01/06/2018

Os Yoga Sūtras de Patañjali - Samādhi-Pāda



Samādhi Pada

1- अथ योगानुशासनम् (Atha yogānuśāsanam) ||१|| 
अथ: (atha) agora; अनुशासनम् (anuśāsanam) exposição, explicação; योग (Yoga) ||1||
Agora, o Yoga será explicado.
(Yoga Bhāṣya de Vyāsa): A palavra (agora) indica a apresentação de um assunto que tem sido profundamente debatido. Entende-se que uma obra autorizada com as instruções sobre Yoga está iniciando. Yoga significa concentração (Samādhi); Entretanto esta é uma qualidade da mente (citta) - Citta reflete o Self (Puruṣa) de acordo com qualquer um dos seus estados modificados (vṛtti). Essas reflexões sujeitam o Self aos efeitos dos kleśas (aflições, obstáculos).
     Os kleśas são: avidyā - falso conhecimento, asmitā - egoidade, identificação do Self (Purusha) com o ego (ahankara), rāga - apego, dveṣa - aversão, e abhiniveśāḥ - medo da morte. Ainda, a mente (citta) pode permanecer em cinco níveis diferentes ou estágios.
     Os cinco estágios da mente (cittabhumi) são: distraída (kṣipta); confusa (mūḍha); ocasionalmente centrada (vikṣipta); concentrada, uni-direcionada (ekāgra) e contida (niroddha). Desses, os dois primeiros nada tem a ver com Yoga, e mesmo no estado distraído da mente (vikṣipta) as ocorrências de concentração são dominadas por distrações e conseqüentemente (este estágio) não pode, obviamente, ser chamado de Yoga. 
     Mas quando a mente está concentrada, focando completamente um objeto distinto e real, fazendo com que os obstáculos (Kleśas) e também os laços do karma se enfraqueçam, atenuando todas as flutuações (vṛttis), é chamado samprajñāta samādhi, no qual há consciência de um objeto. Este, no entanto, é acompanhado pelo raciocínio com consciência física (vitarka), pela reflexão sem suporte físico (vicāra), pela felicidade (ananda) e pelo sentimento de personalidade (asmitā). 
    Quando há cessação (eliminação completa) de todas as flutuações (cittavṛttis), surge a concentração asamprajñāta samādhi em que não há consciência de um objeto.
2- O objetivo deste sutra é definir yoga.
योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः (yoga-citta-vṛtti-nirodhaḥ) ||२|| 
योग (Yoga); चित्त (citta) mente; वृत्ति (vṛtti) variações, flutuações; (nirodhaḥ) atenuação, cessação completa. ||2||
Yoga é a supressão das flutuações mentais.
(Vyāsa): A omissão da palavra "todos" antes de vṛtti, indica que samprajñāta samādhi também está incluído na definição de yoga; Agora, a mente (citta) sob ação dos guṇas (forças eficientes fundamentais: rajas, sattva e tamas), manifesta as aptidões: lucidez (prakhyā - quando predomina sattva), atividade (pravṛtti - onde domina rajas) e inércia (sthiti - com supremacia de tamas); Quando o aspecto (prakhya) da mente (citta), cuja natureza é lucidez, é influenciado por rajas e tamas, ela adquire o gosto pelo poder e pelos objetos dos sentidos; Quando é dominado por Tamas, inclina-se ao vício, conhecimento falso, não-desapego e fraqueza; Quando o véu da paixão é removido, a mente se torna completamente luminosa (sarvatas), mesmo sendo fracamente influenciada por rajas, tende à virtude, à sabedoria, ao desapego e ao poder; Quando a contaminação por rajas é inteiramente removida, a mente repousa em si mesma, percebe a distinção (khyāti) entre Buddhi e o puro Self, e avança para a forma de concentração que é conhecida como "núvem do dharma" (dharmamegha-dhyana). A qualificação dada pelos yoguis (dhyāyin) a esta forma de concentração é o estado da mais alta sabedoria (prasaṁkhyāna). O poder da consciência (citiśakti) é imutável, intransmissível, ilumina apenas coisas que lhe são apresentadas por buddhi. Viveka-khyati, ou o discernimento entre puruṣa e buddhi, sendo de natureza sattva é, portanto, oposto ao citiśakti. Como ainda existe um toque de impureza em Viveka-khyati, uma mente indiferente a ela exclui até mesmo essa percepção. Chegando a este estado, (citta), retém as impressões subliminares (saṃskāra). Isto é conhecido como interiorização completa sem objeto (nirbījasamādhi). É chamado asaṃprajñāta-yoga porque nele não há conhecimento objetivo (saṃprajñāta). Assim, o Yoga, que é a cessação das flutuações da mente, pode ser de dois tipos.
3- Com a mente sem objetos, qual será, então, a condição do puruṣa? 
तदा द्रष्टुः स्वरूपेऽवस्थानम् (Tadā draṣṭuḥ svarūpe 'vasthānam) ॥३॥
तदा (tadā) então; द्रष्टुः (draṣṭuḥ) Self, observador, puruṣa; स्वरूपे (svarūpe) natureza essencial; अवस्थानम् (avasthānam) permanente. ||3||
Então o observador (puruṣa) permanece em seu estado natural.
(Vyāsa): Então, a pura Consciência - o Self - permanece em sua própria natureza, como no estado de liberação (kaivalya). No estado ernpírico, a consciência pura não parece ser o que é, embora seja de fato ela mesma. (A explicação é dada no próximo Sütra).
4- Como é que "o observador" (puruṣa) não aparece com sua natureza própria durante o estado mental comum? Porque ele se identifica com os objetos que se manifestam diante dele?
वृत्तिसारूप्यमितरत्र ॥४॥ (vṛtti sārūpyam-itaratra) ||४||
वृत्ति (vṛttis ) variações, flutuações; सारूप्य (sārūpya) conformidade, identificação; इतरत्र (itaratra) em outras ocasiões. ||4||
Outras vezes, o Self assume a forma dos vṛttis (flutuações de citta). 

(Vyāsa): Como então? As modificações da mente que ocorrem no 'estado empírico' aparecem identificadas com o Self. Pañchasikha disse sobre este ponto: "A consciência é uma só; a modificação cognitiva é a Consciência. A mente é como um ímã que age apenas nas proximidades; ela um objeto adequado para ser visto pelo observador (purusa). Erroneamente, uma modificação cognitiva particular de Buddhi é tomada como a Consciência. Citta dá seu auxílio ao purusha pelo simples fato de estar perto dele, e assim a relação entre citta e o Self é aquela entre a propriedade (svam) e o proprietário (svāmin). Daí a razão pela qual puruṣa experimenta (bodha) as flutuações (vṛtti) é sua associação atemporal com citta. 
5- Além disso, todos (cittavṛttis) devem ser suspensos.
वृत्तयः पञ्चतय्यः क्लिष्टा अक्लिष्टाः (Vṛttayaḥ pañcatayyaḥ kliṣṭā akliṣṭāḥ) ||५||
वृत्तयः (vṛttayaḥ) flutuações; पञ्चतय्यः (pañcatayyaḥ) cinco tipos; क्लिष्टा (kliṣṭāḥ) doloroso; अक्लिष्टाः (akliṣṭāḥ) não doloroso. ||5|| 
Os vṛttis são de cinco tipos, dolorosos (kliṣṭa) ou não-dolorosos (akliṣṭa).
(Vyāsa): Os dolorosos (kliṣṭa) são aqueles processos mentais causados pelos obstáculos (Kleśas), e são as fontes de todas as latências; Os não dolorosos (akliṣṭa), por outro lado, são aqueles que dizem respeito à iluminação discriminativa final (Khyati) e dificultam a ação dos Gunas.
Alguns vrttis que ocorrem na corrente dos dolorosos (kliṣṭa-vrttis), podem ser não dolorosos (akliṣṭā). Pois mesmo no meio dos dolorosos (vrttis) eles são não dolorosos; Enquanto no meio dos não dolorosos eles são dolorosos. As impressões latentes são igualmente deixadas por processos mentais que levam à servidão, bem como por aqueles que levam à liberdade. Essas impressões latentes, mais uma vez, dão origem a flutuações da mente. Nesse sentido, a roda de flutuações e impressões subliminares rola incessantemente até que a concentração mais alta seja alcançada. Quando a mente é libertada da ação dos gunas, ou seja libertada das sementes da perturbação, recolhe-se em si mesma.
Operando desta maneira, citta, tendo terminado a sua tarefa, permanece em si própria, ou é reabsorvida em prakriti.
6- As cinco flutuações da mente (vṛttis) são: 
(प्रमाणविपर्ययविकल्पनिद्रास्मृतयः) pramāṇa viparyaya vikalpa nidrā smr̥tayaḥ || ६ ||
प्रमाण (pramāṇa) conhecimento correto; विपर्यय (viparyaya) pseudo conhecimento; विकल्प (vikalpa) fabulação, fantasia; निद्रा (nidrā) sono (profundo); स्मृतय (smṛti) memória, lembrança. ||6||
(Os cinco vṛttis são) Conhecimento correto, pseudo conhecimento, fabulação, sono e memória.
प्रत्यक्षानुमानागमाः प्रमाणानि (pratyakṣa-anumāna-āgamāḥ pramāṇān) ||७||
प्रत्यक्षा (pratyakṣa) percepção direta; अनुमाना (anumāna) inferência; अगमा (āgama) testemunho verbal; प्रमाणानि (pramāṇa) conhecimento válido. ||7||
Pramāṇa (conhecimento válido) é obtido pela: percepção direta (pratyakṣa), inferência (anumāna) e testemunho verbal (āgama).
(Vyāsa): Pratyakṣa (percepção direta), como uma das formas de conhecimento válido (pramāṇa), é um processo mental que surge quando citta foi afetado por alguma coisa externa através dos órgãos dos sentidos. O resultado dessa percepção é uma iluminação pelo Self (pāuruṣeya) de uma flutuação que pertence a citta (O Self não se distingue de citta). Puruṣa é o refletor de buddhi, i.é, a mente se confunde com seus processos. (será explicado adiante)
Anumāna (Inferência) é aquele tipo de modificação mental que é baseada nas características gerais de um conhecível e está relacionada com a entidade (i.é. atributo) que está presente nas instâncias onde o probandum (o que deve ser provado) ocorre e está ausente das instâncias onde o probandum não ocorre. Por exemplo, a lua e as estrelas têm movimento como Chaitra (nome de uma pessoa), pois elas, como ele, mudam de posição; os Vindhya Hills (montanhas) não mudam de localização e, portanto, não tem movimento. A modificação mental decorrente da audição das palavras de uma pessoa confiável que deseja transmitir sua cognição ao ouvinte é Āgama-pramana, ou seja, transmissão autorizada ao ouvinte. Esse testemunho pode ser falso, isto é, não pode ser, de forma alguma, pramana, se a pessoa que comunica o conhecimento não é confiável ou é enganadora ou é alguém que não viu nem experimentou o que ele procura comunicar. Essa cognição transferida que tem sua base na experiência direta do primeiro expositor autorizado ou em sua correta inferência é genuína e perfeitamente válida.
8- विपर्ययो मिथ्याज्ञानमतद्रूपप्रतिष्ठम् (viparyayo mithyā-jñānam-atad rūpa pratiṣṭham) || ८ || 
विपर्ययो (Viparyaya) pseudo conhecimento, falácia; मिथ्या (mithyā) ilusório, falso; ज्ञानम (jñānam) conhecimento; अतद् (a-tad) isto não; रुप (rūpa) forma, agregado; प्रतिष्ठम् (pratiṣṭham) baseado, firmemente estabelecido. ||8|| 
Viparyaya (pseudo conhecimento) é uma concepção errônea (mithyā jñānam) baseada em uma falsa construção mental.
(Vyāsa): Por que (Viparyaya - pseudo conhecimento) não é conhecimento válido (pramāṇa) ?
Porque é refutado pelo conhecimento correto (pramāṇa) de um objeto que tem existência real.
Em outras palavras, o objeto do conhecimento correto (pramana) é real, enquanto que o objeto do pseudo conhecimento é seu oposto. A falsa cognição é negada pelo conhecimento correto, por exemplo. a ilusão da lua dupla é rejeitada pelo conhecimento válido (pramāṇa) de uma única lua.
O pseudo conhecimento (viparyaya) causa sofrimento (klesa) que tem cinco componentes: Avidya (ignorância), Asmita (egoidade), raga (desejo), dvesa (aversão) e abhinivesa (apego à existência e medo da morte). Eles também são conhecidos tecnicamente como Tamas (obscuridade), Moha (atordoamento), Mahamoha (atordoamento forte), Tamisra (escuridão) e Andhatamisra (escuridão cega). Eles serão discutidos em conexão com o assunto das impurezas da mente.
9- शब्दज्ञानानुपाती वस्तुशून्यो विकल्पः (śabda-jñāna-anupātī vastu-śūnyo vikalpaḥ) ॥९॥
शब्द (śábda) verbal; ज्ञान (jñāna) cognição, conhecimento; अनुपाती (anupātī) procede, वस्तु (vastu) objeto; शून्यो (śūnyáḥ) vazio, ausência; विकल्पः (Vikalpa) fabulação, fantasia. ||9||
Vikalpa (fantasia ou fabulação), resulta de percepções ou de palavras, e não tem nenhum objeto correspondente real.
(Vyāsa): Vikalpa (fantasia) não se enquadra na categoria de Pramana ou na do pseudo conhecimento (Viparyaya); porque embora não exista realidade por trás de Vikalpa, ainda assim tem seu uso através do poder da cognição verbal, por exemplo, 'Chaitanya (Consciência) é a natureza de Purusa'. Agora, o que é aqui predicado visto que a Consciência é o próprio Purusa? Vikalpa pode surgir por meio de uma expressão puramente oral. Como por exemplo na frase: a "vaca de Chāitra". (A vaca se distingue de Chāitra, que é algo diferente dela). Em outra frase, como “puruṣa está imóvel e não possui propriedades”, se trata de uma negação na qual não se indica qualquer propriedade positiva, mas que possui a propriedade (positiva) de ser um objeto sobre o qual se afirma algo. Da mesma forma, quando dizemos "a seta para" ou "a seta vai parar" ou "a flecha parou" entendemos a cessação do movimento como algo positivo relacionado a esse objeto. Similarmente, a expressão "puruṣa não tem propriedades" refere-se simplesmente a uma ausência de propriedades que afetam puruṣa; e não ao Puruṣa que tem a propriedade de não ter propriedades. Portanto, essa propriedade [que é uma negação no que diz respeito aos objetos perceptíveis] é predicada e, como tal, é algo que é pensamento (vyavahāra).
10- अभावप्रत्ययालम्बना वृत्तिर्निद्रा (abhāva-pratyaya-ālambanā tamo-vṛttiir-nidra) ॥१०॥
अभाव (abhāva) não ocorrência; प्रत्यय (pratyaya) noção, ideia presente, sensação, percepção; आलम्बन (ālambana) fundamentada, dependente, presença na memória; वृत्ति (vṛttiḥ) modificação, flutuação; र्निद्रा (nidrā) sono profundo. ||10||
Nidrā (sono) é o estado da não ocorrência de modificações mentais (cittavṛtti) fundadas nas sensações (pratyayas) dos estados de vigília e do sonho.
(Vyāsa): Nidrā é o (cittavṛtti) que através da memória torna-se, ao despertar, um tipo especial de sensação (pratyaya), como indicado nos sentimentos expressos por frases como: "Eu dormi bem, minha mente está calma, meu entendimento clarificou, ou dormi mal; Por causa do sono perturbado, minha mente ficou inquieta e vagueia instável; ou, eu estava em sono profundo como se estivesse em um estado de estupor; meus membros estão pesados, minha mente parece frágil e perturbada (klānta), como se estivesse dormente, além do meu alcance. Se durante o sono não houvesse alguma cognição, então, ao acordar, não se teria lembrado dessa experiência. Da mesma forma, memórias relacionadas a isso (sono profundo) não existiriam. É por isso que o sono é considerado como um tipo particular de estado mental (pratyaya) e deve ser excluído como outras cognições quando a concentração é praticada.
11- अनुभूतविषयासम्प्रमोषः स्मृतिः (anu-bhūta-viṣaya-asaṁpramoṣaḥ smr̥tiḥ) ॥११॥ 
अनुभूत (anubhūta) experimentado; विषय (viṣaya) objeto perceptível; असंप्रमोषः (asampramoṣaḥ) não perda, स्मृतिः (Smṛti ) memória, lembrança. ||11||
Smṛti (memória) é a retenção da percepção de um objeto experimentado.

(Vyāsa):  A mente se lembra do processo de conhecimento que ocorreu antes, ou do objeto que produziu o conhecimento (pratyaya)? Embora o conhecimento (pratyaya) seja de um objeto (grāhya), ele revela a natureza do objeto (nirbhāsa) e o processo do conhecimento (grahaṇa) e produz impressões latentes (saṃskāra) do mesmo tipo.
Essas latências (saṃskāra) se manifestam quando excitadas por causa externa (vyañjaka) e assumem, em lembrança, a forma do objeto, bem como do processo do conhecimento. Destes, o reaparecimento na mente de uma coisa tomada antes é chamado de recordação, enquanto a exibição do poder da cognição original é chamada de 'Buddhi' ou Pramana. Dos dois, o aspecto cognitivo parece ser dominante em buddhi; enquanto na memória ou na lembrança o objeto conhecido é predominante. A memória é de dois tipos: lembrança de coisas apenas imaginadas (isto é, irreais) e de coisas não imaginadas (isto é, reais).
No estado de sonho, emerge a memória de coisas imaginadas, enquanto num estado desperto, surge a memória das coisas reais.
Todas as lembranças surgem de impressões, seja de cognição correta, mal-entendido, ideação vaga, sono profundo ou memória prévia. As flutuações anteriores são da natureza do prazer, dor ou estupefação. Estas serão explicadas em conexão com kleśas ou aflições. O apego segue o prazer, a aversão segue a dor, enquanto a estupefação é ignorância. Todas essas flutuações devem ser excluídas.
12- Que meios existem para a cessação dessas [flutuações]? 
अभ्यासवैराग्याभ्यां तन्निरोधः (abhyāsa-vairāgya-ābhyāṁ tan-nirodhaḥ) ॥१२॥ 
अभ्यास (abhyāsa) prática persistente; वैराग्याभ्यां (Vairāgya) desapego, renúncia; तद् (tad) por meio de; निरोधः (niródhaḥ) cessação, atenuamento ||12||
A cessação (dos vṛttis) ocorre através da prática persistente (abhyāsa) e do desapego (Vairāgya).
(Vyāsa): O rio da mente flui em ambas as direções - para o bem e para o mal. Aquilo que flui abaixo no campo do Viveka ou conhecimento discriminativo que termina nos elevados do Kaivalya ou libertação, leva ao bem; enquanto o que flui rumo ao planalto dos ciclos de renascimento no plano da não-discriminação leva ao mal. Entre estes, o fluxo para os objetos dos sentidos é reduzido pela renúncia, e o desenvolvimento de um hábito de discriminação abre a comporta do conhecimento discriminativo. A interrupção das modificações mentais é, portanto, dependente de ambas.
13- तत्र स्थितौ यत्नोऽभ्यासः (Tatra sthitau yatno-'bhyāsaḥ) ॥१३॥ 
तत्र (Tatra) nisso; स्थितौ (sthitau) estabilidade. firmeza; यत्नो (yatna) esforço, dedicação; अभ्यासः (abhyāsaḥ) prática. ||13|| 
Abhyāsa (prática) é o esforço dedicado à obtenção de estabilidade no estado de (citta-vṛtti-nirodhaḥ).
(Vyāsa): Ausência de flutuações ou imperturbável serenidade da mente é chamada de Sthiti ou tranquilidade. O esforço, a energia e o entusiasmo, isto é, a tentativa repetida de alcançar esse estado, é chamada de prática (abhyāsa).
14- स तु दीर्घकालनैरन्तर्यसत्कारासेवितो दृढभूमिः (sa tu dīrghakāla nairantarya satkāra-ādara-āsevito dr̥ḍhabhūmiḥ) ॥१४॥ 
स तु (sa tu) mas esta; दीर्घ (dīrgha) longo; काल (kāla) tempo; नैरन्तर्य (nairantarya) ininterruptamente; सत्कारा (sát kārā) corretamente, devoção; आसेवित (sevitaḥ) cultivado, realizado repetidamente; दृढ (dṛḍha) firme, firmemente; भूमिः (bhūmiḥ) base, fundamento. ||14||
Essa prática, quando cultivada com devoção por um longo tempo, ininterruptamente, fica firmemente enraizada.
(Vyāsa): A prática, quando cultivada por um longo tempo, e praticada de forma devotada, ou seja, com austeridade, continência, estudo, reverência, e com muita atenção, fica firmemente estabelecida. Em outras palavras, nesse estado, a calma que se visa na prática não é facilmente superada por quaisquer impressões latentes do estado flutuante.
15- दृष्टानुश्रविकविषयवितृष्णस्य वशीकारसञ्ज्ञा वैराग्यम् (dr̥ṣṭa-anuśravika-viṣaya-vitr̥ṣṇasya vaśīkāra-saṁjṇā vairāgyam) ॥१५॥ 
दृष्टा (dr̥ṣṭa) visto; आनुश्रविक (ānuśravika) revelada; विषय (viṣaya) objeto; वितृष्णस्य (vitṛṣṇasya) desejo; वशीकार (vaśīkāra) dominar, controle; सञ्ज्ञा (sañjñā) conhecimento; वैराग्यम् (vairāgyam) desapego. ||15||
Vairāgya (desapego) é conhecido como o ato de dominar os desejos pelos objetos vistos, ouvidos ou revelados.
(Vyāsa): Quando a mente se torna indiferente às coisas vistas, e.g. sexo, comida, bebidas, poder etc. e não anseia por objetos ou estados prometidos nas escrituras como ir para o céu ou obter o estado 'desencarnado' ou de dissolução na matéria primordial, ou mesmo quando na presença de tais coisas a mente descobre seus defeitos. e em virtude da aquisição de conhecimento discriminativo mantém total liberdade de sua influência e é indiferente ao bem ou ao mal, diz-se que ele alcançou um estado controlado de Buddhi sem Vikalpa chamado Vasikara-samjna e isto é Vairagya (desapego).
16- तत्परं पुरुषख्यातेर्गुणवैतृष्ण्यम् (puruṣa-khyāteḥ guṇa-vaitr̥ṣṇyam) ॥१६॥
तत्परं (tatparaṁ ) é o mais elevado (vairāgya); पुरुष (puruṣa) Self; ख्याते (khyāteḥ) visão, perceber; गुण (guṇa) 'qualidades' forças eficientes fundamentais; वैतृष्ण्यम् (vaitṛṣṇyam) desapego. ||16||
Este é o superior desapego (paravairāgya) que devido ao discernimento do Self resulta em indiferença pelos gunas (forças fundamentais).
(Vyāsa): Através da vigorosa prática para realizar o "Princípio Purusa" (Isolamento - Kaivalya), o Yogin que toma consciência da natureza imperfeita de todos os objetos visíveis ou descritos nas escrituras, obtém clareza de visão e firmeza nas qualidades Sattvikas. Tal yogin amparado pelo conhecimento discriminativo e pela pureza de um intelecto aguçado torna-se indiferente a todos os estados manifestos ou não dos três Gunas (forças eficientes fundamentais). Assim, o desapego (vairāgya) é de dois tipos. Destes [dois], o último é o esclarecimento absoluto do conhecimento.
Quando o desapego aparece na forma de conhecimento luminoso, o yogin, com sua compreensão da natureza do Self, pensa assim: 'Eu tenho o que quer que seja que pode ser obtido; as aflições que devem ser eliminadas foram extintas; a corrente contínua de nascimento e morte, cadeia pela qual os homens nascem e morrem foi quebrada ”. O desapego é o acme do conhecimento, assim Kaivalya (liberação) e desapego são inseparáveis.
17- Em que consiste samādhi com reflexão (saṃprajñāta samādhi) no qual cessou a falsa identificação com os processos mentais graças aos dois métodos (prática e desapego) mencionados acima? 
वितर्कविचारानन्दास्मितारूपानुगमात्सम्प्रज्ञातः (vitarka-vicāra-ānanda-asmitā-rupa-anugamāt-saṃprajñātaḥ) ॥१७॥ 
वितर्क (vitarka) raciocínio; विचारा (vicāra) questionamento, reflexão; आनन्दा (ānanda) felicidade, bem aventurança; अस्मिता (asmitā) egoidade, eu sou; रुप (rupa) forma; अनुगम (anugamāt) associado, त्सम्प्रज्ञातः (samprajñāta) cognitivo. ||17|| 
Samprajñāta (samādhi) é a forma de concentração permeada por raciocínio, reflexão, bem-aventurança e egoidade.
(Vyāsa): Quando a mente está totalmente concentrada (samadhi) em um objetos concreto de percepção, então, isto é Vitarka (com raciocínio). Da mesma forma, Vichara (reflexão) se relaciona com objetos sutis. O terceiro, Ananda, é bem aventurança - um sentimento feliz tocando a mente. O quarto, Asmitā é egoidade ou consciência da personalidade individual. Destes, no primeiro (savitarka-samadhi) existe a presença de todos os quatro objetos. O segundo, ou seja, (savichara-samadhi) está livre de Vitarka (deliberação). O terceiro (ananda), ou seja, (sananda-samadhi) é livre de Vichara (reflexão). O quarto é (asmita-matra) ou pura egoidade, e é livre até do sentido de bem-aventurança.
Todos esses estados têm, como foco, um objeto de concentração.
18- Agora, por quais meios é produzida essa concentração (Asamprajnata) que não é consciente de nenhum objeto? ou qual é a sua natureza? 
विरामप्रत्ययाभ्यासपूर्वः संस्कारशेषोऽन्यः (virāma-pratyaya-abhyāsa-pūrvaḥ saṁskāra-śeṣo-'nyaḥ) ॥१८॥ 
विराम (virāma) cessacão, supressão; प्रत्यय (pratyaya) cognição, conteúdo mental (semente do samprajñāta samādhi); अभ्यास (abhyāsa) prática, repetição; पूर्वः (pūrvaḥ) anterior, prévio; संस्कार (saṁskāra) impressões latentes; शेषो (śeṣaḥ) resíduo, permaneçe; अन्य (anyāḥ) outro. ||18||
O outro estado de samādhi (Asamprajnata), baseado na prática persistente, surge quando toda a percepção foi extinta e apenas impressões não manifestas permanecem.
(Vyāsa): Quando todas as flutuações (vṛtti) cessam, a mente (citta) retém apenas as latências (saṃskāra). Este estado é conhecido como asamprajñāta-samādhi. O supremo desapego (vaitṛṣṇa) é o meio para alcançá-lo. Não pode ser alcançado quando há objeto como foco da concentração. A completa cessação das flutuações emana de Para-vairagya ou desapego supremo que é livre de qualquer objeto (perceptível). É totalmente desprovido de todos os objetos e sua prática torna a mente independente de qualquer objeto, como se fosse inexistente, sem qualquer objeto de apoio. Este tipo de nirbīja ou samādhi sem objeto é asamprajñāta-samādhi.
19- Este (samādhi) é de dois tipos: o que é produzido pelos meios acima mencionados (prática e desapego) e o que ocorre naturalmente. O primeiro, produzido por tais meios, é o que o verdadeiro iogue procura.
भवप्रत्ययो विदेहप्रकृतिलयानाम् (bhava-pratyayo-videha-prakriti-layanam) ॥१९॥
भव (Bhava) origem, nascimento; प्रत्ययो (pratyayo) conteúdo mental, percepção correta; विदेह (videha) corpo sutil, não material; प्रकृति (prakriti) natureza; लयानाम्| (layanam) dissolução, fusão; (prakr̥ti-layana) identificando-se com a natureza. ||19||
No caso dos videhas (desencarnados) e dos prakrtilayas (dissolvidos em prakriti), o nascimento é a causa.
(Vyāsa): Nos videhas ou divindades desencarnadas, (asamprajñāta-samādhi) é causado pela existência objetiva, porque eles vivem em um estado semelhante (de existência objetiva), i.é. kaivalya (o estado de liberação), com a mente funcionando apenas na medida em que suas próprias latências residuais são capazes e que vivem através do estado de vida provocado por suas impressões latentes.
Da mesma forma, os prakrtilayas, ou aqueles cujas mentes que retêm impressões latentes permanecem integrados em prakrti (princípio constituinte primário), permanecem em um estado como o de Kaivalya, assim pela força dessas impressões latentes suas mentes se afetam pelas flutuações.
20- श्रद्धावीर्यस्मृतिसमाधिपूर्वक इतरेषाम् (śraddhā-vīrya-smr̥ti samādhi-prajñā-pūrvaka itareṣām) ॥२०॥ 
श्रद्धा (śraddhā) fé, evidência; वीर्य (vīrya) energia, determinação; स्मृति (smr̥ti) memória, lembrança; समाधि (samādhi) concentração absoluta; प्रज्ञा (prajñā) conhecimento transcendental; पूर्वक (pūrvaka) precedido; इतरेषाम् (itareṣām) por outros. ||20||
Outros (os yoguis), com determinação, atingem (asamprajñāta samādhi) através do conhecimento transcendental, da memória e da fé reverente.
(Vyāsa): Os yogins adotam estes meios para alcançar (asaṃprajñāta samādhi). A tranquilidade que é experienciada pela mente através da fé reverente, protege o yogin como uma mãe amorosa. Esse tipo de fé dá ao yogin além do conhecimento discriminativo, energia, que lhe traz uma memória (fortalecida), que torna a mente imperturbada e controlada propiciando a concentração.
Em tal mente surge a luz do conhecimento discriminativo através da qual ele compreende a real natureza das coisas. Assimilando tal conhecimento e cultivando o desapego em relação ao conhecível, ele alcança assim asaṃprajñāta samādhi.
21- तीव्रसंवेगानामासन्नः (tīvra-saṁvegānām-āsannaḥ) ॥२१॥ 
संवे (tīvra) extremamente; संवेगाम् (saṁvegānām) prática, intensa; आसन्न (āsannaḥ) perto. ||21|| 
Para aqueles cuja pratica é intensa, o samādhi (concentração) acontece rapidamente.
22- मृदुमध्याधिमात्रत्वात्ततोऽपि विशेषः (mr̥du-madhya-adhimātratvāt-tato'pi viśeṣaḥ) ॥२२॥
मृदु (mṛdu) fraco,suave; मध्या (madhya) médio; अधिमात्र (adhimātra) forte, intenso; त्वत् (tvāt) esta (prática); अपि (api) também; विशेषः (viśeṣaḥ) nível, diferenciação. ||22||
Mas há diferenciações em razão dos (meios empregados) serem fracos, médios ou fortes (na tenacidade, na repetição e no não-apego).
(Vyāsa): A diferença é de vários graus, viz. suave, médio e intenso. Por conta dessa diferença,
a obtenção de concentração e seus resultados por yogins com ardor moderado é iminente, com ardor médio mais iminente, e com ardor mais profundo, o mais iminente.
23- ईश्वरप्रणिधानाद्वा (īśvara-praṇidhānād-vā)॥२३॥
ईश्वर (īśvara, puruṣa-viśeṣa) Self especial, Guru; प्रणिधान (praṇidhāna) devoção, dedicação; वा (vā) ou. ||23||
Ou, então, através de profunda devoção a īśvara.
(Vyāsa): A concentração torna-se iminente, deste sincero desejo de se concentrar nos princípios sozinha, ou existe algum outro meio? Através de um tipo especial de devoção chamado lsvara pranidhana, da parte do devoto, lsvara inclina-se para ele e o favorece com a graça para o cumprimento de seu desejo. De tal graça também o Yogin obtém concentração e seu resultado, a obtenção do estado de liberação, torna-se iminente.
24- क्लेशकर्मविपाकाशयैरपरामृष्टः पुरुषविशेष ईश्वरः (kleśa karma vipāka-āśayaiḥ-aparāmr̥ṣṭaḥ puruṣa-viśeṣa īśvaraḥ )॥२४॥
(क्लेश) Kleśas, causa do sofrimento; (कर्म) karma, ações; (विपाका) vipāka fruição, desfruto, realização; (आशय) āśayaiḥ elementos residuais das ações; (अपरामृष्टः) aparāmr̥ṣṭaḥ intocados, inalterados; (पुरुष) puruṣa, Self individual; (विशेष) viśeṣa especial, particular; (ईश्वरः) īśvaraḥ. ||24||
īśvaraḥ é um ser especial que não é contaminado por kleshas, karmas, lembranças ou desejos.

(Vyāsa): As boas ações ou as más (Klesa ou aflição) e o resultado delas, assim como as impressões subliminares do resultado da ação, embora subsistindo na mente, são imputadas ao Purusa. É por isso que Purusa (Self ou Atma) é imaginado estar experimentando-as assim como a vitória ou a derrota obtida ou sofrida pelos soldados no campo de batalha é atribuída ao seu comandante. Um purusa especial, que, por causa de sua liberação eterna, não é afetado nem mesmo pelo toque de prazer ou sofrimento, é chamado lsvara. Há muitos Purusas que atingiram o estado de liberação, cortando em pedaços o tríplice cativeiro. Īśvara não era cativo no passado nem será no futuro. Sabe-se que pessoas liberadas tiveram um estado anterior de servidão, mas o caso de Īśvara não é assim. Os Prakrtilinas têm a possibilidade de escravidão no futuro, mas no caso de lsvara não existe tal possibilidade. Īśvara é sempre livre e sempre supremo. Surge, portanto, a questão de saber se essa supremacia perpétua de Īśvara, por causa da excelência do seu Self, é algo de que há prova, ou é algo sem qualquer prova? A resposta é: "As escrituras são sua prova". Qual é a prova da genuinidade das escrituras? Sua genuinidade é baseada na sabedoria suprema. Os Sastras e sua sabedoria sublime, que estão presentes na mente de Īśvara e Sua preeminência, estão eternamente relacionados uns com os outros. Por estas razões, Īśvara é sempre Īśvara, isto é, onisciente e sempre liberado.
Sua preeminência nunca é igualada nem superada. O comentarista explica isso dizendo que a excelência de Īśvara é a mais alta excelência insuperável por qualquer outra pessoa e sem qualquer igual. É por isso que a pessoa cuja eminência atingiu o limite é Īśvara. Não há preeminência igual a Dele, porque se houvesse duas pessoas com eminência iguais, mas desejos contraditórios - um desejando que uma coisa fosse nova e outro desejando a mesma coisa ao mesmo tempo ser velha - então o cumprimento das diretivas de uma delas prejudicarão a igualdade de poder da outra ou, se ambas forem igualmente poderosas, suas diretrizes estarão inoperantes. Por essa razão o Purusa cuja excelência não tem igual ou nunca se superou é Īśvara e Ele é esse Purusa especial.
Além disso,
25- तत्र निरतिशयं सर्वज्ञवीजम् (tatra niratiśayaṁ sarvajña-bījam) ॥२५॥ 
तत्र (tatra) nele; niratiśayaṁ (निरतिशयं) insuperável; (सर्वज्ञ) sarvajña todo conhecimento, onisciência; (सर्वज्ञ) bījam semente, princípio. ||25||
Nele (īśvara), a semente da onisciência atingiu o ápice do desenvolvimento e, é insuperável.
(Vyāsa): O conhecimento suprassensível, vasto ou pequeno, que se encontra em qualquer ser, em relação ao passado, presente e futuro, individual ou coletivamente, é a semente da onisciência. Quando esse tipo de conhecimento suprassensível em uma pessoa continua aumentando e atinge um estágio que não pode ser excedido, essa pessoa é chamada de onisciente. (O argumento é o seguinte) : A semente da onisciência tem graus de desenvolvimento e, portanto, é capaz de aumentar de mais para ainda mais. A pessoa que atingiu seu ponto mais alto é um ser especial que sabe tudo.
A inferência que se preocupa em provar certas características gerais prova que existe um Ser onisciente e aí termina; e não pode dar nenhuma informação específica sobre ele. Portanto, Sua descrição, etc., deve ser averiguada em Agama ou Sistras. Embora Ele não tenha necessidades Próprias, o motivo de Sua ação deve ser encontrado em Sua compaixão pelos seres vivos, em Seu desejo de salvar; No tempo das dissoluções do universo, através de Suas instruções em conhecimento e piedade, homens que são apanhados no vórtice da existência mundana (ié. ciclo de nascimento e morte). Para esse tipo de compaixão, Sua inclinação é necessária. Pañchasikha disse em relação a isso: "O primeiro iluminado, o grande Rishi (Kapila), através da compaixão, assumiu uma mente criada e instruiu o inquiridor Asuri sobre o Tantra (a filosofia Samkhya)".
Esse mesmo (Īśvara é)
26- स एष पूर्वेषामपिगुरुः कालेनानवच्छेदात् (sa eṣa pūrveṣām-api-guruḥ kālena-anavacchedāt) ॥२६॥
स(sa) esse; एष (eṣa) puruṣa; पूर्वेषाम (pūrveṣām) predecessor, precedentes; अपि (api) também; गुरुः (guruḥ) mestre; (कालेन) (kālena) tempo; अनवच्छेद (anavaccheda) ilimitado, contínuo. ||26||
Esse Īśvara é o primeiro, principal e absoluto guru, incondicionado pelo tempo.
(Vyāsa): Não há dúvida que Sábios Ancestrais são limitados pelo tempo, mas aquele (Īśvara) a quem o tempo não é fator limitante, era o instrutor até mesmo dos antigos Sábios. Como Ele já estava com Seus plenos poderes no começo do presente ciclo de criação, assim também estava Ele no começo das criações passadas.

27- तस्य वाचकः प्रणवः (Tasya vācakaḥ praṇavaḥ) ॥२७॥ 
तस्य, (Tasya) seu; वाचकः (vācakaḥ) palavra; प्रणवः (praṇavaḥ) sílaba Auṃ ou Oṃ. ||27||
Ele (īśvara) é representado pela sílaba sagrada Oṃ, chamada pranava.

(Vyāsa): Īśvara é indicado pela sílaba mística (OM). Esta relação é uma convenção ou é uma relação permanente como a existente entre a lâmpada e a luz? A relação entre uma palavra e seu objeto é fixa, e na relacionada a Īśvara expressa o que é inerente a ele. Por exemplo, a relação entre o pai e o filho existe e é indicada pelas palavras "este é o pai dessa pessoa, que é o filho dessa pessoa". Em outras criações, também a convenção dependente da relação entre as palavras denotativas e o objeto denotado está em uso. Os sábios, que conhecem os Sastras, dizem que, por causa da similaridade de uso, a relação entre uma palavra e o objeto indicado por ela é eterna.
28- तज्जपस्तदर्थभावनम् (taj-japaḥ tad-artha-bhāvanam) ॥२८॥ 
तज् (taj) deste; जप (japaḥ) recitação, repetição; तद् (tad) seu; अर्थ (artha) significado; भावनम् (bhāvanam) sentimento, devoção, contemplação. ||28||
(Deve ser feito) Repetição do mesmo (Oṃ) e reflexão sobre o seu significado. 
(Vyāsa): A repetição do símbolo (OM) e a contemplação em seu objeto "lsvara" - provoca o uni-direcionamento da mente do Yogin que está empenhado em repetir o símbolo sagrado e contemplar seu significado. Diz-se que: "Através da repetição contemplativa dos Mantras, o Yoga deve ser consolidado e através do Yoga, o canto dos Mantras é melhorado. Através da glória de tal canto e de tal Yoga, a alma suprema é revelada."
29- ततः प्रत्यक्चेतनाधिगमोऽप्यन्तरायाभवश्च (tataḥ pratyak-cetana-adhigamo-'py-antarāya-abhavaś-ca)    ॥२ ९॥ 
ततः (tataḥ) desta (prática); प्रत्यक् चेतन (pratyak cetana) introversão (interiorização) da consciência; अधिगम् (adhigamo) realização; अपि (apy) também; अन्तराय (antarāya) obstáculo; अभाव (abhava) eliminação, desaparecimento; च (ca) e. ||29||
Desta (prática) resulta a introversão da consciência (pratyak-cetanā) e também a eliminação dos obstáculos.
(Vyāsa): Obstáculos como doença etc. são removidos através de Īśvarapraṇidhāna (devoção a Īśvara), assim o Yogin realiza seu próprio Ser. Como Deus é puro, feliz, isolado (mukti) e, portanto livre, assim é Purusa, que é o refletor de Buddhi do devoto. É assim que o Eu individual é realizado.
Mas quais são esses obstáculos? 
30- व्याधिस्त्यानसंशयप्रमादालस्याविरतिभ्रान्तिदर्शनालब्धभूमिकत्वानवस्थितत्वानि चित्तविक्षेपास्तेऽन्तरायाः (vyādhi styāna saṃśaya pramāda--avirati bhrāntidarśana-alabdha-bhūmikatva-anavasthitatvāni citta-vikṣepāḥ te antarāyāḥ)॥३०॥
व्याधि(vyādhi) doença; स्त्यान (styāna) incompetência, inabilidade; संशय (saṃśaya) dúvida, hesitação; प्रमाद (pramāda) negligência, descuido; आलस्य (ālasya) apatia, preguiça; अविरति (avirati) licenciosidade, desejo, apego; भ्रान्ति दर्शन (bhrānti darśana) ilusão, percepção incorreta; अलब्ध भूमिकत्व (alabdha bhūmikatva) falha em atingir estágio (de concentração); अनवस्थितत्व (anavasthitatva) instabilidade em manter estágio; अनि (āni) indica o grupo de nove palavras; चित्त (citta) consciência; विक्षेपः (vikṣepāḥ) pertubações, distrações; ते (te) este; अन्तराय (antarāyāḥ) obstáculos. ||30||
Doença, letargia, dúvida, negligência, apatia, licenciosidade, percepção errônea, falha para atingir estágio, e instabilidade em manter estágio - essas distrações da consciência (citta) são os nove obstáculos.
(Vyāsa): Existem nove obstáculos que causam as distrações (vikṣepā) mentais. Estes aparecem junto com as flutuações (vṛtti) da mente. Na ausência dos obstáculos, os vṛttis não se manifestam. Doença (vyādhi) é desordem nos humores (dhatu), nas secreções (rasa) e nos órgãos do corpo (karaṇa). Apatia (styāna) ou indiferença é incapacidade de ação da mente. Dúvida (saṃśaya) é um tipo de pensamento que alterna entre opções, como: 'Pode ser assim, ou não pode ser assim. A negligência (pramāda) é a falta de reflexão sobre os processos de concentração. Preguiça (ālasya) é a falta de inclinação para a atividade física ou mental, apesar de ter a capacidade de agir ou se esforçar. Dissipação (avirati) surge do desejo ou dependência de objetos mundanos. Percepção errônea (bhrāntidarśana) é um pseudo conhecimento. Incompletude de qualquer estágio (do yoga) significa não estar firmemente estabelecido em nenhum dos estados de concentração. A incapacidade de permanecer em um estado refere-se à incapacidade de manter o estado atingido (de concentração). Quando a concentração é estabelecida, a mente (citta) permanece firme no estado atingido. Esses nove tipos de perturbação são chamados de inimigos do Yoga ou obstáculos ao Yoga.
31- दुःखदौर्मनस्याङ्गमेजयत्वश्वासप्रश्वासा विक्षेपसहभुवः (duḥkha-daurmanasya-aṅgamejayatva-śvāsapraśvāsāḥ vikṣepa sahabhuvaḥ) ॥३१॥ 
दुःख (duḥkha) dor; दौर्मनस्या (daurmanasya) depressão, desânimo; अङ्ग मेजयत्व (aṅga mejayatva) tremor dos membros; श्वास प्रश्वासा, (śvāsa praśvāsāḥ) respiração irregular; विक्षेप (vikṣepa) distrações; सहभुवः (sahabhuvaḥ) acompanhadas. ||31|| 
Dor, desânimo, instabilidade do corpo e respiração irregular são os acompanhamentos das distrações.
(Vyāsa): O sofrimento é de três tipos - relacionado ao self (Adhyatmika), causado por alguma outra criatura (Adhibhautika) e de causa supernatural (Adhidaivika). Sofrimento é o distúrbio que leva as criaturas à luta para sua remoção. Desânimo é causado pelo não cumprimento do desejo ou quando se deseja que as coisas não aconteçam. A perturbação do equilíbrio corporal ou da estabilidade resulta em tremores do corpo. Alteração no processo respiratório, de inspirar e exalar, também está associado à distração mental. Essas perturbações geralmente ocorrem em um estado de espírito distraído, e não aparecem em uma mente tranquila.
32- तत्प्रतिषेधार्थमेकतत्त्वाभ्यासः (tat-pratiṣedha-artham eka-tattva-abhyāsaḥ) ॥३२॥
तत् (tat) essas; प्रतिषेध (pratiṣedha) prevenir, neutralizar; अर्थम् (artham) propósito; एक (eka) um, único; तत्त्व (tattva) princípio, elemento; अभ्यास (abhyāsaḥ) prática. |32|| 
Para neutralizar essas (distrações, o iogue deve recorrer) à prática da concentração em um único objeto.
(Vyāsa): Para a eliminação das distrações, a mente deve ser atrelada a um princípio (objeto). Para aqueles (como os budistas) que sustentam que a mente não é senão um estado limitado a um objeto e que não tem substrato - é apenas uma impressão momentânea e, portanto, transitória - a mente deve estar sempre uni-direcionada e sem distração. Mas a mente torna-se uni-direcionada somente quando é retirada de vários objetos e colocada em apenas um objeto. Por esta razão, deve-se considerar que não é ocupada apenas com um objeto. Novamente, aqueles que sustentam que a mente se torna uni-direcionada através do fluxo contínuo de ideias discretas, mas similares, teriam que dizer que a unidirecionalidade tem o caráter do fluxo de tais ideias.
         Mas isso também não pode ser verdade, porque na opinião deles a própria mente é momentânea e como nesse caso pode haver um fluxo (de um único estado mental)? Se, por outro lado, ao sustentar que a unidirecionalidade é a característica de cada componente de um fluxo contínuo de ideias - fluindo de ideias similares ou ideias dissimilares - então cada ideia componente será individualmente uni-direcionada. Se isso acontecer, não haverá mente distraída. Assim, a mente deve ser considerada como una, ocupada com muitos objetos e como substrato de todas as modificações.
        Além disso, se ideias que não são relacionadas, distintas e diferentes nascem sem um substrato comum, então como uma ideia pode se lembrar de algo que é percebido por outra?  Também, como pode o estado que contém em si as impressões de ações passadas ser diferente do estado que goza os frutos da ação? Seja como for, o assunto poderia ser explicado, mas não seria melhor que uma exemplificação da lógica de Gomaya-payasa.
         Além disso, se cada ideia da mente é considerada singularmente diferente de qualquer outra ideia, isso significaria o repúdio ao sentimento do próprio Self. Como isso aconteceria está sendo explicado. Em cognições como as que se seguem, “o 'Eu' que vê é o 'Eu' que toca e o 'Eu' que tocou é o 'Eu' que está vendo", embora as sensações de toque e visão sejam diferentes, o sentimento do "Eu" persiste de forma idêntica. Como esse senso de identidade pessoal pode ter alguma identidade com as diferentes sensações de toque e visão? Esse mesmo senso de 'ego' é experimentado por alguém através dos próprios sentimentos. A superioridade da percepção direta não pode ser impugnada por nenhuma outra prova; as outras provas ganham aceitação apenas quando apoiadas pela percepção. Portanto, a mente é una, aceita muitos objetos e é estável, ié, não é um vazio (infundamentado), mas uma entidade permanente.
33- मैत्रीकरुणामुदितोपेक्षाणां सुखदुःखपुण्यापुण्यविषयाणां भावनातश्चित्तप्रसादनम् (maitrī karuṇā mudito-pekṣāṇāṁ-sukha-duḥkha puṇya-apuṇya-viṣayāṇāṁ bhāvanātaḥ citta-prasādanam)॥३३॥
मैत्री (maitrī) amizade; करुणा (karuṇā) compaixão; मुदितो (mudito) satisfação, alegria; पेक्षाणां (pekṣāṇāṁ) indiferença, isenção; सुख (sukha) alegria, prazer; दुःख (duḥkha) sofrimento, dor; पुण्यापुण्य (puṇya-apuṇya) méritos e deméritos, vícios e virtudes; विषयाणां (viṣayāṇāṁ) objetos; भावनात (bhāvanātaḥ) cultivo, projeção; चित्त (citta) consciência; प्रसादनम् (prasādanam) pacificação, estabilização emocional. ||33||
A mente se torna pacificada pelo cultivo da amizade, da compaixão, da alegria, e pela Indiferença à felicidade, à miséria, à virtude e ao vício.
(Vyāsa): Destes, um espírito de: amizade que deve ser dedicada àqueles que experimentaram a felicidade, compaixão aos que sofrem; alegria aos de caráter virtuoso; indiferença aos de caráter demeritório. Esse tipo de conduta dá origem ao dharma superior, assim, a mente torna-se pura. Uma mente íntegra, uni-direcionada, atinge a serenidade.
34- प्रच्छर्दनविधारणाभ्यां वा प्राणस्य (pracchardana-vidhāraṇa-ābhyāṁ vā prāṇasya) ॥३४॥
प्रच्छर्दन (pracchardana) exalação, espiração; विधारण (vidhāraṇa) retenção; आभ्य (ābhyāṁ) ambos; वा (vā) ou, também; प्राणस्य (prāṇasya) energia vital, prana, respiração. ||34||
Também, pela espiração com retenção do alento.
(Vyāsa): Expirar é expulsar o ar interno através das aberturas do nariz, por um tipo especial de esforço. Pranayama é a retenção da respiração. A mente, também, pode ser acalmada ou estabilizada por esses métodos.
35- विषयवती वा प्रवृत्तिरुत्पन्ना मनसः स्थितिनिबन्धिनी (viṣayavatī vā pravr̥tti-rutpannā manasaḥ sthiti nibandhinī) ॥३५॥ 
विषयवती (viṣayavatī) objeto, sensorial; वा (vā) ou. também; प्रवृत्ति (pravr̥tti) percepção superfísica, concentração; उत्पन्ना (utpannā) aparecer, emergir; मनसः (manasaḥ) mente; स्थिति (sthiti) estabilidade, firmeza; निबन्धिनी (nibandhinī) causa. ||35||
Ou, quando surge uma percepção super física, a estabilidade da mente é alcançada.

(Vyāsa): A percepção sutil do olfato que se obtém ao se concentrar na ponta do nariz é a mais alta percepção do olfato. Da mesma forma, a concentração na ponta da língua leva ao sabor super sensorial, e no palato, cor super sensorial, no meio da língua, tato super sensível; Na raiz da língua, som super sensorial. O despertar dessas percepções superiores estabiliza a mente com firmeza, elimina dúvidas e constitui a porta de entrada para o conhecimento adquirido através do Yoga (concentração). Tais percepções do sol, da lua, dos planetas, jóias ou lâmpadas, etc, também são consideradas percepções objetivas.
Os Sastras, inferência e instruções verbais dos preceptores podem sem dúvida produzir um conhecimento verídico das coisas, até que pelo método anterior um objeto é trazido à tona da própria percepção, tal conhecimento permaneceria um conhecimento indireto, e não seria útil para produzir uma firme convicção em relação a coisas sutis como o estado de salvação, etc. É por isso que, para a remoção de dúvidas a respeito de instruções e conhecimentos adquiridos dos mestres ou dos Sastras, ou por inferência, alguma característica específica do objeto deve ser definitivamente percebida.
Se uma parte do conhecimento adquirido dos Sastras é provada como verdadeira pela percepção direta, então manifesta-se forte evidência em assuntos sutis como a salvação. Esta é a razão para a prescrição do treinamento para purificar a mente. No meio das modificações instáveis ​​da mente, tal conhecimento especial do olfato, som, etc., surge da maneira acima mencionada, e Vasikara-samjna, ié. renúncia completa daí decorrente, torna a mente capaz de atingir uma completa realização de tais assuntos. Quando isso acontece, fé, energia, memória e concentração vêm à mente sem qualquer interrupção.
36- विशोका वा ज्योतिष्मती (viśokā vā jyotiṣmatī) ॥३६॥ 
विशोका (viśokā) indolor, livre de sofrimento; वा (vā) ou. também; ज्योतिष्मती (jyotiṣmatī) radiante, luminoso. ||36||
Ou pela percepção que é livre do sofrimento e é radiante (a estabilidade da mente também pode ser alcançada por concentração).
(Vyāsa): As palavras "A estabilidade da mente também pode ser alcançada por concentração" estão implícitas neste Sutra. A concentração praticada no núcleo mais profundo do coração produz o conhecimento de Buddhi. Esse Buddhi é resplandecente e é como Akasa (ou vazio ilimitado). A habilidade em poder permanecer por muito tempo nessa contemplação desenvolve a percepção, por meio da qual Buddhi é percebido como se assemelhasse ao sol resplandecente, à lua, a um planeta ou como uma joia luminosa. Da mesma forma, a mente absorta no pensamento do puro "Eu" aparece como um oceano sem ondas, plácido e ilimitado, que é o puro "Eu" onipresente. Diz-se sobre essa conexão: "Pela meditação reflexiva sobre o self ou self em sua forma atômica pura, surge o conhecimento do puro 'eu sou'. ''Esta percepção superior chamada Visoka é dupla, uma relativa aos objetos, o outra, relacionada ao sentido do puro Eu". São chamadas Jyotismati (refulgente) e, através delas, a mente do Yogin alcança a estabilidade.
37- वीतरागविषयं वा चित्तम् (vītarāga viṣayam vā cittam)॥३७॥ वीत (vīta) livre, sem, राग (rāga) apego, paixão; विषयं (viṣayam) objeto, dirigida para; वा (vā) ou; चित्तम् (cittam) mente, consciência. ||37||
Ou (contemplando) uma mente que superou o apego.
(Vyāsa): Se um Yogin medita com a mente livre de paixão, também, alcança a estabilidade mental.
38- स्वप्ननिद्राज्ञानालम्बनं वा (svapna-nidrā jñāna-ālambanam vā) ॥३८॥
स्वप्न (svapna) sonho; निद्रा (nidrā) sono profundo; ज्ञाना (jñāna) conhecimento, intuição, insight; आलम्बनम् (ālambanam) suporte, fundamento; वा (vā) ou. ||38||
Ou [a mente do Yogin fica estabilizada] quando é apoiada por intuições [decorrentes de] sonho e do estado de sono.
(Vyāsa): O Yogin que adota como objeto de concentração as imagens dos sonhos ou o estado de sono (sem sonhos) também pode atingir a estabilidade mental.
39- यथाभिमतध्यानाद्वा (yathā-abhimata-dhyānād-vā) ॥३ ९॥ 
यथा (yathā) como; अभिमत (abhimata) agradável; ध्यान (dhyānād) meditando; वा (vā) ou. ||39||
Ou [a mente se torna estável] através da meditação sobre um objeto desejável.
(Vyāsa): Qualquer objeto considerado apropriado pode ser contemplado. Se alguém consegue estabilizar a mente com um objeto, também, poderá obter estabilidade com qualquer outro objeto.
40- परमाणुपरममहत्त्वान्तोऽस्य वशीकारः (paramāṇu parama-mahattva-anto-‘sya vaśīkāraḥ) ॥४०॥ 
परमा(parama) extremo, maior; अणु (aṇu) pequeno, átomo; परम (parama) extremo; महत्त्वा (mahattva) magnitude, grandeza; अन्तो (anto) entre limites, de ... para; अस्य (asya) deles; वशीकारः (vaśīkāraḥ) controlar. ||40||
Quando a mente desenvolve o poder de estabilização da menor à maior magnitude, então a mente fica sob controle.
(Vyāsa): Contemplando coisas sutis, a mente pode alcançar a estabilidade no domínio infinitesimal.
Da mesma forma, contemplando objetos extensos, ela pode se estabilizar no infinitamente grande, que é ilimitado. Meditando entre os dois extremos, a mente adquire o poder de se fixar no objeto que desejar. Isso daria completo domínio à mente. Com isso, a mente alcança a perfeição e não há mais necessidade de adquirir estabilidade, nem de nova purificação para prática.
41- क्षीणवृत्तेरभिजातस्येव मणेर्ग्रहीतृग्रहणग्राह्येषु तत्स्थतदञ्जनता समापत्तिः (kṣīṇa-vr̥tter-abhijātasy-eva maṇer-grahītr̥-grahaṇa-grāhyeṣu tatstha-tadañjanatā samāpattiḥ) ॥४१॥ 
क्षीण (kṣīṇa) diminuído, enfraquecido; वृत्ति: (vṛtteḥ-vr̥ttiḥ) flutuação, modificação; अभिजात (abhijāta) transparente, precioso; इव (iva) semelhante, de forma igual; मणे (maṇi-maṇeḥ) joia, pedra preciosa; र्ग्रहीतृ (grahītr̥) conhecedor; ग्रहण (grahaṇa) ato de, conhecimento; ग्रह्य, ग्राह्येषु (grahya, grāhyeṣu) conhecido; तत्स्थ (tat stha) permanência em algo, fixação da mente no objeto; तदञ्जनता (tadañjanatā) identificação da mente com o objeto; समापत्तिः (samāpattiḥ) identificação completa, fusão ou coincidência. ||41||
Quando as flutuações diminuem, a mente, ao fixar um objeto, se comporta como uma joia transparente que assume a forma e as cores dos objetos. Assim o conhecedor, o conhecimento e o objeto do conhecimento formam um estado desprovido de diferenciação, chamado de Samapatti.
(Vyāsa): Flutuação atenuada refere-se ao estado da mente quando todas as modificações, exceto uma, desapareceram dela. O exemplo escolhido foi o de uma joia preciosa transparente. Assim como um cristal é colorido pelas várias cores das diferentes coisas ao lado das quais ele se encontra e aparece como tendo a forma da coisa colorida (upaçraya), então a mente repousando sobre um objeto, e absorta nele, parece assumir sua natureza. Uma mente colocada em elementos sutis e envolvida neles é colorida pela natureza de tais elementos sutis, enquanto uma mente absorvida em elementos grosseiros é colorida por sua natureza grosseira. Da mesma forma, a mente ocupada com uma infinita variedade de objetos externos fica envolvida em tal variedade e se torna o seu refletor. O mesmo vale para os instrumentos de recepção, ex. os órgãos do corpo. Quando a mente se concentra nos instrumentos de recepção, ela fica ocupada e tingida por eles. Quando a mente se coloca a pensar exclusivamente no conhecedor, ela fica absorvida nele e se torna tingida com a natureza do conhecedor (Grahita). Da mesma forma, quando a mente está ocupada com o pensamento de uma alma liberada, a mente exibe a natureza de tal alma. Esse processo de concentração, a joia transparente que assume a forma do objeto sobre o qual repousa, o 'descanso' da mente e sua identificação com o receptor, e o objeto recebido, ex. Grahita (eu empírico) é chamado Samapatti ou absorção. 
42- तत्र शब्दार्थज्ञानविकल्पैः संकीर्णा सवितर्का समापत्तिः (tatra śabdārtha-jñāna-vikalpaiḥ saṁkīrṇā savitarkā samāpattiḥ) ॥४२॥ 
तत्र (tatra) naquilo segundo algo; शब्द (śabda) palavra, significado; अर्थ (artha) objeto, intenção; ज्ञान (jñāna) conhecimento; विकल्पैः (vikalpaiḥ) imaginação, construção mental; संकीर्णा (saṃkīrṇā) mesclado, intercalado; सवितर्का (savitarkā) acompanhado por reflexão; समापत्तिः (samāpattiḥ) identificação completa. ||42||
Esta completa identificação em que idealização e conhecimento real baseados na percepção sensorial e no raciocínio estão presentes num estado misto, com a mente alternando entre eles, é chamado de Savitarka samādhi.
(Vyāsa): Para explicar: a palavra "vaca", o objeto indicado pela palavra "vaca", a impressão mental criada pela palavra "vaca", que implica sua forma, vários usos, etc., embora sejam diferentes, geralmente são considerados em conjunto. Mas, sendo diferenciadas, as características da palavra, do objeto significado e da ideação tornam-se distintas. Quando na mente de um Yogin absorto no pensamento de uma vaca, há a mistura da palavra (vaca), o objeto (o próprio animal) e a ideia da vaca, esse estado é chamado Savitarka Samapatti
43- स्मृतिपरिशुद्धौ स्वरूपशून्येवार्थमात्रनिर्भासा निर्वितर्का (smr̥ti-pariśuddhau svarūpa-śūnyeva-arthamātra-nirbhāsā nirvitarkā) ॥४३॥
स्मृति (smr̥ti) memória profunda; परिशुद्धौ (pariśuddhau) depuração, completamente purificada; स्वरूप (svarūpa) própria natureza, essência; शून्येवा (śūnyeva) como se fosse vazio; अर्थमात्र (arthamātra) único objeto; निर्भासा (nirbhāsā) brilhando; निर्वितर्का (nirvitarkā) forma de samādhi com ausência de reflexão. ||43||
Quando a memória está bem purificada, o conhecimento do objeto de concentração brilha sozinho, e a mente apresenta-se sem consciência reflexiva. Isto é nirvitarka samādhi, ou samādhi com ausência de reflexão.
(Vyāsa): Quando a memória do significado convencional das palavras e o conhecimento derivado da inferência e do testemunho cessam, a cognição resultante parece perder sua natureza como cognição e se torna, por assim dizer, da natureza do objeto. Isso é chamado Nirvitarka Samapatti (super-deliberativo). Isso foi explicado (na introdução do Sutra). O objeto contemplado em Nirvitarka Samapatti é conhecido como uma unidade única, como um objeto que é real e como um conjunto de átomos particulares. Tal reunião de todos os átomos constituintes representa suas características comuns e é inferido da sensação e do uso do estado grosseiro manifestado. Aparece em dependência de suas causas. Quando ocorre uma mudança nas características, o conjunto particular também desaparece. Tal conjunto de características é chamado de "todo", que é um, grande ou pequeno, tangível, mutante e transitório, que o torna utilizável na vida prática.
         Aqueles que não acreditam que o agenciamento é real e que seus componentes sutis também não são perceptíveis em Nirvichara samadhi terão que concluir que, na ausência de um "todo", a cognição de um objeto é errônea porque não corresponde à realidade. Desta forma, quase todas as cognições se tornarão errôneas. Então, será o destino do conhecimento válido quando pode haver algo para seu objeto? Pois tudo o que é cognoscível pelos sentidos é pronunciado como "todo". Por estas razões, deve-se concluir que existe um "todo" que é possível de ser grande, pequeno, etc. e que forma o objeto de Nirvitarka Samapatti.
44- एतयैव सविचारा निर्विचारा च सूक्ष्मविषय व्याख्याता (etayaiva savicārā nirvicārā ca sūkṣma-viṣaya vyākhyātā) ॥४४॥ 
एतया (etaya) por isto; एव (eva) assim também; सविचारा (savicārā) com reflexão; निर्विचारा (nirvicārā) sem reflexão; च (ca) e; सूक्ष्म (sūkṣma) sutil; विषय (viṣaya) objeto; व्याख्याता (vyākhyātā) são descritos. ||44||
Da mesma forma, samādhi savichara (reflexivo) e o nirvichara (não-reflexivo), que são praticados sobre objetos sutis, são explicados.
(Vyāsa): Destes, a absorção que ocorre na forma grosseira dos elementos sutis condicionados pelo espaço, tempo e causa é chamada Savichara ou reflexiva. Nele, o objeto de contemplação é reconhecido como uma unidade única de um elemento sutil com características manifestadas e seu conhecimento é adquirido no estado de concentração. Quando, no entanto, o Samapatti ou a imersão em elementos sutis não é afetado por qualquer mutação que possa ocorrer neles no tempo, ou seja, passado, presente e futuro, e se refere ao objeto apenas quando ele abrange todas as propriedades (possíveis) do objeto, e todas as suas posições espaciais (isto é, não são condicionadas pelo espaço), esse tipo de imersão envolvente é chamado Nirvichara. ou supra-refletivo. "O elemento sutil é assim", "é assim que foi tomado para a concentração" - esse tipo de reflexão verbal colore o conhecimento adquirido em Savichara ou a concentração reflexiva. E quando o conhecimento derivado dele está livre da consciência reflexiva e é apenas do objeto da imersão, é o Nirvichara. Dos Samapattis, aqueles relacionados a objetos grosseiros são Savitarka ou Nirvitarka e aqueles relacionados a objetos sutis são Savichara ou Nirvichara. Isto é como estabelecendo que o Nirvitarka está livre de Vikalpa, tal liberdade de ambos e Nirvichara é explicada.
45- सूक्ष्मविषयत्वं चालिङ्गपर्यवसानम् (sūkṣma-viṣayatvam-ca-aliṅga- paryavasānam) ॥४५॥
सूक्ष्म (sūkṣma) sutil; विषयत्वं (viṣayatvam) objeto; च (ca) e; अलिङ्ग (aliṅga) indiferenciado; पर्यवसानम् (paryavasānam) terminam. ||45||
O carácter de sutileza dos objetos culminam em alinga ou o não manifestado.
(Vyāsa): A forma sutil do elemento ksiti (pṛthivī) é o tanmatra (gandha) cheiro, do elemento ap é o tanmatra (rasa) sabor, de elemento tejas (agni) é o tanmatra (rupa) forma, do elemento vāyu é o tanmatra (sparsa) toque, do elemento ākāśa é o tanmatra (Śabda) som. A forma mais sutil que tanmatra é Ahamkara e a forma ainda mais sutil que ego é o primeiro manifestado Mahan ou Mahat - tattva. A forma mais sutil do primeiro manifestado (Mahan) é o não-manifestado (Prakrti). Não há nada mais sutil do que o não manifestado. Diz-se que Purusa é mais sutil do que isso, a resposta é: 'Isso é verdade, mas a sutileza do Purusa não é do mesmo tipo que a da Prakrti não manifestada'. Purusa não é a causa material do primeiro objeto manifesto, ié. Mahat, mas sua causa eficiente. É por isso que se diz que a sutileza atingiu seu limite em Pradhana ou Prakrti (que é o estado de equilíbrio dos três Gunas ou princípios constituintes).
46- ता एव सवीजः समाधिः (tā eva sabījaḥ samādhiḥ) ॥४६॥ 
ता (tā) estes; एव (eva) somente, certamente; सवीजः(sabījaḥ) com semente; समाधिः (samādhiḥ) absorção, concentração plena. ||46||
Todos esses (Savitarkā, Nirvitarkā, Savicārā e Nirvicārā) são sabija samādhis (com semente).
(Vyāsa): As quatro variedades de absorção descritas anteriormente têm a matéria externa como seus objetos; é por isso que, apesar de serem concentrações, precisam depender de algo para se desenvolver. Dois deles, Savitarka e Nirvitarka, se relacionam com objetos grosseiros, enquanto os outros dois, Savichara e Nirvichara, se relacionam com coisas sutis.
47- निर्विचारवैशारद्येऽध्यात्मप्रसादः (nirvicāra-vaiśāradye-‘dhyātma-prasādaḥ) ॥४७॥ 
निर्विचार (nirvicāra) não-reflexivo; वैशारद्ये (vaiśāradye) clareza intelectual, lucidez; अध्यात्म (adhyātma, Ser interior) Self; प्रसादः (prasādaḥ) pacificação, estabilização. ||47||
Ao obter competência em Nirvichara (samādhi), a clareza intelectual é atingida.
(Vyāsa): Quando as impurezas que obscurecem a natureza iluminadora de Buddhi são removidas, há um fluxo inefável de tranquilidade livre das impurezas de Rajas e Tamas, e isso é chamado de realização da competência. Quando o Yogin obtém tal proficiência na concentração de Nirvichara, ele alcança a pureza em seus instrumentos internos de recepção, dos quais ele obtém o poder de conhecer as coisas como elas são, simultaneamente, isto é, sem qualquer sequência de tempo e em todos os seus aspectos; ou em outras palavras, ele adquire a luz clara do conhecimento através do poder de realização. O Mahabharata diz: “Como um homem no topo da colina vê o homem nas planícies, assim alguém que subiu ao palácio do conhecimento e se libertou da dor vê outros que estão sofrendo.
48- ऋतम्भरा तत्र प्रज्ञा (ṛtaṃbharā tatra prajñā) ॥४८॥
ऋतम्भरा (ṛtaṃbharā) portador da verdade; तत्र (tatra) naquele; प्रज्ञा (prajñā) conhecimento transcendente. ||48||
O conhecimento obtido, é chamado rtambhara (portador da verdade)
(Vyāsa): Quando os instrumentos de cognição são purificados, o conhecimento que aparece na mente absorta é chamado Ṛtaṃbharā (literalmente cheio de verdade pura) justificando o nome dado a ele. Ele retém e sustenta a verdade sozinho, sem nenhum traço de equívoco. Diz-se sobre isso: ''Conquista-se através do estudo das escrituras religiosas, por inferência e pelo apego à prática da meditação, desenvolvendo uma percepção intensa nestes três caminhos, o Yoga perfeito (ou sem sementes, ou seja, a concentração sem objeto)'.
49- श्रुतानुमानप्रज्ञाभ्यामन्यविषया विशेषार्थत्वात् (śruta-anumāna-prajñā-abhyām-anya-viṣayā viśeṣa-arthatvāt) ॥४ ९॥
श्रुता (śruta) ouvido, tradição oral; अनुमान (anumāna) inferência, dedução; प्रज्ञा (prajñā) conhecimento transcendente; अभ्याम (abhyām) através; अन्य (anya) outro, diferente; विषया (viṣayā) objeto; विशेष (viśeṣa) característica, particular; अर्थत्वात् (artha tvāt) propósito, finalidade. ||49||
(ṛtaṃbharā prajñā) é diferente do (conhecimento derivado) do testemunho ou da inferência, porque estes estão relacionados com as características particulares dos objetos.
(Vyāsa): O que vem de outras fontes, como as derivadas das instruções recebidas, está relacionado a generalidades. Tais instruções não podem descrever propriedades específicas completamente, porque as palavras não podem descrever recursos específicos, uma vez que não significam esses recursos. Assim também no caso da inferência, como foi dito antes (Sutra I. 7), que onde quer que haja mudança de posição, infere-se que há movimento, onde não há tal mudança, não pode haver inferência de movimento. Assim, por inferência, apenas conclusões gerais podem ser obtidas. É por isso que nenhum objeto de comunicação verbal ou inferência pode ser um objeto paticular. Além disso, uma coisa que é sutil, escondida da vista ou situada à distância, não pode ser conhecida pela observação comum. Ao mesmo tempo, não se pode dizer que uma coisa cujo conhecimento particular não possa ser obtido por comunicação verbal, inferência ou observações comuns não exista. O conhecimento de detalhes relativos aos elementos mais sutis ou ao receptor do tipo Purusa (Mahan) é, no entanto, obtido pela iluminação adquirida através de Samadhi. Portanto, esse conhecimento particular é diferente do conhecimento (geral) derivável da comunicação verbal ou inferência.
50- तज्जः संस्कारोऽन्यसंस्कारप्रतिबन्धी (tajjas-saṁskāro-‘nya-saṁskāra pratibandhī) ॥५०॥
तज्जः (tajjas) já causado, este já produzido; संस्कारो (saṃskāro) impressões latentes; अन्य (anya) outro, distinto; संस्कार (saṃskāra); प्रतिबन्धी (pratibandhī) impedido, obstruido. ||50||
A impressão latente nascida de (ṛtaṃbharā prajñā) obstrui as outras impressões latentes.
(Vyāsa): As impressões latentes de insights obtidos pela concentração (Samadhi) inibem as impressões latentes da vida empírica. Quando as impressões latentes da vida empírica são subjugadas, nenhuma modificação cognoscível pode emergir dela. Quando as modificações são restringidas, Samadhi ou concentração é alcançado. Daí vem o conhecimento samadico que gera impressões latentes de tal conhecimento. É assim que novas impressões latentes crescem. Pode-se questionar por que tal profusão de latências não abre a mente para a mutabilidade. A resposta é que essas latências sendo destruidoras da aflição não criam uma disposição para a mutabilidade. Por outro lado, elas desviam a mente de suas tendências (de produzir modificações). O esforço mental existe até a aquisição do conhecimento discriminativo.
51- तस्यापि निरोधे सर्वनिरोधान्निर्वीजः समाधिः (tasyāpi nirodhe sarva-nirodhān-nirbījaḥ samādhiḥ) ॥५१॥ 
तस्यापि (tasyāpi) disto também; निरोधे (nirodhe)  supressão, restrição; सर्व (sarva) todo; निरोध (nirodhān) da supressão; निर्बीज (nirbījaḥ) sem semente; समाधिः (samādhiḥ) absorção, concentração plena. ||51||
Com a supressão, mesmo, das impressões causadas por (ṛtaṃbharā prajñā) e da supressão de todas outras impressões surge o nirbīja samādhi.
(Vyāsa): Essa concentração sem objeto não é apenas contrária ao Sampranata-samadhi, mas também se opõe à formação de impressões latentes desse Samadhi, porque as impressões latentes de Nirodha, que é a completa paralisação da modificação, ou aquelas do supremo desapego, destroem as impressões latentes de Samprajnata samadhi. A partir do conhecimento da duração do tempo durante o qual a mente parou seu funcionamento, a existência da impressão latente daquele estado aprisionado pode ser inferida. Nesse estado, a mente se funde em sua causa constituinte, a sempre presente Prakrti, junto com as impressões latentes de Samprajnata-samadhi, bem como com tais impressões latentes que levam ao Kaivalya ou ao estado de liberação. É por isso que as impressões latentes de tal conhecimento destroem a disposição para a mutação e não contribuem para a continuidade da mente, porque com o término de tal predileção, a mente deixa de atuar à medida que as impressões latentes que levam à salvação se acumulam. Quando a mente deixa de funcionar, Purusa fica isolado em Si mesmo, e é por isso que Ele é então chamado puro e liberado.
(Aqui conclui o Capítulo sobre Concentração sendo a primeira parte dos Comentários de Vyasa conhecida como Sāṁkhyapravacanasūtra sobre a filosofia do Yoga de Patañjali.)
Links
Yoga Philosophy of Patañjali - Swami Hariharananda Aranya
The Yoga System of Patañjali - J. H. Woods
The Yoga Sutras of Patañjali - G Feuerstein
The Yoga Sutras of Patañjali - E. F. Bryant
Science of Yoga - I. K. Taimni
Yoga Sutras Study Group - Subhash Mittal
Patanjali's Yoga Sutras - Ronald Steiner
Yoga Sutras with Vedanta commentaries
Yoga Dharsana - José Antonio Offroy
Centre of Yoga Studies- Patanjali
Yoga Sutras de Patanjali Kofi Busia
Yoga Sutras of Patañjali - Wikipedia



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