānudghāṭitātmakaḥ ॥248॥
kimityetasya śabdasya nādhiko'rthaḥ prakāśate । kiṃ tvanunmudritākāraṃ vastvevābhidadhātyayam ॥249॥
एतद् किम् इति मुख्य अस्मिन् एतद् अंशः सु निश्चितः संशयः अस्तित्व नास्ति आदि धर्म अनुद्घाटित आत्मकः [etad kim iti mukhya asmin etad aṃśaḥ su niścitaḥ saṃśayaḥ astitva nāsti ādi dharma anudghāṭita ātmakaḥ] * किम् इति एतस्य शब्दस्य न अधिकः अर्थः प्रकाशते किं तु अनुन्मुद्रित आकारं वस्तु एव अभिदधाति अयम् [kim iti etasya śabdasya na adhikaḥ arthaḥ prakāśate kiṃ tu anunmudrita ākāraṃ vastu eva abhidadhāti ayam] *
248/249- M. Dyczkowski: “(Quando perguntamos:) ‘o que é isto?’ (estamos expressando) a forma primária (mukhya) (da dúvida). (A dúvida não é uma ausência total de conhecimento, pois mesmo quando se duvida de algo,) o aspecto “isto” está bem determinado (isto é, não há dúvida de que algo está lá). A dúvida (está essencialmente relacionada com o aspecto “o quê”. É aquela fase da percepção durante a qual os atributos fundamentais (de uma entidade), incluindo sua existência ou não existência e similares, ainda não foram revelados (udghāṭita) (ao sujeito que deseja percebê-los).”

250- स्थाणुर्वा पुरुषो वेति न मुख्योऽस्त्येष संशयः । भूयःस्थधर्मजातेषु निश्चयोत्पाद एव हि ॥२५०॥
sthāṇurvā puruṣo veti na mukhyo'styeṣa saṃśayaḥ । bhūyaḥsthadharmajāteṣu niścayotpāda eva hi ॥250॥
स्थाणुः वा पुरुषः व इति न मुख्यः अस्ति एष संशयः भूयःस्थ धर्म जातेषु निश्चय उत्पादः एव हि [sthāṇuḥ vā puruṣaḥ va iti na mukhyaḥ asti eṣa saṃśayaḥ bhūyaḥstha dharma jāteṣu niścaya utpādaḥ eva hi] *
250- M. Dyczkowski: “A dúvida “isto é um homem ou o tronco (de uma árvore)?” não é primária (porque implica) o surgimento de uma constatação (niścaya) de muitas das qualidades (do objeto)."

251- आमर्शनीयद्वैरूप्यानुद्घाटनवशात्पुनः । संशयः स किमित्यंशे विकल्पस्त्वन्यथा स्फुटः ॥२५१॥
āmarśanīyadvairūpyānudghāṭanavaśātpunaḥ । saṃśayaḥ sa kimityaṃśe vikalpastvanyathā sphuṭaḥ ॥251॥
आमर्शनीय द्वैरूप्य अनुद्घाटन वशात् पुनः संशयः सः किम् इति अंशे विकल्पः तु अन्यथा स्फुटः [āmarśanīya dvairūpya anudghāṭana vaśāt punaḥ saṃśayaḥ saḥ kim iti aṃśe vikalpaḥ tu anyathā sphuṭaḥ] *
251- M. Dyczkowski: “Novamente, surge a dúvida porque as duas (possíveis) naturezas dos objetos de reflexão (entre as quais oscila) não foram reveladas. Ela reside no aspecto “o quê?”. Caso contrário, (essa incerteza seria) claramente (apenas) uma alternativa (vikalpa) (entre duas possibilidades)."

252- तेनानुद्घाटितात्मत्वभावप्रथनमेव यत् । प्रथमं स इहोद्देशः प्रश्नः संशय एव च ॥२५२॥
tenānudghāṭitātmatvabhāvaprathanameva yat । prathamaṃ sa ihoddeśaḥ praśnaḥ saṃśaya eva ca ॥252॥
तेन अनुद्घाटित आत्मत्व भाव प्रथनम् एव यत् प्रथमं सः इह उद्देशः प्रश्नः संशय एव च [tena anudghāṭita ātmatva bhāva prathanam eva yat prathamaṃ saḥ iha uddeśaḥ praśnaḥ saṃśaya eva ca] *
252- M. Dyczkowski: “Assim, a percepção inicial (no processo cognitivo) da (mera) existência de algo (cuja natureza específica) não (ainda) foi revelada é aqui (denominada) ‘enunciação’ (uddeśa), ‘pergunta’ (praśna) e ‘dúvida? (saṃśaya).”

253- तथानुद्घाटिताकारभावप्रसरवर्त्मना । प्रसरन्ती स्वसंवित्तिः प्रष्ट्री शिष्यात्मतां गता ॥२५३॥
tathānudghāṭitākārabhāvaprasaravartmanā । prasarantī svasaṃvittiḥ praṣṭrī śiṣyātmatāṃ gatā ॥253॥
तथा अनुद्घाटित आकार भाव प्रसर वर्त्मना प्रसरन्ती स्व संवित्तिः प्रष्ट्री शिष्य आत्मतां गता [tathā anudghāṭita ākāra bhāva prasara vartmanā prasarantī sva saṃvittiḥ praṣṭrī śiṣya ātmatāṃ gatā] *
253- M. Dyczkowski: “A própria consciência, estendendo-se por meio do caminho, que é o desdobramento do estado de ser (bhavaprasara) (que se apresenta inicialmente) de forma não revelada, assume a natureza de um discípulo (e é chamada de) ‘indagante’ (consciência).
L. Silburn, A. Padoux: “Tal é a atitude da própria consciência quando lhe é apresentado um objeto cujas características particulares ainda não estão determinadas. Ela questiona e assim se encontra na posição de discípulo .”

254/255- तथान्तरपरामर्शनिश्चयात्मतिरोहितेः । प्रसरानन्तरोद्भूतसंहारोदयभागपि ॥२५४॥
यावत्येव भवेद्बाह्यप्रसरे प्रस्फुटात्मनि । अनुन्मीलितरूपा सा प्रष्ट्री तावति भण्यते ॥२५५॥
tathāntaraparāmarśaniścayātmatirohiteḥ । prasarānantarodbhūtasaṃhārodayabhāgapi ॥254॥
yāvatyeva bhavedbāhyaprasare prasphuṭātmani । anunmīlitarūpā sā praṣṭrī tāvati bhaṇyate ॥255॥
तथा अन्तर परा अमर्श निश्चय आत्म तिरोहितेः प्रसर अनन्तर उद्भूत संहार उदय भाक् अपि [tathā antara parā amarśa niścaya ātma tirohiteḥ prasara anantara udbhūta saṃhāra udaya bhāk api] * // यावति एव भवेत् बाह्य प्रसरे प्रस्फुट आत्मनि अनुन्मीलित रूपा सा प्रष्ट्री तावति भण्यते [yāvati eva bhavet bāhya prasare prasphuṭa ātmani anunmīlita rūpā sā praṣṭrī tāvati bhaṇyate]*
254/255- M. Dyczkowski: "Dessa forma, quando a certeza (niścaya) que é a consciência reflexiva interna (a consciência de sua própria natureza) é obscurecida, (o processo cognitivo) assume duas formas) que emergem do fluxo (da consciência extrovertida) que se segue após (essa obscurecimento ter ocorrido). (Uma é) o recolhimento (para os níveis superiores de consciência onde há certeza, e a outra forma) é a emergência (para os níveis inferiores onde não há). A forma (de consciência) que não se abriu (e se tornou ativa) quando ocorre a expansão externa, claramente evidente (da percepção que se move em direção ao seu objeto), é chamada de aspecto questionador (da consciência)."

256- स्वयमेवं विबोधश्च तथा प्रश्नोत्तरात्मकः । गुरुशिष्यपदेऽप्येष देहभेदो ह्यतात्त्विकः ॥२५६॥
svayamevaṃ vibodhaśca tathā praśnottarātmakaḥ । guruśiṣyapade'pyeṣa dehabhedo hyatāttvikaḥ ॥256॥
स्वयम् एवं विबोधः च तथा प्रश्न उत्तर आत्मकः गुरु शिष्य पदे अपि एष देह भेदः हि अतात्त्विकः [svayam evaṃ vibodhaḥ ca tathā praśna uttara ātmakaḥ guru śiṣya pade api eṣa deha bhedaḥ hi atāttvikaḥ] *
256- M. Dyczkowski: “A consciência (vibodha) no plano do mestre e do ensinado é, dessa forma, pergunta e resposta. De fato, essa diferença entre os corpos (do mestre e do discípulo) não é, em última análise, real.
L. Silburn, A. Padoux: “É, portanto, a própria Consciência que é pergunta e resposta. Neste nível do discípulo e do mestre, de fato, a diferença entre os indivíduos não tem realidade (atāttvika)."

257- बोधो हि बोधरूपत्वादन्तर्नानाकृतीः स्थिताः । बहिराभासयत्येव द्राक्सामान्यविशेषतः ॥२५७॥
bodho hi bodharūpatvādantarnānākṛtīḥ sthitāḥ । bahirābhāsayatyeva drāksāmānyaviśeṣataḥ ॥257॥
बोधः हि बोध रूपत्वात् अन्तर् नाना कृतीः स्थिताः बहिस् आभासयति एव द्राक् सामान्य विशेषतः [bodhaḥ hi bodha rūpatvāt antar nānā kṛtīḥ sthitāḥ bahis ābhāsayati eva drāk sāmānya viśeṣataḥ] *
257- M. Dyczkowski: “A própria consciência (bodha), (precisamente) porque é consciência, faz com que as muitas formas presentes dentro dela se manifestem externamente num instante como (tanto) universal quanto particular.”

258- स्रक्ष्यमाणविशेषांशाकाङ्क्षायोग्यस्य कस्यचित् । धर्मस्य सृष्टिः सामान्यसृष्टिः सा संशयात्मिका ॥२५८॥
srakṣyamāṇaviśeṣāṃśākāṅkṣāyogyasya kasyacit । dharmasya sṛṣṭiḥ sāmānyasṛṣṭiḥ sā saṃśayātmikā ॥258॥
स्रक्ष्यमाण विशेष आंश आकांक्षा योग्यस्य कस्यचित् धर्मस्य सृष्टिः सामान्य सृष्टिः सा संशय आत्मिका [srakṣyamāṇa viśeṣa āṃśa ākāṃkṣā yogyasya kasyacit dharmasya sṛṣṭiḥ sāmānya sṛṣṭiḥ sā saṃśaya ātmikā] *
258- M. Dyczkowski: “A emissão (de um universal é a) de um certo atributo (de um objeto, como a ‘caracteristica bovina’ de uma vaca), que é apto a receber e requer os aspectos (de sua forma totalmente determinada), que são os particulares a serem emitidos (para que seja conhecido). (Assim,) a emissão do universal (sem particulares) é essencialmente (o conteúdo da) dúvida."
L. Silburn, A. Padoux: “A emissão (sṛṣṭi) geral, devendo então ser completada pela emissão dos elementos particulares, levanta dúvidas a este respeito.”

259- स्रक्ष्यमाणो विशेषांशो यदा तूपरमेत्तदा । निर्णयो मातृरुचितो नान्यथा कल्पकोटिभिः ॥२५९॥
srakṣyamāṇo viśeṣāṃśo yadā tūparamettadā । nirṇayo mātṛrucito nānyathā kalpakoṭibhiḥ ॥259॥
स्रक्ष्यमाणः विशेष आंशो यदा तु उपरमेत् तदा निर्णयः मातृ रुचित न अन्यथा कल्प कोटिभिः [srakṣyamāṇaḥ viśeṣa āṃśo yadā tu uparamet tadā nirṇayaḥ mātṛ rucita na anyathā kalpa koṭibhiḥ] *
259- M. Dyczkowski: “(Somente) quando (a emissão do) aspecto (do objeto) que consiste em (suas) (qualidades) particulares que devem ser emitidas cessa, uma verificação (nirnaya) (da natureza de um objeto) ocorre de acordo com (a satisfação do) desejo (de conhecê-lo por parte) de quem percebe, e não de outra forma, mesmo em dez milhões de aeons. "

260- तस्याथ वस्तुनः स्वात्मवीर्याक्रमणपाटवात् । उन्मुद्रणं तयाकृत्या लक्षणोत्तरनिर्णयाः ॥२६०॥
tasyātha vastunaḥ svātmavīryākramaṇapāṭavāt । unmudraṇaṃ tayākṛtyā lakṣaṇottaranirṇayāḥ ॥260॥
तस्य अथ वस्तुनः स्व आत्म वीर्य आक्रमण पाटवात् उन्मुद्रणं तया आकृत्या लक्षण उत्तर निर्णयाः [tasya atha vastunaḥ sva ātma vīrya ākramaṇa pāṭavāt unmudraṇaṃ tayā ākṛtyā lakṣaṇa uttara nirṇayāḥ] *
260- M. Dyczkowski: "Agora, a revelação (unmudraṇa) dessa entidade (com todas as suas particularidades) de acordo com a forma (sua própria específica) que ocorre por uma apropriação intensa (patava) da vitalidade (virya) da própria natureza, (é chamada de) ‘definição’ (lakṣaṇa), ‘resposta’ (uttara) e ‘verificação’ (nirnaya) (de sua natureza)."
Raniero Gnoli: “A revelação (unmudraṇa) da realidade [em todas as suas particularidades] precisamente naquela forma dada, graças a força (vírya) da própria natureza, leva o nome de 'definição' (lakṣaṇa), 'resposta' (uttara) e 'determinação' (nirṇaya)."

261- निर्णीततावद्धर्मांशपृष्ठपातितया पुनः । भूयो भूयः समुद्देशलक्षणात्मपरीक्षणम् ॥२६१॥
nirṇītatāvaddharmāṃśapṛṣṭhapātitayā punaḥ । bhūyo bhūyaḥ samuddeśalakṣaṇātmaparīkṣaṇam ॥261॥
निर्णीत तावत् धर्म आंश पृष्ठ पातितया पुनः भूयस् भूयस् समुद्देश लक्षण आत्म परीक्षणम् [nirṇīta tāvat dharma āṃśa pṛṣṭha pātitayā punaḥ bhūyas bhūyas samuddeśa lakṣaṇa ātma parīkṣaṇam] *
261- M. Dyczkowski: "Novamente, a ‘investigação’ (parīkṣaṇa) (de um objeto) consiste na ‘enunciação’ (uddeśa) e ‘definição’ (lakṣaṇa) repetidas que se seguem após (algum) aspecto de (sua) natureza (dharmāṃśa) ter sido determinado (nirṇīta) até certo ponto (tavat)."

262- दृष्टानुमानौपम्याप्तवचनादिषु सर्वतः । उद्देशलक्षणावेक्षात्रितयं प्राणिनां स्फुरेत् ॥२६२॥
dṛṣṭānumānaupamyāptavacanādiṣu sarvataḥ । uddeśalakṣaṇāvekṣātritayaṃ prāṇināṃ sphuret ॥262॥
दृष्ट अनुमान औपम्य आप्तवचन आदिषु सर्वतः उद्देश लक्षण अवेक्षा त्रितयं प्राणिनां स्फुरेत् [dṛṣṭa anumāna aupamya āptavacana ādiṣu sarvataḥ uddeśa lakṣaṇa avekṣā tritayaṃ prāṇināṃ sphuret] *
262- M. Dyczkowski: "Os três (momentos) enunciação, definição e investigação (uddeśa lakṣaṇa avekṣā) são claramente evidentes em todos os casos (no que diz respeito a qualquer meio válido de conhecimento, seja) percepção direta, inferência, analogia ou testemunho válido (dṛṣṭa anumāna aupamya āptavacana) de (qualquer) ser senciente."

263- निर्विकल्पितमुद्देशो विकल्पो लक्षणं पुनः । परीक्षणं तथाध्यक्षे विकल्पानां परम्परा ॥२६३॥
nirvikalpitamuddeśo vikalpo lakṣaṇaṃ punaḥ । parīkṣaṇaṃ tathādhyakṣe vikalpānāṃ paramparā ॥263॥
निर्विकल्पितम् उद्देशः विकल्पः लक्षणं पुनर् परीक्षणं तथा अध्यक्षे विकल्पानां परम्परा [nirvikalpitam uddeśaḥ vikalpaḥ lakṣaṇaṃ punar parīkṣaṇaṃ tathā adhyakṣe vikalpānāṃ paramparā] *
263- M. Dyczkowski: "'Enunciação' (uddeśa) está livre de construções de pensamento. 'Definição' (lakṣaṇa) é uma construção de pensamento. 'Investigação' (parīkṣaṇa) é uma série de construções de pensamento cujo objeto é a entidade assim percebida."

264- नगोऽयमिति चोद्देशो धूमित्वादग्निमानिति । लक्ष्यं व्याप्त्यादिविज्ञानजालं त्वत्र परीक्षणम् ॥२६४॥
nago'yamiti coddeśo dhūmitvādagnimāniti । lakṣyaṃ vyāptyādivijñānajālaṃ tvatra parīkṣaṇam ॥264॥
नगः अयम् इति च उद्देश धूमित्वाद् अग्निमान् इति लक्ष्यं व्याप्ति आदि विज्ञान जालं तु अत्र परीक्षणम् [nagaḥ ayam iti ca uddeśa dhūmitvād agnimān iti lakṣyaṃ vyāpti ādi vijñāna jālaṃ tu atra parīkṣaṇam] *
264- M. Dyczkowski: "'(Por exemplo, tomamos a inferência: ‘nesta montanha há fogo porque há fumaça’), a enunciação é (simplesmente) ‘esta montanha’. O objeto a ser definido é ‘há fogo porque há fumaça’. O exame (neste caso) é a análise consciente (vijñānajāla) da concomitância (invariável) (vyāpti) (entre os termos da inferência) e o resto."

265- उद्देशोऽयमिति प्राच्यो गोतुल्यो गवयाभिधः । इति वा लक्षणं शेषः परीक्षोपमितौ भवेत् ॥२६५॥
uddeśo'yamiti prācyo gotulyo gavayābhidhaḥ । iti vā lakṣaṇaṃ śeṣaḥ parīkṣopamitau bhavet ॥265॥
उद्देशः अयम् इति प्राच्यः गो तुल्यः गवय अभिधः इति वा लक्षणं शेषः परीक्ष उपमितौ भवेत् [uddeśaḥ ayam iti prācyaḥ go tulyaḥ gavaya abhidhaḥ iti vā lakṣaṇaṃ śeṣaḥ parīkṣa upamitau bhavet] *
265- M. Dyczkowski: "Ou então (analogamente), com relação à postulação (como, por exemplo, ‘este animal, que é semelhante a uma vaca, é chamado de vaca selvagem’), a enunciação é a noção inicial ‘este (animal)’ e a definição é ‘aquilo que é semelhante a uma vaca é chamado de vaca selvagem (gavaya)’. O exame (diz respeito) ao resto (das características do animal)."

266- स्वःकाम ईदृगुद्देशो यजेतेत्यस्य लक्षणम् । अग्निष्टोमादिनेत्येषा परीक्षा शेषवर्तिनी ॥२६६॥
svaḥkāma īdṛguddeśo yajetetyasya lakṣaṇam । agniṣṭomādinetyeṣā parīkṣā śeṣavartinī ॥266॥
स्वर् कामः ईदृक् उद्देशः यजेत इति अस्य लक्षणम् अग्निष्टोम आदिन इति एषा परीक्षा शेष वर्तिनी [svar kāmaḥ īdṛk uddeśaḥ yajeta iti asya lakṣaṇam agniṣṭoma ādina iti eṣā parīkṣā śeṣa vartinī] *
266- M. Dyczkowski: "Da mesma forma, (o mesmo pode ser dito, por exemplo, da afirmação: “aquele que deseja o céu deve sacrificar com Agnistoma.) A enunciação (neste caso é) tal: ‘aquele que deseja o céu’, sua definição ‘deve sacrificar’, e o exame o resto, isto é, ‘com Agnistoma etc’."


267/268- विकल्पस्रक्ष्यमाणान्यरुचितांशसहिष्णुनः । वस्तुनो या तथात्वेन सृष्टिः सोद्देशसञ्ज्ञिता ॥२६७॥
तदैव संविच्चिनुते यावतः स्रक्ष्यमाणता । यतो ह्यकालकलिता सन्धत्ते सार्वकालिकम् ॥२६८॥
vikalpasrakṣyamāṇānyarucitāṃśasahiṣṇunaḥ । vastuno yā tathātvena sṛṣṭiḥ soddeśasañjñitā ॥267॥
tadaiva saṃviccinute yāvataḥ srakṣyamāṇatā । yato hyakālakalitā sandhatte sārvakālikam ॥268॥
विकल्प स्रक्ष्यमाण अन्य रुचित आंश सहिष्णुनः वस्तुनः या तथात्वेन सृष्टिः स उद्देश संज्ञिता [vikalpa srakṣyamāṇa anya rucita āṃśa sahiṣṇunaḥ vastunaḥ yā tathātvena sṛṣṭiḥ sa uddeśa saṃjñitā] * // तद एव संविद् चिनुते यावतः स्रक्ष्यमाणता यतस् हि अकालकलिता सन्धत्ते सार्वकालिकम् [tada eva saṃvid cinute yāvataḥ srakṣyamāṇatā yatas hi akālakalitā sandhatte sārvakālikam] *
267/268- M. Dyczkowski: "'A emissão de uma entidade (genérica) é tal que pode sustentar outros aspectos necessários (para satisfazer a necessidade de conhecê-la), que devem ser emitidos por (sua) conceituação (vikalpa). Isso é denominado 'enunciação' (uddeśa). Naquele exato momento (da enunciação que é concomitante com a) emissão iminente (srakṣyamāṇatā) daquilo que é tal (ou seja, os aspectos requeridos), (a consciência o discerne) porque aquilo que não é medido pelo tempo (akālākalitā) discerne tudo o que existe em todos os momentos (sārvakālika)."

269- स्रक्ष्यमाणस्य या सृष्टिः प्राक्सृष्टांशस्य संहृतिः । अनूद्यमाने धर्मे सा संविल्लक्षणमुच्यते ॥२६९॥
srakṣyamāṇasya yā sṛṣṭiḥ prāksṛṣṭāṃśasya saṃhṛtiḥ । anūdyamāne dharme sā saṃvillakṣaṇamucyate ॥269॥
स्रक्ष्यमाणस्य या सृष्टिः प्राक् सृष्ट आंशस्य संहृतिः अनूद्यमाने धर्मे सा संविद् लक्षणम् उच्यते [srakṣyamāṇasya yā sṛṣṭiḥ prāk sṛṣṭa āṃśasya saṃhṛtiḥ anūdyamāne dharme sā saṃvid lakṣaṇam ucyate] *
269- M. Dyczkowski: "'Definição' (lakṣaṇa) é uma forma de consciência em que a emissão daquilo que ainda não foi emitido (ou seja, os particulares) coincide com a reabsorção do aspecto previamente emitido (ou seja, o universal) quando o atributo (genérico) (dharma) (do objeto) ainda não está claramente manifestado (anūdyamāna)."

270- तत्पृष्ठपातिभूयोंशसृष्टिसंहारविभ्रमाः । परीक्षा कथ्यते मातृरुचिता कल्पितावधिः ॥२७०॥
tatpṛṣṭhapātibhūyoṃśasṛṣṭisaṃhāravibhramāḥ । parīkṣā kathyate mātṛrucitā kalpitāvadhiḥ ॥270॥
तद् पृष्ठपाति भूय आंश सृष्टि संहार विभ्रमाः परीक्षा कथ्यते मातृ रुचिता कल्पित अवधिः [tad pṛṣṭhapāti bhūya āṃśa sṛṣṭi saṃhāra vibhramāḥ parīkṣā kathyate mātṛ rucitā kalpita avadhiḥ] *
270- M. Dyczkowski: "Diz-se que 'Investigação (parīkṣā)' consiste no movimento repetido para frente e para trás (vibhrama) da emissão e absorção do aspecto que se segue a essa ('enunciação' e 'definição') a concepção disso depende do (grau) que o sujeito deseja (conhecer a natureza de um objeto)."

271- प्राक्पश्यन्त्यथ मध्यान्या वैखरी चेति ता इमाः । परा परापरा देवी चरमा त्वपरात्मिका ॥२७१॥
prākpaśyantyatha madhyānyā vaikharī ceti tā imāḥ । parā parāparā devī caramā tvaparātmikā ॥271
प्राक् पश्यन्ति अथ मध्य आन्या वैखरी च इति ताः इमाः परा पर आपरा देवी चरमा तु अपरात्मिका [prāk paśyanti atha madhya ānyā vaikharī ca iti tāḥ imāḥ parā para āparā devī caramā tu aparātmikā] *
271- M. Dyczkowski: "Agora, estes (três momentos equivalem a três níveis): o Intuitivo (paśyantī), o Médio (Fala) (madhyamā) (que é o do pensamento) e Corpóreo (vaikharī). São as Deusas (da consciência): Suprema (para), Média (parāparā) e Inferior (aparā)."

272- इच्छादि शक्तित्रितयमिदमेव निगद्यते । एतत्प्राणित एवायं व्यवहारः प्रतायते ॥२७२॥
icchādi śaktitritayamidameva nigadyate । etatprāṇita evāyaṃ vyavahāraḥ pratāyate ॥272॥
इच्छा आदि शक्ति त्रितयम् इदम् एव निगद्यते एतत् प्राणित एव आयं व्यवहारः प्रतायते [icchā ādi śakti tritayam idam eva nigadyate etat prāṇita eva āyaṃ vyavahāraḥ pratāyate] *
272- M. Dyczkowski: "Diz-se que estes são os três poderes da vontade (conhecimento e ação). As atividades existenciais (vyavahara) seguem seu curso impulsionadas por esta (tríade)."

273- एतत्प्रश्नोत्तरात्मत्वे पारमेश्वरशासने । परसम्बन्धरूपत्वमभिसम्बन्धपञ्चके ॥२७३॥
etatpraśnottarātmatve pārameśvaraśāsane । parasambandharūpatvamabhisambandhapañcake ॥273॥
एतत् प्रश्न उत्तर आत्मत्वे पारमेश्वर शासने पर संबन्ध रूपत्वम् अभिसंबन्ध पञ्चके [etat praśna uttara ātmatve pārameśvara śāsane para saṃbandha rūpatvam abhisaṃbandha pañcake] *
273- M. Dyczkowski: "O ensinamento do Senhor Supremo consiste em tais perguntas e respostas. A natureza essencial da conexão suprema está presente ali junto com os cinco relacionamentos (que são sua base)."

274/275- यथोक्तं रत्नमालायां सर्वः परकलात्मकः । महानवान्तरो दिव्यो मिश्रोऽन्योऽन्यस्तु पञ्चमः ॥२७४॥
भिन्नयोः प्रष्टृतद्वक्त्रोश्चैकात्म्यं यत्स उच्यते । सम्बन्धः परता चास्य पूर्णैकात्म्यप्रथामयी ॥२७५॥
yathoktaṃ ratnamālāyāṃ sarvaḥ parakalātmakaḥ । mahānavāntaro divyo miśro'nyo'nyastu pañcamaḥ ॥274॥
bhinnayoḥ praṣṭṛtadvaktroścaikātmyaṃ yatsa ucyate । sambandhaḥ paratā cāsya pūrṇaikātmyaprathāmayī ॥275॥
यथा उक्तं रत्नमालायां सर्वः पर कला आत्मकः महान् अवान्तरः दिव्यः मिश्रः अन्यः अन्यः तु पञ्चमः [yathā uktaṃ ratnamālāyāṃ sarvaḥ para kalā ātmakaḥ mahān avāntaraḥ divyaḥ miśraḥ anyaḥ anyaḥ tu pañcamaḥ] * // भिन्नयोः प्रष्टृ तद् वक्त्रोः च ऐकात्म्यं यद् सं उच्यते संबन्धः परता च अस्य पूर्ण ऐकात्म्य प्रथा मयी [bhinnayoḥ praṣṭṛ tad vaktroḥ ca aikātmyaṃ yad saṃ ucyate saṃbandhaḥ paratā ca asya pūrṇa aikātmya prathā mayī] *
274/275- M. Dyczkowski: "Como citado no Kularatnamālātantra: '(os cinco relacionamentos denominados) 'grande', 'intermediário', 'divino', 'misto' e 'outro' (que não divino) são todos o Poder Supremo. // 'Diz-se que o relacionamento é a unidade (que surge) entre as duas (polaridades) diferentes, uma é aquele que pergunta e (a outra) aquele que responde. Sua natureza suprema é a realização da identidade perfeita (pūrṇaikātmya)."

276/277- अनेनैव नयेन स्यात्सम्बन्धान्तरमप्यलम् । शास्त्रवाच्यं फलादीनां परिपूर्णत्वयोगतः ॥२७६॥
इत्थं संविदियं देवी स्वभावादेव सर्वदा । उद्देशादित्रयप्राणा सर्वशास्त्रस्वरूपिणी ॥२७७॥
anenaiva nayena syātsambandhāntaramapyalam । śāstravācyaṃ phalādīnāṃ paripūrṇatvayogataḥ ॥276॥
itthaṃ saṃvidiyaṃ devī svabhāvādeva sarvadā । uddeśāditrayaprāṇā sarvaśāstrasvarūpiṇī ॥277॥
अनेन एव नयेन स्यात् संबन्ध अन्तरम् अपि अलम् शास्त्र वाच्यं फल आदीनां परिपूर्णत्व योगतः [anena eva nayena syāt saṃbandha antaram api alam śāstra vācyaṃ phala ādīnāṃ paripūrṇatva yogataḥ] * // इत्थं संविद् इयं देवी स्वभावात् एव सर्वदा उद्देश आदि त्रय प्राणा सर्व शास्त्र स्वरूपिणी [itthaṃ saṃvid iyaṃ devī svabhāvāt eva sarvadā uddeśa ādi traya prāṇā sarva śāstra svarūpiṇī] *
276/277- Raniero Gnoli: "As demais relações declaradas nas escrituras também devem ser consideradas à luz deste princípio, para que os resultados desejados, etc. possam se manifestar em toda a sua plenitude. Assim a consciência, esta Deusa, que por sua própria natureza e em todos os momentos é a própria vida da tríade contida pela enunciação, manifesta-se na forma de todos as escrituras."

278//284a- तत्रोच्यते पुरोद्देशः पूर्वजानुजभेदवान् । विज्ञानभिद्गतोपायः परोपायस्तृतीयकः ॥२७८॥
शाक्तोपायो नरोपायः कालोपायोऽथ सप्तमः । चक्रोदयोऽथ देशाध्वा तत्त्वाध्वा तत्त्वभेदनम् ॥२७९॥
कलाद्यध्वाध्वोपयोगः शक्तिपाततिरोहिती । दीक्षोपक्रमणं दीक्षा सामयी पौत्रिके विधौ ॥२८०॥
प्रमेयप्रक्रिया सूक्ष्मा दीक्षा सद्यःसमुत्क्रमः । तुलादीक्षाथ पारोक्षी लिङ्गोद्धारोऽभिषेचनम् ॥२८१॥
अन्त्येष्टिः श्राद्धक्लृप्तिश्च शेषवृत्तिनिरूपणम् । लिङ्गार्चा बहुभित्पर्वपवित्रादि निमित्तजम् ॥२८२॥
रहस्यचर्या मन्त्रौघो मण्डलं मुद्रिकाविधिः । एकीकारः स्वस्वरूपे प्रवेशः शास्त्रमेलनम् ॥२८३॥
आयातिकथनं शास्त्रोपादेयत्वनिरूपणम् । इति सप्ताधिकामेनां त्रिंशतं यः सदा बुधः ॥२८४॥
tatrocyate puroddeśaḥ pūrvajānujabhedavān । vijñānabhidgatopāyaḥ paropāyastṛtīyakaḥ ॥278॥
śāktopāyo naropāyaḥ kālopāyo'tha saptamaḥ । cakrodayo'tha deśādhvā tattvādhvā tattvabhedanam ॥279॥
kalādyadhvādhvopayogaḥ śaktipātatirohitī । dīkṣopakramaṇaṃ dīkṣā sāmayī pautrike vidhau ॥280॥
prameyaprakriyā sūkṣmā dīkṣā sadyaḥsamutkramaḥ । tulādīkṣā atha pārokṣī liṅgoddhāro'bhiṣecanam ॥281॥
antyeṣṭiḥ śrāddhaklṛptiśca śeṣavṛttinirūpaṇam । liṅgārcā bahubhitparvapavitrādi nimittajam ॥282॥
rahasyacaryā mantraugho maṇḍalaṃ mudrikāvidhiḥ । ekīkāraḥ svasvarūpe praveśaḥ śāstramelanam ॥283॥
āyātikathanaṃ śāstropādeyatvanirūpaṇam ॥284a॥
[tatra ucyate purā uddeśaḥ pūrvaja anuja bhedavān vijñāna bhit gata upāyaḥ para upāyas tṛtīyakaḥ |278| śākta upāyaḥ nara upāyaḥ kāla upāyaḥ atha saptamaḥ cakra udayaḥ atha deśa adhvā tattva adhvā tattva bhedanam |279| kalā ādi adhvā adhva upayogaḥ śaktipāta tirohitī dīkṣā upakramaṇaṃ dīkṣā sāmayī pautrike vidhau |280| prameya prakriyā sūkṣmā dīkṣā sadyas samutkramaḥ tulā dīkṣa atha pārokṣī liṅga uddhāraḥ abhiṣecanam |281| antyeṣṭiḥ śrāddha klṛptiḥ ca śeṣa vṛtti nirūpaṇam liṅga arcā bahubhit parva pavitra ādi nimittajam |282| rahasya caryā mantra oghaḥ maṇḍalaṃ mudrikā vidhiḥ ekī kāraḥ sva sva rūpe praveśaḥ śāstra melanam |283| āyāti kathanaṃ śāstra upādeyatva nirūpaṇam |284a|]
278//284a- M. Dyczkowski: "Agora, inicialmente (o conteúdo do Tantraloka) é enunciado de forma preliminar (forma resumida e depois) em uma subsequente (forma mais detalhada):
1) As Várias Formas de Consciência (vijñānabhit).
2) (Penetração na Realidade Última) Desprovida de Meios (anupāya).
3) Os Meios Supremos (śāmbhavopāya).
4) Os meios capacitados (śāktopāya).
5) Os meios individuais (āṇavopāya).
6) Os meios temporais (kālopāya).
7) O Surgimento das Rodas (cakrodaya).
8) O Caminho do Espaço (deśādhvā).
9) O Caminho dos Princípios Metafísicos (tattvādhvā).
10) A Divisão dos Princípios Metafísicos (tattvabhedana).
11) O Caminho das Forças e outros (kalā ādi adhvā).
12) A Aplicação do Caminho (adhva upayoga).
13) A descida do poder e do obscurecimento (śaktipāta tirohitī).
14) As Preliminares do Rito de Iniciação (dīkṣā upakramaṇaṃ).
15) A Iniciação Comum (dīkṣā sāmayī).
16) A Iniciação dos Filhos Espirituais (pūtraka) (pautrike vidhau).
17) Os Rituais relativos aos Aprendizes (prameya prakriyā).
18) A Breve Iniciação (sūkṣmā dīkṣā).
19) A Iniciação da Saída Imediata (do Corpo) (sadyas samutkrama).
20) Ritos de equilíbrio na Iniciação (tulādīkṣā).
21) A Iniciação dos Ausentes (pārokṣī).
22) A iniciação dos convertidos (liṅga uddhāra).
23) A Consagração (abhiṣecana).
24) Os Últimos Ritos (antyeṣṭi).
25) A Oferenda Ritual aos Mortos (śrāddha klṛpti).
26) Ritos Pós iniciatórios (śeṣa vṛtti nirūpaṇa).
27) A Adoração do Liṅga (liṅga arcā).
28) Os Ritos Ocasionais, e.g. a apresentação do Fio Sagrado etc (bahubhit parva pavitra ādi nimittaja).
29) O Ritual Secreto (rahasya caryā).
30) Os Mantras (mantra ogha).
31) As Mandalas (maṇḍala).
32) Os Mudras (mudrikā vidhi).
33) A Assembleia (ekī kāra).
34) Entrada na Própria Natureza (sva sva rūpe praveśa).
35) A Assembleia das Escrituras (śāstra melana).
36) A Transmissão da Doutrina (āyāti kathana).
37) Uma Exposição das Escrituras Escolhidas (śāstra upādeyatva nirūpaṇa)."

284b//286a- इति सप्ताधिकामेनां त्रिंशतं यः सदा बुधः ॥२८४b॥
आह्निकानां समभ्यस्येत् स साक्षाद्भैरवो भवेत् । सप्तत्रिंशत्सु सम्पूर्णबोधो यद्भैरवो भवेत् ॥२८५॥
किं चित्रमणवोऽप्यस्य दृशा भैरवतामियुः । इत्येष पूर्वजोद्देशः कथ्यते त्वनुजोऽधुना ॥२८६a॥
iti saptādhikāmenāṃ triṃśataṃ yaḥ sadā budhaḥ ॥284b॥
āhnikānāṃ samabhyasyet sa sākṣādbhairavo bhavet । saptatriṃśatsu sampūrṇabodho yadbhairavo bhavet ॥285॥
kiṃ citramaṇavo'pyasya dṛśā bhairavatāmiyuḥ ॥286a॥
iti sapta ādhikām enāṃ triṃśataṃ yaḥ sadā budhaḥ |284b| āhnikānāṃ samabhyasyet sa sākṣāt bhairavaḥ bhavet saptatriṃśatsu saṃpūrṇa bodhaḥ yad bhairavaḥ bhavet |285| kiṃ citram aṇavaḥ api asya dṛśā bhairavatām iyuḥ |286a|
284b//286a- M. Dyczkowski: "O sábio que estuda (e pratica) assiduamente em todos os momentos o conteúdo destes trinta e sete capítulos torna-se o próprio Bhairava. Ele é o Bhairava cuja consciência está perfeitamente plena. Ele reside em meio aos trinta e sete (princípios). Que maravilha, com um (mero) olhar de tal pessoa, as almas individuais (também) alcançam a natureza de Bhairava."

286b//327a- इत्येष पूर्वजोद्देशः कथ्यते त्वनुजोऽधुना ॥२८६॥
विज्ञानभित्प्रकरणे सर्वस्योद्देशनं क्रमात् । द्वितीयस्मिन्प्रकरणे गतोपायत्वभेदिता ॥२८७॥
विश्वचित्प्रतिबिम्बत्वं परामर्शोदयक्रमः । मन्त्राद्यभिन्नरूपत्वं परोपाये विविच्यते ॥२८८॥
विकल्पसंस्क्रिया तर्कतत्त्वं गुरुसतत्त्वकम् । योगाङ्गानुपयोगित्वं कल्पितार्चाद्यनादरः ॥२८९॥
संविच्चक्रोदयो मन्त्रवीर्यं जप्यादि वास्तवम् । निषेधविधितुल्यत्वं शाक्तोपायेऽत्र चर्च्यते ॥२९०॥
बुद्धिध्यानं प्राणतत्त्वसमुच्चारश्चिदात्मता । उच्चारः परतत्त्वान्तःप्रवेशपथलक्षणम् ॥२९१॥
करणं वर्णतत्त्वं चेत्याणवे तु निरूप्यते । चारमानमहोरात्रसङ्क्रान्त्यादिविकल्पनम् ॥२९२॥
संहारचित्रता वर्णोदयः कालाध्वकल्पने । चक्रभिन्मन्त्रविद्याभिदेतच्चक्रोदये भवेत् ॥२९३॥
परिमाणं पुराणां च सङ्ग्रहस्तत्त्वयोजनम् । एतद्देशाध्वनिर्देशे द्वयं तत्त्वाध्वनिर्णये ॥२९४॥
कार्यकारणभावश्च तत्त्वक्रमनिरूपणम् । वस्तुधर्मस्तत्त्वविधिर्जाग्रदादिनिरूपणम् ॥२९५॥
प्रमातृभेद इत्येतत् तत्त्वभेदे विचार्यते । कलास्वरूपमेकत्रिपञ्चाद्यैस्तत्त्वकल्पनम् ॥२९६॥
वर्णभेदक्रमः सर्वाधारशक्तिनिरूपणम् । कलाद्यध्वविचारान्तरेतावत्प्रविविच्यते ॥२९७॥
अभेदभावनाकम्पह्रासौ त्वध्वोपयोजने । साङ्ख्याधिक्यं मलादीनां तत्त्वं शक्तिविचित्रता ॥२९८॥
अनपेक्षित्वसिद्धिश्च तिरोभावविचित्रता । शक्तिपातपरीक्षायामेतावान्वाच्यसङ्ग्रहः ॥२९९॥
तिरोभावव्यपगमो ज्ञानेन परिपूर्णता । उत्क्रान्त्यनुपयोगित्वं दीक्षोपक्रमणे स्थितम् ॥३००॥
शिष्यौचित्यपरीक्षादौ स्नानभित्स्नानकल्पनम् । सामान्यन्यासभेदोऽर्घपात्रं चैतत्प्रयोजनम् ॥३०१॥
द्रव्ययोग्यत्वमर्चा च बहिर्द्वारार्चनं क्रमात् । प्रवेशो दिक्स्वरूपं च देहप्राणादिशोधनम् ॥३०२॥
विशेषन्यासवैचित्र्यं सविशेषार्घभाजनम् । देहपूजा प्राणबुद्धिचित्स्वध्वन्यासपूजने ॥३०३॥
अन्यशास्त्रगणोत्कर्षः पूजा चक्रस्य सर्वतः । क्षेत्रग्रहः पञ्चगव्यं पूजनं भूगणेशयोः ॥३०४॥
अस्त्रार्चा वह्निकार्यं चाप्यधिवासनमग्निगम् । तर्पणं चरुसंसिद्धिर्दन्तकाष्ठान्तसंस्क्रिया ॥३०५॥
शिवहस्तविधिश्चापि शय्याक्लृप्तिविचारणम् । स्वप्नस्य सामयं कर्म समयाश्चेति सङ्ग्रहः ॥३०६॥
समयित्वविधावस्मिन्स्यात्पञ्चदश आह्निके । मण्डलात्मानुसन्धानं निवेद्यपशुविस्तरः ॥३०७॥
अग्नितृप्तिः स्वस्वभावदीपनं शिष्यदेहगः । अध्वन्यासविधिः शोध्यशोधकादिविचित्रता ॥३०८॥
दीक्षाभेदः परो न्यासो मन्त्रसत्ताप्रयोजनम् । भेदो योजनिकादेश्च षोडशे स्यादिहाह्निके ॥३०९॥
सूत्रक्लृप्तिस्तत्त्वशुद्धिः पाशदाहोऽथ योजनम् । अध्वभेदस्तथेत्येवं कथितं पौत्रिके विधौ ॥३१०॥
जननादिविहीनत्वं मन्त्रभेदोऽथ सुस्फुटः । इति सङ्क्षिप्तदीक्षाख्ये स्यादष्टादश आह्निके ॥३११॥
कलावेक्षा कृपाण्यादिन्यासश्चारः शरीरगः । ब्रह्मविद्याविधिश्चैवमुक्तं सद्यःसमुत्क्रमे ॥३१२॥
अधिकारपरीक्षान्तःसंस्कारोऽथ तुलाविधिः । इत्येतद्वाच्यसर्वस्वं स्याद्विंशतितमाह्निके ॥३१३॥
मृतजीवद्विधिर्जालोपदेशः संस्क्रियागणः । बलाबलविचारश्चेत्येकविंशाह्निके विधिः ॥३१४॥
श्रवणं चाभ्यनुज्ञानं शोधनं पातकच्युतिः । शङ्काच्छेद इति स्पष्टं वाच्यं लिङ्गोद्धृतिक्रमे ॥३१५॥
परीक्षाचार्यकरणं तद्व्रतं हरणं मतेः । तद्विभागः साधकत्वमभिषेकविधौ त्वियत् ॥३१६॥
अधिकार्यथ संस्कारस्तत्प्रयोजनमित्यदः । चतुर्विंशेऽन्त्ययागाख्ये वक्तव्यं परिचर्च्यते ॥३१७॥
प्रयोजनं भोगमोक्षदानेनात्र विधिः स्फुटः । पञ्चविंशाह्निके श्राद्धप्रकाशे वस्तुसङ्ग्रहः ॥३१८॥
प्रयोजनं शेषवृत्तेर्नित्यार्चा स्थण्डिले परा । लिङ्गस्वरूपं बहुधा चाक्षसूत्रनिरूपणम् ॥३१९॥
पूजाभेद इति वाच्यं लिङ्गार्चासम्प्रकाशने । नैमित्तिकविभागस्तत्प्रयोजनविधिस्ततः ॥३२०॥
पर्वभेदास्तद्विशेषश्चक्रचर्चा तदर्चनम् । गुर्वाद्यन्तदिनाद्यर्चाप्रयोजननिरूपणम् ॥३२१॥
मृतेः परीक्षा योगीशीमेलकादिविधिस्तथा । व्याख्याविधिः श्रुतविधिर्गुरुपूजाविधिस्त्वियत् ॥३२२॥
नैमित्तिकप्रकाशाख्येऽप्यष्टाविंशाह्निके स्थितम् । अधिकार्यात्मनो भेदः सिद्धपत्नीकुलक्रमः ॥३२३॥
अर्चाविधिर्दौतविधी रहस्योपनिषत्क्रमः । दीक्षाभिषेकौ बोधश्चेत्येकोनत्रिंश आह्निके ॥३२४॥
मन्त्रस्वरूपं तद्वीर्यमिति त्रिंशे निरूपितम् । शूलाब्जभेदो व्योमेशस्वस्तिकादिनिरूपणम् ॥३२५॥
विस्तरेणाभिधातव्यमित्येकत्रिंश आह्निके । गुणप्रधानताभेदाः स्वरूपं वीर्यचर्चनम् ॥३२६॥
कलाभेद इति प्रोक्तं मुद्राणां सम्प्रकाशने ॥३२७a॥
ityeṣa pūrvajoddeśaḥ kathyate tvanujo'dhunā ॥286॥
vijñānabhitprakaraṇe sarvasyoddeśanaṃ kramāt । dvitīyasminprakaraṇe gatopāyatvabheditā ॥287॥
viśvacitpratibimbatvaṃ parāmarśodayakramaḥ । mantrādyabhinnarūpatvaṃ paropāye vivicyate ॥288॥
vikalpasaṃskriyā tarkatattvaṃ gurusatattvakam । yogāṅgānupayogitvaṃ kalpitārcādyanādaraḥ ॥289॥
saṃviccakrodayo mantravīryaṃ japyādi vāstavam । niṣedhavidhitulyatvaṃ śāktopāye'tra carcyate ॥290॥
buddhidhyānaṃ prāṇatattvasamuccāraścidātmatā । uccāraḥ paratattvāntaḥpraveśapathalakṣaṇam ॥291॥
karaṇaṃ varṇatattvaṃ cetyāṇave tu nirūpyate । cāramānamahorātrasaṅkrāntyādivikalpanam ॥292॥
saṃhāracitratā varṇodayaḥ kālādhvakalpane । cakrabhinmantravidyābhidetaccakrodaye bhavet ॥293॥
parimāṇaṃ purāṇāṃ ca saṅgrahastattvayojanam । etaddeśādhvanirdeśe dvayaṃ tattvādhvanirṇaye ॥294॥
kāryakāraṇabhāvaśca tattvakramanirūpaṇam । vastudharmastattvavidhirjāgradādinirūpaṇam ॥295॥
pramātṛbheda ityetat tattvabhede vicāryate । kalāsvarūpamekatripañcādyaistattvakalpanam ॥296॥
varṇabhedakramaḥ sarvādhāraśaktinirūpaṇam । kalādyadhvavicārāntaretāvatpravivicyate ॥297॥
abhedabhāvanākampahrāsau tvadhvopayojane । sāṅkhyādhikyaṃ malādīnāṃ tattvaṃ śaktivicitratā ॥298॥
anapekṣitvasiddhiśca tirobhāvavicitratā । śaktipātaparīkṣāyāmetāvānvācyasaṅgrahaḥ ॥299॥
tirobhāvavyapagamo jñānena paripūrṇatā । utkrāntyanupayogitvaṃ dīkṣopakramaṇe sthitam ॥300॥
śiṣyaucityaparīkṣādau snānabhitsnānakalpanam । sāmānyanyāsabhedo'rghapātraṃ caitatprayojanam ॥301॥
dravyayogyatvamarcā ca bahirdvārārcanaṃ kramāt । praveśo diksvarūpaṃ ca dehaprāṇādiśodhanam ॥302॥
viśeṣanyāsavaicitryaṃ saviśeṣārghabhājanam । dehapūjā prāṇabuddhicitsvadhvanyāsapūjane ॥303॥
anyaśāstragaṇotkarṣaḥ pūjā cakrasya sarvataḥ । kṣetragrahaḥ pañcagavyaṃ pūjanaṃ bhūgaṇeśayoḥ ॥304॥
astrārcā vahnikāryaṃ cāpyadhivāsanamagnigam । tarpaṇaṃ carusaṃsiddhirdantakāṣṭhāntasaṃskriyā ॥305॥
śivahastavidhiścāpi śayyāklṛptivicāraṇam । svapnasya sāmayaṃ karma samayāśceti saṅgrahaḥ ॥306॥
samayitvavidhāvasminsyātpañcadaśa āhnike । maṇḍalātmānusandhānaṃ nivedyapaśuvistaraḥ ॥307॥
agnitṛptiḥ svasvabhāvadīpanaṃ śiṣyadehagaḥ । adhvanyāsavidhiḥ śodhyaśodhakādivicitratā ॥308॥
dīkṣābhedaḥ paro nyāso mantrasattāprayojanam । bhedo yojanikādeśca ṣoḍaśe syādihāhnike ॥309॥
sūtraklṛptistattvaśuddhiḥ pāśadāho'tha yojanam । adhvabhedastathetyevaṃ kathitaṃ pautrike vidhau ॥310॥
jananādivihīnatvaṃ mantrabhedo'tha susphuṭaḥ । iti saṅkṣiptadīkṣākhye syādaṣṭādaśa āhnike ॥311॥
kalāvekṣā kṛpāṇyādinyāsaścāraḥ śarīragaḥ । brahmavidyāvidhiścaivamuktaṃ sadyaḥsamutkrame ॥312॥
adhikāraparīkṣāntaḥsaṃskāro'tha tulāvidhiḥ । ityetadvācyasarvasvaṃ syādviṃśatitamāhnike ॥313॥
mṛtajīvadvidhirjālopadeśaḥ saṃskriyāgaṇaḥ । balābalavicāraścetyekaviṃśāhnike vidhiḥ ॥314॥
śravaṇaṃ cābhyanujñānaṃ śodhanaṃ pātakacyutiḥ । śaṅkāccheda iti spaṣṭaṃ vācyaṃ liṅgoddhṛtikrame ॥315॥
parīkṣācāryakaraṇaṃ tadvrataṃ haraṇaṃ mateḥ । tadvibhāgaḥ sādhakatvamabhiṣekavidhau tviyat ॥316॥
adhikāryatha saṃskārastatprayojanamityadaḥ । caturviṃśe'ntyayāgākhye vaktavyaṃ paricarcyate ॥317॥
prayojanaṃ bhogamokṣadānenātra vidhiḥ sphuṭaḥ । pañcaviṃśāhnike śrāddhaprakāśe vastusaṅgrahaḥ ॥318॥
prayojanaṃ śeṣavṛtternityārcā sthaṇḍile parā । liṅgasvarūpaṃ bahudhā cākṣasūtranirūpaṇam ॥319॥
pūjābheda iti vācyaṃ liṅgārcāsamprakāśane । naimittikavibhāgastatprayojanavidhistataḥ ॥320॥
parvabhedāstadviśeṣaścakracarcā tadarcanam । gurvādyantadinādyarcāprayojananirūpaṇam ॥321॥
mṛteḥ parīkṣā yogīśīmelakādividhistathā । vyākhyāvidhiḥ śrutavidhirgurupūjāvidhistviyat ॥322॥
naimittikaprakāśākhye'pyaṣṭāviṃśāhnike sthitam । adhikāryātmano bhedaḥ siddhapatnīkulakramaḥ ॥323॥
arcāvidhirdautavidhī rahasyopaniṣatkramaḥ । dīkṣābhiṣekau bodhaścetyekonatriṃśa āhnike ॥324॥
mantrasvarūpaṃ tadvīryamiti triṃśe nirūpitam । śūlābjabhedo vyomeśasvastikādinirūpaṇam ॥325॥
vistareṇābhidhātavyamityekatriṃśa āhnike । guṇapradhānatābhedāḥ svarūpaṃ vīryacarcanam ॥326॥
kalābheda iti proktaṃ mudrāṇāṃ samprakāśane ॥327a॥
286b//327a- M. Dyczkowski: "Esta foi a exposição preliminar (dos tópicos discutidos no Tantrāloka). Agora passamos para a subsequente (detalhada).
1) Todos (os tópicos discutidos no Tantrāloka) são anunciados na devida ordem no (primeiro) capítulo que trata das várias formas de consciência (vijñānabhit).
2) (Penetração na realidade última) desprovida de meios (anupāya) é discutida no segundo capítulo.
3) (O terceiro) capítulo trata dos Meios Supremos (śāmbhavopāya). (Os Tópicos) discutimos (contém): a natureza de todos os fenômenos como reflexos dentro da consciência, o surgimento sequencial das (várias formas) de consciência reflexiva e a unidade deste (processo) com mantra e similares.
4) O capítulo (quatro) trata dos meios capacitados (śāktopāya). (Lá os seguintes tópicos são discutidos): a purificação das construções de pensamento, a natureza do raciocínio sólido, as características dos mantras, a inaplicabilidade dos membros do Yoga (além do raciocínio sólido), a futilidade das formas concebidas de várias maneiras (externas), ritual, o surgimento das Rodas da Consciência, o poder do mantra, a verdadeira natureza do mantra que deve ser recitado repetidamente e similares e a relatividade das proibições e injunções.
5) (Este) capítulo trata dos Meios Individuais (āṇavopāya). (Aqui são descritos os seguintes): contemplação por meio do intelecto, a expressão (do poder do mantra) através do princípio do sopro vital e através da natureza consciente, entrada no Princípio Supremo, os sinais de realização no caminho , as posturas e a verdadeira natureza dos fonemas."
6) (Este) capítulo trata da formação do Caminho do Tempo (kālopāya). (Os tópicos discutidos aqui são) a medida do movimento (da respiração), a formação da noite e do dia e a transição (de o sol de um signo do zodíaco para outro no movimento da respiração) e assim por diante, os vários tipos de absorções (da respiração na consciência) e o surgimento (progressivo) dos (energias dos) fonemas.
7) (Este) capítulo trata do Surgimento (progressivo) das Rodas (cakrodaya) (das sílabas dos mantras no movimento da respiração) e do vários tipos de Rodas, mantras e vidyās.
8) (Este) capítulo trata do Caminho do Espaço (deśādhvā). (Aqui discutimos) o dimensões dos mundos com breves (descrições deles) e suas associação com os princípios metafísicos.
9) Os dois (tópicos) deste capítulo que trata do Caminho do Princípios Metafísicos (tattvādhvā), são a relação entre causa e efeito e uma descrição da série de princípios metafísicos.
10) (Este) capítulo trata das (várias maneiras) da metafísica princípios estão divididos (tattvabhedana). Os temas discutidos são a natureza entidades fenomênicas (vastudharma), os procedimentos relativos aos princípios metafísicos, uma descrição dos estados de vigília e o descanso e dos vários tipos de sujeitos experienciados”.
11) (Este capítulo trata) do Caminho das Forças (kalā ādi adhvā). A natureza das forças é examinada, a divisão (de todas as coisas) em um, três e cinco princípios, etc., o processo de diferenciação dos fonemas e uma descrição do poder que tudo sustenta.
12) (Este) capítulo trata da aplicação do Caminho (adhva upayoga) (descrito nos capítulos anteriores). (Trata-se da) contemplação baseada na unidade e na eliminação do medo.
13) Os assuntos do capítulo (treze) são o exame das (formas de) graça (śaktipāta) 'descidas de poder' e como (Śaivismo) é superior ao Saṅkhya, a natureza da impureza etc., a variedade de (descidas de) poder, prova de que são independentes (do esforço pessoal) e das diversas formas de obscurecimento.
14) (Este) capítulo trata das preliminares do rito de iniciação (dīkṣā upakramaṇa). (Os tópicos incluem) o (modo como o obscurecimento da alma individual) é removido, o estado de plenitude perfeita provocado pelo conhecimento.
15) O capítulo quinze trata da iniciação comum (dīkṣā sāmayī). Os tópicos discutidos aqui são, em resumo, o exame do discípulo para ver se ele está apto (para receber a iniciação).
16) O capítulo dezesseis trata do exame do Mandala, dos animais oferecidos no sacrifício, da propiciação do fogo, do (rito que) confere fervor à própria natureza essencial, da maneira pela qual o caminho é depositado no corpo do discípulo.
17) Junto com os rituais que dizem respeito aos aprendizes (putraka) (trataremos deles) a preparação do cordão sagrado, a purificação dos princípios metafísicos, a queima dos grilhões, a conjunção (com o princípio supremo) e os vários caminhos .
18) O capítulo dezoito trata da breve (forma de) iniciação. (Aqui descreveremos a iniciação) desprovida de nascimento e dos vários tipos de mantra.
19) Este capítulo trata da (maneira como a alma) sai em um momento (do corpo). (Neste contexto iremos) discutir a forma como o momento certo (para fazer isso) é determinado, a deposição da lâmina e o resto, a circulação (do sopro vital) no corpo do discípulo (quando ele está morrendo) e o rito de Brahmavidya.
20) O capítulo vinte trata essencialmente do exame do qualificação (um professor deve ter que transmitir a iniciação especial discutido aqui), a purificação interior e o rito do equilíbrio.
21) O capítulo vinte e um contém os ritos para os vivos e os mortos, o ensino sobre a rede, as várias purificações e o exame de sua força e fraqueza.
22) (Este) capítulo trata da iniciação de convertidos. (Inclui) uma explicação clara de como (o professor deve) ouvir (um relato da vida passada do seu discípulo), o consentimento (do aspirante) (à conversão), (sua) purificação, libertação do pecado e remoção de dúvidas.
23) O capítulo (vinte e três) trata da consagração (do professor). Inclui o exame e a formação de um professor, seus votos e (como ele deveria) atingir a consciência, as categorias (de professores) e o estado do adepto.
24) O capítulo vinte e quatro trata dos ritos funerários. Os assuntos ali tratados incluem (a avaliação de) aqueles aptos para recebê-la, (sua) purificação e sua finalidade.
25) O capítulo vinte e cinco trata da oferenda ritual aos mortos. Trata do seu propósito e do seu poder de conferir benefícios mundanos (bhoga) e libertação.
26) (Os tópicos do capítulo vinte e seis) descrevem a finalidade dos ritos realizados após a iniciação, o rito diário obrigatório (nityarca) e outros (ritos) relativos ao altar.
27) O capítulo (vinte e sete) trata da adoração do Linga. Isto inclui uma exposição dos vários tipos de Linga e rosários e das diversas formas de culto.
28) O capítulo vinte e oito contém uma exposição dos ritos ocasionais (naimittika). (Os assuntos aí discutidos incluem) os vários tipos de ritos ocasionais, o seu propósito, os vários tipos de dias sagrados e as suas características especiais, o Cakra e a sua adoração.
29) Os assuntos discutidos no capítulo vinte e nove são os vários tipos de (discípulos que estão) aptos (para realizar rituais Kaula), o rito Kula realizado para os Siddhas e suas consortes, o procedimento para o rito de adoração, as características de uma consorte tântrica, o procedimento ensinado na doutrina secreta, iniciação, consagração e a maneira (como os centros internos) são perfurados.
30) Mantra e seu poder (vīrya) são descritos no Capítulo trinta.
31) Capítulo trinta e um (foi escrito) para atender à necessidade de uma descrição detalhada dos vários (arranjos) de lótus e tridentes (no Trikamadala) e (as partes das outros mandalas chamados) de 'Senhor do Céu' , a 'Svastika' e o resto.
32) O capítulo trinta e dois trata dos Mudras. Os temas discutidos (lá) estão seus tipos maiores e menores, sua natureza, vitalidade (vīrya) e as diversas ocasiões (em que são aplicadas)."


327b/328- द्वात्रिंशतत्त्वादीशाख्यात्प्रभृति प्रस्फुटो यतः ॥३२७॥
न भेदोऽस्ति ततो नोक्तमुद्देशान्तरमत्र तत् । मुख्यत्वेन च वेद्यत्वादधिकारान्तरक्रमः ॥३२८॥
dvātriṃśatattvādīśākhyātprabhṛti prasphuṭo yataḥ ॥327॥
na bhedo'sti tato noktamuddeśāntaramatra tat । mukhyatvena ca vedyatvādadhikārāntarakramaḥ ॥328॥
यतस् प्रभृति द्वात्रिंश तत्त्वात् ईश आख्यात् न अस्ति प्रस्फुटः भेदः [yatas prabhṛti dvātriṃśa tattvāt īśa ākhyāt na asti prasphuṭaḥ bhedaḥ] a partir da trigésima segunda categoria chamada īśa (īśvara) não há diferenciação clara* ततस् अत्र न तद् उद्देश आन्तरम् उक्तम् मुख्यत्वेन च वेद्यत्वात् अधिकारा अन्तर क्रमः [tatas atra na tad uddeśa āntaram uktam mukhyatvena ca vedyatvāt adhikārā antara kramaḥ] a série dos capítulos seguintes (as categorias superiores) é tocada pela presença de objetividade*
327b/328- M. Dyczkowski: "A apresentação (do conteúdo do Tantrāloka) não vai além (capítulo trinta e dois) porque as distinções relativas não são claramente aparentes, a partir de Īśvara, o trigésimo segundo princípio metafísico, em diante. A série de capítulos a seguir é uma consequência da presença (sutil) da objetividade (nos níveis dos princípios superiores) em sua forma primária (interna)."

329- इत्युद्देशविधिः प्रोक्तः सुखसङ्ग्रहहेतवे । अथास्य लक्षणावेक्षे निरूप्येते यथाक्रमम् ॥३२९॥
ityuddeśavidhiḥ proktaḥ sukhasaṅgrahahetave । athāsya lakṣaṇāvekṣe nirūpyete yathākramam ॥329॥
इति उद्देश विधिः प्रोक्तः सुख संग्रह हेतवे [iti uddeśa vidhiḥ proktaḥ sukha saṃgraha hetave] esta é a apresentação inicial (do tantrāloka) na forma de um resumo de fácil compreensão* अथ अस्य लक्षण आवेक्षे निरूप्येते यथा क्रमम् [atha asya lakṣaṇa āvekṣe nirūpyete yathā kramam] agora sua definição e investigação na devida ordem*
329- M. Dyczkowski: "(Esta é) uma enunciação inicial (uddeśa) (do conteúdo do Tantrāloka). Foi feita para (apresentar) um resumo (dele) facilmente compreensível. O que se segue é sua definição e exame, na devida ordem."

330- आत्मा संवित्प्रकाशस्थितिरनवयवा संविदित्यात्तशक्तिव्रातं तस्य स्वरूपं स च निजमहसश्छादनाद्बद्धरूपः । आत्मज्योतिःस्वभावप्रकटनविधिना तस्य मोक्षः स चायं चित्राकारस्य चित्रः प्रकटित इह यत्सङ्ग्रहेणार्थ एषः॥३३०॥
ātmā saṃvitprakāśasthitiranavayavā saṃvidityāttaśaktivrātaṃ tasya svarūpaṃ sa ca nijamahasaśchādanādbaddharūpaḥ । ātmajyotiḥsvabhāvaprakaṭanavidhinā tasya mokṣaḥ sa cāyaṃ citrākārasya citraḥ prakaṭita iha yatsaṅgraheṇārtha eṣaḥ॥330॥
आत्मा संविद् प्रकाश स्थितिः अनवयवा संविद् इति [ātmā saṃvid prakāśa sthitiḥ anavayavā saṃvid iti] o self (ātmā) está no estado permanente da luz da consciência é consciência indivisa* आत्त शक्ति व्रातं तस्य स्व रूपं [ātta śakti vrātaṃ tasya sva rūpaṃ] sua natureza essencial é possuidora de uma infinidade de poderes* सः च निज महसः छादनात् बद्ध रूपः [saḥ ca nija mahasaḥ chādanāt baddha rūpaḥ] ocultando de sua própria grandeza e esplendor acorrenta-se* आत्म ज्योतिः स्व भाव प्रकटन विधिना तस्य मोक्षः [ātma jyotiḥ sva bhāva prakaṭana vidhinā tasya mokṣaḥ] ao tornar a natureza essencial da luz do self auto evidente liberta-se* स च अयं चित्राकारस्य चित्रः प्रकटितः इह यद् सङ्ग्रहेण आर्थ एषः [sa ca ayaṃ citrākārasya citraḥ prakaṭitaḥ iha yad saṅgraheṇa ārtha eṣaḥ] a maravilhosa diversidade de meios para realizar suas diversas formas é o significado do Tantrāloka*
330- M. Dyczkowski: "O Self é o estado permanente (sthiti) da luz da consciência. É a consciência (pura) sem partes (ou divisões). Como tal, ele se apoderou de todo poder. Escondendo sua própria glória, ele se torna o ātmā acorrentado. Ao tornar a natureza essencial da Luz do Self claramente evidente, ele é liberado (este processo de revelação) descrito aqui, que é a maravilhosa variedade (de meios para realizar) suas diversas formas, é o significado (dos ensinamentos do) Tantrāloka."

331- मिथ्याज्ञानं तिमिरमसमान् दृष्टिदोषान्प्रसूते तत्सद्भावाद्विमलमपि तद्भाति मालिन्यधाम । यत्तु प्रेक्ष्यं दृशि परिगतं तैमिरीं दोषमुद्रां दूरं रुन्द्धेत्प्रभवतु कथं तत्र मालिन्यशङ्का ॥३३१॥
mithyājñānaṃ timiramasamān dṛṣṭidoṣānprasūte tatsadbhāvādvimalamapi tadbhāti mālinyadhāma । yattu prekṣyaṃ dṛśi parigataṃ taimirīṃ doṣamudrāṃ dūraṃ runddhetprabhavatu kathaṃ tatra mālinyaśaṅkā ॥331॥
मिथ्या ज्ञानं तिमिरम् प्रसूते असमान् दृष्टि दोषान् [mithyā jñānaṃ timiram prasūte asamān dṛṣṭi doṣān] o falso conhecimento que é a escuridão gera esses inúmeros defeitos que obstruem a visão* तद् सद्भावात् अपि तद् विमलम् भाति मालिन्य धाम [tad sadbhāvāt api tad vimalam bhāti mālinya dhāma] é devido a isso mesmo que aquela pura (consciência) parece ser a morada da impureza* यद् तु प्रेक्ष्यं परिगतं दृशि तैमिरीं दोष मुद्रां दूरं रुन्द्धेत् [yad tu prekṣyaṃ parigataṃ dṛśi taimirīṃ doṣa mudrāṃ dūraṃ runddhet] mas quando o objeto da percepção é transcendido no ato de percepção a ação maligna daquela escuridão é removida* कथं प्रभवतु तत्र मालिन्य शङ्का [kathaṃ prabhavatu tatra mālinya śaṅkā] como pode então surgir alguma dúvida contaminada pela impureza?*
331- M. Dyczkowski: "O falso conhecimento que é a escuridão gera esses inúmeros defeitos que obstruem a visão. É devido a isso mesmo que aquela pura (consciência) parece ser a morada da impureza. Mas quando o objeto da percepção é transcendido (parigata) no ato de percepção (dṛśi), a atividade defeituosa (doṣamudrām) daquela escuridão é colocada de lado. Como pode então (quando isso ocorre) uma dúvida (em que existe alguma) impureza prevalecer (de novo)?"

332- भावव्रात हठाज्जनस्य हृदयान्याक्रम्य यन्नर्तयन् भङ्गीभिर्विविधाभिरात्महृदयं प्रच्छाद्य सङ्क्रीडसे । यस्त्वामाह जडं जडः सहृदयम्मन्यत्वदुःशिक्षितो मन्येऽमुष्य जडात्मता स्तुतिपदं त्वत्साम्यसम्भावनात् ॥३३२॥
bhāvavrāta haṭhājjanasya hṛdayānyākramya yannartayan bhaṅgībhirvividhābhirātmahṛdayaṃ pracchādya saṅkrīḍase । yastvāmāha jaḍaṃ jaḍaḥ sahṛdayammanyatvaduḥśikṣito manye'muṣya jaḍātmatā stutipadaṃ tvatsāmyasambhāvanāt ॥332॥
भाव व्रात आक्रम्य हठात् हृदयानि जनस्य [bhāva vrāta ākramya haṭhāt hṛdayāni janasya] você que é a totalidade das coisas pela força se apodera dos corações dos homens* यद् नर्तयन् भङ्गीभिः विविधाभिः [yad nartayan bhaṅgībhiḥ vividhābhiḥ] você dança com suas muitas maneiras de agir* प्रच्छाद्य आत्म हृदयं संक्रीडसे [pracchādya ātma hṛdayaṃ saṃkrīḍase] encobrindo seu coração você brinca* अयं सहृत् यः आह त्वाम् जडं जडः मन्यत्व दुस् शिक्षितः [ayaṃ sahṛt yaḥ āha tvām jaḍaṃ jaḍaḥ manyatva dus śikṣitaḥ] quem chama você de insensível é ele mesmo insensível ele foi ensinado erroneamente com referência a pensar sobre si mesmo* मन्ये अमुष्य जड आत्मता स्तुति पदं त्वत् साम्य संभावनात् [manye amuṣya jaḍa ātmatā stuti padaṃ tvat sāmya saṃbhāvanāt] parece-me que nesta insensibilidade reside de fato o louvor pois ele é como você é!*
332- M. Dyczkowski: "Ó você (Senhor) que é a totalidade das coisas (bhāvavrata)!. Pela força você se apodera dos corações dos homens, Você dança com (suas) muitas maneiras de agir. Encobrindo seu Coração, você brinca! Aquele que é insensível, achando que possui uma sensibilidade estética (que não possui), mal ensinado, diz que você é insensível. Parece-me que, em virtude de sua insensibilidade, ele pode ser elogiado, ele é como você é (pelo menos nesse aspecto)!"

333- इह गलितमलाः परावरज्ञाः शिवसद्भावमया अधिक्रियन्ते । गुरवः प्रविचारणे यतस्तद्विफला द्वेषकलङ्कहानियाच्ञा ॥३३३॥
iha galitamalāḥ parāvarajñāḥ śivasadbhāvamayā adhikriyante । guravaḥ pravicāraṇe yatastadviphalā dveṣakalaṅkahāniyācñā ॥333॥
इह यतस् गुरवः अधिक्रियन्ते प्रविचारणे गलित मलाः [iha yatas guravaḥ adhikriyante pravicāraṇe galita malāḥ] este tantrāloka é destinado aos mestres porque eles podem compreender meus ensinamentos pois removeram todas as impurezas* पर अवर ज्ञाः शिव सत् भाव मयाः [para avara jñāḥ śiva sat bhāva mayāḥ] e perceberam a ordem universal e estão estabelecidos no estado de śiva* तद् द्वेष कलङ्क हानि याच्ञा विफला [tad dveṣa kalaṅka hāni yācñā viphalā] portanto a ânsia de remover a aversão é vã*
333- S. Laksmanjoo: "Este Tantrāloka foi feito para ser compreendido pelos mestres. (Este Tantrāloka não se destina a discípulos.) Portanto, expliquei, em breves palavras, que o Tantrāloka pode ser compreendido por aqueles mestres que removeram absolutamente todas as impurezas, que perceberam o estado de ahaṁ (eu universal) e que estão estabelecidos no estado de Śiva. Esses são dignos de compreender este Tantrāloka, e não outros."

तन्त्रालोकेऽभिनवरचितेऽमुत्र विज्ञानसत्ताभेदोद्गारप्रकटनपटावाह्निकेऽस्मिन्समाप्तिः
tantrāloke'bhinavaracite'mutra vijñānasattābhedodgāraprakaṭanapaṭāvāhnike'sminsamāptiḥ
Aqui termina o primeiro capítulo do Tantrāloka, de Abhinavagupta, que elucida a natureza do conhecimento perfeito.

Parte 1   Parte 2


Fontes/ Links
Tantraloka / Wikipedia
Abhinavagupta / Wikipedia
Tantraloka (Sanskrit Text) / Wisdomlib.org
Sri Tantraloka - S. P. Singh / Internet Arquive
Tantraloka / Gabriel Pradipaka
Tantraloka / Mark Dyczkowski
Sri Tantraloka / Gautam Chatterjee
Luci dei Tantraloka / Raniero Gnoli
Introduction to the Tantraloka / Navjivan Rastogi
Light On Tantra In Kashmir Shaivism / Swami Lakshmanjoo
The Relevance of Abhinavagupta’s Theory of Reality / ResearchGate
Doutrina do Recohecimento (Pratyabhijñāhṛdayam) / mokshadharma.blogspot
Shivaísmo da Caxemira / mokshadharma.blogspot
La lumière sur les tantras- L. Silburn - A. Padoux
Concept of Phoneme in Abhinavaguptas Tantraloka / Amitabh V Dwivedi
Abhinavagupta On Reflection (Pratibimba) in The Tantrāloka / Mrinal Kaul